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Amalrico de Jerusalém

Amalrico foi rei de Jerusalém de 1162 até à sua morte, e conde de Jafa e Ascalão antes de sua ascensão ao trono. Era o segundo filho de Melisende de Jerusalém com Fulque V de Anjou, e o irmão mais novo do seu antecessor, o rei Balduíno III.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Subida ao trono

Depois da morte de Fulque, o trono de Jerusalém passou para o governo conjunto de Melisende com Balduíno III. Em 1152, Balduíno já tinha atingido a maioridade há sete anos, e começou a afirmar-se na política do reino. Apesar de anteriormente não ter expresso o seu interesse na administração, agora exigia mais autoridade. A sua relação com a mãe foi deteriorando desde 1150, com o jovem rei a acusar o condestável do reino, Manasses de Hierges, homem de confiança de Melisende, de interferir na sua sucessão legal. O conflito agudizou-se quando Balduíno organizou uma procissão nas ruas da cidade, usando uma coroa de louros como que em auto-coroação, sem a presença de Melisende. Mãe e filho acabaram por concordar em deixar a decisão para a Alta Corte de Jerusalém, um tipo de conselho real que compreendia a nobreza e o clero do reino. Os nobres decretaram que o jovem rei governaria no norte do reino: na Galileia e nas cidades de São João de Acre e Tiro; a rainha nas regiões mais ricas da Judeia e Samaria, para além da cidade de Jerusalém.

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Invasões ao Egito

Como qualquer estado cruzado, o Reino Latino de Jerusalém estava constantemente em estado de guerra com os territórios vizinhos. Desde o erro estratégico de Balduíno III em atacar em 1147 a cidade-estado de Damasco, o seu único aliado muçulmano, durante a Segunda Cruzada, a fronteira norte ficou exposta aos ataques de Noradine. O poder deste líder muçulmano foi gradualmente aumentando, com Mossul, Alepo e depois Damasco sob o seu poder. Jerusalém também perdeu a sua influência para o Império Bizantino no norte da Síria, quando o Principado de Antioquia caiu sob a suserania de Manuel I Comneno. Apesar disso, os bizantinos sofriam também uma escalada nos seus próprios conflitos, particularmente com os normandos da Sicília. O Egito, enfraquecido por uma sucessão de jovens califas fatímidas e pela guerra civil, foi o território inimigo mais atacado durante o reinado de Amalrico. A conquista desta nação era um desejo dos cruzados desde a época de Balduíno I, o primeiro rei de Jerusalém, e até o fundador do reino latino, Godofredo de Bulhão, tinha prometido ceder a cidade de Jerusalém ao patriarca Dagoberto de Pisa se este conseguisse tomar Cairo.

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Aliança bizantina

De volta ao seu reino, Amalrico casou-se em 1167 com Maria Comnena, sobrinha-neta do imperador bizantino Manuel I Comneno. As negociações tinham demorado dois anos, principalmente porque o monarca cruzado insistira em Manuel devolver Antioquia a Jerusalém. Mas assim que abandonou esta exigência, o casamento pôde realizar-se na cidade de Tiro a 29 de agosto. Durante este período a viúva de Balduíno III de Jerusalém, Teodora Comnena, fugiu com o seu primo Andrónico I Comneno para Damasco, e assim a cidade de São João de Acre voltou para o domínio real de Jerusalém. Ao mesmo tempo Guilherme de Tiro foi nomeado arcediago de Tiro e empregado por Amalrico para escrever uma história do reino. Em 1168, Amalrico e Manuel negociaram uma aliança contra o Egito, e o cronista do reino estava entre os embaixadores enviados a Constantinopla para finalizar o tratado. Com a nova aliança formada, apesar do tratado de paz acordado com o Egito, o monarca de Jerusalém invadiu o norte de África, acusando Xauar de tentar aliar-se a Noradine. Os Templários recusaram-se a participar nesta incursão, mas a Ordem do Hospital, não só deu um forte apoio à invasão como provavelmente influenciou a decisão do rei.

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Emergência de Saladino

Em Janeiro de 1169, Xircu assassinou Xauar e tornou-se vizir, mas morreu apenas dois meses depois e foi sucedido pelo seu sobrinho Saladino. Preocupado com o crescente poder deste novo líder, Amalrico enviou o arcebispo de Tiro à Europa para solicitar reforços aos reis e nobres do velho continente, mas nenhuma ajuda lhe foi enviada. No fim do ano o Império Bizantino enviou uma frota e assim em Outubro Amalrico lançou outra invasão. Mas o cerco de Damieta foi demorado e a falta de alimentos no campo cristão determinou o fim da acção; os bizantinos culparam os cruzados pelo fracasso e vice-versa. Depois de assinar um acordo de paz com Saladino, Amalrico voltou ao seu reino. Em 1170 Saladino invadiu o reino latino e tomou a cidade de Eilat, cortando a ligação de Jerusalém com o mar Vermelho. Originalmente nomeado vizir do Egito, no ano seguinte Saladino acabou por suceder ao último califa do Califado Fatímida e entrou em conflito com Noradine.

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Casamentos e descendência

Amalrico casou-se pela primeira vez em 1157 com Inês de Courtenay, filha do conde Joscelino II de Edessa com Beatriz, filha do rei Constantino I da Arménia. Deste matrimónio nasceram: Depois de anulado o seu primeiro casamento em 1162, casou-se em 1167 com Maria Comnena (filha de João Comneno, duque bizantino de Chipre, com Maria Taronitissa, descendente dos reis da Arménia), sobrinha-neta do imperador bizantino Manuel I Comneno. Dela teve: No leito da morte, Amalrico legou Nablus a Maria e Isabel, para onde se deveriam retirar. Foi sucedido pelo seu filho Balduíno IV, o leproso.

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Legado

Guilherme de Tiro usufruiu de uma relação de amizade com Amalrico e descreveu-o detalhadamente: «Ele tinha um ligeiro impedimento na fala, não suficientemente grave para ser considerado uma falta, mas o suficiente para o incapacitar de ter uma eloquência expedita. Era muito melhor no conselho [juízo] que no discurso fluente ou elaborado.» Como o seu irmão Balduíno III, era mais um académico que um guerreiro. Não apreciava jogos ou espectáculos, mas gostava da caça. Gostava particularmente de ler ou que lessem para ele, passando longas horas a ouvir Guilherme de Tiro ler esboços da sua Historia. Estudava direito e idiomas nos seus tempos livres: «Era proficiente na lei geral pela qual o reino era governado – de facto, não perdia para ninguém a este respeito.» Terá provavelmente sido o responsável por uma lei da década de 1170 que decretou que todos os nobres passariam a ser vassalos directos do rei, e assim poderiam passar a apresentar-se perante a Haute Cour, antes reservada apenas aos nobres mais poderosos. Esta lei foi provavelmente criada depois de uma disputa entre Amalrico e Gerard, senhor de Sídon, que expropriara um dos seus vassalos e se recusara a devolver-lhe as terras, mesmo depois da intervenção do rei. Por pouco não se chegou ao ponto de conflito armado.

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