Forte Aljalali
Forte Aljalali ou Forte Oriental é um forte no porto em Velha Mascate, em Omã. Foi erigido pelo Império Português por ordem do rei Filipe I (r. 1581–1598), entre 1586 e 1588, para proteger o porto depois de Mascate ter sido saqueada duas vezes por forças otomanas. Em 1650, caiu às forças omanis. Nas guerras civis entre 1718 e 1747, foi capturado duas vezes por persas convidados a apoiar um dos imames rivais. Depois, sofreu extensa reconstrução.
Os portugueses chamavam à estrutura Forte de São João. A origem do actual nome "Aljalali" é disputada; uma teoria advém do arábico Aljalal, que significa "grande beleza". Uma lenda conta que foi baptizado em honra ao comandante balúchi Mir Jalal Cã, da tribo de Hote, tal como o Forte Almirani foi baptizado em honra ao seu irmão, Mir Mirane, que também era comandante. O forte também é conhecido como Forte Oriental.
"Mascate" significa "âncora". Fiel ao seu nome, a Velha Mascate é um porto natural numa posição estratégica entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Encontra-se na costa do Golfo de Omã numa baía com cerca de 700 metros de largura, protegida do lado do mar por uma ilha rochosa.[a] O porto está rodeado por montanhas, o que dificulta o acesso por via terrestre. Mascate poderá ter sido descrita pelo geógrafo Ptolomeu no século II, que registou um "porto escondido" na mesma região. Aljalali localiza-se sobre uma formação rochosa a leste do porto de Mascate. Encontra-se visível e próximo do forte Almirani, que está construído sobre outra formação rochosa a oeste do porto. Mascate era fortemente defendida por estes dois fortes contra ataques marítimos, pelo forte de Mascate mais a ocidente e por outras fortificações erigidas em formações rochosas um pouco por toda a circunferência da baía. Até bem recentemente, era apenas acessível a partir do lado do porto através de um conjunto de escadas talhadas na formação rochosa. A reclamação de terra realizada na costa, entre o forte e a baía, fizeram com que se originasse um espaço para um heliporto, e um caminho-de-ferro funicular torna o forte ainda mais acessível.
Contexto
No início do século XV, Mascate era um pequeno porto utilizado por navios para se abastecerem com água. No início do século XVI começou a tornar-se um importante centro de comércio. Nesta altura, o interior de Omã era controlado por um imame árabe, contudo a costa onde Mascate se situava encontrava-se sob poder do rei persa de Ormuz. Em 1497, o navegador português Vasco da Gama descobriu a rota marítima que contornava o extremo sul da África e, a leste, a rota em direcção à Índia e às ilhas das Especiarias. Os portugueses rapidamente tentaram estabelecer monopólio no comércio das especiarias, da seda e outros produtos. Assim, entraram em conflito com o Sultanato Mameluco do Egito cujo comércio com a Europa, que dependia de rotas pelo Mar Vermelho, se encontrava agora ameaçado. Ormuz era o principal centro das rotas comerciais com os atuais Iraque e Irão, através do Golfo Pérsico. Cientes disso, os portugueses também quiseram tomar o controlo desta rota.
Fortaleza portuguesa
Em 1527, os portugueses começaram a construir quartéis, armazéns e uma capela em Mascate, obra aparentemente concluída em 1531. Em 1546, uma força de quatro galeotas otomanas entrou no porto e bombardeou a cidade, sem, contudo, chegar a atracar. Para tornar o local mais seguro, os portugueses enviaram um engenheiro para construir um forte no lado ocidental do porto, onde o forte Almirani se encontra hoje. Os portugueses construíram assim este primeiro forte em Mascate, em 1550. Dois anos depois, em abril de 1552, uma frota otomana de 24 galeões e quatro embarcações de abastecimento comandada por Piri Reis deixou o Suez em direcção a Ormuz, com o objectivo de eliminar a presença portuguesa na região. Uma força de avanço desembarcou em Mascate em julho. Após um cerco de 18 dias, esta caiu perante as forças otomanas e o forte foi destruído. O oficial João de Lisboa, junto com 128 portugueses, foram feitos prisioneiros. A principal frota otomana chegou e toda a força seguiu para Ormuz. Os portugueses voltaram a conquistá-la em 1554, e no mesmo ano resistiram a um ataque otomano.
Invasões persas
Depois da morte, em 1718, do quinto imame iaruba de Omã, Sultão ibne Saíde II, uma luta começou entre vários pretendentes à posição. O forte Aljalali foi danificado durante esta guerra civil. O país ficou dividido entre Ceife ibne Sultão II e o seu primo Balárabe ibne Himiar. Vendo seu poder desvanecer, Ceife pediu ajuda a Nader Xá da Pérsia. Em 1788, a força que detinha os dois fortes do porto de Mascate rendeu-se perante as forças persas, que reembarcaram à Pérsia após saquearem o local. Alguns anos mais tarde Ceife, que havia sido deposto, voltou a pedir ajuda, e uma expedição persa chegou a Julfar, por volta de outubro de 1742. Os persas realizaram uma expedição mal-sucedida para capturar Mascate, tendo sido derrotados pelo estratagema do novo imame Sultão ibne Murxide. Mais tarde, em 1743, os persas voltaram, desta vez acompanhados por Ceife. Eles tomaram Mascate, mas os fortes Aljalali e Almirani continuaram a resistir e Ceife considerava uma rendição deles. Os historiadores de Omã dizem que o comandante persa, Mirza Taqui, convidou Ceife para um banquete no seu navio. Ceife ficou embriagado pelo vinho e o selo pessoal foi-lhe roubado, sendo usado para forjar um pedido para que os comandantes dos fortes se rendessem, um acto que se revelou bem-sucedido.
História posterior
Amade ibne Saíde Albuçaídi, o primeiro sultão da dinastia Abuçaíde, cercou Mascate e capturou os fortes em 1749. Mandou renovar os fortes, particularmente Aljalali; sua função mudou, passando de uma posição de defesa passiva do porto para uma base a partir da qual tropas poderiam ser despachadas. Nas décadas seguintes, o edifício principal no centro do forte e as torres redondas foram adicionadas à estrutura. No início de 1781, dois filhos de Amade ibne Saíde, Sultão ibne Amade e Ceife, tomaram o controlo dos fortes. Quando o governador de Mascate tentou recuperar o controlo dos fortes, Sultão e Ceife começaram a bombardear a cidade. Os dois irmãos ganharam o apoio do poderoso Xeique Sacar, que marchou na capital em abril de 1781. O pai deles concordou com uma amnistia, permitindo que os filhos rebeldes continuassem a controlá-los; mais tarde mudou de ideias e capturou Almirani, tendo eles continuado a resistir em Aljalali durante vários meses.
O forte Aljalali passou por um processo de restauração em 1983. Actualmente pouco resta do período português, havendo ainda algumas inscrições em língua portuguesa. Depois da restauração, o forte foi convertido num museu sobre a história cultural de Omã. Encontra-se aberto a entidades importantes, como a chefes-de-estado em visita, mas não está aberto ao público.O forte tem um papel especial em eventos especiais envolvendo a monarquia, eventos de navegação no porto de Mascate, fogos de artifício e outros eventos culturais. O forte é composto por duas torres com uma parede que as une, tendo esta várias aberturas por onde canhões podem ser instalados. O interior do forte está agora repleto de fontes e piscinas, árvores e jardins. O resultado tem sido descrito como uma "Disneificação". No centro do forte existe um pátio com várias árvores. À volta dele estão vários quartos, recintos e torres acessíveis através de um complexo sistema de escadarias que anteriormente puderam ter tido um propósito defensivo. Portas massivas com pontas de ferro protegem certas secções do forte.


