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Lusitanos

Os lusitanos constituiram um conjunto de povos ibéricos pré-romanos que habitaram o território entre os rios Douro e Tejo. Oriundos da Europa Central, provavelmente dos Alpes, chegaram à península Ibérica nas migrações célticas da Idade do Ferro. Em 29 a.C., na sequência da invasão romana a que resistiram por longo tempo, a província romana criada depois tomou o nome Lusitânia, e abrangia a parte do território ocupado por esse povo e regiões vizinhas ao sul e ao leste das tribos lusitanas. Dentro das atuais fronteiras políticas de Portugal concentra-se a maior fração do território que teria sido ocupado pelos lusitanos. Boa parte do seu território ficava situado em regiões fora do que viria, mais tarde, a ser Portugal. Não obstante, a sua capital era a cidade de Mérida, na Estremadura espanhola no período romano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Origem

Os antepassados dos lusitanos compunham um mosaico de diferentes tribos que habitaram Portugal desde o Neolítico. Miscigenaram-se parcialmente com os invasores celtas, dando origem aos lusitanos. Não se sabe ao certo a origem dessas tribos celtas, mas é muito provável que fossem oriundas dos Alpes suíços e teriam migrado devido ao clima mais ameno da Península Ibérica. Entre as numerosas tribos que habitavam a Península Ibérica quando chegaram os romanos, encontrava-se, na parte ocidental, a dos lusitanos, considerada por alguns autores a maior das tribos ibéricas, com a qual durante muitos anos lutaram os romanos. Supõe-se que a zona do centro de Portugal era habitada pelos Lusis ou Lysis que teriam dado origem aos Lusitanos. Os Lusis eram provavelmente povos do Bronze Final, linguisticamente de origem indo-europeia e pré-céltica que vieram a sofrer relevantes influências da Cultura de Hallstatt e mediterrânicas ao longo dos séculos VIII e VII a.C.

Etnia segundo os autores da Antiguidade

Os escritores da Antiguidade identificaram duas etnias na Península Ibérica, a ibera e a celta, e qualificavam os seus habitantes como sendo iberos ou celtas ou uma mistura das duas etnias. No entanto, o conceito de ibero podia ser usado num sentido geral, isto é, num sentido geográfico, referindo-se ao conjunto dos seus habitantes e num sentido restrito, referindo-se a um conjunto de tribos com a mesma etnia; ou podia mesmo variar consoante o conceito da época; e o mesmo pode-se considerar relativamente ao conceito de celta da Ibéria ou celtibero. Diodoro Sículo considerava os lusitanos um povo celta: "Os que são chamados de lusitanos são os mais valentes de todos os cimbros". Estrabão diferenciava os lusitanos das tribos iberas. Viriato foi referido como líder dos celtiberos. Os Lusitanos também eram chamados de Belitanos, segundo Artemidoro.

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Tribos

Povos (populi) que constituíam os Lusitanos, conforme descrito na Ponte de Alcântara (CIL II 760):

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Língua e escrita

As principais inscrições foram feitas em território português em Moledo (Castro Daire), Viseu e Cabeço das Fráguas; a outra inscrição procede de Arroyo de la Luz (Província de Cáceres, Espanha) no território dos vetões. Como exemplo segue-se a inscrição de Cabeço das Fráguas (concelho da Guarda) do século III d.C.: INDI PORCOM LAEBO COMAIAM ICCONA LOIM INNA OILAM VSSEAM TREBARVNE INDI TAVROM IFADEM[…] REVE TRE[…] As inscrições em língua lusitana (escritas em alfabeto latino) mostram uma língua celtoide facilmente traduzível e interpretável, já que conserva em maior grau a sua semelhança com o celta comum. A conservação do p- inicial em algumas inscrições lusitanas, faz com que muitos autores não considerem o lusitano como uma língua celta, mas celtoide. O celta comum perde o p- indo-europeu inicial. Por exemplo: "porc/om" em lusitano seria dito "orc/os" em outras línguas celtas como o celtibero, goidélico ou gaulês.

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Guerreiro lusitano

Os guerreiros ibéricos são citados como tropas mercenárias na batalha de Hímera em 480 a.C. Os mercenários ibéricos aparecem nos principais confrontos bélicos do Mediterrâneo, tornando-se num dos pilares dos exércitos do Mediterrâneo central. Estão presentes na batalha de Selinute, Agrigento, Gela e Calamina. Surgem em outros conflitos na segunda guerra greco-púnica, na Sicília, em Siracusa, em Atenas e estão presentes na defesa de Esparta na batalha de Crímios, na Primeira Guerra Púnica, e com os púnicos no norte de África. Tito Lívio (218 a.C.) descreve os lusitanos pela primeira vez como mercenários ao serviço dos cartagineses na guerra contra os romanos. Os lusitanos foram considerados pelos historiadores como hábeis na luta de guerrilhas. Eram indivíduos jovens na plenitude da sua força e agilidade e seleccionados dentre os mais fortes. Neles recaía a defesa da comunidade quando estava ameaçada. A preparação militar dos jovens guerreiros[a] tinha lugar nas montanhas em lugares específicos.

Mulheres guerreiras

Apiano relata que quando o pretor Bruto, ao perseguir Viriato, atacou as cidades da Lusitânia, as mulheres lutavam e morriam valentemente lado a lado com os homens. Depreende-se que de alguma forma o treino militar também era dado às mulheres em quem recaía também a defesa dos castros.

Iuventus lusitana

A iuventus era o nome romano para designar os jovens que tinham posição social relevante e desempenhavam uma função militar, ou seja, jovens de uma certa elite com capacidade militar. A iuventus lusitana era formada por grupos de jovens, que recebiam treinamento militar e que provavelmente serviam como militares de reserva na defesa dos castros. Organizações similares encontravam-se entre os celtas, celtiberos e romanos. O massacre da "flos iuventutis" lusitana, por Galba, desencadeou um conflito que ficou conhecido como a guerra lusitana.

Armas utilizadas pelo exército lusitano

Segundo Tito Lívio, são as seguintes as armas utilizadas pelo exército lusitano: Os guerreiros lusitanos realizavam competições entre si, em que tomavam parte a cavalaria e a infantaria; competiam em boxe, luta livre, corridas, faziam combates de grupo e combates entre esquadras. Estrabão reconhecia que os lusitanos lutavam como peltastas, e eram organizados e eficientes a posicionarem-se na linha de batalha ou a movimentarem-se concertadamente para posições estratégicas. As lutas dos lusitanos contra os romanos começaram como mercenários no exército púnico e depois reacenderam-se em 193 a.C. Em 150 a.C. o pretor Sérvio Galba, após ter infligido grandes punições aos lusitanos, aceitou um acordo de paz com a condição de entregarem as armas, aproveitando depois para os chacinar. Isso fez lavrar ainda mais a revolta e, durante oito anos, os romanos sofreram pesadas baixas.

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Estratégias militares

Os lusitanos não faziam uma guerra defensiva. Pelo contrário, planeavam uma guerra ofensiva. Faziam campanhas de longa distância e organizavam operações militares em diversos locais da Península Ibérica, chegando mesmo até África. A geografia destas operações militares mostra uma dupla intenção: assegurar o controlo das regiões da Beturia e com isto ocupar posições chave que impedissem o avanço dos romanos, e punir as tribos aliadas dos romanos que eram consideradas traidoras, além de destruir as bases operacionais que eram instaladas nestas cidades. A deslocação das operações militares para outra região implicava a divisão dos exércitos: havia exércitos que eram enviados para diversos locais na Península e exércitos que ficavam na Lusitânia a defender os castros. Compreende-se nesta divisão uma necessidade estratégica de defesa. Os romanos também dividiam os seus exércitos para cobrir uma região mais vasta, enviavam um contingente para a Hispânia Ulterior e outro para a Hispânia Citerior. Apiano relata um tipo de ataque concertado com duas frentes, em que dois exércitos consulares romanos, comandados por Luculus e Galba, invadiram de forma concertada duas regiões da Lusitânia. Estas acções concertadas frequentemente envolviam as tribos aliadas dos romanos.

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Estrutura dos povoados

As casas de pedra tinham forma redonda ou rectangular, eram cobertas de colmo e ficavam situadas no alto de morros ou colinas, agrupando-se em aldeias — os castros citados pelos historiadores antigos. As casas eram dispostas ordenadamente e formavam algo semelhante a bairros, organizados por famílias e subdivididos em diversos núcleos habitacionais que se distribuíam em torno de um pátio, de acordo com a sua função. Incluíam cozinha com lareiras e forno, local de armazenagem de géneros, zonas de dormida, recinto para guarda de animais. A decoração das casas, em relevo e gravura, era feita com motivos geométricos, em forma de corda, de espinha, com círculos encadeados ou sinais espiralados, tríscelos e tetrascelos, cruciformes e serpentiformes. Nos castros destacava-se um grande edifício de planta circular, para reuniões do conselho comunitário, com bancos ao redor. As ruas eram calcetadas com pedras regulares.

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Sociedade

A sociedade lusitana, essencialmente guerreira, denotava a presença de uma hierarquia social em que o guerreiro ocupava uma importante posição. Era uma sociedade aristocrática, na qual a maior parte da riqueza estava nas mãos de um grupo reduzido de pessoas. A presença de joias e de armas nos túmulos indica a presença de uma elite guerreira. A organização da família lusitana revela uma estrutura gentílica da sua sociedade. Era referida nas fontes epigráficas com a designação de gentes ou gentiliates. Os lusitanos encontravam-se unidos entre si por laços de sangue ou parentesco e não pelo território ocupado. O tipo de governo era a chefia militar e o líder era eleito em assembleia popular, escolhido entre aqueles que se distinguiam pela coragem, valor, capacidade de liderança e vitórias obtidas em tempo de guerra.[carece de fontes?] Os autores gregos referiam-se a estes chefes militares como hegúmenos, isto é, líder, chefe, e os romanos duque. No entanto, o nome de regnator (rei), e príncipe, também foram referidos. O hospitium, segundo o qual se adoptavam estranhos na comunidade, é também considerado um costume dos lusitanos.[carece de fontes?]

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Culto religioso

Os lusitanos praticavam sacrifícios humanos e, quando o sacerdote feria o prisioneiro no ventre, faziam-se vaticínios segundo a maneira como a vítima caía. Sacrificavam a Ares, deus da guerra, não só prisioneiros, como igualmente cavalos e bodes. Os sacerdotes, a quem Estrabão chama de hieroskópos, segundo a hipótese de alguns autores, fariam parte de um grupo de pessoas reconhecidas pelo seu prestígio, sabedoria e experiência. Os locais de culto funerário, de grande interesse para os arqueólogos, encontram-se por todo o território da antiga Lusitânia. Do período paleolítico, conhecem-se cemitérios onde os corpos estavam dispostos com restos de alimentos, utensílios e armas; do megalítico abundam os dólmens, conhecidos em Portugal como antas ou mamoas — porque os montículos de terra que se acumularam sobre eles criaram essa forma arredondada. Os santuários eram erigidos nas massas rochosas de locais com certo domínio da paisagem, à beira de cursos de água ou junto a montes. Nesses santuários encontram-se cadeirões de pedra, pias e altares, como no Castelo do Mau Vizinho, no Santuário da Rocha da Mina, no Cadeirão da Quinta do Pé do Coelho, ou no Penedo dos Mouros.

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