Alminhas
As alminhas ou nichos das almas em Portugal, conhecidas na Galiza como petos de ânimas, são oratórios de culto às almas do Purgatório ou, por vezes, a outras devoções. A sua construção relaciona-se com a necessidade de sacralização do espaço, protegendo simbolicamente as comunidades locais das ameaças espirituais que colocavam em perigo a segurança e a coesão da comunidade.
Desconhece-se a origem destes monumentos, porém já os Gregos, os Celtas, os Romanos e outros povos da antiguidade erguiam monumentos à beira dos caminhos e nas encruzilhadas dedicados aos seus deuses protetores dos viajantes. No entanto, só a partir do século XV é que começaram a aparecer efetivamente as representações artísticas do Purgatório. Na sequência da adoção pelo Concílio de Trento, a tese teológica da existência de um lugar intermédio de expiação dos pecados foi reforçada. Este conceito teológico aparece frequentemente representado em painéis pintados com cenas onde se vê a disputa entre anjos e demónios pelas almas, que necessitariam do auxílio dos vivos através de orações contínuas. Até então a doutrina vigente era de que a separação do destino das almas, entre o Céu e o Inferno, ocorreria apenas no dia do Juízo Final. Esta inovação, com a forma de um lugar intermédio de expiação dos pecados mais ligeiros, foi também um instrumento de controle, da vida terrena dos crentes, por parte da Igreja, uma vez sendo todos os humanos pecadores, todos teriam também como certa a passagem da sua alma pela expiação do Purgatório.


