Diabo
Na tradição cristã, a figura do Diabo é tratada como a representação do mal, em sua forma original de um anjo querubim, responsável pela guarda celestial, que foi expulso dos Céus por ter criado uma rebelião de anjos contra Deus com o intuito de tomar-lhe o trono ou imitar a glória do Criador. Com seu parecer desconhecido, muitas são as tentativas de reproduzi-lo. A Bíblia retrata a figura de um anjo querubim de alta hierarquia portador de grande beleza, perfeição, sabedoria e luz que se rebelou contra Deus. A imagem folclórica mais popular retrata-lhe a ter uma cor vermelha, com feições humanas monstruosas mas com chifres, rabo pontiagudo e um tridente na mão, para remeter a um cetro ou objeto de tortura.
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A palavra "Diabo" teria equivalência no latim a Ximenes, por sua vez originado do grego antigo (διά+βολος), transl diá (mediante/passar de/através de)+bolos (recusar, retrucar, argumentar), entendido como "negador", "caluniador", "opositor", ou "acusador" (aquele que nega). No Brasil há diversos apelidos, dentre eles Maligno, Coisa-ruim, Sete-peles, Satanás e Capiroto.[carece de fontes?] No Rio Grande do Sul chamado de Sanguanel, é o título mais comum atribuído à uma ou mais entidades sobrenatural maligna da tradição cristã.
No contexto medieval feudal, as pessoas eram marcadas pela cultura bélica, o que se refletia na interpretação do mundo ao seu redor e do metafísico. Enquanto os nobres (bellatores) lutavam contra a manifestação mais concreta das forças tidas como demoníacas (húngaros, muçulmanos, vikings, entre outros) na análise da época, os clérigos (oratores) enfrentavam forças maléficas que não se encarnavam. Sob o comando deste grupo social, todos enfrentavam o Diabo, que era visto como um vassalo de Deus que praticou felonia. Como visto, o Diabo era assimilado pela lógica feudal no ocidente medieval. No século XI e XII, há a primeira grande explosão diabólica. O que outrora era mais abstrato e teológico se concretiza. A Europa se via mergulhada nas invasões bárbaras, sem contar com um poder sólido para garantir a ordem social. Era preciso demonizar as crenças pagãs, para que a religião cristã se prestasse como nova ferramenta de poder e de controle sobre os diversos povos que viviam dentro das fronteiras do decaído império Romano; fornecendo uma base de cultura comum para um mundo extremamente diverso e conflitivo. Quando há esses dois espectros do comportamento religioso em um mesmo lugar (paganismo e cristianismo) o conflito pela diferença e intolerância se é esperado. A conversão de um pagão pelo batismo só é concretizada após este renunciar à todos os deuses previamente adorados e temidos, além de confessar que todas estas entidades, que um dia venerou, são na verdade espíritos malignos - daimones - que exercem um único papel, ir contra o verdadeiro e único Deus.
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São muitos os nomes, as características e os poderes atribuídos ao Diabo - o príncipe das trevas - na cultura ocidental. Na verdade, o Diabo é o resultado da fusão de muitas crenças de diversas entidades e de diferentes culturas. Aparece na Bíblia Sagrada como sendo a serpente (tal referência só aparece a partir do Primeiro Livro de Reis, remontando época posterior ao exílio da Babilônia) que seduziu Eva e Adão no paraíso, levando-os a comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal; ou quando da agonia de Cristo no deserto, o Diabo aparece tentando-o, oferecendo-lhe o mundo como recompensa para que Jesus abandone o plano de Deus para sua vida. Da mitologia grega, ele é herdeiro direto de Hades, o Deus do mundo dos mortos, local para onde as almas dos condenados eram enviadas, após pagarem ao barqueiro Caronte; para entrar na morada de Hades era preciso passar por Cérbero, o cão de três cabeças que guardava os portais do Tártaro.
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Judaísmo
No judaísmo dominante, não existe um conceito de Diabo, como existe no cristianismo e no islamismo. As únicas referências claras a Satanás no Antigo Testamento estão nos livros de Zacarias e de Jó. A maioria dos judeus não acredita na existência de uma figura omnimalevolente sobrenatural.[ref. deficiente] A palavra hebraica שטן “Shatán” significa literalmente “Opositor/ Evitador/ Impossibilitador”. Inibir quer dizer, tentar impedir alguém de realizar algo. Tradicionalistas e filósofos no judaísmo medieval aderiram à teologia racional, rejeitando qualquer crença em anjos rebeldes ou caídos e visando o mal como abstrato. Os rabinos judeus geralmente interpretaram a palavra satanás como é usado no Tanakh como se referindo estritamente a um adversário humano e rejeitaram todos os escritos apócrifos enoquianos que mencionam השטן Ha-Shatãn (Satanás) como uma figura literal e celestial traidora, fazendo todas as tentativas para erradicá-los e destruir tais livros. No entanto, a palavra Satanás ocasionalmente foi aplicada metaforicamente a influências do mal, por rabinos,[ref. deficiente] como a exegese judaica do yetzer ha-rá ("inclinação do mal") mencionada em Gênesis 6: 5. A erudição rabínica no Livro de Jó geralmente segue o Talmud e Maimonides ao identificar "o satanás" do prólogo como uma metáfora para o yetzer ha-rá e não como uma entidade real. No entanto, de acordo com uma contraditória narração, o som do shofar, que destina-se principalmente a lembrar os judeus da importância da teshuvá, também se destina simbolicamente a "confundir o acusador" (Satanás) e impedi-lo de fazer qualquer litígio a Deus contra os judeus.
Cristianismo
No cristianismo, o título Satanás (hebraico: הַשָּׂטָן ha-Shatan), "o oponente", é um título de várias entidades, humanas e divinas, que desafiam a fé dos humanos na Bíblia hebraica. "Satanás" mais tarde se tornou o nome da personificação do mal. O cristianismo vê o diabo como adversário anjo caído traidor de Deus Nos Evangelhos sinópticos, Satanás tenta Jesus no deserto e é identificado como a causa da doença e da tentação. Satanás é descrito no Novo Testamento como o "governante dos demônios" e "o Deus desta Era". No Livro do Apocalipse, Satanás aparece como um Grande Dragão Vermelho, que é derrotado por Miguel Arcanjo e derrubado do Céu. Ele é mais tarde preso por mil anos, mas é brevemente libertado antes de ser finalmente derrotado e lançado no Lago de Fogo e Enxofre (gehena) no livro do Apocalipse. Embora o Livro de Gênesis não o mencione, ele é muitas vezes identificado pelos cristãos como imbuindo uma serpente no Jardim do Éden.
Islamismo
O equivalente árabe da palavra Satanás é Shaitãn (شيطان, da raiz šṭn شطن). A própria palavra é um adjetivo (que significa "desviado" ou "distante", às vezes traduzido como "demônio") que pode ser aplicado a ambos os humanos ("al-ins", الإنس) e djins (الجن), mas também é usado em referência a Satanás em particular. No Alcorão, o nome de Satanás é Iblis (pronunciação árabe: [ibliːs]), uma derivada da palavra grega diabolos e africano Íblis. O Corão menciona que ele era um djin (18-50) e que foi criado do fogo,(7-12)(38-76) - e não um anjo caído conforme acreditam os cristãos, pois para o Islão, um ser criado inteiramente para servir a Deus (como um anjo) não poderia vir a desobedecê-lo, pois se isso ocorresse, seria negar a onipotência e soberania de Deus sobre todas as coisas.
Neo-satanismo
No satanismo moderno (ver Satanismo LaVey), Satanás (não existe Diabo) não é visto como uma entidade viva, e sim como um símbolo de vitalidade, poder, virilidade, sexualidade e sensualidade. Satanás é visto como uma força da natureza e dos desejos íntimos carnais do ser humano. E diferente do Satanismo Teísta, o Satanismo LaVey não prega nenhum mal. No satanismo Teísta existe de fato um culto ao Diabo. A palavra Satã significa opositor (opositor ao Deus cristão, no caso do cristianismo). Os adeptos dessa filosofia acreditam ser Deus o causador de toda tristeza existente no mundo. Logo, o satanismo prega o culto ao mal para contrariar o "bom juiz".[carece de fontes?]
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Wicca
Na religião européia Wicca, o conceito de demônios é desprezado. Simplesmente, porque a energia criativa não é positiva nem negativa, sendo a magia energia neutra usada para o bem ou mal por culpa do homem. Portanto, a consequência dessa ação é de nossa inteira responsabilidade, e não de um ser maligno. O deus cornífero Cernuto da Wicca foi confundido com o Diabo cristão e com o Sátiro, por ter chifres (na antiguidade os cornos eram fálicos, remetiam à virilidade [fertilidade], logo eram símbolos das religiões antigas europeias). Ele já era cultuado por druídas e religiões pagãs antes da chegada do cristianismo à Europa.
Budismo
No Budismo existe a figura de Mara. Para o Budismo, Mara é o oposto de Buda, ou seja, uma vez que Buda representa a iluminação, Mara é a ilusão. Isto é personificado como o demônio Mara que teria tentado impedir Sidarta Gautama de alcançar a iluminação e também por este viver no interior de cada pessoa tentando mantê-la adormecida na ilusão Maya do mundo. Ele é o demônio que tentou Sidarta Gautama, o Buda, tentando seduzi-lo com a visão de mulheres lindas que, em várias lendas, muitas vezes são ditas sendo as filhas de Mara. Na cosmologia budista, Mara personifica impulsos insalubres, despreocupação, a "morte" da vida espiritual.
Zoroastrismo
No zoroastrismo, a entidade Angro Mainyu (Ahrimãn em persa), inimigo de Ahura Mazda (Aúra-Masda), é um possível precursor das ideias que dariam forma ao diabo cristão. O zoroastrismo foi o primeiro monoteísmo ortodoxo amplamente conhecido, pois foi a primeira grande doutrina monoteísta a ser adotada oficialmente por um grande império: o Império Persa. Os Zoroastristas acreditavam que não existia deus se não Aúra-Masda. Quando o Império Persa dominou a atual região de Israel, o judaísmo acabou sendo fortemente influenciado pelo zoroastrismo. As concepções judaicas de Satanás foram impactadas por Angra Mainyu, o espírito destrutivo do mal, da escuridão e da ignorância zoroastrista.


