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Almerindo Lessa

Almerindo de Vasconcelos Lessa GOSE • ComIH, foi um médico hematologista, puericultor, sexólogo, gerontologista, antropólogo, investigador, professor catedrático e escritor português, com vasta obra publicada. Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e com dois doutoramentos, sendo um pela Universidade de Toulouse, foi docente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, na Universidade de Évora e na Universidade Livre de Lisboa, vice-reitor da Universidade Internacional de Lisboa e impulsionador da criação da Universidade de Macau. Foi presidente da Sociedade Teilhard de Chardin e divulgador do seu pensamento. Amigo e admirador de Gilberto Freire, defendeu o luso-tropicalismo, bem como de Agostinho da Silva, tendo tido participação ativa no desenvolvimento do projeto da Universidade de Brasília.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Biografia

Formação

Após a frequência do Liceu Rodrigues de Freitas, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, cidade de onde era natural, formando-se, em 1933, em medicina, tendo participado em lutas académicas, juntamente com Abílio Mendes, na revista universitária Germen e sido fundador da Associação de Estudantes de Medicina da Universidade do Porto. Em 1956, doutorou-se em medicina e, no início das década de 1970, obteve também o mesmo grau académico pela Universidade de Toulouse, cujo essencial da sua tese foi vertido no livro “A História e os Homens da Primeira República Democrática do Oriente – biologia e sociologia de uma ilha cívica” (Macau, Imprensa Nacional, 1974), que teve por base os trabalhos antropológicos que efetuou no “Centro de estudos e pesquisas dos problemas humanos nas zonas áridas” daquela universidade, onde esteve em 1971 e 1972.

Docência

Concluído o curso de medicina foi assistente de histologia e embriologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, tendo sido, na década de 1960, docente no Colégio Universitário Pio XII e nessa e seguintes professor catedrático no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Ultramarina, onde lecionou Medicina social, Saúde pública e Antropologia cultural. A partir de 1974, foi professor na Universidade de Évora, lecionando Ecologia humana, bem como lançando o respetivo mestrado, cadeira de que foi igualmente regente, a partir de 1980, na Universidade Livre de Lisboa. Em 1984, torna-se professor da Universidade Internacional de Lisboa, de que foi também vice-reitor. Em 1975, lançou a ideia da criação da Universidade Livre de Macau ou Universidade Internacional de Macau, que funcionasse como polo da Universidade das Nações Unidas, projeto que se viria a concretizar, parcialmente, em 1981.

Outras atividades

Foi diretor dos serviços de sangue nos Hospitais Civis de Lisboa. Em 1940, montou nos hospitais civis portugueses o Serviço de Transfusão de sangue, sendo ainda o responsável pela organização dos serviços de sangue nas então colónias portuguesas de Cabo Verde, Angola, Moçambique e Índia. Presidente, a partir de 1965, do então criado “ramo português” da «Associação médica internacional para o estudo das condições de vida e saúde», sediada em Paris e integrada por médicos, arquitetos, antropologistas, políticos, pedagogos, colunistas, jornalistas e geógrafos. Em 1966, organizou na Sociedade de Geografia de Lisboa o colóquio internacional sobre “Explosão e Implosão da Humanidade”, em que foi um dos oradores, com uma polémica palestra intitulada: “Prometeu interroga-se: suicídio ou apoteose da espécie?”, e, em 1969, no ISCSPU, organiza a reunião do Centro Internacional de Gerontologia Social, evento em que participaram especialistas ocidentais e de países do leste europeu e médio oriente. Nesse mesmo ano foi membro fundador da Associação Internacional de Antropologia, de Paris, e do Centro Internacional de Gerontologia Social da mesma cidade, do qual foi eleito vice-presidente em 1974. Juntamente com o geneticista e hematologista Jacques Ruffié, realizou estudos de sero-antropologia em Cabo Verde e em Macau. Organizou também o Encontro Internacional de "Convergência de Raças e Culturas - Biologia e Sociologia da Mestiçagem", realizado na Universidade de Évora, em junho de 1980, durante o qual a Léopold Senghor, professor e Presidente da República do Senegal foi outorgado o Grau de Doutor Honoris Causa, em que Almerindo Lessa foi um dos oradores proferindo a comunicação intitulada “Expansão bio-social do homem português. Uma linha vertebral e dois exemplos de ocupação por «Enxertia de Homem» - Antropologia Genética de Cabo-Verde e Macau”. Foi membro do Conselho Científico da Federação Internacional das Associações de Pessoas Idosas e do Conselho Científico da Liga Latina de Gerontologia e Geriatria, com sede em Florença, tendo chefiado a delegação portuguesa à Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Envelhecimento, realizada em 1982, em Viena. Em 1989, foi membro fundador da «Fundação mundial para o estudo do homem africano» e coordenador do «Plano internacional de estudos sobre a antropologia física (ecológica e genética) da diáspora do homem africano», em Dacar. Organizou ainda, em 1994, como o apoio da UNESCO o 1.º Congresso Internacional de Transdisciplinaridade, no Convento da Arrábida, cuja Carta da Transdisciplinaridade nele aprovada se tornou documento de referência internacional. Foi diretor da revista “Tempo Médico” e teve papel relevante na revista “Semana Médica”. Foi académico correspondente da Academia de Medicina e Cirurgia de São Paulo, do Comité Interafricano de Ciências Humanas e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Foi, por eleição, conselheiro da União das Comunidades de Cultura Portuguesa e associado estrangeiro do Conselho Nacional de Pesquisa Científica, de Paris. Com os seus estudos e escritos identitários contribuiu, na sua época, de forma pioneira e decisiva para a caracterização dos grupos mestiçados e para compreensão de grupos étnicos e suas culturas híbridas, de matriz luso-tropical, de África a Macau, por via da miscigenação dos portugueses sobretudo a partir do início da era dos descobrimentos.

Vida pessoal

Almerindo de Vasconcelos Lessa, nasceu no Porto, a 31 de agosto de 1909, sendo filho de Augusto Lessa e de Maria Adelaide de Vasconcelos. Casou com Maria Emília de Carvalho Lessa, de quem começou por ter teve dois filhos biológicos. Próximo de Adriano Moreira, de quem era colega na cátedra no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, quando este, então ministro do Ultramar, em setembro de 1961, pouco depois da guerra colonial portuguesa ter começado, se deslocou em visita oficial às províncias ultramarinas, pediu-lhe que trouxesse um órfão de guerra, para adotar. Satisfazendo essa solicitação, quando Adriano Moreira, em Angola, foi visitar o Hospital Central de Luanda, viu ali acolhida uma criança do sexo masculino, aparentando ter três anos de idade, que nem sabia dizer o seu nome e se pensava ser órfão de guerra, e que levou para Lisboa para ser adotada, como o foi, por Almerindo Lessa, após prévia autorização da sua filha, mais velha, Maria Fernanda, que já era de maioridade. Ainda em Luanda, sendo necessário dar-lhe identidade e proceder ao seu registo Adriano Moreira atribui-lhe o nome próprio de “João” e o apelido “de Mucaba”, localidade em cujos escombros foi encontrado ferido, entre mortos. José Júlio Gonçalves e a alferes enfermeira paraquedista Maria Ivone Reis, membros da comitiva oficial de Adriano Moreira, foram os padrinhos (testemunhas do registo civil) da criança, que cresceu com o nome de João de Mucaba de Carvalho Lessa, estudou no Liceu Camões, se formou e foi técnico de 1.ª classe de análises clínicas e saúde pública no Hospital de Egas Moniz. Almerindo Lessa, faleceu em Lisboa, a 11 de abril de 1995, e está sepultado no cemitério de Paranhos, na cidade do Porto.

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Obra publicada

Da a sua vasta obra, entre livros e escritos publicados, merecem destaque os seguintes:

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Condecorações e outras homenagens

Ordens honoríficas portuguesas

Foi agraciado pela Presidente da República Portuguesa com as seguintes condecorações:

Ordens honoríficas de outros Estados

Foi agraciado com as seguintes condecorações estrangeiras:

Outras distinções

Teve ainda reconhecimento público ao serem-lhe também atribuídas as seguintes distinções:

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Fontes consultadas

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