Abílio Mendes
Abílio da Costa Mendes Júnior • GOL • foi um médico pediatra e político português. Opositor do «Estado Novo», entre 1931 e 1937, enquanto aluno da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, teve participação ativa no movimento associativo estudantil que liderou. Devido ao seu posicionamento político foi impedido pelo regime de entrar nas carreiras públicas médica hospitalar e da docência universitária, no entanto, destacou-se no setor privado como pediatra, puericultor, pedagogo e pesquisador. Foi membro ativo do MUD, da ASP, e, em 1973, fundador do Partido Socialista. Após a «revolução dos cravos», foi candidato a deputado à Assembleia Constituinte e presidente da Liga Portuguesa dos Direitos Humanos.
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Formação e liderança estudantil
Após concluir a 4.ª classe foi, por influência da sua professora primária junto da família, matriculado na “Escola Mouzinho da Silveira”, onde se ministrava o ensino geral, bem como o curso preparatório do exame de admissão ao Instituto Industrial. Isto com o intuito de seguir engenharia. Todavia, aos 14 anos, com determinação, mudou o rumo dos estudos para seguir medicina, em vez de engenharia. Nesse sentido, matriculou-se no Colégio Almeida Garrett, no Porto, onde completou o liceu. E, em 1931, entrou na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, coincidindo com momentos políticos agitados, logo iniciou uma intensa atividade no movimento associativo estudantil.
Atividade profissional
Após concluir a sua licenciatura em medicina, o início da sua vida profissional coincidiu com a Guerra Civil Espanhola e internamente com um período de enorme repressão aos que, como era o seu caso, lutavam contra o fim do «Estado Novo». Assim, concorreu, por duas vezes, aos Hospitais Civis tendo ficado sempre classificado entre os primeiros, o que lhe permitiria a admissão imediata na carreira hospitalar, mas foi, no entanto, excluído por decisão ministerial, o que o impediu de entrar não só na carreira médica hospitalar, mas também na carreira da docência universitária. Desta feita, viu-se obrigado a fazer a sua formação de pediatra, primeiro no Hospital de Santa Maria e depois no Hospital de Dona Estefânia, em regime de voluntariado, tendo sido posteriormente convidado pelo professor Carlos Salazar de Sousa para Assistente livre de pediatria. Sempre impedido pelo regime de entrar nos quadros destes hospitais, neles dedicou muitos anos da sua vida profissional sem qualquer remuneração.
Atividade política e outra
Quando era ainda estudante universitário, ingressou na loja maçónica «Revoltar», ao Vale de Almada onde conviveu com Alexandre Babo, Keil do Amaral e Eugénio Ferreira, entre outros. Em 1941, fundou com Amaral Guimarães e Alexandre Babo as Edições Sirius, que tiveram uma importante contribuição cultural, tendo publicado as primeiras edições dos romances «Esteiros» e «Engrenagem», de Soeiro Pereira Gomes Foi membro ativo do MUD (Movimento de Unidade Democrática), da ASP (Acção Socialista Portuguesa), e, nessa última qualidade, participou nas eleições dos delegados que, a 19 de abril de 1973, se reuniram na cidade alemã de “Bad Münstereifel”, onde teve lugar a última Assembleia Geral desse movimento, que funcionou como Congresso, e onde foi votada a sua reconversão em Partido Socialista na clandestinidade, sendo seu fundador.
Vida pessoal
Nasceu na freguesia de Barreiros, concelho da Maia, distrito do Porto, a 10 de abril de 1911, sendo o filho mais novo de Rosa de Sousa e de Abílio da Costa Mendes. Seu pai, um industrial com êxito, residia no Rio de Janeiro e ia de longe em longe a Portugal. Por isso a lembrança que retinha de, em criança, ter visto seu pai pela primeira vez, reportava-se aos seus doze anos de idade. Sendo o mais novo de onze irmãos, foi uma irmã mais velha que o criou. Em 1938 casou, pelo registo civil, com Enid Augusta Teixeira Mendes. Morreu em Lisboa, a 4 de junho de 1992, e está sepultado no cemitério do Alto de São João .
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Elogios fúnebres
Proferidos, a 5 de junho de 1992, por José Magalhães Godinho, membro do Supremo Conselho, e por Ramón La Féria, Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano.
Toponímia
A 5 de junho de 2010, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua da capital de Portugal, defronte do Hospital Lusíadas Lisboa, no Alto dos Moinhos, na freguesia de São Domingos de Benfica. Após o descerramento da respetiva placa toponímica, seguiu-se uma sessão de homenagem no Hospital dos Lusíadas
Livro
«Abílio Mendes: médico pediatra, 1911-1992», de Isménia Neves, com coordenação de Jorge Pereira da Silva, e António Trindade, Lisboa, C.M., 2010
Outras
Em 27 de fevereiro de 1981, foi homenageado pelos trabalhadores da EDP - Energias de Portugal e Electricidade de Portugal.


