Allan dos Santos
Allan Lopes dos Santos é um jornalista, youtuber e blogueiro brasileiro, atualmente foragido da justiça brasileira. É uma das figuras de maior relevo da mídia online associada a Olavo de Carvalho, e uma das mais populares nas redes sociais da extrema-direita brasileira. Tornou-se especialmente conhecido pela disseminação de notícias falsas; em razão disso, tornou-se réu e teve prisão preventiva decretada. Era dono do extinto portal Terça Livre, sendo considerado um elemento-chave do chamado Gabinete do Ódio de Bolsonaro.
Imagem: Assembleia Legislativa do Espírito Santo · BY · Openverse
Nasceu em Nova Iguaçu, em 17 de julho de 1983, filho de Elvira Lopes dos Santos e cresceu em Madureira. Aos 14 anos converteu-se ao catolicismo e aos 18 anos tornou-se missionário da comunidade franciscana Toca de Assis em diversos estados do Brasil. Foi aos Estados Unidos, já como seminarista, para a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, em Denton, Nebraska. Lá, trabalhou no site de notícias católicas Church Militant. Foi também durante a permanência naquele país que descobriu a falta de vocação sacerdotal, ao mesmo tempo que tomava contato com o jornalismo. É formado em filosofia, simpatizante da monarquia e torcedor do Fluminense Football Club, apreciando armas, guitarras, churrasco e charutos. É pai de três filhos. Em maio de 2020, residia numa casa do Lago Sul, bairro nobre de Brasília. No entanto, em julho daquele ano, ele deixou o país enquanto estava sendo alvo de um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF).
Imagem: ThiagoMartins · BY-NC-SA · Openverse
Em 2014, já no Brasil, Santos teve a ideia de criar um portal de notícias ao estilo do Church Militant, com financiamento coletivo, fundando o Terça Livre. Uma das principais fontes de financiamento ao portal era o site de crowdfunding Apoia-se, conhecido canal de financiamento do universo digital bolsonarista. Nesse mesmo ano, Santos publica nos seus perfis nas redes sociais o seu primeiro registro de Olavo de Carvalho, de quem é admirador fervoroso. Na altura, ambos apoiaram uma campanha incentivando o voto em candidatos católicos nas eleições presidenciais de 2014, tendo Santos declarado o seu apoio ao candidato Aécio Neves, do PSDB, no segundo turno da disputa presidencial. Após a eleição de Dilma Rousseff, participou ativamente dos protestos que defendiam o impeachment da presidente, chegando a passar um mês acampado em frente ao Congresso, em Brasília, ao lado da deputada Bia Kicis, do PSL-DF.
Fake news e ataques à democracia
Santos foi identificado como exercendo funções-chave no chamado Gabinete do Ódio durante a CPMI das Fake News, criada pelo Congresso brasileiro. No Supremo Tribunal Federal (STF), Santos está sendo investigado em dois inquéritos: um que apura a divulgação de fake news e ataques a integrantes da Corte, apurando a disseminação de notícias falsas na internet; e um outro aberto em abril de 2020, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), visando a apuração da organização e financiamento de atos contra a democracia, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional, o qual identificou a atuação de uma milícia digital que trabalha contra a democracia e as instituições no país.
Atividade nos Estados Unidos
Após ser alvo de operações da PF em maio de 2020, Santos deixou o Brasil, estimando-se que tenha entrado nos Estados Unidos em julho seguinte, com visto de turista que estava vencido desde fevereiro. Mensagens interceptadas pela PF sugerem que o deputado federal Eduardo Bolsonaro teria ajudado Santos a deixar o país. Após fugir do Brasil, Santos continuou as suas atividades nos Estados Unidos, tornando-se correspondente do seu próprio portal, Terça Livre, criando uma ponte direta entre os integrantes do QAnon norte-americano e seu espelho brasileiro. Em novembro de 2020, viralizou e tornou-se alvo de chacota ao defender no Twitter a teoria da conspiração de que Donald Trump teria ganho as eleições presidenciais contra Joe Biden, mas estaria "deixando o inimigo agir", para o provar. O tweet acabou sendo bloqueado, por divulgação de "informações incorretas".


