Aécio Neves
Aécio Neves da Cunha é um economista e político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi governador de Minas Gerais, de 2003 a 2010, e senador pelo mesmo estado entre 2011 e 2019. Atualmente, é deputado federal por Minas Gerais.
Primeiros anos, família e educação
Aécio Neves da Cunha nasceu em 10 de março de 1960 em Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais, sendo o filho do meio de Aécio Ferreira da Cunha (1927–2010) e Inês Maria Tolentino Neves Faria (1939–2023). Além dele, o casal teve duas filhas: Andrea, formada em jornalismo e sua principal conselheira, e Ângela, formada em história. Seu pai, Aécio Cunha, foi deputado estadual e federal por pouco mais de três décadas, presidente do conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU); ele foi filiado a partidos que deram sustentação e um entusiasta da ditadura militar. Sua mãe, Inês Maria, separou-se de Cunha e casou-se em 1984 com o banqueiro Gilberto Faria, fundador do Banco Bandeirantes e deputado federal pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Após a morte do banqueiro Gilberto Faria, iniciou-se uma disputa entre a família Faria e a mãe de Aécio sobre a divisão do patrimônio deixado. Oswaldo Borges da Costa, casado com uma das herdeiras de Gilberto Faria, e Aécio fizeram a divisão do que avaliam ser uma fortuna incalculável. Inês Maria integrou entre abril de 1992 a maio de 1998 o conselho de administração do Banco Bandeirantes, que posteriormente faliu.
Secretário de Tancredo Neves
Em 1981, na noite de Natal, Tancredo chamou Aécio e perguntou-lhe: "Você não quer largar a vida de surfista e conhecer direito a sua terra?". Sua vida política começou logo depois, quando ele tinha vinte anos. Nessa época o avô ligou para ele e disse: "É agora" e o convidou para participar de sua campanha eleitoral para o governo de Minas Gerais em 1982. Aécio então foi morar com o avô e o pai em um apartamento de BH. Ele participou de reuniões e comícios em mais de trezentos municípios mineiros. Tancredo foi eleito governador, e, em janeiro de 1983, Aécio passou a ocupar o cargo de secretário particular do avô no Palácio das Mangabeiras. Entre 1983 a 1984, presidiu a ala jovem mineira do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Aécio esperava ser o candidato a presidência da República por seu partido na eleição presidencial em 2010. Segundo a revista Época, ele teria sido convidado em 2009 pelo PMDB para ser o candidato de Lula à presidência do Brasil. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, teria feito força para que isso acontecesse. Aécio preferiu esperar e não se separar do seu partido, pois esperava contar com o apoio dele para se candidatar no lugar de José Serra. Aécio declarou que sua prioridade em 2010 seria eleger o vice-governador Antonio Anastasia como seu sucessor. Por diversas vezes, negou a possibilidade de formar uma chapa "puro-sangue" encabeçada por Serra. Em novembro de 2009, Aécio apresentou suas propostas caso fosse escolhido como o candidato do partido. Um mês depois, diante da hesitação do PSDB e de Serra em posicionar-se como candidato, Aécio declarou que se lançaria ao Senado Federal nas eleições de 2010.
Primeiro e segundo mandatos de deputado federal (1987–1995)
Em 1986, deixou a diretoria de loterias da Caixa Econômica Federal para ser candidato à Assembleia Nacional Constituinte na eleição de novembro daquele ano. A morte recente de Tancredo e a posterior comoção, especialmente entre os mineiros, ajudou Aécio na disputa eleitoral. Candidato pelo PMDB, recebeu 236 mil votos e foi o deputado federal de Minas mais votado daquela eleição. Aécio atribuiu sua vitória a uma "homenagem dos mineiros a Tancredo." Também na eleição estadual de Minas Gerais em 1986, seu pai foi o candidato a vice-governador de Itamar Franco, mas os dois foram derrotados pela chapa Newton Cardoso-Júnia Marise por 47–42%. Em 1.º de fevereiro de 1987, foi empossado deputado federal constituinte. Ao 26 anos de idade, era um dos deputados mais jovens. Durante as deliberações para a nova Constituição, que ocorreram até setembro de 1988, apresentou 46 propostas de emendas, e foi um dos autores da que instituiu o direito ao voto para jovens entre os dezesseis aos dezoito anos de idade. Como membro titular, integrou a Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher (também como primeiro vice-presidente em 1987), a Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais e a Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher. Também foi suplente da Comissão de Sistematização.
Terceiro e quarto mandatos de deputado federal (1995–2002)
Sua candidatura à prefeitura de Belo Horizonte em 1992 fez com que passasse a ter mais visibilidade entre o eleitorado mineiro. Na eleição de 3 de outubro de 1994, foi reeleito com 105 mil votos. Nesta mesma eleição, os tucanos elegeram Eduardo Azeredo para o governo mineiro e Fernando Henrique Cardoso para a presidência. Durante o governo de Itamar Franco (1992–1995), apoiou a redução do mandato presidencial de cinco para quatro anos. Em 1995, após a eleição e posse de Fernando Henrique Cardoso, votou a favor da emenda constitucional que permitiu uma reeleição consecutiva ao presidente, governadores e prefeitos. Em 1996, foi eleito presidente do PSDB de Minas Gerais. Nesta posição, foi uma peça-chave para a eleição estadual de 1998, quando o partido tentou reeleger o governador Eduardo Azeredo, mas não obteve êxito. Naquela eleição, reelegeu-se para o seu quarto e último mandato como deputado federal com 185 mil votos, o terceiro mais votado do Estado e o mais votado do PSDB em todo o país.
Presidente da Câmara dos Deputados (2001–2002)
Em agosto de 1999, encontrou-se com Covas para saber sua opinião sobre a possibilidade dele disputar a presidência da Câmara. Covas questionou se Aécio tinha unidade na bancada e disposição para enfrentar resistências no partido e no governo, e ele respondeu positivamente. Covas então afirmou que daria apoio a sua candidatura. O governador estava se referindo à candidatura de Inocêncio Oliveira (PFL-PE), que presidiu a Câmara entre 1993–1995 e liderava a bancada de seu partido pela quarta vez consecutiva. Severino Cavalcanti (PPB-PE), outro integrante da base governista, também pleiteava o cargo. Seu próprio partido estabeleceu dificuldades; os deputados Arthur Virgílio (AM) e Arnaldo Madeira (SP) não queriam criar atrito com o PFL, e Aloysio Nunes Ferreira também manifestou-se contrário à candidatura. Aécio concluiu que sua candidatura só teria êxito com o apoio do PMDB, que não tinha um candidato natural ao cargo; em um jantar de lideranças tucanas e peemedebistas, ficou acertado o apoio do PMDB a Aécio, e, em troca, o PSDB deveria votar em Jader Barbalho (PMDB-PA) para presidir o Senado Federal.
Eleição para governador em 2002
Em novembro de 2001, os deputados estaduais e federais do PSDB mineiro escolheram Aécio para disputar o governo do Estado na eleição de 2002. O plano eleitoral de Aécio, no entanto, era o de candidatar-se ao Senado Federal em 2002, e, posteriormente, tentar ser o presidente do Senado. Em junho de 2002, o governador Itamar Franco desistiu de concorrer à reeleição. Itamar não quis disputar a vaga de candidato do PMDB com Newton Cardoso. Após a desistência de Itamar, Aécio decidiu candidatar-se ao governo. Itamar desfiliou-se do PMDB e contou a Patrus Ananias, do PT, que gostaria de apoiar-lhe na eleição para governador. Patrus afirmou ao governador que não seria candidato, uma vez que apoiava o deputado federal Nilmário Miranda. Em 18 de junho de 2002, Itamar declarou apoio à candidatura de Aécio, sua segunda opção.
Governador de Minas Gerais (2003–2010)
Em 1.º de janeiro de 2003, Aécio tomou posse como governador de Minas Gerais, sucedendo Itamar Franco. Durante seu primeiro mandato, Aécio foi promovido por Lula ao grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito Militar. Reeleito governador de Minas Gerais em 2006, tomou posse em 1.º de janeiro de 2007. Permaneceu no cargo até 31 de março de 2010, quando renunciou para se candidatar a uma vaga no senado. Foi sucedido pelo vice-governador Antonio Anastasia.
Eleição para governador em 2006
Em 28 de março de 2006, Aécio anunciou sua candidatura à reeleição. Ele disse que levaria adiante um projeto nacional que visaria um maior "equilíbrio na federação", declarando que "esse movimento pelo equilíbrio da federação vai ficar muito forte, vai desaguar no Estado que estiver mais unido. Temos agora a unidade histórica de Minas, que vai tentar exercer um papel de liderança. Não sei onde isso vai desaguar, vamos ver quem estará mais forte". Desde o início da campanha, devido a sua alta popularidade, Aécio foi considerado um candidato "quase imbatível". A coligação de Aécio recebeu o nome de "Minas Não Pode Parar" e foi composta por dez partidos, e teve como candidato a vice-governador Antonio Anastasia, também do PSDB. Ele recebeu o apoio do ex-presidente Itamar Franco, de artistas como Fafá de Belém e músicos do Skank e do Jota Quest.
Aécio foi casado duas vezes, entre 1991 e 1998 com a advogada Andreá Falcão, com quem teve uma filha, Gabriela Falcão Neves, nascida em 1991. Entre 2013 e 2023, foi casado com a ex-modelo Letícia Weber, com quem teve dois filhos, os gêmeos Julia e Bernardo, que nasceram prematuramente em 8 de junho de 2014. Nas eleições de 2010, Aécio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral ter um patrimônio de R$ 617 mil. Na sua prestação de contas para as eleições de 2014 declarou ter um patrimônio de R$ 2,4 milhões. Segundo Aécio, o aumento se deve ao recebimento da herança de seu pai, falecido em 2010. Perdeu o pai, o ex-deputado Aécio Ferreira da Cunha, no dia 3 de outubro de 2010, aos 83 anos. Natural de Teófilo Otoni, ele estava internado numa UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Lifecenter, em Belo Horizonte. Já a mãe, Inês Maria Neves Faria, morreu no dia 14 de agosto de 2023, em Belo Horizonte. Ela tinha 84 anos e morreu em casa. A causa da morte não foi divulgada.
Aécio foi considerado pela revista Época como um dos 100 brasileiros mais influentes em 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013. Como deputado federal e senador, foi eleito um dos "Cabeças do Congresso", lista produzida pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).


