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Alice do Reino Unido

Alice Mafalda Maria foi a esposa do grão-duque Luís IV e grã-duquesa consorte de Hesse e Reno de 1877 até sua morte. Nascida uma princesa britânica, era a terceira criança, a segunda do sexo feminino, da rainha Vitória do Reino Unido e seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. O príncipe Filipe da Grécia e Dinamarca, marido da rainha Isabel II do Reino Unido era seu bisneto por via materna.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Biografia

Primeiros Anos

Alice Mafalda Maria nasceu a 25 de abril de 1843 no Palácio de Buckingham em Londres. Foi a terceira filha e segunda mulher a nascer da união entre a rainha Vitória e do seu marido, o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. O nome Alice foi dado em honra do primeiro Primeiro-Ministro da rainha, lorde Melbourne, que era um grande admirador da soberana e, numa ocasião, comentou que Alice era o seu nome feminino preferido. Mafalda (em inglês, Maud, uma variante de Matilde), foi escolhido em honra de uma das madrinhas de Alice, a princesa Sofia Matilde de Gloucester, uma sobrinha do rei Jorge III. Maria foi escolhido por Alice ter nascido no mesmo dia da sua tia-avó, a princesa Maria do Reino Unido. Alice foi baptizada na capela do Palácio de Buckingham pelo arcebispo da Cantuária William Howel, a 3 de junho de 1843. A notícia de que era uma menina foi recebida com uma mistura de sentimentos do público e até o Conselho Privado enviou uma mensagem a Alberto a expressar os seus parabéns e as suas congratulações pelo nascimento de uma segunda filha. Os padrinhos escolhidos pela rainha Vitória foram o rei Ernesto Augusto I de Hanôver, Teodora de Leiningen, Ernesto, então príncipe herdeiro de Saxe-Coburgo-Gota, e a princesa Sofia Matilde de Gloucester.

Infância

O nascimento de Alice levou os seus pais a encontrar uma casa maior para a família. O Palácio de Buckingham não estava preparado, uma vez que não tinha os aposentos privados que a família necessitava, incluindo quartos de crianças com as condições necessárias. Por isso, em 1844, Vitória e Alberto compraram Osborne House na Ilha de Wright para as férias da família. Alice recebeu a sua educação do pai e do barão Stockmar. Em Osbourne, Alice e os seus irmãos aprenderam a fazer tarefas práticas como trabalho doméstico, culinária, jardinagem e carpintaria. Vitória e Alberto promoveram uma monarquia que tinha por base valores familiares, e Alice e os seus irmãos, que usavam roupa de classe média todos os dias, dormiam em quartos mobilados modestamente com pouco aquecimento. Alice era fascinada pelo mundo fora da Casa Real e, enquanto estava em Balmoral, onde parecia ser mais feliz, costumava visitar as pessoas que viviam e trabalhavam na propriedade. A certa altura escapou à sua governanta na capela do Castelo de Windsor e sentou-se num banco público, para poder compreender melhor as pessoas que não seguiam o protocolo real. Em 1854, durante a Guerra da Crimeia, Alice, de 11 anos, visitou os hospitais de Londres para ver os soldados feridos com a sua mãe e a irmã mais velha. Era a mais sensível de entre os seus irmãos e sentiu-se solidária com as tristezas das pessoas. Esta característica da sua personalidade competia com uma língua afiada e um temperamento que se alterava facilmente.

A carinhosa da família

A compaixão de Alice para com o sofrimento dos outros fez com que se tornasse na figura carinhosa da família em 1861. A sua avó Vitória, Duquesa de Kent, a mãe da rainha Vitória, morreu em Frogmore House a 16 de março de 1861. Alice tinha passado muito do seu tempo ao lado da avó, muitas vezes a tocar piano na sala de visitas de Frogmore e cuidou dela na última fase da sua doença. A rainha ficou desgostosa com a morte da mãe e descarregou muita da sua mágoa em Alice, a quem Alberto pediu para consolar a mãe. Vitória escreveu ao seu tio, o rei Leopoldo da Bélgica que a querida Alice teve muito carinho, afecto e preocupação por mim. Apenas alguns meses depois, a 14 de dezembro de 1861, Alberto morreu no Castelo de Windsor. Durante os seus últimos dias, Alice manteve-se a seu lado. Alice avisou o Príncipe de Gales do estado de saúde do seu pai por telegrama, sem o conhecimento da rainha, que o acusava de ser o responsável pela morte de Alberto. A rainha ficou devastada com a morte do seu marido, e a corte entrou num período de luto intenso. Alice tornou-se na secretária não oficial da mãe, e por ela passavam os papéis oficiais da rainha antes de chegarem aos Ministros do Governo. Alice foi ajudada nesta tarefa pela sua irmã mais nova, a princesa Luísa. Apesar de a escolha original ter recaído sobre a princesa Helena, a irmã mais velha de Luísa, mas o facto de não conseguir cumprir as suas tarefas sem chorar fez com que fosse afastada.

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Casamento

Pretendentes

Os planos de casamento para Alice foram iniciados pela sua mãe em 1860. A rainha tinha dito que tinha o desejo de ver os seus filhos casar por amor, mas isso não significava que pudessem escolher alguém fora do circulo das casas reais europeias. A questão de elevar um súbdito britânico a membro da realeza, por muito alto que o seu título fosse, trazia problemas políticos e, além disso, faria com que se perdesse uma oportunidade para formar uma aliança política com o estrangeiro. A rainha pediu à sua filha Vitória para escrever uma lista de príncipes disponíveis na Europa. Na sua pesquisa, encontrou apenas dois candidatos: Guilherme, Príncipe de Orange, e o príncipe Alberto da Prússia, primo do marido de Vitória. O Príncipe de Orange foi excluído quase de imediato, uma vez que se descobriu que estava apaixonado por uma arquiduquesa católica, e não demonstrava qualquer interesse por Alice, mesmo sendo pressionado pela sua mãe, a rainha Sofia da Holanda, que era pró-britânica. Mesmo assim, viajou até ao castelo de Windsor para que a rainha Vitória o pudesse ver pessoalmente, mas Alice não gostou dele. O príncipe Alberto também foi rejeitado depois de afirmar que a sua cunhada não era suficientemente boa para alguém que merece o melhor de tudo. A rainha Vitória era fortemente anti-católica e não escolheu o seu primo, o rei Pedro V de Portugal, simplesmente por causa da sua crença religiosa.

Noivado e casamento

Alice ficou noiva do príncipe Luís de Hesse no dia 30 de abril de 1861, depois do consentimento da rainha. A rainha conseguiu fazer com que o primeiro-ministro, lorde Palmerston, levasse ao parlamento a proposta de dar um dote de £ 30 000 a Alice. Apesar de a quantia ser bastante generosa para a época, o príncipe Alberto afirmou que ela não vai poder fazer grande coisa com ele no pequeno grão-ducado de Hesse, principalmente quando comparado com as riquezas que a sua irmã Vitória recebeu como futura rainha da Prússia e imperatriz da Alemanha. Além do mais, a futura casa do casal em Darmstadt, o paço grão-ducal, não reunia muitas condições. Apesar de a rainha Vitória esperar que um novo palácio fosse construído, a população de Darmstadt não queria tal despesa, e a controvérsia que a questão causou fez com que se criassem muitos ressentimentos. Isso levou a que Alice se tornasse pouco popular, ainda antes de chegar à sua nova casa.

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Princesa Luís de Hesse

Chegada a Darmstadt

Alice e Luís chegaram a Bingen no dia 12 de julho de 1862 e foram recebidos por multidões entusiastas apesar da chuva torrencial que caía. Depois de ser apresentada aos políticos da cidade, o casal apanhou o comboio para Mogúncia, onde tomaram o pequeno-almoço antes de apanhar o navio a vapor que os levou ao longo do rio Reno até Gustavburg. Daí apanharam o comboio para Darmstadt, onde foram recebidos com muito entusiasmo. Alice escreveu à mãe para lhe dizer que acho que nunca houve uma recepção tão sentida, enquanto que a sua irmã Helena escreveu que nada pode ter sido tão entusiasmante como a entrada dela em Darmstadt. Alice não se adaptou imediatamente ao seu novo ambiente. Tinha saudades de casa e ainda não aceitava que, enquanto estava tão longe de Inglaterra, o seu pai já não estava vivo para confortar a mãe. A rainha escreveu no seu diário: Já passaram duas semanas desde que a nossa querida Alice se foi embora e, por mais estranho que possa parecer — por muito que ela tenha feito por mim — e por mais querida e preciosa, por mais reconfortante e encorajadora que ela seja, tenho poucas saudades dela, ou sinto que ela tenha partido — estou tão sozinha — por causa da outra grande perda - aquele único pensamento, que tudo passou por mim sem ter notado!

Guerra austro-prussiana

Em 1866, Viena exigiu que Berlim entregasse os territórios conjuntos dos Habsburgo-Hohenzollern à família Augustenborg. Berlim recusou e Otto von Bismarck enviou tropas para Holstein, controlada pela Áustria. Isto fez com que o Império Austríaco e o Reino da Prússia entrassem em guerra, com Hesse do lado dos austríacos, o que, tecnicamente, tornava Alice e a irmã Vitória inimigas. Alice estava no final da gestação da sua terceira filha quando viu o seu marido partir para comandar as tropas de Hesse contra os prussianos e enviou as duas filhas para a Inglaterra para ficarem com a rainha Vitória. Apesar da sua gravidez, ela cumpriu os deveres reais que eram esperados de uma mulher na sua posição, fazendo ligaduras para as tropas e preparando hospitais. No dia 11 de julho, deu à luz sua filha Irene e, quando as tropas prussianas estavam prestes a entrar em Darmstadto, implorou ao marido que se rendesse aos prussianos. Isto provocou a fúria do príncipe Alexandre, fortemente antiprussiano, mas Alice apercebeu-se de que os estados alemães conquistados pela Alemanha iriam, muito provavelmente, dar origem a uma união formal que tanto ela como a irmã Vitória apoiavam.

David Strauss

Alice ficou amiga do teólogo David Friedrich Strauss, uma figura controversa da época. Em 1835 Strauss tinha publicado a obra A Vida de Jesus onde defendia que a Bíblia não podia ser interpretada literalmente como a palavra de Deus, uma perspectiva que tocava a heresia em círculos ortodoxos. A perspectiva de Alice era semelhante à do teólogo e acreditava que a sociedade vitoriana do seu tempo estava a representar Deus de uma forma que seria irreconhecível para os primeiros cristãos. Strauss também também oferecia a Alice o tipo de companheirismo intelectual que o seu marido não estava preparado para lhe dar e por isso era convidado muitas vezes para ir ao Novo Palácio ler em privado para Alice. A amizade floresceu, Strauss foi apresentado à irmã de Alice, Vitória, e ao seu cunhado Frederico que o convidaram para ir a Berlim. Em 1870, Strauss queria dedicar a sua nova obra "Palestras de Voltaire" a Alice, mas tinha medo de lhe pedir, por isso ela poupou-lhe o trabalho e pediu-lhe para que ele lhe dedicasse o livro. Contudo, a amizade de Alice com Strauss enfureceu a imperatriz Augusta que classificou Alice de "ateísta completa" depois de saber do papel de Strauss.

1871: relações políticas e familiares

Em janeiro de 1871 foi criado o Império Alemão, mas a opinião de Alice ficou dividida. Sentia-se orgulhosa por ver a Alemanha unir-se, mas sentia tristeza pelo marido que agora se via obrigado a lutar do lado prussiano. Os dois ficaram separados um do outro quase um ano inteiro, vendo-se apenas em pequenas pausas da guerra e Alice lamentava que o ano passado tenha sido tão infeliz. Em finais de 1871, Alice viajou até Balmoral para visitar a mãe, mas ela estava a recuperar de duas doenças graves e Alice ficou com a sensação de que não era desejada. Assim, Alice e Luís ficaram com o príncipe e a princesa de Gales em Sandringham, onde Luís pode ir à caça. Contudo, pouco antes da data em que o casal tinha previsto ir embora, o Príncipe de Gales ficou seriamente doente de tifoide. A sua condição era crítica, mas após um período conturbado conseguiu recuperar.

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Últimos anos

A tragédia atingiu Alice no dia 29 de maio de 1873, quando o seu filho mais querido, Frederico, a quem chamava Frittie, morreu depois de cair de uma janela de seis metros. A criança sofria de Hemofilia e, apesar de ainda ter recuperado a consciência, não foi possível parar a hemorragia interna. Alice nunca conseguiu recuperar deste golpe e escreveu à mãe, dois meses depois: Fico contente por saber que tens uma fotografia colorida do meu querido. Sinto-me mais em baixo e mais triste do nunca e tenho tantas saudades dele, tão continuamente." Contudo, as atenções da rainha estavam viradas para o seu filho, o príncipe Alfredo, que tinha ficado noivo da grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia. O czar tinha-se recusado a levar a filha até Inglaterra para a inspecção de casamento e, em vez disso, tinha insistido para a rainha se encontrar com a família na Alemanha. Alice apoiou esta sugestão e, no mesmo dia em que tinha escrito à rainha para lhe falar de Frederico, ela respondeu-lhe secamente: Ficaste completamente do lado russo, e acho que tu, minha querida filha, não me devias dizer o que devo fazer.

Grã-duquesa

Apesar dos problemas conjugais, Alice permaneceu uma forte apoiante do seu marido, criticando outros fortemente quando os talentos e habilitações dele não eram reconhecidos. No dia 20 de março de 1877, o pai de Luís, Carlos, morreu, fazendo de Luís e Alice herdeiros ao trono. No dia 13 de junho do mesmo ano, o tio de Luís, Luís III, morreu e Luís e Alice tornaram-se grão-duques de Hesse e do Reno. Contudo, a falta de popularidade de Alice em Darmstatd, associada ao facto de a rainha não a querer em Inglaterra, causou conflitos que levaram Alice e os filhos a passar os meses de julho e agosto em Houlgate, na Normandia, onde Luís os visitava frequentemente. A grã-duquesa ficou magoada com a sua reputação em Darmstadt e começou a ficar cada vez mais frustrada em relação ao seu grão-ducado. Em agosto de 1877, Luís escreveu-lhe, expressando a sua esperança de que a amargura da água salgada te faça esquecer da amargura que ainda sentes por Darmstadt. Por favor, minha querida, não fales tão mal do reino quando me juntar a ti — estragaria a felicidade de te ver novamente.

A doença final

Em novembro de 1878, o palácio foi afectado por uma vaga de difteria. A filha mais velha de Alice, Vitória, foi a primeira a adoecer depois de se queixar de uma dor de garganta na noite de 5 de novembro. Foi-lhe diagnosticada Difteria na manhã seguinte e a doença espalhou-se rapidamente por mais quatro filhos de Alice: Alice, Maria, Irene e Ernesto Luís. O seu marido ficou infectado pouco depois. Isabel foi a única que não ficou doente e foi enviada para o palácio da avó. Maria ficou gravemente doente no dia 15 de novembro e Alice foi chamada ao seu quarto. Contudo chegou tarde demais; Maria tinha já morrido asfixiada. A grã-duquesa ficou perturbada e escreveu à rainha Vitória que "a dor não tem palavras". Alice escondeu a notícia da morte de Maria dos seus irmãos durante várias semanas, mas acabou por a revelar a Ernesto no inicio de Dezembro. A reacção dele foi ainda pior do que ela esperava e, a principio, ele recusou-se a acreditar. Quando ele se sentou a chorar, Alice quebrou a sua regra sobre contacto pessoal com doentes e deu-lhe um beijo. Contudo, a principio, Alice não ficou doente. Ainda se encontrou com a irmã Vitória quando esta passou por Darmstadta caminho de Inglaterra e escreveu à mãe no mesmo dia, dizendo que sentia um pequeno toque de uma vaga alegria. Contudo, no Sábado dessa semana, dia 14 de dezembro, a data do aniversário da morte do pai, ficou gravemente doente de Difteria que tinha apanhado do filho. As suas últimas palavras foram "querido papa" e ficou inconsciente às 2h30 da manha. Morreu pouco depois das 8h30 da manhã.

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Legado

A morte de Alice teve um impacto emocional tanto na Grã-Bretanha como em Hesse. O The Times escreveu: As pessoas mais humildes sentiam afinidade com uma princesa que era o modelo da virtude familiar como filha, irmã, esposa e mãe (...) A sua compaixão abundante procurou fontes de ajuda para o grande desperdício desconhecido do sofrimento humano. O Illustrated London News escreveu que a lição de vida da falecida princesa é tão nobre como óbvia. O valor moral é muito mais importante do que uma posição alta. A morte foi também profundamente lamentada pela família real, principalmente pelo irmão e cunhada de Alice, o príncipe e a princesa de Gales. Quando a princesa de Gales soube da notícia, exclamou: Quem me dera ter morrido no lugar dela". Entretanto, o príncipe escreveu ao conde de Granville que Alice era a minha irmã preferida. Tão bondosa, tão gentil, tão inteligente! Tínhamos passado por tanta coisa juntos...

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Títulos, estilos, honras e brasões

Brasão

Alice junto com suas irmãs Helena, Luísa e Beatriz receberam em 1858 o direito de uso de um brasão pessoal, que consistia no brasão real de armas do Reino Unido com um escudo interior do brasão da Saxônia, no seu caso diferenciado por um lambel argento de três pés cujo pé central possuía uma rosa goles e os das pontas um erminho.

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