Alexandra Feodorovna (Alice de Hesse e Reno)
Alexandra Feodorovna, nascida princesa Alice de Hesse e Reno, cognominada "Santa Alexandra, a Portadora da Paixão", pela Igreja Ortodoxa Russa, foi a esposa do Imperador Nicolau II e a última Imperatriz Consorte da Rússia, de 1894 até a abdicação forçada do marido em 1917, na sequência da Revolução Russa.
Alexandra era reverenciada por muitos por sua beleza. Sua avó materna, a Rainha Vitória, a elogiou como "uma criança muito adorável". Sua amiga Anna Vyrubova descreveu-a como alta... e delicadamente, maravilhosamente moldada, com um pescoço e ombros incrivelmente brancos. Seu cabelo abundante, dourado avermelhado, era tão longo que ela podia facilmente sentar-se sobre ele quando estava solto. Sua pele era clara e rosada como a de uma criança. A imperatriz tinha olhos grandes, profundos, cinza e muito brilhantes. Uma dama de companhia, a baronesa Sophie Buxhoeveden, disse que ela era "uma jovem alta e esbelta", com "belos olhos luminosos", "traços regulares", "uma tez muito boa" e "cabelos dourados lindos". Um cortesão imperial comentou favoravelmente sobre "seu maravilhoso cabelo, que repousava como uma coroa pesada em sua cabeça, e grandes olhos azul-escuros abaixo de longos cílios". Em 1905, o tutor de suas filhas, Pierre Gilliard, escreveu que a Imperatriz ainda era uma mulher bela na época. Ela era alta e esbelta, e se comportava de maneira soberba. Mas tudo isso cessava no momento em que se olhava em seus olhos — aqueles olhos cinza-azuis que refletiam as emoções de uma alma sensível.
Nascida em 6 de junho de 1872 no Novo Palácio em Darmstadt, como princesa Alice Vitória Helena Luísa Beatriz de Hesse e Reno, um grão-ducado então parte do Império Alemão. Hesse era um território relativamente pequeno, com dificuldades económicas permanentes e sem qualquer influência política no palco europeu. Num artigo publicado a 3 de julho de 1862 no Evening Star, na altura do casamento dos pais de Alice, o grão-ducado não passava de "um cenário campestre simples, com um carácter pastoral e agrícola". Com uma corte muito pouco ostensiva, era um local bonito, mas, aparte de alguns casamentos reais importantes (a princesa Guilhermina, filha de Luís IX de Hesse-Darmstadt, foi a primeira esposa do futuro imperador Paulo I da Rússia, e a princesa Maria era ainda, por esta altura, esposa do imperador Alexandre II da Rússia), não possuía qualquer importância histórica. Ela era sexta filha, a quarta menina, de Luís IV, Grão-Duque de Hesse e Reno e de sua esposa, a princesa Alice do Reino Unido, segunda filha da Rainha Vitória. Tinha três irmãs, as princesas Vitória, Isabel e Irene, e dois irmãos mais velhos, os príncipes Ernesto Luís e Frederico de Hesse e Reno. Quase dois anos após o seu nascimento, nascia a última filha do casal, a princesa Maria de Hesse e Reno.
Pretendentes
A rainha Vitória demonstrava particular afeição por Alice e desejava que viesse a tornar-se rainha consorte do Reino Unido, que ela considerava "a melhor posição que existe". Em 2 de março de 1888, escreveu à irmã mais velha de Alice, Vitória, afirmando: Meu coração e pensamento estão voltados para assegurar a querida Alicky para Eddy ou Georgie — referindo-se, respetivamente, ao segundo na linha de sucessão ao trono britânico e ao seu irmão, o futuro Jorge V, ambos primos direitos de Alice. Em 1889, a rainha convidou Alice e Eddy para Balmoral, na esperança de que surgisse entre ambos um vínculo afetivo. Eddy apaixonou-se e lhe propôs casamento; contudo, Alice não partilhava dos mesmos sentimentos e rejeitou a proposta. Apesar da recusa, a rainha Vitória persistiu, procurando persuadi-la das vantagens de tal aliança. Numa carta dirigida à princesa Vitória de Hesse e Reno, sua irmã mais velha, expressou a opinião de que Alice deveria ser levada a refletir seriamente sobre a imprudência de desperdiçar a oportunidade de casar com um homem muito bom, bondoso, afetuoso e equilibrado, de ingressar numa família unida e feliz e de ocupar uma posição que não tem igual no mundo. A irmã mais velha de Alice, Ella, opunha-se ao casamento, justificando que ele [Eddy] não aparenta ser fisicamente robusto e é demasiado estúpido. Em maio de 1890, Alice escreveu uma carta a Eddy, na qual manifestava que, embora lhe custasse magoá-lo, apenas o via como um primo e, por esse motivo, não poderia contrair matrimônio com ele. Comunicou ainda à Rainha Vitória que aceitaria casar com Eddy apenas se fosse "forçada" pela família, mas que tal união resultaria na infelicidade de ambos. A Rainha, embora desapontada, reconheceu que Alice revelara "grande força de caráter" e chegou mesmo a afirmar que estava orgulhosa da sua neta por esta a enfrentar, algo que muitas pessoas, incluindo o seu próprio filho, não se atreviam a fazer.
Noivado
Em 1884, Alice compareceu ao casamento de sua irmã Isabel (Ella) com o Grão-Duque Sérgio Alexandrovich em São Petersburgo. Durante a cerimônia, conheceu o Czarevich Nicolau, então com 16 anos, sobrinho do noivo e herdeiro aparente ao trono da Rússia. Alice, na altura com 12 anos, causou uma forte impressão em Nicolau, que a mencionou no seu diário como a "doce pequena Alix". Em janeiro de 1890, Alice visitou a sua irmã Ella na Rússia. Durante a estadia, passou algum tempo com o Czarevich Nicolau; ambos patinaram no gelo, participaram em chás e jogaram badminton. Nicolau registou no seu diário o crescente afeto que sentia por Alice, escrevendo: O meu sonho é um dia casar-me com Alix de Hesse. Já a amo há muito tempo, mas com mais sentimento e força desde 1889 quando ela passou seis semanas em São Petersburgo. Durante muito tempo resisti, mas sei que os meus sonhos se vão tornar realidade.
Cerimônia
Em 1 de novembro de 1894, Alexandre III morreu aos 49 anos, e Nicolau ascendeu ao trono como imperador Nicolau II. No dia seguinte, Alice foi recebida na Igreja Ortodoxa Russa como "a verdadeiramente crente Grã-Duquesa Alexandra Feodorovna". No entanto, ela não foi obrigada a abjurar o luteranismo. Alice queria adotar o nome "Catarina", mas Nicolau queria que ela adotasse o nome Alexandra para que pudessem ser um segundo casal Nicolau e Alexandra; em homenagem aos seus bisavôs Nicolau I da Rússia e Alexandra Feodorovna (nascida princesa Carlota da Prússia). Em 26 de novembro de 1894, Alexandra e Nicolau se casaram na Grande Igreja do Palácio de Inverno de São Petersburgo. O luto da corte pôde ser relaxado porque era o aniversário da mãe de Nicolau, a agora Imperatriz-viúva Maria Feodorovna. Muitos russos consideraram Alexandra um mau presságio porque ela chegou logo após a morte do Imperador Alexandre: "Ela veio até nós atrás de um caixão. Ela traz infortúnio com ela". A própria Alexandra escreveu para sua irmã: Nosso casamento me pareceu uma mera continuação da liturgia fúnebre do Imperador morto, com uma diferença; eu usava um vestido branco em vez de um preto.
O início da Primeira Guerra Mundial foi um momento decisivo para a Rússia e para Alexandra. A guerra colocou o Império Russo da dinastia Romanov contra o Império Alemão da dinastia Hohenzollern. Quando Alexandra soube da mobilização russa, ela irrompeu no escritório de seu marido e disse: Guerra! E eu não sabia nada sobre isso! Isso é o fim de tudo. Durante a Primeira Guerra Mundial, Alexandra e Nicolau trocaram cerca de 1.700 cartas. Os laços de Alexandra com a Alemanha tornaram-na ainda mais impopular entre algumas camadas da sociedade russa. Seu irmão Ernesto Luís governava o Grão-Ducado de Hesse e do Reno, portanto, lutou com os alemães. O kaiser alemão, Guilherme II, era primo de Alexandra. A irmã de Alexandra, a princesa Irene, era casada com o irmão do kaiser, o príncipe Henrique. Apesar desses laços, Alexandra era uma patriota russa fervorosa e não gostava do kaiser alemão. Ela escreveu em privado que Guilherme II não é nada além de um palhaço. Ele não tem valor real. Suas únicas virtudes são seus rígidos princípios morais e sua fidelidade conjugal.
Coroação
Alexandra Feodorovna tornou-se Imperatriz da Rússia no dia do casamento, no entanto a coroação oficial decorreu apenas no dia 26 de maio (14 de maio no calendário juliano) de 1896 no interior do Kremlin de Moscou. No dia seguinte, a tragédia atingiu as celebrações da coroação quando se tornaram conhecidas as mortes de vários milhares de pessoas. As vítimas morreram no Campo de Khodynka em Moscovo quando pensaram que não haveria presentes comemorativos da coroação para todos. Quando a polícia chegou, o campo parecia um campo de batalha. Nessa tarde os hospitais da cidade estavam sobrelotados com feridos e todos sabiam o que tinha acontecido. Nicolau e Alexandra ficaram chocados e o novo imperador declarou que não podia ir ao baile organizado pelo embaixador francês, Marquês de Montebello nessa noite. No entanto os seus tios imploraram-lhe para o fazer, pois, caso contrário, ofenderia os franceses. Tragicamente, como aconteceria muitas vezes ao longo do seu reinado, Nicolau assentiu e foi ao baile com a sua esposa. Serguei Witte comentou: Estávamos à espera que a festa fosse cancelada, mas em vez disso, decorreu na mesma, como se nada tivesse acontecido e o baile foi aberto por Suas Majestades a dançar graciosamente.
Rejeição pelo povo russo
Alexandra era extremamente impopular entre os súditos russos de seu marido. Sua natureza tímida e introvertida era interpretada como arrogância e frieza, e ela tinha dificuldade em fazer amizades. A corte russa a julgava como "desprovida de encanto, rígida, de olhos frios, comporta-se como se tivesse engolido uma vara de medir." Costuma-se afirmar que ela tinha dificuldades com o russo e que só o aprendeu depois de se tornar imperatriz. Contudo, isso é falso. Seus diários da juventude mostram que ela teve algumas aulas de russo antes de visitar sua irmã Ella na Rússia. Ela começou a estudar o idioma seriamente após o noivado com Nicolau, e, durante esse período, escreveu longos trechos em russo para ele, com alguns erros menores, mas mostrando progresso ao longo do tempo. Acabou aprendendo a falar russo muito bem. As cartas entre Alexandra e seu filho Alexei eram quase todas, sem exceção, escritas em russo.
Pressão para gerar um herdeiro
Em 15 de novembro de 1895, Alexandra deu à luz sua filha primogênita, Olga, no Palácio de Alexandre. Muitos russos e membros da família imperial ficaram desapontados com o sexo da criança, mas Nicolau e Alexandra ficaram encantados com a filha e a adoravam. O nascimento de Olga não alterou a posição do Grão-Duque Jorge como herdeiro presuntivo de Nicolau. As Leis Paulinas implementadas pelo Imperador Paulo I proibiam mulheres de ascender ao trono Romanov enquanto existisse algum homem vivo da dinastia. Caso Alexandra não desse à luz um filho homem, os herdeiros de Nicolau seriam seus irmãos e tios. Contudo, poucos se preocupavam, pois Alexandra tinha apenas 23 anos e esperava-se que pudesse gerar um filho em breve.
Relacionamento com os filhos
Alexandra tinha uma relação distante com Olga. Ela confiava em Olga para manter os irmãos mais novos em ordem. Suas cartas para Olga continham lembretes frequentes para que cuidasse dos irmãos: Lembre-se, acima de tudo, de ser sempre um bom exemplo para os pequenos e Tente conversar seriamente com Tatiana e Maria sobre como devem se conduzir diante de Deus. Olga se sentia frustrada por ter de controlar os irmãos turbulentos e queixava-se de que sua mãe não tinha tempo para ela. Quando ficou mais velha, Olga lia muito, tanto ficção como poesia, levando muitas vezes livros da sua mãe antes de ela os ler. Tens de esperar para ver se este livro é indicado para ti, Mamã.
Saúde
A saúde de Alexandra nunca foi robusta, e suas frequentes gestações, quatro filhas em seis anos e um filho três anos depois, esgotaram suas energias. Seus biógrafos, incluindo Robert K. Massie, Carolly Erickson, Greg King e Peter Kurth, atribuem o estado de semi-invalidismo de seus últimos anos ao esgotamento nervoso causado pela preocupação obsessiva com o frágil Alexei, que sofria de hemofilia. Ela passava a maior parte do tempo deitada na cama ou reclinada em uma chaise em seu boudoir ou na varanda. Essa imobilidade permitia-lhe evitar os eventos sociais que considerava desagradáveis. Alexandra tomava regularmente um medicamento fitoterápico conhecido como adonis vernalis para regular o pulso. Estava constantemente cansada, dormia mal e queixava-se de inchaço nos pés. Alimentava-se pouco, mas nunca perdia peso (exceto no último ano de sua vida). É possível que sofresse da doença de Graves (hipertireoidismo), condição que resulta em altos níveis do hormônio tireoidiano e pode causar também fibrilação atrial, batimentos cardíacos irregulares e falta de energia.
Hemofilia e Rasputin
O Czarevich Alexei era o herdeiro aparente do trono da Rússia e o único filho varão de Nicolau e Alexandra. Pouco depois de seu nascimento, os médicos da corte perceberam que ele tinha hemofilia. Após o corte do cordão umbilical, seu estômago sangrou por dias e seu sangue não coagulava. Nicolau escreveu que Alexei perdeu "1/8 a 1/9 da quantidade total" de seu sangue em 48 horas. A hemofilia entrou nas casas reais da Europa através das filhas da Rainha Vitória, incluindo a mãe de Alexandra, a princesa Alice. Alexandra sentia uma imensa culpa por ter transmitido a doença a seu filho. Pouco depois do diagnóstico de Alexei, ela chorou e disse à enfermeira: Se você soubesse o quanto rezei fervorosamente para que Deus protegesse meu filho de nossa maldição herdada. A irmã de Nicolau, Xenia, chamou a hemofilia de a terrível doença da família inglesa, e membros da família imperial culpavam Alexandra por contaminar os Romanovs com as doenças de sua própria raça.
A Primeira Guerra Mundial colocou um fardo insuportável sobre o governo e a economia da Rússia Imperial, ambos já perigosamente enfraquecidos. A escassez de bens e a fome tornaram-se situações diárias para dezenas de milhões de russos devido às disrupções causadas pela economia de guerra. Quinze milhões de homens foram desviados da produção agrícola para lutar na guerra, e a infraestrutura de transporte (principalmente ferrovias) foi redirecionada para o uso militar, agravando a escassez de alimentos nas cidades, já que os produtos agrícolas disponíveis não podiam ser transportados para as áreas urbanas. A inflação estava descontrolada. Isso, combinado com a escassez de alimentos e o mau desempenho militar da Rússia na guerra, gerou grande raiva e agitação entre o povo de Petrogrado e outras cidades. A decisão do imperador de assumir o comando pessoal do exército foi desastrosa, pois ele foi responsabilizado pessoalmente por todas as perdas. Sua mudança para a frente de batalha, deixando a imperatriz no comando do governo, ajudou a minar a dinastia Romanov. O mau desempenho militar levou a rumores, acreditados pelo povo, de que a imperatriz, nascida na Alemanha, fazia parte de uma conspiração para ajudar a Alemanha a vencer a guerra. Além disso, dentro de poucos meses após assumir o comando pessoal do exército, o imperador substituiu vários ministros capazes por homens menos competentes a pedido da imperatriz e de Rasputin; o mais notável entre essas substituições foi a troca de N. B. Shcherbatov por Alexei Khvostov no cargo de ministro do Interior.
O Governo Provisório formado após a revolução manteve Nicolau, Alexandra e seus filhos confinados sob prisão domiciliar em sua residência, o Palácio de Alexandre em Tsarskoye Selo. Eles foram visitados por Alexander Kerensky, do governo, que entrevistou Alexandra sobre seu envolvimento nos assuntos do Estado e a influência de Rasputin sobre ela. Ela respondeu que, como ela e seu marido não guardavam segredos um do outro, frequentemente discutiam política e ela naturalmente lhe dava conselhos para apoiá-lo; quanto a Rasputin, ele tinha sido um verdadeiro homem santo de Deus e seus conselhos eram sempre voltados para o bem da Rússia e da família imperial. Após a entrevista, Kerensky informou ao imperador que acreditava que Alexandra havia falado a verdade e não estava mentindo. O Governo Provisório não desejava manter a família na Rússia, especialmente porque tanto a família quanto o governo estavam sob ameaça dos bolcheviques; confiavam que o ex-imperador e sua família seriam aceitos no Reino Unido e garantiram que consultas estavam sendo feitas. Apesar de ser primo de ambos, Nicolau e Alexandra, Jorge V se recusou a permitir que eles e sua família se evacuassem para o Reino Unido, pois estava alarmado com a impopularidade deles em seu país e as possíveis repercussões para seu próprio trono. Depois disso, foi sugerido que fossem movidos para a França. Contudo, embora o governo francês nunca tenha sido consultado, diplomatas britânicos na França relataram que a família provavelmente não seria bem-vinda, uma vez que os sentimentos anti-alemães estavam fortes na França durante a guerra e Alexandra era amplamente impopular, pois era considerada simpatizante da Alemanha. O Governo Provisório ficou muito desapontado por nenhum estado estrangeiro parecer disposto a receber a família e foi forçado a relocá-los dentro da Rússia, pois a situação de segurança estava se tornando cada vez mais difícil.
A terça-feira, 16 de julho de 1918, transcorreu normalmente para a antiga família imperial. Às quatro horas da tarde, Nicolau e suas filhas fizeram seu passeio habitual no pequeno jardim. No início da noite, Yurovsky mandou embora o ajudante de cozinha de quinze anos, Leonid Sednev, dizendo que seu tio desejava vê-lo. Às 19h, Yurovsky convocou todos os homens da Cheka para seu quarto e ordenou que recolhessem todos os revólveres dos guardas externos. Com doze pesados revólveres militares sobre a mesa, disse: Esta noite, vamos fuzilar toda a família, todos eles. Lá em cima, Nicolau e Alexandra passaram a noite jogando bezique; às dez e meia foram dormir. O ex-imperador, sua esposa e filhos, incluindo o gravemente enfermo Alexei, juntamente com vários criados da família, foram executados por um pelotão de fuzilamento e baionetas no porão da Casa Ipatiev, onde estavam presos, na madrugada de 17 de julho de 1918, por um destacamento de bolcheviques liderado por Yakov Yurovsky. Pouco antes da execução, Alexandra reclamou que não havia cadeiras para eles se sentarem, momento em que Nicolau pediu e recebeu três cadeiras dos guardas. Minutos depois, por volta das 2h15, um esquadrão de soldados, cada um armado com um revólver, entrou na sala. Seu líder, Yurovsky, ordenou que todos se levantassem; Alexandra obedeceu "com um lampejo de raiva" e Yurovsky então declarou casualmente: Seus parentes tentaram salvá-lo. Falharam e agora devemos fuzilá-lo. Nicolau levantou-se da cadeira e teve tempo apenas de dizer O quê...? antes de ser baleado várias vezes, não (como costuma ser dito) na cabeça, mas no peito; seu crânio não apresenta ferimentos de bala, mas suas costelas foram estilhaçadas por pelo menos três ferimentos fatais de bala. De pé a cerca de dois metros dos homens armados e de frente para eles, Alexandra assistiu à execução de seu marido e de dois criados antes que o comissário militar Peter Ermakov apontasse para ela. Instintivamente, ela se virou e começou a fazer o sinal da cruz, mas antes que pudesse terminar o gesto, Ermakov a matou com um único tiro que, como ela estava parcialmente de costas, entrou em sua cabeça logo acima da orelha esquerda e saiu no mesmo ponto, acima da orelha direita. Depois que todas as vítimas foram baleadas, Ermakov, em um estado de embriaguez, esfaqueou o corpo de Alexandra e o de seu marido, estilhaçando as caixas torácicas de ambos e partindo algumas vértebras de Alexandra.
Identificação de restos mortais
Após a execução da família Romanov na Casa Ipatiev, o corpo de Alexandra, juntamente com os de Nicolau, seus filhos e alguns fiéis criados que morreram com eles, foi despido e as roupas queimadas, de acordo com a Nota Yurovsky, um relatório secreto de Yurovsky que veio à tona no final da década de 1970, mas só se tornou público na década de 1990. Inicialmente, os corpos foram jogados em um poço de mina desativado em Ganina Yama, a 19 km ao norte de Ecaterimburgo. Pouco tempo depois, os corpos foram recuperados. Seus rostos estavam desfigurados e os corpos, desmembrados e mutilados com ácido sulfúrico, foram enterrados às pressas sob dormentes de ferrovia, com exceção de duas das crianças, cujos corpos só foram descobertos em 2007. A Nota Yurovsky ajudou as autoridades a localizar os corpos. Os corpos desaparecidos eram os de uma filha, Maria ou Anastásia, e de Alexei. No início da década de 1990, após a queda da União Soviética, os corpos da maioria dos Romanov foram localizados, juntamente com os de seus servos leais, exumados e formalmente identificados. Resultados preliminares de análises genéticas realizadas nos restos mortais de um menino e uma jovem, que se acredita pertencerem ao filho e herdeiro de Nicolau II, Alexei, e à filha Anastásia ou Maria, foram revelados em 22 de janeiro de 2008. O principal perito forense da região de Ecaterimburgo afirmou: Testes realizados em Ecaterimburgo e Moscou permitiram a extração de DNA dos ossos, que se mostrou positivo, disse Nikolai Nevolin. Assim que a análise genética for concluída na Rússia, seus resultados serão comparados com os resultados dos testes de especialistas estrangeiros. Nevolin disse que os resultados finais seriam publicados em abril ou maio de 2008. A certeza sobre os restos mortais pôs fim definitivamente à alegação de que Anna Anderson poderia estar ligada aos Romanov, uma vez que todos os corpos restantes seriam contabilizados.
Enterro
Alexandra, Nicolau e três filhas, juntamente com os criados que foram mortos com eles, foram sepultados novamente na Capela de Santa Catarina da Catedral de Pedro e Paulo, na Fortaleza de Pedro e Paulo, em São Petersburgo, em 1998, com muita cerimônia, no octogésimo aniversário da execução.
Canonização
Em 1981, Alexandra e sua família imediata foram reconhecidas como mártires pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior. Em 2000, Alexandra foi canonizada como Santa e Portadora da Paixão pela Igreja Ortodoxa Russa, juntamente com seu marido, seus filhos e outros, incluindo sua irmã, a Grã-Duquesa Isabel Feodorovna, e a freira Bárbara.


