Alfadle ibne Arrabi
Alfadle ibne Arrabi foi um dos oficiais mais influentes do Califado Abássida nos reinados de Harune Arraxide (r. 786–809) e Alamim (r. 809–813), a quem serviu como camareiro e ministro-chefe. Teve papel importante como principal instigador da guerra civil que eclodiu após a morte de Harune, apoiando Alamim contra seu meio irmão Almamune. Após a vitória de Almamune, se escondeu, mas acabou se reconciliando com o novo governante. Os persas da família Juveini do século XIII alegaram descender dele.
Carreira sob Harune Arraxide
Nascido em 138 AH (757/8 d.C.), Alfadle era filho de Arrabi ibne Iunus. Arrabi era um ex-escravo que subira para ocupar o influente posto de camareiro (hájibe) sob os califas Almançor (r. 754–775) e Almadi (r. 775–785). O poder de Arrabi dependia de seu controle ao acesso de pessoas de fora ao califa, bem como de sua liderança de fato da numerosa e influente maula do califa (servos, libertos). Alfadle efetivamente herdou a posição de seu pai na corte e se beneficiou da alta estima em que Harune Arraxide o mantinha: após sua ascensão, o califa colocou-o no comando de seu selo pessoal, e em 789/90 foi feito chefe do divã alnafacate ("Departamento de Despesas"). Em 795/6, foi nomeado para o antigo posto de hájibe de seu pai, depois de ter conseguido encontrar o poeta ibne Jami, que havia sido exilado sob Alhadi (r. 785–786).
Carreira sob Alamim e guerra civil
De volta a Bagdá, Alfadle permaneceu o principal conselheiro de Alamim, mas seu papel na governança do Estado parece ter sido limitado. No entanto, foi a figura principal entre os membros do poder abássida que pressionaram Alamim a reverter os planos de sucessão de seu pai, removendo Almamune de seu lugar na sucessão em favor do filho de Alamim, Muça, e também como governador do Coração. Essa política aumentou a polarização já existente das elites abássidas entre os dois príncipes, com a nobreza coraçani, encabeçada pelo vizir Alfadle ibne Sal, que se reuniu com Almamune, a quem viam como defensor de seus interesses contra os governo central em Bagdá. A brecha entre os dois lados foi concluída em novembro de 810, quando Alamim retirou o nome de Almamune da oração da sexta-feira. Isso levou a uma cadeia de atos mútuos que resultaram na eclosão de uma guerra civil aberta (a "Quarta Fitna") entre os dois irmãos. Depois que as forças de Almamune obtiveram uma vitória inesperada sobre o exército califal na Batalha de Rei, a situação se tornou crítica em Bagdá, onde muitos começaram a acusar Alamim de ociosidade e complacência e Alfadle de liderança ineficiente. Enquanto o general Tair ibne Huceine de Almamune avançava pela Pérsia, Alfadle tentou reforçar as tropas de Bagdá (a abena Adaulá) com impostos das tribos árabes da Síria e da Jazira, mas logo se desentenderam com a abena por inveja de seus salários e privilégios, de modo que este projeto não deu em nada. Vendo a causa de Alamim perdida e com as tropas de Almamune se aproximando da capital, Alfadle se escondeu.
Apesar de seu longo e leal serviço, a avaliação de Alfadle pelos historiadores modernos é negativa, pois é considerado o principal instigador da guerra civil por meio de suas maquinações para remover Almamune da sucessão. Assim, Dominique Sourdel o chama de "um fazedor de intrigas de personalidade medíocre e capacidade limitada", que tentou usar o caráter fraco de Alamim para sua própria vantagem, enquanto Kennedy vê nele o "gênio do mal" responsável pela guerra civil destrutiva.


