Arrabi ibne Iunus
Arrabi ibne Iunus ibne Abedalá ibne Abi Farua foi um escravo liberto que se tornou um dos principais vizires no início do Califado Abássida, servindo aos califas Almançor (r. 754–775), Almadi (r. 775–785) e Alhadi (r. 785–786).
Arrabi era filho de uma escrava e nasceu perto de Medina por volta de 730. Seu pai, Iunus, o líder de uma família rica, negou sua paternidade e ele, criança, foi enviado para ser criado por outra família e, posteriormente, para uma propriedade no deserto, onde ele executava trabalhos manuais. Ele foi, porém, comprado por Ziade ibne Abedalá Alhariti, o governador de Medina, que, por sua vez, o presentou a Açafá, o primeiro califa abássida. Notado por Almançor por sua erudição literária e especialmente por sua habilidade com a poesia árabe, ele conseguiu se destacar na corte abássida e terminou apontado como hájibe e, eventualmente, vizir. Ele é geralmente mencionado pelos historiadores como uma figura poderosa, controlando o acesso ao califa e um administrador capaz. Ele supervisionou a construção de Karkh, o subúrbio comercial fora das muralhas de Bagdá e também do chamado Palácio da Eternidade, residência preferencial dos califas. Arrabi chegou a receber de Almançor um quarto da nova cidade como presente e a batizou com seu nome (kati’at al-Rabi’). Ele foi instrumental em assegurar a sucessão tranquila de Almadi, mas foi substituído como vizir por Abu Ubaide Alá e retornou ao seu posto de hájibe, que, enquanto isso, fora ocupado por seu filho Alfadle ibne Arrabi. Quando Ubaide Alá o insultou durante uma visita, Arrabi conseguiu derrubá-lo no ano 779/80 acusando e provando que seu filho não era um fiel muçulmano. Ele não retornou ao posto de vizir, porém, até o reinado de Alhadi, quando, por um breve período ele foi vizir, hájibe e chefe da chancelaria. Logo depois, porém, ele foi substituído e permaneceu apenas na direção do divã orçamentário (diwan al-azimma).


