Alamim
Maomé ibne Harune Alamim foi um califa abássida que governou entre 809 e 813. Filho do califa Harune Arraxide, seu reinado foi marcado por conflitos intensos, especialmente com seu irmão Almamune, que culminaram em sua deposição e morte.
Pontos-chave
- Alamim foi califa abássida de 809 a 813, sucedendo seu pai Harune Arraxide.
- Ele violou um acordo de sucessão que previa Almamune como seu sucessor e governador do Grande Coração.
- Alamim enfrentou hostilidade de Almamune e revoltas internas, enfraquecendo seu governo.
- Seu reinado terminou com o Cerco de Bagdá e sua execução por ordem de Almamune.
- A destruição dos documentos sucessórios em Meca foi um ponto crucial para a legitimação da oposição a Alamim.
Harune Arraxide havia estabelecido um plano de sucessão claro: Alamim seria califa, e Almamune governaria o Grande Coração com autonomia, tornando-se califa após a morte de Alamim. Ambos os irmãos assinaram acordos em Meca para respeitar essa ordem, mas Alamim logo demonstrou intenções de quebrar o pacto.
Hostilidade Crescente contra Almamune
Almamune já desconfiava de Alamim antes da morte de seu pai. Após a ascensão de Alamim, a tensão aumentou: Alamim tentou cooptar o agente financeiro de Almamune, exigiu que o irmão reconhecesse seu filho Musa como herdeiro e o convocou a Bagdá. Almamune, com forte apoio persa (devido à sua mãe), recusou as ordens. Ministros de Alamim, como Alfadle ibne Arrabi, o incitaram a agir contra o irmão, levando-o a destruir os documentos sucessórios assinados em Meca e a enviar agentes para desestabilizar o território de Almamune, além de negar-lhe acesso à sua família e bens em Bagdá.
Revoltas Internas e Avanço de Almamune
O governo de Alamim foi abalado por revoltas. Na Síria, Abedal Maleque ibne Sale foi enviado para restaurar a ordem, mas foi morto em combate. Exércitos de 20.000 homens, liderados por Amade ibne Maziade e Abedalá ibne Humaide, foram enviados contra Almamune, mas a discórdia semeada por agentes de Tair fez com que as tropas lutassem entre si. Uma revolta em Bagdá, liderada por Huceine (filho de Ali ibne Issa), foi rapidamente esmagada. Enquanto isso, Tair, general de Almamune, avançou, tomando Avaz, Barém e partes da Arábia, com Baçorá e Cufa jurando lealdade a Almamune. Em Meca, Daúde ibne Issa convenceu os fiéis a apoiar Almamune, lembrando-os da destruição dos acordos de sucessão por Alamim, sendo recompensado com o governo de Meca e Medina.
O Cerco e a Queda de Bagdá (812–813)
Tahir cercou Bagdá, acampando perto do Portão de Ambar. A situação na cidade piorou com a libertação de prisioneiros, intensificando os combates. Alamim, cada vez mais deprimido, viu suas posições se degradarem. Quando Tahir finalmente invadiu a cidade, Alamim tentou negociar uma fuga segura. Tahir concordou relutantemente, desde que Alamim entregasse seu cetro, selo real e outros símbolos do califado. No entanto, Alamim tentou fugir de barco, aparentemente levando consigo esses símbolos. Ele foi capturado, preso e assassinado, e sua cabeça foi exposta no Portão de Ambar. Atabari registra uma carta de Tahir a Almamune, informando sobre a captura e execução do irmão, e a situação em Bagdá.


