Medina Alzahira
A Medina Alzahira foi a cidade-palácio construída por Almançor, hájibe do Califado de Córdova, perto de Córdova, a leste desta, à beira do rio Guadalquivir, no terceiro quartel do século X. Foi construída não só para ser a residência da família daquele que era o homem mais poderoso do califado, que na prática governava, relegando o califa Hixame II para um papel meramente simbólico, mas também como um símbolo e sede de poder, com a pretensão de suplantar a Medina Azara, a cidade-palácio dos califas, situada 5 km a oeste da capital.
Segundo a tradição, a construção da Medina Alzahira teria sido iniciada pouco depois de Almançor começar a governar em nome do califa Hixame II, então com onze anos de idade, em 978. O hájibe queria mostrar com o enorme e esplendoroso palácio a sua grandeza, garantir a sua segurança e rivalizar com o califa. O nome e a situação, a leste de Córdova, mostram a intenção de se apresentar como uma contrapartida à palácio do califa, a Medina Azara, situada a oeste da capital. Ainda segundo a tradição, as obras de construção progrediram rapidamente e em 981 Almançor instalou-se no seu novo palácio, no mesmo ano em que derrotou o seu sogro, o general Galibe ibne Abderramão, anteriormente seu protetor e aliado e nessa altura o único rival sério que lhe barrava o poder absoluto. Galibe tinha entrado em guerra aberta com o genro para conter a deriva autoritária deste e tinha a ajuda dos castelhanos e navarros.
Residentes
Almançor levou para residir no palácio, além das suas esposas e filhos, os seus parentes próximos, com todos os seus serviçais. Além destes, viviam na cidade numerosos operários, artesãos e artistas, que continuavam a trabalhar nas obras que prosseguiam. Devido ao hájibe querer fazer da cidade o centro do seu poder, muitos funcionários civis e religiosos mudaram a sua residência para as imediações da fortaleza, aproveitando os privilégios imobiliários oferecidos pr Almançor. Na cidade havia várias caserna onde residiam numerosos soldados. A riqueza dos residentes atraiu rapidamente comerciantes e foram criados bazares nas imediações do palácio, frequentados por dezenas de poetas.
Destruição
Na prática, Almançor fundou uma dinastia de emires, conhecida como dinastia amírida (do nome de família de Almançor, cujo nome completo era Abu ʿAmir Muhammad ben Abi ʿAmir al-Maʿafirí), já que dois dos seus filhos sucederam ao pai como hájibes e detentores do poder de facto quase absoluto no califado. O clã dos omíadas entendia que para retomar o poder o bastião simbólico dos amíridas tinha que ser atacado. Quando a 15 de fevereiro de 1009 estalou a rebelião liderada por Maomé ibne Hixame para destronar o califa Hixame II e afastar Abderramão Sanchuelo, o filho de Almançor que era então hájibe, a Medina Alzahira foi atacada e completamente destruída.
Pelo menos desde 1772 que se tenta encontrar o local da cidade. Nesse ano, o médico e literato Bartolomé Sánchez de Feria y Morales situou a mesquita de Almançor na atual Capela de São Bartolomeu. Os escritos desse médico serviram de base a várias investigações posteriores, nomeadamente do historiador cordovês Luis María Ramírez de las Casas-Deza (1802–1874) que também situou a mesquita e o palácio na mesma zona, e Pedro de Madrazo (1816–1898), que fez algumas escavações em busca de vestígios do palácio. As investigações desses três estudiosos fizeram que até 1930 se acreditasse que aquela era a localização do palácio, mas os trabalhos realizados em 1930 pelo arqueólogo Samuel de los Santos Gener para a classificação da capela como monumento histórico artístico concluíram que esta tinha sido construída no último terço do século XIII, o que invalidou a hipótese da Medina Alzahira ali se ter situado.


