Pesquisa · Mapa mental

Abedal Maleque Almuzafar

Abedal Maleque Almuzafar, também conhecido pelo nome castelhanizado Abdelmélic el Muzáffar ou simplesmente Almuzafar, foi o filho predileto e sucessor de Almançor como hájibe do califa omíada Hixame II. A sua mãe era uma das várias esposas do pai, a influente Adalfa (ad-Dalfāʾ), "a Chata". Quando o pai morreu, em 1002, sucedeu-lhe como hájibe, comandante do exército, valido do Califado de Córdova, e governante supremo de facto do Estado, com Hixame como mera figura simbólica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
01

Primeiros anos

Abedal Maleque nasceu em 975 e apesar de ser seis anos mais novo do que Abedalá, o primogénito de Almançor, Abedal Maleque tornou-se o filho predileto do pai, entre outras razões, por mostrar desde cedo grandes habilidades militares, à semelhança do seu meio-irmão Abderramão Sanchuelo. O favoritismo demonstrado a Abedal Maleque pelo pai terá sido uma das causas para Abedalá participar numa conspiração contra Almançor em 988/989, juntamente com o caide de Toledo, Abedalá ibne Abedalazize Almaruani, conhecido como "Abedalá Pedra Seca", e o caíde de Saragoça, o seu parente tujíbida Abderramão ibne Almutarrife. A conjura foi apoiada por numerosos notáveis cordoveses, militares que se opunham às reformas do ditador, funcionários do governo e pelas tropas de Saragoça. Os conjurados planearam matar Almançor e os seus colaboradores mais próximos e tomar o poder, que seria repartido entre Almutarrife, que ficaria a comandara os exércitos das fronteiras setentrionais, e Abedalá, que ficaria o o controlo da capital. Almançor começou por recusar-se a acreditar nos rumores sobre a conspiração do seu próprio filho, mas quando se confirmou que a conspiração existia, destitui Almaruani e Almutarrife. Para evitar confrontos com os tujíbidas nomeou um membro desse clã como novo caide de Saragoça em meados de 989.

02

Atuação como hájibe

Abedal Maleque, que contava com a experiência adquirida ao lado do seu pai nos últimos anos deste, deu continuidade à política de Almançor. As aceifas (campanhas militares) contra os cristãos foram intensificadas; tendo levado a cabo oito, que acompanhou ostensivamente. Manteve a superioridade militar em relação aos estados cristãos do norte, debilitados por lutas internas, mas embora fosse militarmente mais ambicioso do que o seu pai, revelou-se pior estratega. Foi principalmente um soldado, tanto por formação como por vocação, que era mais feliz entre os seus oficiais (principalmente cristãos e berberes) do que na corte.

Problemas internos

Devido à sua inclinação para o ócio, Abedal deixou o exercício do poder nas mãos dos seus favoritos, que tinham sido próximos do seu pai, que em duas ocasiões puseram em perigo a sua posição. Os secretários adquiriram um grande poder e puseram em causa o do hájibe. Em 1004 foi alvo duma conjura fracassada, que incluía o seu assassinato e a substituição pelo seu jovem filho Maomé; os cabecilhas da conspiração — o fatá-mor Tarafa e o poeta Abedal Maleque Aliaziri — foram executados. Em dezembro de 1006 o vizir mais poderoso, Issa ibne Salde Aliaçubi (também conhecido como ibne Alcata, ibn al-Qaṭṭāʿ) tentou eliminá-lo, com o apoio de importantes famílias árabes da capital, para colocar no trono outro omíada, Hixame ibne Abde Aliabar, que tal como Hixame II, era neto do califa Abderramão III (r. 912–961). O plano era que o novo califa nomeasse o vizir como hájibe, mas a conspiração fracassou e o vizir foi morto por esbirros de Abedal Maleque na sua presença a 4 de dezembro; três dias mais tarde o pretendente ao trono foi preso e acabou por morrer na prisão. Após essa tentativa falhada de golpe de estado, Almuzafar voltou a tomar diretamente nas suas mãos as rédeas do governo, como o seu pai sempre tinha feito.

Atuação no Magrebe

No noroeste de África nomeou pessoas da região para os postos mais importantes, que até então tinham sido ocupados por andalusinos. Manteve boas relações com os zenetas magrauas e aparentemente aumentou os contingentes destes e de sanajas na Península Ibérica. A um deles, Almuiz ibne Ziri, filho de Ziri ibne Atia, adversário de Almançor, Abedal entregou o governo das praças-fortes magrebinas fiéis aos omíadas, à exceção de Segelmeça, que foi entregue a outros vassalos do califado.

Campanhas militares contra os estados cristãos

Na sequência da morte de Almançor, os estados cristãos ibéricos renunciaram aos compromissos que tinham assumido o hájibe cordovês, o que obrigou Almuzafar a atuar rapidamente para restabelecer a supremacia cordovesa. Logo após o seu pai morrer, Abedal Maleque, desejoso de poder atacar o Reino de Leão antes da primavera de 1003 para acabar com as esperanças dos cristãos de se livrarem do jugo cordovês, tentou ganhar o favor das suas tropas fornecendo cinco mil adargas e igual número de elmos e almofares às tropas couraçadas, fabricados pelos juzzān al-asliḥa ("armeiros do estado"); entre os mercenários africanos distribuiu 15 mil dinares de ouro, que foram repartidos segundo os seus postos.

03

Morte

A última aceifa de Abedal Maleque, novamente contra o conde castelhano Sancho Garcia, foi realizada em 1008 e foi registada nas fontes muçulmanas com gazat al-illa ("campanha da doença"). Saiu de Córdova em maio e chegou a Saragoça a 3 de junho, com a intenção de saquear terras castelhanas. As crónicas islâmicas relatam que Abedal adoeceu gravemente quando estava a caminho de Medinaceli, o que o teria impedido de realizar operações militares, mas estudiosos modernos acreditam que esses relatos dissimulam um possível revés militar. De qualquer forma, é certo que Abedal teve que se retirar para Saragoça, onde recebeu cuidadso médicos. Foi ordenado ao exército que voltasse para a capital, onde chegou no início de setembro. Melhorou "milagrosamente" e começou a pensar em retomar a aceifa, o que não chegou a acontecer porque adoeceu de novo repentinamente, para mais uma vez recuperar rapidamente. Depois disto, Almuzafar só estava preocupado em acabar vitoriosamente a guerra com Castela, que já durava há três anos. Partiu de Córdova a 19 de setembro, quando começava novamente a ter dores corporais, o que o fez regressar. Uma vez recuperado, começou a preparar uma campanha para atacar de surpresa os castelhanos no inverno.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando