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Culinária do Paraná

A culinária do Paraná se caracteriza pelo preparo de alimentos e diferentes pratos e resulta de uma mistura de ingredientes indígenas, europeus, africanos e asiáticos típicos do estado do Paraná, no Brasil.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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História

A culinária do Paraná envolve saberes e técnicas de preparo de alimentos regionais. Tem como tradição a carne de charque, o churrasco, o barreado, o pinhão e as influências de hábitos culinários de gaúchos, paulistas e mineiros, e influências da imigração no Brasil. Embora os principais pratos da cozinha paranaense sejam originários da interação entre portugueses e indígenas, esta possui influência posterior de imigrantes alemães, franceses, italianos, ucranianos, poloneses, holandeses, austríacos, árabes, sírio-libaneses e japoneses. No começo da colonização do Paraná, os hábitos culturais encontrados no estado eram dos índios e dos ibéricos (da Europa: de Portugal e de Espanha). O povo paranaense legou uma grande quantidade dos hábitos, como o costume de consumo de ervas, milho, mandioca, mel e tabaco. No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região a partir da descoberta do ouro em Minas e permaneceu até o século XIX com sua economia baseada na pecuária. Depois, os tropeiros colaboraram com a cultura de consumir o chimarrão, o café e o feijão de tropeiro e os escravos africanos trouxeram como legado, por exemplo, a feijoada e o hábito de consumir cachaça. A diversidade étnica e cultural no Paraná contribuiu para construir a identidade de cada região do estado.

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Alimentos, produtos e pratos típicos

Preparo de carnes

Como a pecuária foi por muitos anos a base da economia, há muitos pratos tradicionais preparados com carne. O porco no tacho, a costela ao fogo de chão, a costela do ferra mula, o carneiro ao molho de vinho e o carneiro no buraco. Outro hábito culinário que também leva carnes é a típica produção de embutidos, como as salsichas. O uso de salsichas é bem comum no consumo com pães, costume que ficou conhecido como pão com vina. O cachorro-quente tornou-se um dos lanches mais tradicionais do estado, sendo típico das cidades do interior o cachorro-quente prensado. O charque é uma carne salgada que tornou-se no século XIX o principal produto da economia do Rio Grande do Sul. Pela ausência de tecnologias de refrigeração da carne à época, o animal vacum abatido para retirada do couro, de bom valor de mercado, não tinha sua carne aproveitada adequadamente. O charque também está presente na culinária paranaense, sendo trazida pelos tropeiros. Em 1870, a Estrada das Missões estava aberta ao tráfego e, apesar de mais perigosa devido ao ataque de índios, foi a preferida pelos tropeiros, porque encurtava o trajeto até Sorocaba, passando por Guarapuava e seus antigos distritos de Palmas, Pinhão, Candói e outros. Além disso, o terreno é mais seco, com grandes extensões de campos e menos rios correntosos que teriam que ser atravessados a nado.

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Eventos notáveis

Em março de 2025, durante a inauguração da sua casa de eventos chamada Casa do Manu, localizada no bairro Água Verde, em Curitiba, o chef Emanuel Postui de Castro preparou o que foi considerado pela imprensa local como a maior carne de onça já feita na cidade. O evento aconteceu como parte das comemorações dos 332 anos de Curitiba e reuniu centenas de convidados. A preparação histórica teve destaque em diversos veículos de comunicação, como os portais Curitips (Portal XV Curitiba) e o Diário Indústria & Comércio. A paçoca faz parte da tradição culinária em muitas cidades, sendo uma herança da tradição cultural africana e tropeira. O prato servia como refeição aos tropeiros que levavam esse alimento em suas viagens. Pode ser encontrada principalmente na região dos Campos Gerais, como em Tibagi e Lapa. A paçoca de carne é feita com carne desfiada e temperada, socada no pilão com farinha. Em Tibagi a receita leva carne bovina e suína, temperadas, cozidas e fritas. As carnes são socadas no pilão com farinha de milho ou de mandioca, levando cheiro verde e pimenta a gosto. Na Lapa a receita inclui charque e toucinho, com temperos como cebola e alho, e dois tipos de farinhas, a de milho e a de mandioca. Nas regiões de pinheirais existe uma variedade de paçoca onde a receita ganhou como incremento, o pinhão.

Cereais e sementes

Além do tradicional arroz e feijão brasileiro, o Paraná apresenta cereais típicos da região, além de outras espécies cultivadas, a exemplo do milho, trigo e cevada, que são ingredientes inseridos no cotidianos da cozinha paranaense. O Paraná lidera entre os estados a produção de feijão no país. O município de Prudentópolis, por exemplo, é conhecido por ser o maior produtor de feijão preto do Brasil. No município é realizada a Festa Nacional de Feijão Preto (Fenafep). O evento tem como sua principal função a divulgação do potencial turístico e agrícola do município. Como parte da atração da festa está a maior panela do Brasil, a qual serve para produzir uma enorme feijoada. A panela chegou a ser considerada a maior do mundo, entrando para o livro dos recordes (Guinness World Records).

Massas

As massas mais comuns encontradas no Paraná são os pães, a broa polonesa, o pão de bafo, o pierogi, a polenta, o reviro paraguaio e o udon. O pão no bafo (conhecido também como Tampf Kleis) é uma iguaria que leva pão, repolho e derivados de carne suína, foi trazida ao Paraná pelos imigrantes russos-alemães em 1878. Em 2015, o prato típico de Palmeira, foi tombado pela prefeitura como patrimônio cultural do município. O pierogi é um tipo de pastel cozido originário da Polônia e oeste da Ucrânia, onde é chamado perohê. É muito comum em Curitiba e região, Campos Gerais e Centro-Sul do Paraná. É o prato típico do município de Ivaí. O polvilho é bastante comum na culinária paranaense e pode ser inserido de várias formas, como no tradicional bolinho frito de polvilho, encontrado em Tibagi. O biscoito de polvilho é um produto típico de algumas regiões do Paraná, sendo levemente salgado e crocante, amplamente consumido e encontrado nos estabelecimentos comerciais.

Queijos

O Paraná se consolidou como o segundo maior produtor de leite entre os estados do Brasil, perdendo apenas para Minas Gerais. A produção de laticínios no Paraná proporcionou ao estado como um produtor de uma variedade de queijos, que vem ganhando espaço e reconhecimento a nível nacional. São queijos artesanais tradicionais, de leite cru, de leite pasteurizado, de maturadores e queijos finos. Tradicionalmente para a fabricação de queijos é utilizado o leite de vaca, mas há variedades com leite de búfala, cabra e até de ovelha. Já os queijos mais produzidos no Paraná em escala industrial são o muçarela, provolone e o prato. Em 2018 foram eleitos os melhores queijos artesanais do Paraná em um concurso realizado em uma competição que contou com 195 queijeiros de 90 municípios paranaenses, na maioria pequenos produtores. Os critérios de avaliação levam em consideração sabor, aroma, consistência, textura, cor e apresentação. O queijo colonial Martinazzi, de Itapejara d'Oeste; o queijo colonial feito com leite cru de gado Jersey, de Santana do Itararé; e o queijo São João, de Carambeí, foram eleitos os melhores queijos artesanais do estado. O queijo colonial de Itapejara d’Oeste é feito com leite pasteurizado a 65° e leva cerca de 30 dias para maturar. Possui textura macia, miolo claro, casca mais amarelada e o sabor é suave e com um toque picante. Já o queijo São João é feito com leite pasteurizado a 65°, depois resfriado a 35° e tem tempo de maturação de 10 a 15 dias. Outros queijos premiados e bastante reconhecidos são o de Witmarsum (o primeiro do país a ganhar selo de indicação geográfica), o de Londrina, o de Chopinzinho, e o de Pinhão.

Doces

No Paraná é possível encontrar diversas produções de doces, tortas, bolos e sobremesas. Entre os mais comuns estão as geleias (assim como a chimia e as compotas), o sagu de vinho, o kutiá, o bolo Martha Rocha. O kutiá é um doce de trigo e sementes prato típico da colonização ucraniana que é encontrado no Paraná. Representa um dos 12 pratos que integra a ceia de Natal ucraniana, onde cada prato simboliza um apóstolo, sendo que o kutiá é um dos principais deles. Cada ingrediente que integra o kutiá é simbólico. O kutiá é servido antes dos outros alimentos como entrada.

Bebidas

As bebidas mais típicas do Paraná são o chimarrão e o café. O chimarrão é uma bebida arcaica feita de erva-mate e caracterizada como bebida típica dos indígenas da região. A erva-mate chegou a ser o principal produto de exportação do Paraná em finais do século XIX e início do XX. O Paraná apresenta uma variedade de bebidas típicas, que vão além do mate e do moderno café. As bebidas destiladas foram trazidas pelos portugueses ou, como a cachaça, fabricadas na terra. Já no início do século XX os alambiques produziam a cachaça, que foram estabelecidos principalmente no litoral do estado, herança dos engenhos e do açúcar do Brasil colonial. Um dos símbolos da identidade mestiça, a cachaça surgiu através dos negros que foram escravizados e, assim como em outras regiões, tornou-se uma bebida tipicamente brasileira. O Paraná é um dos estados que mais produz a cana-de-açúcar e o caldo extraído é introduzido na culinária, sendo bastante consumido como bebida, principalmente no interior, como na região norte e noroeste do estado. A bebida é conhecida como caldo de cana ou garapa. O Paraná também se consolidou como um grande produtor de cevada e cerveja. A cerveja, que começou a ser consumida em fins do século XVIII no Brasil, é hoje uma das bebidas alcoólicas mais comuns em todo o estado. Mais recentemente a região tem se destacado inclusive na produção e consumo de cervejas artesanais.

Café colonial

O café colonial é uma refeição típica da culinária paranaense, que recebeu influências europeias. O chamado "café colonial" recebeu influências das tradições dos povos que ajudaram a colonizar a região. A refeição é proveniente principalmente do contato da cultura brasileira com a cultura germânica e eslava. No Paraná o café colonial é comum em praticamente em todas as regiões do estado, como em Curitiba e região metropolitana, Campos Gerais, Centro-Sul, Norte e Oeste. Além da influência germânica e holandesa, a influência eslava (polonesa, ucraniana e russa) pode ser mais sentida. Apesar do nome, o café colonial é uma refeição que não tem a finalidade exclusiva de ser um café da manhã (desjejum), podendo ser degustado a qualquer hora do dia. A maioria dos produtos são produzidos artesanalmente, constituindo-se de uma mesa farta com massas, como pães variados, principalmente pães caseiros, podendo ser do tipo sovado, francês, integral, broa, focaccia, brioche, e pães doces como o chineque. Uma variedade de tortas e bolos, como cuca, bolo de milho e bolinho de polvilho. Além de alimentos como manteiga, queijos, embutidos, wiener, bock, bolachas e biscoitos, e mel, entre outros. tradicionalmente a refeição é composta de bebidas como leite, café coado e sucos.

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