Reino de Aiutaia
O Reino de Aiutaia foi um antigo reino siamês fundado em 1350 que perdurou até a intervenção birmanesa em 1767. Foi fundado pelo povo tais, que, expulso do sudoeste da China, se instalou na região próxima e adotou o budismo como religião.
Origens
De acordo com a versão mais aceita, o estado siamês de Aiutaia, no vale do rio Chao Phraya, nasceu dos reinos vizinhos de Lavo e Suphannaphoom (Suvarnabhumi). Uma fonte diz que, em meados do século XIV, devido à ameaça de uma epidemia, o rei U Thong transferiu sua corte para o sul da rica planície do Chao Phraya, em uma ilha cercada por rios, onde ficava a antiga cidade portuária de Aiutaia, a cidade angelical de Seri Rama. A nova cidade ficou conhecida como Aiutaia, ou Crungue Tepe Devaravadi Si Aiutaia. Mais tarde tornou-se conhecido como Aiutaia, a Cidade Invencível. Outras fontes dizem que o rei Uthong, um rico comerciante de origem chinesa de Phetchaburi, uma cidade costeira no sul, que mudou-se com procurar fortuna na cidade de Aiutaia. O nome da cidade indica a influência do hinduísmo na região. Acredita-se que esta cidade está associada com o épico nacional tailandês Ramakien, que é uma versão do épico hindu Ramáiana.
Conquistas e expansão
Até o final do século, Aiutaia foi considerada como a grande potência no continente Sudeste Asiático. Aiutaia começou a sua hegemonia conquistando reinos do norte e cidades-estados como Sucotai, Kamphaeng Phet e Fitsanuloque. Antes do final do século XV, Aiutaia lançou ataques em Angkor, a grande potência da região. A influência de Angkor eventualmente sumiu da Planície do rio Chao Phraya quando Aiutaia tornou-se a nova grande potência. No entanto, o reino de Aiutaia não era um estado unificado, mas sim uma "colcha de retalhos" de principados autônomos e províncias afluentes que deviam lealdade ao rei de Aiutaia sob O Círculo do Poder, ou sistema mandala, como alguns estudiosos sugeriram. Estes principados podem ter sido governados por membros da família real de Aiutaia, ou pelos governantes locais, que tinham seus próprios exércitos independentes, tendo o dever de ajudar a capital quando uma guerra ou invasão ocorresse. No entanto, era evidente que de vez em quando revoltas locais, liderados por príncipes e reis locais, aconteceram, obrigando Aiutaia a reprimi-las.
Em 1511, Aiutaia recebeu uma missão diplomática portuguesa, enviada por Afonso de Albuquerque na sequência da conquista portuguesa de Malaca no início do ano, dado a influência que era então atribuída ao Reino do Sião sobre a península de Malaca. Duarte Fernandes foi o primeiro enviado à corte de Rama Tibodi II, regressando com um enviado siamês e ofertas para o rei de Portugal, seguindo-se-lhe António de Miranda de Azevedo, Duarte Coelho e Manuel Fragoso, que aí permaneceu dois anos preparando um documento sobre o reino do Sião, que enviou directamente para Portugal. Estes terão sido os primeiros europeus a visitar o reino. Cinco anos após os contactos iniciais, Aiutaia e Portugal estabeleceram um tratado que garantia aos portugueses a permissão para comerciar no reino do Sião. As relações entre os dois reinos permaneceram informais até que em 1518 o rei D. Manuel I enviou uma embaixada com ofertas e a proposta de formalização de um tratado de aliança comercial, política e militar, que incluía a possibilidade dos siameses comerciarem em Malaca. Os comerciantes e missionários portugueses não exerceram, no entanto, grande influência sobre o país, situado fora das principais rotas portuguesas do Índico. A maioria de portugueses na Tailândia eram aventureiros que serviriam os exércitos reais como mercenários e que foram responsáveis pela adoção de algumas técnicas militares ocidentais nas operações militares tailandesas. Mais tarde, em 1592, seria estabelecido um tratado semelhante dando aos holandeses uma posição privilegiada no comércio de arroz.


