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Myanmar

Myanmar ou Birmânia, oficialmente República da União de Myanmar, é um país do sul da Ásia continental, limitado ao norte e nordeste pela China; a leste pelo Laos; a sudeste pela Tailândia; ao sul e sudoeste pelo mar de Andamão e pelo golfo de Bengala; e a noroeste pelo Bangladesh e pela Índia. Em 2006, a capital do país foi transferida de Rangum para Nepiedó.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Etimologia e terminologia

Os nomes "Myanmar" e "Birmânia" possuem a mesma origem etimológica. O termo português "Birmânia" vem do nome local Bam-mā, por intermédio do francês Birmanie, este uma adaptação das formas antigas inglesas Birman ou Birma. Já Bam-mā, por sua vez, é uma das formas pelas quais a população local se refere ao país, juntamente com o nome vernáculo Maran-mā ou Mranmá. O termo em língua birmanesa Mijanmaːɐ (originalmente transliterado para línguas ocidentais como Maran-mā ou Mranmá) é a forma literária, escrita, para o nome do país, enquanto Bam-mā é a forma coloquial. Ambas são empregadas pela população do país e, no birmanês oral, a distinção entre as duas é menos clara do que sugere a transliteração — a primeira, por exemplo, é pronunciada, em birmanês, Mianmá; e a segunda, Bam-má. Em 1989, a junta militar alterou oficialmente a versão em inglês do nome do país (de Burma para Myanmar) e de diversas cidades, como o da então capital, Rangum (de Rangoon para Yangon). O nome oficial em língua birmanesa (Mijanmaːɐ) não foi alterado.

Aportuguesamentos e outras grafias

Em português, o novo nome foi aportuguesado como Mianmá ou Mianmar. A primeira forma aproxima-se mais da pronúncia correta do nome em birmanês (pronúncia no alfabeto fonético internacional: /mjəmà/), em que o "r" final é mudo, e indica apenas que o "a" precedente é a vogal acentuada da palavra. Ainda assim, a Folha de S.Paulo e O Globo, entre outros jornais, usam esta última transliteração, também usada pelo Dicionário Aurélio (que aceita, igualmente, a forma Mianmá). O Dicionário Houaiss traz o nome do país como "Myanmar, Mianmá ou Myanma", não registrando Mianmar. O Estado de S. Paulo usa Mianmá. O governo brasileiro e o governo português empregam em português a forma internacional "Myanmar".

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História

Reinos budistas e domínio britânico (séculos IX a XIX)

No início da era cristã, Myanmar incluía-se na área de influência da cultura indiana. O budismo expandiu-se pelo país durante o século IX e dois séculos depois que o reino budista de Pagã conseguiu que a região central inteira fosse unificada. Depois que as terras do atual Myanmar foram brevemente dominadas pelos mongóis, entre os primeiros anos do século XIII e os últimos anos do século XIV, uma dinastia de origem xãs foi instalada na região central do país sendo que a tradicional cultura birmanesa foi adotada por essa família de governantes. Uma segunda dinastia, originária dos mons, foi estabelecida na antiga capital, Bagan. Na metade do século XVI, o rei Tabinshwehti, de uma província do sul, e seu filho, conseguiram, com auxílio dos portugueses, que o país fosse reunificado. O reino de Pegu ficou a partir de 1599 sob a gestão do Império Português do Oriente.[carece de fontes?] Novos combates entre reinos e etnias ocorreram antes do controle total pela dinastia criada por Alaungpaya. Seu poderio foi expandido para oeste, e isso deixou contrariados os interesses britânicos no golfo de Bengala, de modo que, depois de três guerras — que se travaram entre 1824 e 1826, em 1852 e em 1885 — todo o território submeteu-se ao controle britânico, o qual começou a chamá-lo Burma (Birmânia).

Desenvolvimento econômico, ocupação japonesa, independência e regime militar (1937-2010)

Em 1937, os britânicos desmembraram a Birmânia da Índia. A Birmânia desenvolveu-se economicamente porque o povo cultivava arroz, além de explorar a teca e a borracha, o que foi significativo durante o período colonial. Na época da Segunda Guerra Mundial, o país foi cenário de lutas sangrentas por uma série de anos, tendo sido ocupado pelas tropas japonesas. Tendo como reconquistadores Lord Mountbatten e o general Orde Charles Wingate, o país teve sua independência proclamada em 4 de janeiro de 1948. A vida política da Birmânia, a partir de então, foi muito conturbada. Apesar da consagração constitucional dos estados autônomos estabelecidos para os grupos étnicos xã, karen, cachim e chin, ocorreram muitas tentativas de separação. Em 1962, um golpe de estado liderado pelo general Ne Win aboliu a constituição e deu início a uma ditadura militar, a qual procedeu para que boa parte do sistema econômico fosse socializado. Em 1988, o povo manifestou seu descontentamento com décadas de má gestão da economia. Um novo governo militar alterou o nome do país em inglês para Union of Myanmar em 1989 (adaptado em português como União de Myanmar — ver Etimologia e terminologia, acima). Em 1990, foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional, ganhas pelo partido oposicionista Liga Nacional pela Democracia (LND), apesar da recusa do governo militar em entregar o poder. Um ano depois, a secretária-geral da LND, Aung San Suu Kyi, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz.

Democratização

Em fevereiro de 2011, o general reformado Thein Sein foi eleito presidente pela Assembleia e em março foi dissolvido o regime militar. O novo governo oficial é civil, apesar de quase toda a sua formação por militares. O governo deu anistia a mais de dez presos políticos, o que possibilitou a retomada americana das relações diplomáticas em 2014. Uma comissão para que fosse revisada a constituição foi instalada pela assembleia, em março do mesmo ano. A reforma foi considerada interessante a Suu Kyi, que só possivelmente concorresse à presidência caso fosse derrubado o veto a candidatos cujos cônjuges são naturais de outros países (seu marido é natural do Reino Unido).

Ditadura militar

Em 1 de fevereiro de 2021, militares do governo levaram a cabo um golpe de estado e prenderam a conselheira do estado, Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz em 1991, e o presidente do país, Win Myint. Os militares acusam o antigo governo de fraude eleitoral e pretendem manter-se no poder por um período de um ano. A comunidade internacional, em sua maioria, criticou o golpe.

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Geografia

Com uma área total de 678 000 km², Myanmar é o maior país do sudeste da Ásia continental e o 40.º maior do mundo. Seu território é um pouco maior do que a soma das áreas dos estados brasileiros de Minas Gerais e Santa Catarina, ou de Alemanha e Itália juntas (para fins de comparação, a superfície de Madagáscar é de 587 041 e a de Moçambique é de 801 590 km²). A noroeste, limita com a divisão de Chatigão, do Bangladesh (fronteira de 193 km), e com os estados de Assã, Nagaland e Manipur, da Índia (1 463 km). A nordeste, faz fronteira com o Tibete e Yunnan, da China (2 185 km). A sudeste, é limítrofe com o Laos (235 km) e a Tailândia (1 800 km). Myanmar possui um litoral contínuo de 1 930 km, banhado pelo golfo de Bengala e pelo mar de Andamão. Suas fronteiras terrestres totalizam 5 876 km. Regiões muito diferentes constituem Myanmar. A região da Birmânia propriamente dita compreende quase o seu centro inteiro, formado pela grande depressão que o rio Irauádi ocupa e pelo delta formado pelo mesmo rio ao desembocar no golfo de Bengala. Essa região constitui uma faixa geralmente aplainada, de norte a sul. A mesma orientação é seguida pelas cordilheiras que as delimitam a oeste, nas quais estão localizados os montes Patkai e Chin e a cordilheira litorânea do Shan, de grande desgaste pela erosão em certas partes e cortado, também de norte a sul, pelo rio Salween, o qual, em uma grande quantidade de trechos, desce entre vales curtos e desfiladeiros.

Clima e biodiversidade

Em seu grupo, o clima birmanês predominante classifica-se como tropical monçônico, mas seu relevo é fragmentado, e isso faz com que nessas regiões chova muito mais do que 5 000 mm por ano. As elevações montanhosas nos arredores do médio vale do Irauádi (a bacia de Mandalai, centro histórico e geográfico do país) não permitem, entretanto, a superação das precipitações pluviométricas acima dos 900 mm. O país é atravessado pelo Trópico de Câncer. Apesar do clima tropical do país, Myanmar não possui temperaturas igualmente elevadas no decorrer do ano. A bacia de Mandalai, na porção central da zona árida, possui uma temperatura média diária de 28°C. O clima das montanhas, principalmente, as do norte do país, adjacentes ao Tibete, é de temperaturas mais baixas.

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Demografia

Em 2015, a população de Myanmar era de 53 897 154 habitantes. O resultado disso é uma densidade demográfica de 82,5 hab./km². Essa densidade demográfica é considerada baixa, em comparação às elevadas densidades médias típicas do Sudeste Asiático, uma densidade mediana, levando em consideração o padrão mundial. A população distribui-se desigualmente pelo país. A mais altas densidades demográficas encontram-se na área do delta do Irauádi. Aqui as densidades chegam a atingir 800 hab./km². Depois vêm as regiões do médio vale e a parte oeste do país. As montanhas e os planaltos têm densidades abaixo da média nacional, principalmente o norte do país. 66,45% da população de Myanmar mora na zona rural, distribuindo-se em mais de 50 mil aldeias, cuja única atividade econômica é a agricultura. O restante da população mora na zona urbana ou na periferia das cidades. A densidade demográfica é elevada nas terras margeadas pelos rios Irauádi e Sittang. A região do delta do Irauádi, entretanto, é muito menos povoada. A população cresce rapidamente, embora seu número de mortes é elevado, resultando em condições sanitárias inapropriadas. Um pequeno número de aglomerados urbanos atinge a condição de cidades de verdade. Dentre elas, as de maior população são Rangum, que situa-se no rebordo leste do delta do Irauádi; Mandalai, a antiga capital de Myanmar e ponto central da região de maior densidade demográfica do país; Nepiedó, a capital do país desde 2005; Moulmein, na desembocadura do rio birmanês, o Salween. Próximo a Rangum, estão localizadas as cidades de Pegu e Pathein.

Composição étnica, migração e preconceito étnico/religioso

O território birmanês é um país multiétnico e maior parte da população é racialmente amarela. Os birmaneses, de origem sino-tibetana são o maior e o mais historicamente coeso grupo étnico nacional, ocupando principalmente a região central do país. Uma grande diversidade de etnias minoritárias localiza-se nos arredores do país. As dos karens, no sudeste, e a dos xãs são as principais. Os xãs são uma etnia parecida com os povos tais. Os tais são o maior grupo étnico da limítrofe Tailândia. Há também núcleos pequenos de mons, palaungs e was, da etnia mon-khmer. O mon-khmer predomina no Camboja. No norte do país habitam os cachins. Indianos e chineses formam grupos pequenos. Apesar disso, atuaram expressivamente na economia do país, e a região do delta e a costa oeste são ocupadas pelos primeiros, que cultivam comercialmente o arroz. Os chineses estão concentrados em Rangum, dedicando-se principalmente ao comércio. A população birmanesa também é composta por grupos étnicos imigrantes tais como indianos, bengalis e chineses. Esses povos, ou seus ancestrais, transferiram-se para Myanmar com o propósito de serem transformados em negociantes ou de servirem como operários, de 1870 a 1948. O preconceito que existe entre as religiões e grupos étnicos de Myanmar preocupa todos os birmaneses nacionais devido à divergência opinativa dos credos e das raças que enfrentam as consequências dos conflitos armados que, desde a independência proclamada em 1948, perduram até hoje. Os conflitos armados em Myanmar vêm desde a tentativa de organizar os grupos étnicos como representativos dos estatoides birmaneses, que submetiam-se às desavenças causadas pela situação política desagradável que complicou ainda mais graças à violência entre as religiões e etnias do país.

Idiomas e religiões

Os birmaneses têm relação com os povos mongoloides chineses e suas línguas faladas são idiomas da família sino-tibetana. O birmanês está dividido em uma grande diversidade de grupos linguísticos. A língua nacional é o birmanês. O alfabeto birmanês combina o sânscrito indiano com a escrita páli dos livros sagrados budistas. Os demais grandes grupos de línguas são karens, os chins, os cachins e os xãs. São falantes de línguas que diferem do birmanês, qualquer deles, porém, menos os kachins, possui certos termos semelhantes e utilizam o alfabeto birmanês. A maior parte das pessoas daquelas tribos mora nas montanhas e morros. Os karens encontram-se em qualquer das planícies do país.

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Política

Após o golpe militar de 1988, o Conselho de Estado para a Restauração da Lei e da Ordem, começou a administrar com lei marcial e substituiu totalmente os órgãos governamentais. Em 1990, foi eleita uma Assembleia Constituinte desprovida de poderes parlamentares. Seu sistema de governo foi uma ditadura militar entre 1988 e 2011, com o nome de Conselho de Estado para a Paz e Desenvolvimento. O atual chefe de Estado e de governo é o presidente, Myint Swe. O general Than Shwe foi o presidente do Conselho de Estado até 2011. Os principais partidos políticos do país são o Partido da União Solidariedade e Desenvolvimento, a Liga Nacional pela Democracia e o Partido Democrático das Nacionalidades Shan. A atual constituição, escrita por militares, está em vigor desde 2008, marco da redemocratização num dos países mais subdesenvolvidos do mundo. O poder legislativo é bicameral, ou seja, composto por duas câmaras: Assembleia do Povo, câmara baixa de 440 membros; e Assembleia Nacional, câmara alta de 224 membros. A maioria dos membros do parlamento é eleita a cada cinco anos.

Direitos humanos

O problema político principal de Myanmar era a restauração da democracia. O governo não aceitava oposição: existem acusações de que políticos foram assassinados e torturados frequentemente no país. Etnias revoltosas (formadas por 30 000 homens com armas) uniu forças com os democratas para que o regime fosse combatido. Aung San Suu Kyi, cujo pai foi o general Aung San, assassinado em 1947, chefia a oposição. Presa pelos militares, possui a proteção do reconhecimento internacional alcançado no Ocidente como ativista pela democracia em seu país e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991. O retorno da democracia foi reivindicado, e isso resultou nas revoltas políticas chefiadas por estudantes entre 1987 e 1988. Os militares assumiram o poder em setembro de 1988, em tese para que fosse assegurada a ordem antes de serem realizadas eleições pluripartidárias. Em vez disso, o CERLO foi formado e fecharam-se totalmente as instituições. Realizaram-se as eleições em 1990 e a Liga Nacional pela Democracia ganhou a votação, apesar da recusa do CERLO na entrega do governo aos legítimos. Somente 28 anos depois, é que Myanmar passou a ser uma democracia livre da opressão militar.

Relações internacionais e forças armadas

As mais importantes relações internacionais eram dadas com a China, a qual apoiava o regime militar do extinto Conselho de Estado para a Restauração da Lei e da Ordem e que fornece principalmente armas de fogo para o exército birmanês, formado por 375 mil homens. Era uma relação de simbiose, permitindo que a China tenha acesso ao oceano Índico e que lhe influenciava a respeito de um regime que dependia de seu apoio. Os países limítrofes desconfiam desse acordo e acham que isso desestabiliza seriamente a região. Os governos do Ocidente condenam os abusos do regime e, em 1991, Aung San Suu Kyi recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Mas, praticamente, o mundo ocidental relaciona-se ambiguamente com o regime do Conselho de Restauração da Lei e da Ordem do Estado. Os laços econômicos são fortalecidos, principalmente entre as empresas públicas e multinacionais do Ocidente, participantes ativas nas indústrias birmanesas que extraem petróleo e gás.

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Subdivisões

Myanmar se organiza em sete divisões e sete estados, baseados nos grupos étnicos dominantes.

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Economia

Em 2015, Myanmar era a 56.ª maior economia do mundo, com um produto interno bruto de 283,5 bilhões * US$ e um PIB per capita de 5 500 US$ (164.ª posição). A base da economia de Myanmar é constituída pela agricultura. Sua população, de menor densidade que a dos países limítrofes do golfo de Bengala, consegue, explorando intensamente a agricultura do delta do Irrauádi, a produção de maior quantidade de alimentos do que o consumo, o que possibilita que muito arroz seja exportado. No vale central do Irrauádi são cultivados algodão, milho, amendoim, gergelim e demais produtos. Nas baixadas e as ilhas do Irrauádi, inundadas pelas águas na época das monções, cultivam-se tradicionalmente, com produtividade muito alta. Apesar da existência de um pequeno número de pastos, são criados bois, porcos e cabras. É importante que as florestas sejam comercialmente exploradas, porque são economicamente valiosas, principalmente as reservas de teca. No golfo de Bengala e no mar de Andaman há pesca em abundância.

Setor primário

A agricultura forma a base da economia nacional, respondendo por 36,1% do produto interno bruto e por mais de 70% dos empregados de toda a população trabalhadora. A maior parte das pequenas propriedades rurais está situada no delta do Irauádi, ao longo dos rios e nas planícies litorâneas. Entre os produtos agrícolas, destaca-se o arroz, que, em 2012 possuía uma área de colheita de 7 500 000 hectares e uma quantidade produzida de 28 000 000 de toneladas, alcançando um preço[necessário esclarecer] de 152 908 US$ das exportações. Myanmar é um dos países que mais produzem arroz no mundo. Mais da metade dos terrenos de cultivo é utilizada para plantar arroz. Em 2014, foram produzidos, em média, 26 423 300 toneladas. O cultivo do arroz foi desenvolvido no século XX, porque o comércio exterior atendia às necessidades dos demais países importadores da época. Quando os ingleses colonizavam a Birmânia, foram abertos numerosos canais de irrigação, assim como os canais de Mandalai com 67 km, o Shwebo com 43 km e o Mon com 85 km, os quais permitiram que a rizicultura e demais cultivos fossem consideravelmente expandidos. Cultiva-se arroz principalmente nas planícies do país, sobretudo no delta do Irauádi, cujo clima de calor e umidade é propício. Apesar do arroz ser cultivado por meio da irrigação, os agricultores preferem produtos menos exigentes de precipitações pluviométricas e de dias mais frios. Há outros produtos agrícolas que respondem a esse requisito como açúcar, algodão, amendoim, chá, frutas, fumo, gergelim, legumes e verduras, milho, painço, trigo e vagens.

Setores secundário e terciário

O setor secundário responde por 22,3% do produto interno bruto e pelo emprego de 7% da população ativa total. A indústria de transformação tem pouco desenvolvimento e foi implantada recentemente. Perto de indústrias de primeira transformação de matérias-primas, como usinas de açúcar, de óleos vegetais, de beneficiamento da borracha e de minerais, existem curtumes, fábricas têxteis (algodão e seda), de calçados, cimento, medicamentos, cigarros e de demais bens de consumo. A usina hidrelétrica de Baluchaung é a de maior importância do país. O setor terciário responde por 41,6% do produto interno bruto e pelo emprego de 23% da população ativa total. A Birmânia exporta matérias-primas e importa produtos industrializados. Por meio dos portos de Rangum, Pathein, Sittwe, Moulmein, Dawei e Myeik são exportados produtos do setor primário como arroz, óleos vegetais, madeira, borracha e algodão, que destinam principalmente à Indonésia, ao Sri Lanka, ao Reino Unido e ao Japão, e os produtos importados são máquinas e veículos, tecidos, fumo, papel, que provém sobretudo do Japão, China, Reino Unido e Estados Unidos.

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Infraestrutura

Saúde, educação e transportes

Em 2012 havia em Myanmar 0,61 médicos por mil habitantes. As maiores causas de óbito em Myanmar são malária, febres, diarreia e doenças do coração. De um modo relativo, a lepra ataca um número pequeno de indivíduos em comparação com demais doenças, ocorrendo, porém, mais frequentemente em Myanmar que no resto da Ásia. Ultimamente, cresceram os casos de malária. A AIDS cresceu muito porque muitos birmaneses foram prostituídos na fronteira Myanmar-Tailândia. O índice de alfabetização dos birmaneses com uma idade superior de 15 anos de idade é de 93,1%. A crianças entre cinco e nove anos devem ir diariamente à escola. A educação de graça entre o jardim de infância e a universidade é incentivada pelo governo. No entanto, apenas as cidades muito populosas têm escolas bem como ensino elementar. Em Rangum e Mandalai se encontram as mais importantes universidades. Existe também no país uma grande quantidade de escolas técnicas. Dez anos de escolaridade são oferecidos pelo sistema educativo. Existem 45 universidades e colégios e 154 escolas vocacionais e técnicas de ensino superior. Não há docentes capacitados. A maior parte dos professores vindos de outros países, profissionais de medicina e engenharia abandonou sua pátria ou está aprisionada.

Segurança pública, criminalidade e comunicações

A Myanmar Police Force, formalmente conhecida como The People's Police Force (em birmanês: ပြည်သူ့ရဲတပ်ဖွဲ့; romaniz.: MLCTS: Pyi Thu Yae Tup Pwe), foi estabelecida em 1964 como um departamento independente vinculado ao Ministério das Relações Interiores. Foi reorganizada em 1 de outubro de 1995 e informalmente passou a pertencer aos Tatmadaw (forças armadas). Em 2013, a população carcerária de Myanmar era superior a 60 mil prisioneiros. Os índices de roubo, assassinato, suborno, corrupção, desfalque e atividades do mercado são altos em comparação a regimes totalitários similares da época em que Myanmar era uma ditadura militar. O Estado é culpado por grande parte dos crimes. A Organização das Nações Unidas faz um registro de direitos humanos continuamente abusados e assassinatos de civis inocentes, dentre eles menores de idade, pessoas do sexo feminino, monges budistas, estudantes, grupos minoritários e opositores políticos.

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Cultura

Artes e cotidianos familiar, urbano e rural

Em Myanmar, o budismo e o hinduísmo inspiraram as artes. Missionários destas religiões foram a Myanmar no século V, tendo levado conceitos hindus nos campos da arquitetura e da escultura religiosas. Há pagodes budistas em qualquer das cidades, aldeias e vilarejos. A crença popular reside na recompensa espiritual trazida pelos pagodes aos seus construtores. Estima-se a existência de um notório pagode, o Shwe Dagon, em Rangum, há mais de 2 500 anos. Milhares de budistas e visitantes são atraídos por esse edifício em forma de círculo, revestido de ouro. Possui ao seu redor pequenos pagodes, santuários e sinos. Talvez os hindus tenham contribuído mais com teatro e dança para a cultura birmanesa. Essas formas de artes ainda têm popularidade no país. Tigelas, pratos e demais utensílios de laca são fabricados pelos artesãos, que passam várias camadas de resina escura e brilhante, que se retira de uma árvore em cima de estruturas de bambu delgado ou arcabouços metálicos.

Literatura e cinema

Embora seja evoluída há muitos séculos, a literatura birmanesa é pouco original: a influência indiana teve força cada vez maior. São muito produzidas as jataka (vidas de Buda em suas diversas presenças), porém, geralmente são histórias traduzidas (ou livremente reinterpretadas) da língua páli, idioma extinto em que se escrevem os textos sagrados da religião budista. Originárias de Myanmar, são as jazawin (crônicas), sempre contínuas antes do século XIX, porém não são historicamente valiosas. Na poesia, merece destaque Ching Çila-vunça (1453–c. 1520), monge budista introdutor das poesias espirituais, espécie de sermões em verso. Exatamente no último período antes de Myanmar ter sido ocupado pelos ingleses, surge uma poesia épica a respeito dos assuntos do Ramáiana, escrito por U Tō de 1819 a 1837, na maior obra da literatura de Myanmar.

Esportes

O futebol é o esporte mais popular de Myanmar. O chinlone é um desporto indígena, que utiliza uma bola de rattan e é jogado usando principalmente os pés e os joelhos, mas a cabeça e também podem ser utilizados os braços, exceto as mãos. O kickboxing birmanês chamado lethwei é popular e torneios podem ser vistos em festivais de pagode. Uma forma de artes marciais birmanesas derivadas do Shan chamada thaing, dividida em bando (combate desarmado) e banshay (luta armada), bastante semelhante ao chinês Kung fu, também é praticada. Doze festivais sazonais de regatas são realizados no mês de Tawthalin (entre agosto e setembro), e eventos equestres foram realizados pelo exército real no tempo dos reis birmaneses no mês de Pyatho (entre dezembro e janeiro). Durante o domínio britânico, o críquete foi jogado pelos ingleses no poder, com a seleção birmanesa de críquete jogando uma série de jogos de primeira classe. A equipe existe hoje, embora a qualidade já não seja de primeira classe, e é um membro afiliado do Conselho Internacional de Críquete.

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Fontes consultadas

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