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Abecásia

Abecásia, Abcásia, Abecázia, Abcázia, ou ainda Abkházia é a uma região no sul do Cáucaso, e um Estado parcialmente reconhecido desde o fim da guerra de 1992-1993, que arruinou a economia local e matou milhares de civis. Em grande medida, a Abecásia permanece de facto independente da Geórgia e mantém o controle de grande parte do seu território, embora seja reconhecida internacionalmente apenas pela Rússia, pela Venezuela, pela Nicarágua, por Nauru e pela Síria. Sua capital é Sucumi.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Etimologia

Os abecásios chamam sua terra natal de Аҧсны (Apsny), que popularmente significa "uma terra/país da alma", mas literalmente significa "um país de mortais (seres mortais)". Possivelmente, o nome apareceu pela primeira vez no século VII, em um texto armênio como Psin (onça), talvez se referindo aos apsílios históricos. O Estado é formalmente designado como "República da Abecásia" ou "Apsny". O nome do país em língua russa é Абхазия (Abkhazia), sendo uma adaptação do georgiano აფხაზეთი (Apkhazeti). Em mingreliano — uma língua falada por georgianos de origem mingrélia — a Abecásia é conhecida como აბჟუა Abjua ou სააფხაზო (saapjazo). Os nomes da Abecásia, nas línguas ocidentais, derivam diretamente de sua forma no idioma russo: Abkhazie em francês; Abchasien em alemão; Abchazië em holandês; Abcasia em italiano; Abkhazia em inglês; Abecásia em português e Abjasia em espanhol.

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História

Estima-se que as primeiras povoações da Abecásia remontem ao quarto milênio a.C.. Essas primeiras tribos, de origem ariana (conhecidas pelos arqueólogos como "proto-cartvélios"), teriam chegado à região durante o período Neolítico da Pré-História, assentando-se às margens do mar Negro junto a outras linhagens, que posteriormente evoluiriam até converter-se nos apsuas, chechenos, daguestanis, armênios e arameus. Desde o segundo milênio a.C. a região foi assolada por invasões de povos provenientes das estepes da Ásia Central, como os hititas, celtas, medos e persas. Durante estes anos, os proto-cartevélios se dividiram três grupos étnicos bem diferenciados: os suanos, os zans e os cartevélios orientais. Enquanto os suanos permaneceram na Abecásia, os cartevélios se assentaram no centro da atual Geórgia, enquanto os zans se distribuíram na província de Mingrélia e ao longo das costas do mar Negro, até às imediações da Turquia.

Reino da Cólquida

Entre os séculos IX e VI a.C., foi instaurado na região o reino da Cólquida, que anexou grande parte das zonas que eram habitadas pelos suanos e zans. Sob a dominação colca, a Abecásia recebeu um grande número de imigrantes gregos, que se estabeleceram em colônias na zona costeira. Algumas das cidades fundadas foram Pítis, Dioscúrias e Fásis, correspondentes às atuais Bichvinta, Sucumi e Poti. Desde o ano 653 a.C. os reinos caucásicos da Cólquida e da Ibéria tiveram de enfrentar diversas tentativas de invasão por parte do Império Aquemênida. O Império Macedónio de Alexandre, o Grande exerceu uma importante influência na zona do Cáucaso, embora ela nunca tenha sido incorporada a ele. Rapidamente produziu-se um surgimento da cultura helenística em território abecásio, e o grego passou a ser considerado o idioma oficial.

Lázica

O devastado reino da Cólquida caiu então sob a dominação romana, convertendo-se na província de Lázica. O processo de helenização que havia começado desde a chegada de Alexandre, o Grande, foi aprofundado durante estes anos. Apesar da luta ferrenha entre romanos e partos pelo controle da região, a Lázica se manteve florescente e em relativa paz, a despeito de algumas incursões militares dos partos desde o lado oriental. Já como parte do Império Romano do Oriente, no século III, a Lázica começou a obter certo grau de autonomia, que levou ao estabelecimento de um reino independente, composto pelos principados de Zans, suanos, apsílios e Sanigues. A expansão do cristianismo durante estes anos foi importantíssima; a religião havia chegado ao território abecásio com as viagens missionários do apóstolo Simão, o Cananeu, que fora martirizado nas serras próximas à cidade de Suaniri. No ano de 523 o cristianismo ortodoxo foi declarado a religião oficial do país, e São Jorge foi designado seu padroeiro.

Reconhecimento internacional

A Abecásia foi um Estado não reconhecido na maior parte de sua história. A lista a seguir mostra os países e entidades políticas que reconhecem formalmente a Abecásia.

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Geografia

A Abecásia se localiza no Cáucaso, entre a Ásia e a Europa. É uma região coberta por montanhas, cujas costas são banhadas pelo mar Negro. De seus 8,7 mil km² de extensão, cerca de 75% correspondem a zonas montanhosas, especialmente na zona oriental, próxima à Suanécia, onde algumas montanhas ultrapassam os 4 mil metros de altitude. Os diferentes "braços" que se desprendem da cordilheira principal do Cáucaso formam profundos vales, cruzados por trechos de leitos fluviais pequenos, porém importantes. Um destes é o lago Ritsa, ao norte de Gagra, considerado um dos lagos montanhosos mais belos do mundo. Neste ambiente encontra-se também a caverna mais profunda da Terra, a Krubera-Voronya, situada no maciço de Arabika, que chega a uma profundidade de 2.160 metros abaixo do nível do mar. Grande parte do território da Abecásia (cerca de 70%) está coberto por bosques de carvalhos, faias e amieiros. No intervalo de altitude que vai do nível do mar até os 600 metros, a região é rica em bosques caducifólios. Acima deste nível, e até 1,8 mil metros de altura, proliferam diversas espécies de coníferas, incluindo algumas das árvores mais altas da Europa, como abetos que superam os 70 metros. Já entre 1,8 mil e 2,9 mil metros de altitude, encontram-se planícies com características alpinas, e, finalmente, acima disto, se estendem as neves eternas da cordilheira, e os glaciares.

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Subdivisões da Abecásia

Na era soviética, a RSS da Abecásia estava dividida em 6 raions (distritos) nomeados pelos nomes das respectivas capitais. As divisões administrativas da República da Abecásia continuaram as mesmas, com uma exceção: em 1995 o distrito de Tquarchal foi criada em torno da cidade de Tkvarcheli, criado a partir de território dos "raions" de Ochamchira e Gali. O governo da Geórgia, que reivindica a Abecásia como uma região autônoma, mas que não tem controle efetivo sobre o território, não mudou as divisões soviéticas.

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Economia

Tradicionalmente, a agricultura tem sido a atividade econômica mais importante da Abecásia, tendo como produtos mais representativos: frutas cítricas, tabaco, chá e uva. Não obstante, a limitada área de terras aptas para trabalhos agrícolas impôs um limite proibitivo ao desenvolvimento do setor. A produção industrial se concentra na carne, e o ramo das madeireiras. Em tempos de paz, a área de serviços dinamiza a economia com os ingressos derivados do turismo, destacando-se as atividades de empreendimentos recreativos instalados na costa. A Abecásia se comunica com a Rússia e com o resto da Caucásia por rodovias e ferrovias, e a capital tem um importante aeroporto. A economia desta república se encontra em uma difícil situação. Nos últimos anos, com o apoio da Rússia, melhorou a qualidade de vida de seus habitantes. Durante seus anos de independência de facto, a Abecásia teve que enfrentar o caos econômico deixado pelo colapso da União Soviética e, mais tarde, da guerra contra a Geórgia, e a crise humanitária posterior. A isto se soma o embargo que está submetida, e que é quebrado apenas pela Federação Russa. Como forma de superar a crise, o governo tem tratado de fomentar a inversão estrangeira, promovendo o neoliberalismo e solicitando diversos empréstimos a bancos russos. De acordo com um informe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, realizado em abril de 2004, o produto interno bruto da Abecásia havia caído entre 80% e 90% nos últimos 15 anos, e a taxa de desemprego alcançava 90%.

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