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Donato Bramante

Donato Bramante, ou Donato di Angelo del Pasciuccio, conhecido como Bramante, foi um arquitecto renascentista.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Biografia e obras

Estudou pintura e trabalhou posteriormente em Milão (1477-1499), tentando conciliar a cultura humanista que se estabeleceu em Florença com o novo movimento artístico que iria surgir na cidade de Milão. Foi Andrea Mantegna, o seu professor, quem o levou a conhecer a arte clássica, pela qual Bramante se apaixonou de imediato. Alcançou o domínio da geometria de desenho e de perspectiva, exercendo notável influência sobre a obra de Michelangelo ou mesmo de Rafael. Uma das suas obras mais emblemáticas é o Tempietto de San Pietro in Montorio, encomendado a Bramante pelos Reis de Espanha. No entanto, a obra que melhor reflete as suas conceções de estilo é, seguramente, o projeto da Basílica de S. Pedro, no Vaticano. De facto, esta foi projetada por Bramante em cruz grega, embora o projeto final seja da autoria de Michelangelo.

Os anos de formação

Segundo a historiografia vigente, Bramante nasceu em Monte Asdrualdo em 1444 (hoje Fermignano) perto de Urbino, derrubando a hipótese colocada pelas afirmações de Vasari e Serlio, que atestaram o seu nascimento em Casteldurante (hoje Urbania). Formou-se artisticamente na cidade de Montefeltro, mas o período de formação e primeira actividade de Bramante não está documentado. Quase de certeza que permaneceu em Urbino até 1476, onde foi provavelmente aluno de fra Carnevale e tornou-se pintor de "perspectiva", ou seja, especializou-se na construção geométrica de um espaço maioritariamente arquitectónico como cenário de uma cena pintada. Na altura, esta disciplina era preparatória ao exercício da arquitectura e a sua especialização nesta área é confirmada pelas fontes e confirmada desde os seus primeiros trabalhos.

Em Urbino

Por isso, pouco se sabe sobre a sua atividade artística na juventude em Urbino, com atribuições muito problemáticas. É provável que tenha trabalhado no estaleiro do Palazzo Ducale de Federico da Montefeltro projectado por Luciano Laurana, e talvez na Igreja de San Bernardino degli Zoccolanti, situada fora das muralhas da cidade, encomendada pelo duque Federico III e destinado a tornar-se o mausoléu de Montefeltro. Na verdade, alberga os túmulos de Federico III e de Guidobaldo I Duques de Urbino. No entanto, actualmente mantém-se a atribuição de Giorgio Martini a Francesco, ainda que se considere possível uma colaboração directa do jovem Bramante, pelo menos na fase de construção do Mausoléu.

Em Milão

Bramante é documentado pela primeira vez, na Lombardia em 1477, quando em Bergamo pintou frescos na fachada do Palazzo del Podestà (com figuras de filósofos da antiguidade em ambientes arquitetónicos dos quais restam poucos vestígios e para os quais se notaram semelhanças com Melozzo de Forlì). Segundo Vasari também trabalhou durante este período noutras cidades além de Bérgamo. Em 1478 é possível que numa primeira estadia em Milão, tenha sido enviado por Federico da Montefeltro para acompanhar as obras no seu palácio na Porta Ticinese, recentemente recebido como presente de Galeazzo Maria Sforza ou talvez tenha seguido Giovanni Antonio Amadeo, encontrado em Bérgamo no canteiro de obras da capela Colleoni.

A Roma

O novo século foi marcado pela queda de Ludovico il Moro (1499), que tinha feito do artista engenheiro ducal do estado de Milão e caracterizou-se pela morte de Gaspare Visconti. O arquiteto decidiu mudar-se para Roma. Já durante o período milanês foram documentados alguns períodos em que Bramante deixou Milão por períodos até relativamente longos; se se considerar que corresponde à visita de autoformação feita a Florença e Roma, ainda que não esteja documentada Por volta de 1499 chegou a Roma, segundo Vasari, o contacto com o restante da arquitetura romana e o relativo estudo a que se aplicou assiduamente, chegando mesmo a outras localidades do Lácio e da Campânia, teve sobre ele uma grande influência, provocando uma evolução profunda apesar do mestre já ter 55 anos. Segundo alguns historiadores, isto deveria ter explicado como as suas primeiras obras romanas já são muito diferentes das últimas milanesas.

O Tempietto de San Pietro in Montorio (1502)

Comissionado pelos Reis de Espanha, o Tempietto é um templo monóptero de pequenas dimensões, elevado e inspirado nos antigos templos periptéricos romanos circulares e monumentais (denominados Martírio, por serem erguidos em homenagem a um mártir). A estrutura apresenta um corpo cilíndrico — do qual deriva a admiração renascentista pela forma circular perfeita — escavado por nichos em relevo e rodeado por uma colunata dórica (períptero). Sobre esta, assenta um entablamento decorado com triglifos e métopas de temática litúrgica de origem grega. A colunata exterior circunda a cela, cuja alvenaria é talhada a partir da pilastra como projeção das colunas do peristilo. No modo canónico, a coluna dórica apresenta aqui uma base romana, ao contrário do modelo grego que as colocava diretamente no crepidoma (o pavimento do templo). O interior da cela tem um diâmetro de apenas 4,5 metros, o que inviabiliza celebrações litúrgicas; tal indica que o edifício foi concebido como um monumento celebrativo do martírio de São Pedro no Gianicolo, local tradicionalmente associado à crucificação do santo.

Cortile del Belvedere (1504)

A partir de 1504, Bramante planeou, por ordem de Júlio II, a sistematização de um vasto espaço (cerca de 300 x 100 m) situado numa encosta entre o palacete de Inocêncio VIII (denominado casino Belvedere) e o resto do complexo do Vaticano. O pátio foi dividido em três terraços de diferentes alturas, ligados por rampas e fechados lateralmente. No grande pátio inferior, concebido como teatro para espetáculos e torneios, foram colocadas três ordens sobrepostas de loggias segundo o modelo do Coliseu: Dórica, Jónica e Coríntia. Estas interrompem-se na primeira escadaria, que se estende a quase toda a largura e servia de bancada para os espectadores. O segundo nível tinha acesso por uma escadaria central, enquanto os lados escondidos das duas torres provavelmente careciam de articulações plásticas no projeto original.

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Fontes consultadas

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