Andrea Mantegna
Andrea Mantegna foi um pintor e gravador do Renascimento na Itália. Foi o primeiro grande artista da Itália setentrional.
Primeiros trabalhos
Mantegna nasceu na ilha de Cartura, perto de Vicenza, segundo filho do carpinteiro Biagio. Aos onze anos começou como aprendiz de Francesco Squarcione, um pintor de Pádua, cuja vocação inicial de alfaiate foi suplantada pela sua paixão pela arte clássica e antiga. Como seu compatriota Petrarca, Squarcione era fanático pela antiga Roma, tendo viajado pela Itália e talvez pela Grécia coletando obras de arte e desenhando-as e passando seus estudos adiante para 137 alunos que passaram por suas mãos. Mantegna foi seu pupilo favorito, tendo estudado fragmentos de esculturas romanas e também perspectiva. Mas com a idade de 17 anos deixou o mestre, reclamando depois de não ter recebido sua parte nas obras comissionadas.
Mântua
O Marques Ludovico Gonzaga de Mantua convidou Mantegna em 1460 para ser o artista da corte pelo alto salário para a época de 75 liras mensais, sendo o primeiro artista eminente a residir em Mântua. Sua obra maior do período foi pintada num aposento do castelo, hoje conhecida como Sala dos esposos, uma série de afrescos que incluíam retratos de membros da família Gonzaga, terminada provavelmente em 1474. Os anos que se seguiram não foram felizes, a morte do filho Bernardino, de Ludovico, de seu sucessor Frederico, que o nomeara cavaliere, e seu caráter irritável lhe traziam dissabores. Mas a eleição de Francisco II Gonzaga trouxe novo alento aos artistas. Mantegna comprou uma casa espaçosa perto da igreja de São Sebastião e a decorou com um excesso de pinturas e também obras da época do Império Romano.
Últimos anos
Após a morte de sua esposa, Mantegna ainda foi pai, em idade avançada, de um filho natural, Giovanni Andrea. Teve também vários problemas como o banimento de seu filho Francesco, que incorreu na ira da marquesa. Finalmente morreu em setembro de 1506. Seus filhos erigiram um monumento sobre sua tumba na igreja de Santo André, onde ele tinha executado o altar da capela mortuária. O forro da capela foi decorado por Correggio como uma homenagem ao grande mestre.
Embora sua obra como pintor seja magnífica, Mantegna não foi menor como gravador, embora, por não ter assinado seus trabalhos (com exceção de um único em 1472), esta parte de sua obra seja mais historicamente obscura. O que nos chegou foi que começou a gravar suas placas em Roma, sob influência de Baccio Baldini e Sandro Botticelli. Mas parece que já em Pádua teria trabalhado sob a tutela de um famoso ourives chamado Niccoló. Supostamente existem cerca de cinquenta placas, umas trinta indiscutíveis como obra sua, grandes, bem estudadas, com muitas figuras. As principais seriam Triunfos Romanos, Bacanais, Hercules e Antaeus, Deuses Marinhos, Judite com a cabeça de Holofernes, Deposição da cruz, Ressurreição e Madona da gruta. Sua técnica é caracterizada pelas formas fortemente marcadas e as sombras oblíquas e formais. As gravuras eram executadas em folhas de cobre e as edições eram tiradas em duas formas, suave, com pressão manual, e usando prensa, onde a tinta é mais forte.
Embora substancialmente relacionada com o século XV, a influência de Mantegna está bem marcada sobre o estilo e as tendências da arte italiana de sua época. Giovanni Bellini em seus primeiros trabalhos obviamente segue os passos do cunhado. Albrecht Durer foi influenciado por seu estilo durante suas duas viagens à Itália. Leonardo da Vinci pegou de Mantegna o uso da decoração com festões e frutas. Mas o maior legado é considerado a introdução de um ilusionismo espacial, seja em afrescos ou em pinturas sacras; sua tradição de decorar forros foi seguida por três séculos. Inspirando-se no Sala dos esposos, Correggio produziu sua obra maior do domo da catedral de Parma baseado na pesquisa de Mantegna sobre perspectiva.


