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Apolo Belvedere

O Apolo Belvedere ou Apolo do Belvedere é uma estátua de mármore representando o deus grego Apolo, que faz parte do acervo do Museu Pio-Clementino, um dos Museus Vaticanos. Sua datação e autoria são disputadas e sua procedência é desconhecida, mas geralmente é considerado uma cópia romana de um original grego que se perdeu. Redescoberto no Renascimento, o Apolo foi exposto no Cortile del Belvedere do Vaticano a partir de 1511, e dali recebeu seu nome. Logo se tornou célebre, e durante muito tempo foi considerado a representação ideal da perfeição física masculina e uma das mais importantes relíquias da Antiguidade clássica. Foi copiado várias vezes, reproduzido em gravuras de larga circulação e assumiu o papel de um dos principais símbolos da civilização ocidental. A partir de meados do século XIX seu prestígio começou a declinar, e na primeira metade do século XX chegou ao seu nível mais baixo, visto como uma criação inexpressiva. Atualmente recuperou parte de sua antiga fama, e embora vários estudiosos ainda sejam reticentes a respeito de seu mérito artístico, consagrou-se como a mais conhecida das representações do deus, e como um ícone bastante popular.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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O deus

Apolo foi um dos deuses mais importantes e populares da mitologia grega. Um dos doze olímpicos, era filho de Zeus e Leto, e irmão gêmeo de Ártemis. Seus atributos e funções eram inúmeros, o que o tornou um dos deuses mais venerados da Grécia Antiga, preservando seu prestígio também na era romana. Seu mito tem origens remotas, e no tempo de Homero já tinha grande destaque no panteão grego. Era identificado com o sol e com a luz da verdade, da razão e da consciência. Deus da profecia e da inspiração artística, era patrono do mais famoso oráculo da Antiguidade, o Oráculo de Delfos, e líder das Musas. Era também um deus civilizador e pacificador, presidindo sobre as leis da religião e sobre as constituições das cidades. Iniciador, pedagogo e o perfeito erastes, era símbolo da juventude eterna e o protetor dos jovens que ingressavam na vida adulta. Era o deus da morte súbita, das pragas e doenças, mas também o deus da cura e da proteção contra as forças malignas. Além disso era o deus da beleza, da perfeição, da harmonia e do equilíbrio, estava ligado à natureza, às ervas e aos rebanhos, e era protetor dos pastores, marinheiros e arqueiros. Teve inúmeros amores e grande descendência, e foi associado sincreticamente a numerosos deuses de outras tradições. Seu simbolismo e iconografia atravessaram os séculos e permanecem até hoje influentes na cultura ocidental.

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Descrição e origem

De dimensões ligeiramente acima do natural (2,24 m), o Apolo Belvedere está de pé, em atitude dinâmica, como se caminhando. Apoia-se sobre a perna direita, que vem à frente e se encosta a um tronco de árvore onde sobe uma serpente, enquanto a esquerda, ligeiramente fletida, está atrás. Calça sandálias e o corpo atlético, mas de modelado suave, está nu; é ainda jovem, mas já é um homem adulto, como mostra seu semblante impassível; entretanto, permanece impúbere como uma imagem da beleza e juventude eternas, seus atributos; um manto se enrola em torno do colo, cai pelas costas e suas dobras continuam envolvendo o braço esquerdo, estendido na horizontal. O braço direito está rebaixado, apoiado no topo do tronco, e a cabeça se volta para sua esquerda, adornada por um complexo penteado de seus cabelos longos e anelados. Do ombro direito desce para o peito uma correia que envolve o torso e prende, pelas costas, um arcaz de flechas.

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Redescoberta e restauro

Nem mesmo as circunstâncias de sua redescoberta são inteiramente claras, e há várias suposições a respeito. O Apolo só se tornou notório em conexão com cardeal Giuliano della Rovere, que o possuía desde o fim do século XV. Pode ter sido desenterrado na área da Igreja de São Pedro Acorrentado, em Roma, na villa de Nero em Anzio, ou em Grottaferrata, onde Giuliano era abade in commendam. Enquanto foi cardeal, Giuliano o manteve nos jardins da Basílica dos Santos Apóstolos em Roma, mas, tornando-se papa (como Júlio II), transferiu a obra em 1511 para os palácios do Vaticano, sendo instalada no Cortile del Belvedere, de onde recebeu seu apelido (hoje está exposto no Cortile Ottagono do Museu Pio-Clementino). Em 1532 ordenou-se um restauro. Giovanni Montorsoli removeu o que restava da mão direita, completou perdas nos dois braços, alterou levemente a posição do antebraço direito, adicionou o topo ausente do arcaz de flechas e aumentou a altura do tronco de árvore, removeu uma ponte marmórea entre a coxa direita e o tronco, e recriou as duas mãos, além de reparar vários pequenos danos superficiais em toda a estátua. O pênis, também ausente, não foi restaurado. Mais tarde o restauro de Montorsoli foi contestado. A principal crítica ao seu trabalho foi a desproporção das mãos que ele criou, que pareciam alongadas demais. Outro acréscimo foi realizado por ordem de Pio IV, ocultando a genitália com uma folha de figueira. Restauros mais recentes de Guido Galli (1924) removeram parte das reintegrações antigas.

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Fama

A fama do Apolo na Antiguidade é desconhecida. Winckelmann indiretamente indicou que ele devia ter sido considerado importante, tomando como plausível a hipótese de que fora encontrado na antiga villa de Nero, que havia gasto uma fortuna para decorá-la. Em tempos recentes, Albertson também sugeriu que ele deveria ser uma obra célebre, mas estranhou a ausência de mais cópias, como seria esperado nestes casos. De qualquer modo, desde que foi novamente exposto em público foi aclamado como uma obra-prima, e imediatamente revestido de significado político. Num poema, o humanista Evangelista di Capodiferro usou-o para emprestar uma dignidade e brilho apolíneos ao pontificado de Júlio. O próprio papa fazia frequentes alusões ao deus-sol da mitologia grega e à estátua em particular, estabelecendo uma íntima associação simbólica com ela. Lembre-se que durante este período, o Renascimento, a tradição clássica havia sido muito revigorada, tornando-se parte importante da linguagem da erudição e servindo aos poderosos como instrumento de autoglorificação. Apolo, como deus da luz, da consciência, da civilização, da beleza, das artes e da razão, mas também da profecia, se tornou uma imagem tutelar para os artistas e teóricos da arte, que estavam empenhados em desenvolver uma arte figurativa baseada no racionalismo, no estudo anatômico científico e na geometria, junto com uma concepção de arte como uma inspiração divina. A casualidade do achado de sua estátua nesta época ampliou de modo significativo a popularidade do deus, e a relíquia ganhou fama continental com a grande circulação da gravura de Raimondi. Outras reproduções se multiplicaram, sua imagem foi transposta para outros contextos, ilustrou livros de anatomia e influenciou outros artistas visuais, entre eles Dürer, Michelangelo e Goltzius, e literatos como Giambattista Marino. Em torno de 1540 ricos colecionadores e membros das realezas europeias já faziam pedidos para a aquisição de cópias.

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