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Batalha de Jarmuque

A batalha de Jarmuque, também citada em grego como Hieromiax ou Iermucas, foi uma grande batalha entre as tropas árabes do Califado Ortodoxo e os exércitos do Império Bizantino. Envolveu uma série de combates que duraram seis dias, de 15 a 20 de agosto de 636, travados perto do rio Jarmuque, a sudeste do mar da Galileia, no que é atualmente a fronteira entre a Síria e a Jordânia e não muito longe das fronteiras do Líbano e Israel.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Contexto

Guerras bizantino-sassânidas

Em 610, durante a última guerra bizantino-sassânida, Heráclio (r. 610–641) tornou-se imperador depois de destronar Focas (r. 602–610). Entretanto, os Persas Sassânidas conquistaram a Mesopotâmia e em 611 devastaram a Síria e entraram na Anatólia, ocupando Cesareia. No mesmo ano, Heráclio logrou expelir os invasores da Anatólia, mas sofreu uma derrota decisiva em 613 quando lançou uma grande ofensiva na Síria para os expulsar definitivamente. Ao longo da década seguinte, os Persas conquistaram a Palestina e o Egito. Entretanto, Heráclio reconstruiu o seu exército e, nove anos depois, em 622, contra-atacou. Depois de várias vitórias esmagadoras sobre os Persas e seus aliados no Cáucaso e na Arménia, em 627 Heráclio lançou uma ofensiva de inverno na Mesopotâmia, obtendo uma vitória decisiva na Batalha de Nínive que colocou sob ameaça a capital sassânida, Ctesifonte. Desacreditado por uma série de desastres, o xá Cosroes II (r. 590–628) foi destronado e morto num golpe de estado liderado pelo seu filho Cavades II (r. 628), que imediatamente procurou negociar a paz com os Bizantinos, concordando em se retirar de todos os territórios ocupados. Heráclio devolveu então a Vera Cruz a Jerusalém — que havia sido levada durante a conquista da cidade em 614 — numa cerimónia majestosa.

Sucessão de Maomé

Entretanto, o ambiente político na Arábia tinha mudado rapidamente. O profeta Maomé iniciou sua pregação do Islão e, em 630, tinha conseguido reunir a maior parte da região sob uma única autoridade política. Quando morreu, em 632, Abacar (r. 632–634) foi eleito califa e seu sucessor político. Esta sucessão não foi pacífica, pois pouco depois várias tribos árabes revoltaram-se e foram combatidas pelo novo califa, conflitos que viriam a ser conhecidos por Guerras da Apostasia e que se prolongariam por 632 e 633. Abacar acabou vitorioso e logrou reunir a Arábia sob a autoridade do califado de Medina. Uma vez subjugados os rebeldes, Abacar iniciou uma guerra de conquista, começando pelo Sauade (atual Iraque), para onde enviou seu general mais proeminente, Calide ibne Alualide. Ele conquistou a região numa série de campanhas contra os Persas Sassânidas, aumentando a confiança do califa. Após Calide ter estabelecido a sua base no Sauade, Abacar apelou às armas para invadir a Síria em fevereiro de 634. A invasão islâmica da região foi um conjunto de operações militares cuidadosamente planeadas e bem coordenadas, que privilegiaram a estratégia sobre a força para lidar com as medidas defensivas bizantinas. Contudo, os Árabes rapidamente concluíram que os seus exércitos eram muito pequenos para enfrentar a resposta bizantina, o que levou os comandantes a pedir reforços. Abacar ordenou então a Calide que saísse do Sauade levando reforços para a Síria, onde deveria comandar a invasão. Em julho de 634, os Bizantinos sofreram uma derrota decisiva em Ajenadaim (a oeste de Jerusalém, no vale de Elá). Damasco caiu dois meses depois, seguindo-se a batalha de Fahl (ou de Pela, atualmente Tabacate Fal, na Jordânia), na qual a última guarnição significativa bizantina na Palestina foi desbaratada.

Contra-ataque bizantino

Tendo-se apoderado de Emesa, os muçulmanos encontravam-se já muito perto dos redutos bizantinos de Alepo e de Antioquia, a capital regional onde residia Heráclio. Seriamente alarmado com a sucessão de revezes, Heráclio preparou um contra-ataque para reconquistar os territórios perdidos. Em 635, o xá Isdigerdes III (r. 632–651) negociou uma aliança com o imperador bizantino que foi selada através do casamento da sua filha, Maniane com o herdeiro sassânida, um antigo costume romano para cimentar alianças. Enquanto Heráclio preparava uma ofensiva em larga escala no Levante, Isdigerdes deveria levar a cabo um contra-ataque simultâneo no Sauade, no que pretendia ser um esforço conjunto bem coordenado. Porém, quando os Bizantinos lançaram a sua ofensiva em maio de 636, os Persas não conseguiram cumprir a sua parte do acordo, provavelmente devido ao desgaste do seu governo.[nt 7] Em 26 de maio de 636 Teodoro Tritírio e as suas tropas chegam de Emesa e acampam onde é a actual Quiçué (Kiswe). No percurso avançam pelos montes Golã. Os muçulmanos retiram-se para o que é hoje Der'a, de onde podem conter os avanços para sul dos bizantinos.

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Estratégia dos muçulmanos

Desde o início das invasões que a estratégia muçulmana consistia em forçar os bizantinos a enviar o maior número de tropas possível para a Síria, de modo a aí poderem obter uma vitória militar decisiva. Ao contrário dos bizantinos, que optavam por avanços cautelosos procurando tirar partido das condições naturais de defesa do terreno, os muçulmanos procuravam ativamente entrar em combate. Os Árabes descobriram os preparativos de Heráclio em Xaizar através de prisioneiros bizantinos. Quando souberam do contra-ataque, os muçulmanos evacuaram Hims (Emesa) e Damasco. Alertado para a possibilidade de ser apanhado com forças divididas que podiam ser derrotadas mais facilmente, Calide convocou um conselho de guerra no qual recomendou a Abu Ubaida que retirasse as tropas da Palestina, do norte e do centro da Síria, concentrando todo o exército ortodoxo num só lugar. Abu Ubaida ordenou então reunião de todas as tropas na vasta planície perto de Gabita, cujo controlo tornava possíveis as cargas de cavalaria e facilitava a chegada de reforços enviados por Omar. O local era também adequado ao posicionamento de uma força poderosa e unida para fazer frente aos exércitos bizantinos e beneficiava da proximidade com o reduto ortodoxo de Négede em caso de retirada. Foram dadas instruções para devolver a jizia (tributo) a quem o tivesse pago.

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Campo de batalha

O campo de batalha encontra-se cerca de 65 km a sudeste dos montes Golã, uma região montanhosa atualmente situada na fronteira entre Israel, Jordânia e Síria, a leste do mar da Galileia. Os combates ocorreram na planície de Jarmuque, limitada a ocidente por uma ravina profunda conhecida como Uadi al-Rica (Wadi-al-Riqqa), com cerca de 200 metros de profundidade. Esta ravina junta-se a sul ao rio Jarmuque, um afluente do Jordão com margens muito inclinadas e altas e ravinas que vão dos 30 aos 200 metros de altura. A norte situava-se a estrada de Gabita e, a leste, já fora do campo de batalha, as colinas de Azra. Existia apenas uma elevação no campo de batalha: uma colina com 100 metros de altura conhecida como Tel al Jumm'a ("colina da reunião" em árabe), onde se concentraram as tropas muçulmanas, que dali tinham uma visão aberta sobre a toda a planície. Só era possível cruzar a ravina ocidental em determinados pontos. Em 636 havia uma única passagem, uma ponte perto da atual aldeia de Cafirulma. Em termos logísticos, a planície de Jarmuque tinha bastante água e pastagens para sustentar ambos os exércitos e era excelente para manobras de cavalaria.

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Disposição das tropas

A maior parte dos registos muçulmanos antigos refere que as forças do califado tinham entre 24 e 40 mil homens e que os Bizantinos tinham entre 100 e 400 mil homens. As estimativas contemporâneas variam. A maior parte delas aponta para 80 a 150 mil Bizantinos, havendo alguns historiadores que sugerem apenas 50 mil ou mesmo 15 a 20 mil homens. As estimativas para o exército ortodoxo situam-se entre 25 e 40 mil. Estes números resultam do estudo das capacidades logísticas dos combatentes, a sustentabilidade das suas bases de operações e dos constrangimentos gerais de recursos humanos que afetavam os Bizantinos e os Árabes. Contudo, grande parte dos historiadores concorda que o exército bizantino e os seus aliados eram numericamente superiores aos muçulmanos por uma margem muito significativa.[nt 8]

O exército ortodoxo

Durante um conselho de guerra, o comando do exército islâmico foi transferido para Calide[nt 9] por Abu Ubaida, o comandante em chefe do exército muçulmano. Após assumir o comando, Calide reorganizou o exército em 36 regimentos de infantaria e quatro regimentos de cavalaria, ficando a sua unidade de cavalaria de elite — a guarda móvel — como reserva. As tropas foram organizadas segundo a Tabi'a, uma formação apertada defensiva de infantaria, e os soldados, alinhados numa frente de doze quilómetros virados para oeste, com o flanco esquerdo a sul do rio Jarmuque, 1,5 km antes do local onde começavam as ravinas de Wadi al Allan. O flanco direito encontrava-se na estrada de Gabita, a norte da colina de Tel al Jumm'a, com as divisões substancialmente espaçadas entre elas de forma a que a ficassem de frente para a linha de batalha bizantina situada a 13 km. A formação central do exército era comandada por Abu Ubaida na parte esquerda e Xurabil na parte direita. A ala esquerda era comandada por Iázide e a ala direita, por Anre ibne Alas.

Exército bizantino

Poucos dias depois dos muçulmanos acamparem na planície de Jarmuque, o exército bizantino, precedido da cavalaria ligeira gassânida de Jabalá, avançou e montou acampamentos fortificados imediatamente a norte de Uadi al-Rica.[nt 10] O flanco direito do exército bizantino posicionou-se no extremo sul da planície, junto ao rio Jarmuque e a cerca de 1,5 antes do início das ravinas de Wadi al Allan. O flanco esquerdo posicionou-se a norte, a pouca distância do local onde começam as colinas de Gabita, e estava relativamente exposto. Vaanes dispôs o exército imperial virado para leste, numa frente com aproximadamente 13 km, tentando cobrir toda a área entre as gargantas do Jarmuque a sul e a estrada romana para o Egito a norte, deixando grandes espaços vazios entre as divisões bizantinas.

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Batalha

Para compreender devidamente a descrição da batalha é útil estar familiarizado com as divisões das forças oponentes. As linhas de batalha de ambos os lados estavam divididas em quatro secções: as alas direita e esquerda, e os centros esquerdo e direito. A cada secção do lado bizantino correspondia uma secção do lado muçulmano, posicionada exatamente em frente, ou seja, a ala direita bizantina estava de frente para a ala esquerda muçulmana e assim sucessivamente (ver mapa). Heráclio tinha dado instruções a Vaanes para esgotar primeiro os meios diplomáticos antes de se envolver em confrontos militares. Possivelmente, isto devia-se ao facto das tropas do xá Isdigerdes III (r. 632–651) ainda não estarem prontas para levar a cabo a ofensiva no Sauade.[nt 11] Vaanes enviou Gregório, e depois Jabalá, para entabular negociações com os muçulmanos que, no entanto, se revelaram infrutíferas. Antes da batalha Calide deslocou-se ao acampamento bizantino a convite de Vaanes para negociar os termos de paz, mas mais uma vez as negociações não tiveram sucesso. Estas negociações atrasaram o início dos combates por um mês.

Primeiro dia

A batalha começou a 15 de agosto de 636. Ao alvorecer, ambos os exércitos alinharam-se para o combate a pouco mais de um quilómetro um do outro. As crónicas muçulmanas relatam que antes do início da batalha, Jorge, um comandante de unidade no centro direito bizantino, cavalgou até às linhas muçulmanas e converteu-se ao Islão; morreria nesse mesmo dia combatendo no lado muçulmano. O combate teve início quando os Bizantinos enviaram os seus campeões para um duelo com os mubarizun muçulmanos. Os mubarizun eram espadachins e lanceiros de elite especialmente treinados para matar todos os comandantes inimigos que conseguissem com o intuito de desmoralizar e desorganizar o inimigo. A meio do dia, depois de ter perdido numerosos comandantes nos duelos, Vaanes ordenou um ataque limitado com um terço das suas tropas de infantaria para testar a força e estratégia do exército muçulmano e, usando a sua esmagadora superioridade numérica e de armamento, abrir uma brecha na linha de batalha inimiga no seu ponto mais débil. Contudo, faltou determinação ao assalto bizantino; muitos soldados do exército imperial foram incapazes de pressionar o corpo de veteranos muçulmanos. Os combates foram em geral moderados, apesar de em alguns locais terem sido intensos. Vaanes não reforçou a infantaria atacante, mantendo dois terços dos seus soldados a pé como reserva, e ao pôr-do-sol ambos os exércitos cessaram os combates e voltaram aos seus acampamentos.

Segundo dia

Durante um conselho de guerra a 16 de agosto, Vaanes decidiu atacar imediatamente antes do nascer do sol, de modo a apanhar os muçulmanos desprevenidos enquanto estavam na oração matinal. Planeou enviar os seus dois exércitos centrais contra o centro inimigo, a fim de criar uma manobra de diversão, e ao mesmo tempo lançaria o ataque principal contra as alas dos muçulmanos, que seriam empurradas ou para fora do campo de batalha ou para o centro. Para observar o campo de batalha, Vaanes mandou construir um grande pavilhão atrás da sua ala direita, defendido por uma unidade de guarda-costas arménios. Vaanes ordenou ao exército que se preparasse para um ataque surpresa.

Terceiro dia

A 17 de agosto, Vaanes refletiu sobre os seus fracassos e erros do dia anterior. O que o preocupava mais era a perda de um dos seus comandantes. O exército imperial decidiu seguir um plano menos ambicioso, com o objetivo de penetrar as linhas muçulmanas em pontos específicos. Vaanes optou por pressionar o relativamente exposto flanco direito, onde as suas tropas montadas podiam manobrar livremente, comparativamente com o terreno acidentado do flanco esquerdo inimigo. Foi decidido carregar na junção entre o centro direito muçulmano e a sua ala direita, num ataque comandado pelos Eslavos de Canatir destinado a separar as duas unidades inimigas e combatê-las separadamente.

Quarto dia

O quarto dia de batalha, 18 de agosto, revelar-se-ia decisivo. Vaanes decidiu prosseguir com o plano do dia anterior, pois tinha logrado infligir estragos no flanco direito muçulmano. Canatir liderou dois exércitos de Eslavos contra a ala direita e centro direito do inimigo, com alguma assistência dos Arménios e dos Árabes cristãos comandados por Jabalá. Mais uma vez, as unidades muçulmanas atacadas recuaram. Calide interveio novamente nos combates com a sua guarda móvel, receando um ataque generalizado ao longo de uma frente ampla que não fosse capaz de rechaçar e, por precaução, ordenou a Abu Ubaida e Iázide, respetivamente no centro esquerdo e ala esquerda, que atacassem as tropas bizantinas que se encontravam à sua frente. Este ataque permitiu em imobilizar a frente bizantina e prevenir um avanço generalizado do exército imperial.

Quinto dia

Durante a ofensiva de Vaanes no quarto dia, as suas tropas tinham fracassado na conquista de terreno e sofrido pesadas baixas, principalmente durante os contra-ataques de flanco da guarda móvel muçulmana. No início da manhã do dia 19 de agosto, Vaanes enviou um emissário ao campo muçulmano sugerindo uma trégua para os dias seguintes de modo a que pudessem ser retomadas novas negociações de paz. Supõe-se que Vaanes quisesse ganhar tempo para reorganizar as suas tropas desmoralizadas. Mas Calide acreditava que a vitória estava ao seu alcance e recusou a oferta. Até então, o exército muçulmano tinha adotado uma estratégia muito defensiva, mas ao constatar que os Bizantinos já não mostravam a mesma disposição de combate, Calide decidiu tomar a ofensiva e reorganizou as suas tropas para tal. Os regimentos de cavalaria foram agrupados numa poderosa força a cavalo, com a guarda móvel atuando como o seu núcleo. O número de cavaleiros da unidade recém-formada ascendia a cerca de oito mil.

Sexto dia

A 20 de agosto de 636, o último dia da batalha, Calide pôs em prática um plano de ataque simples e arrojado. Com a sua massiva força de cavalaria pretendia expulsar toda a cavalaria inimiga do campo de batalha, de modo a que a infantaria, que formava o grosso do exército bizantino, ficasse sem o seu apoio e exposta aos ataques pelos flancos e retaguarda. Ao mesmo tempo, o plano previa um ataque para deslocar o flanco esquerdo bizantino e empurrá-lo para a ravina a oeste. Calide ordenou um ataque generalizado à frente bizantina e galopou com a sua cavalaria à volta da ala esquerda inimiga. Uma parte da cavalaria muçulmana envolveu-se em combates com a cavalaria da ala esquerda bizantina, enquanto que outra parte atacou a infantaria da mesma ala inimiga. Entretanto, a ala direita muçulmana atacou pela frente. Sob este ataque em duas frentes, a ala esquerda bizantina recuou e sucumbiu, juntando-se ao centro esquerdo bizantino e provocando a sua desorganização. O resto da cavalaria muçulmana atacou então cavalaria da ala esquerda inimiga pela retaguarda, ao mesmo tempo que os bizantinos enfrentavam pela frente a outra metade da cavalaria muçulmana, o que os forçou a sair do campo de batalha fugindo para norte. A infantaria da ala direita muçulmana atacou então o centro esquerdo inimigo pelo seu flanco esquerdo, ao mesmo tempo que o centro direito muçulmano atacava pela frente.

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Rescaldo

Imediatamente após o fim das operações de batalha, Calide e a sua guarda móvel deslocaram-se para norte com o intuito de perseguir os soldados bizantinos em retirada, atacando-os já perto de Damasco. Durante esse combate foram mortos Vaanes, o príncipe arménio, e o comandante em chefe do exército imperial bizantino, que tinham escapado à sorte da maior parte dos seus homens em Jarmuque. Calide entrou em Damasco no final de 636 ou início de 637, reconquistando a cidade, onde, segundo a tradição muçulmana, teria recebido as boas vindas dos residentes locais. Quando a notícia da derrota chegou a Heráclio em Antioquia, este ficou devastado e enraivecido e culpou a sua conduta pecaminosa pela derrota, nomeadamente o seu casamento incestuoso com a sobrinha Martina. Teria tentado reconquistar a província da Síria se tivesse recursos, mas já não tinha fundos ou homens para a defender, pelo que em vez disso retirou-se para a catedral de Antioquia onde assistiu a um serviço solene de intercessão. Convocou uma reunião com os seus conselheiros na catedral, onde foi estudada a situação. Quase todos disseram, e Heráclio concordou, que a derrota tinha sido uma decisão de Deus e um resultado dos pecados do povo, incluindo o imperador. Heráclio embarcou à noite num barco com destino a Constantinopla. Diz-se que enquanto o navio partia, enunciou um último adeus à Síria:

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Avaliação

A batalha de Jarmuque pode ser vista como um exemplo na história militar em que uma força inferior consegue vencer uma força superior através da superioridade do comando. Os comandantes bizantinos deixaram que fosse o inimigo a escolher o campo de batalha, mas apesar disso não estavam em grande desvantagem tática. Calide sempre esteve ciente que estava em presença duma força superior numericamente e até ao último dia da batalha conduziu uma campanha essencialmente defensiva, adequada aos seus recursos relativamente limitados. Quando decidiu tomar a ofensiva e atacar, no último dia da batalha, fê-lo com imaginação, intuição e coragem que nenhum dos comandantes bizantinos demonstrou. Apesar de comandar uma força numericamente inferior e precisasse de todos os homens que pudesse juntar, teve a clarividência de enviar um regimento de cavalaria na noite anterior ao seu assalto final para bloquear a rota crítica que ele previa vir a ser usada na retirada do exército inimigo.

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Fontes consultadas

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