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Abu Ubaida ibne Aljarrá

Amir ibne Abedalá ou Amir ibne Abedalá ibne Aljarrá, mais conhecido como Abu Ubaida ibne Aljarrá foi um companheiro de Maomé (sahaba) e um destacado comandante militar dos exércitos muçulmanos que iniciaram as conquistas islâmicas, nomeadamente liderando a invasão da Síria. Foi um dos Dez Muçulmanos a quem Maomé assegurou que teriam lugar no paraíso. Matou o seu pai no decurso de uma batalha por este estar do lado dos politeístas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Biografia

Assim que se mudou para Gabita, Abu Ubaida foi infetado pela peste. Como a morte pairava sobre ele, falou ao seu exército: Depois nomeou Muade ibne Jabal como seu sucessor e ordenou-lhe que conduzisse o povo em orações; depois das orações Muadh foi ter com ele e nesse momento a sua alma partiu. Muade levantou-se e disse ao povo: Abu Ubaida morreu em 639 e foi sepultado em Gabita. A sua janaza (oração fúnebre) foi conduzida por Muade ibne Jabal.

Primeiros anos e conversão ao islão

Abu Ubaida nasceu em 581 ou 583 na família de Abedalá ibne Aljarrá, um comerciante de Meca pertencente ao clã dos coraixitas (Quraysh), a mesma de Maomé, da tribo dos Banu Harite ibne Fir. Já antes da sua conversão ao islão, Abu Ubaida era considerado um dos mais nobres coraixitas e era famoso entre os coraixitas de Meca pela sua modéstia e valentia. Em 611, Maomé começa a pregar a unicidade de deus ao povo de Meca. Começa por converter em segredo os que lhes estão mais próximos, amigos e familiares. Ubaida abraçou o islão apenas um dia depois de Abacar, e ao mesmo tempo que Omar, em 611. Ubaida é o único da sua família a converter-se e por isso foi alvo de vexação por parte da família.

Campanhas militares durante a vida de Maomé

Em 624, Abu Ubaida participou na primeiro grande confronto militar entre os muçulmanos e os coraixitas de Meca, a batalha de Badre. Durante os combates, Abu Ubaida foi atacado pelo seu pai Ubaida ibne Aljarrá, que combatia ao lado dos coraixitas. O filho tentou evitar lutar com o pai, mas este acabou por conseguir encurralá-lo. Abu Ubaida atacou então o pai e matou-o. O episódio do parricídio de Abu Ubaida é contado numa "biografia", mas não é referido por Tabari na sua crónica nem por William Muir em The Life of Mahomet (A Vida de Maomé). Em 625, Abu Ubaida participou na batalha de Uude. Na segunda fase da batalha, quando a cavalaria de Calide ibne Ualide atacou os muçulmanos da retaguarda, transformando o curso vitorioso destes numa derrota, o grosso dos soldados muçulmanos foi posto fora de combate, mas alguns mantiveram-se firmes. Abu Ubaida foi um deles e protegeu Maomé dos ataques dos soldados coraixitas. Maomé foi ferido por um golpe de sabre, caiu do seu cavalo e não conseguiu levantar-se por causa dos ferimentos e do peso da armadura. Foi inclusivamente dado como morto por alguns. O ferido foi depois posto num abrigo e a notícia de que tinha sobrevivido espalhou-se pelas hostes muçulmanas fazendo-as retomar o ardor aos combatentes. Uma vez no abrigo, a primeira preocupação dos companheiros de Maomé foi tirar-lhe o capacete. Dois dos anéis do capacete estavam espetados nas bochechas de tal forma, que Abu Ubaida teve que os retirar com a boca e perdeu dois dentes da frente ao fazê-lo. O sangue jorrou das feridas do profeta; Abu Ubaida trouxe-lhe água, mas Maomé não conseguiu mais do que lavar a boca. Depois enfiou o capacete de Cabe e juntou-se novamente aos combatentes.

Reinado de Abacar

Depois das Guerras Rida pela sucessão de Maomé, Abacar enviou Calide ibne Ualide para conquistar o Iraque e em 634 enviou Abu Ubaida para o Levante e Síria à frente de um exército composto de voluntários recentemente chegados a Medina. Este exército de invasão que em breve teria 24 mil homens, era formado por tribos beduínas e estava dividido em quatro divisões, uma delas comandadas por Abu Ubaida, que era também o comandante-em-chefe. O imperador de Bizâncio Heráclio, debatendo-se com problemas financeiros, não tinha dado as subvenções habituais às tribos árabes encarregues de proteger as suas fronteiras, pelo que a entrada das tropas muçulmanas na Síria foi facilitada. As populações mantiveram-se como espectadoras da invasão muçulmana.

Reinado de Omar

O califa Abacar morreu a 22 de a agosto de 634, tendo nomeado Omar como seu sucessor. Quando Omar se tornou califa, substituiu Calide ibne Ualide por Abu Ubaida no comando do exército islâmico. Este ato teria sido motivado pela intenção de desfazer a ideia de que as vitórias se deviam a Calide. Omar já tinha manifestado o seu descontentamento e mesmo oposição a Calide durante o reinado de Abacar. Calide tinha fama de ser alguém muito generoso, que, segundo alguns, oferecia largas somas do seu dinheiro aos seus soldados como recompensa da sua bravura em combate. Devido ao diferente estilo de comando, assistiu-se a um abrandamento do ritmo das operações militares, pois Abu Ubaida movia-se lentamente e de forma contínua, em contraste com Calide de quem se dizia que "corria como um tonado de batalha em batalha", usando a surpresa, audácia e força bruta para vencer as suas batalhas. A conquista da Síria[a] continuou sob o novo comandante, que costumava confiar muito nos conselhos de Calide, a quem mantinha perto de si sempre que possível.

Campanhas na Arménia e na Anatólia

Depois da batalha de Cadésia, Omar ordenou a conquista de Jazira (Mesopotâmia Superior), uma missão que foi confiada a Aiaz ibne Ganame e foi completada no final do verão de 638. Após isso, Calide e Aiaz foram enviados por Abu Ubaida para invadirem os territórios bizantinos a norte de Jazira. Os dois comandantes avançaram separadamente e capturaram Edessa, Amida (Diarbaquir), Melitene (Malátia) e toda a Arménia até Airarate e lançaram raides sobre a Anatólia Central. Heráclio tinha já abandonado todos os fortes entre Antioquia e Tarso para criar uma zona tampão ou "terra de ninguém" entre as áreas controladas pelos muçulmanos e a Anatólia. Omar ordenou aos seus exércitos que pusessem termo o seu avanço invasor mais para o interior da Anatólia e deu instruções a Abu Ubaida, agora governador da Síria, para que consolidasse o seu domínio na Síria. Omar teria então dito:

A grande penúria e a grande epidemia de peste

No final desse ano, a Arábia sofreu uma grande seca, o que provocou muitas mortes devido à fome. A situação foi agravada por epidemias, também elas consequência da seca. Inúmeras pessoas de toda a Arábia, que se contavam às centenas de milhares, concentraram-se em Medina por causa do racionamento de comida. As reservas alimentares da cidade declinaram rapidamente para níveis alarmantes. Nesta altura, o califa Omar já tinha escrito aos governadores das suas províncias a pedir todo o tipo de ajuda que eles pudessem dar. Uma dessas cartas foi enviada a Abu Ubaida, que respondeu prontamente enviando caravanas com mantimentos. A primeira dessas caravanas chegou a Medina com quatro mil camelos carregados de comida. Omar encarregou Abu Ubaida da distribuição dos alimentos entre os milhares de pessoas que viviam nos arredores de Medina. Para recompensar a generosa ajuda e esforços de Abu Ubaida, Omar ofereceu-lhe quatro mil dinares como pagamento simbólico, que Abu Ubaida recusou alegando que tinha agido por amor a Deus.

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Legado

Segundo os relatos, a aparência de Abu Ubaida era admirável, era magro e alto e a sua face era animada, com barba rala. Dava gosto olhar para ele e conhecê-lo era revigorante. Era extremamente cortês, humilde e algo tímido. No entanto, nas situações complicadas, tornava-se notavelmente sério e ficava de sobreaviso. Foi-lhe dado o título de Amin, ou Zelador da Umma (comunidade de Maomé). Abedalá ibne Omar, filho de Omar, disse sobre ele: Abu Ubaida escolheu viver de forma simples, optando pelas roupas mais modestas quando comparado com alguns dos outros sahaba (companheiros de Maomé). Quando o califa Omar foi à Síria durante a conquista de Jerusalém, encontrou-se com Calide ibne Ualide e Iázide ibne Abu Sufiane. Omar desmontou-se do seu camelo e atirou-lhes areia enquanto os admoestava — «não passou ainda um ano desde abandonaram a fome e a vida dura da Arábia e já esqueceram toda a simplicidade ao verem o glamour dos imperadores da Síria?» Os dois homens vestiam melhores roupas do que estavam acostumados; Calide realçou que debaixo dessas roupas eles estavam ainda suficientemente armados, o que demonstrava que ainda estavam acostumados ao estilo prático da vida dura do deserto, o que trouxe algum alívio ao califa. Comparativamente, Abu Ubaida, que também estava presente, continuava a ser modesto na forma como vestia e vivia. Omar ficou satisfeito de o ver e nessa mesma noite, quando Omar chegou à sua casa, constatou que Abu Ubaida, um homem de sucesso nas artes da guerra (que lhe tinham valido muitas presas de guerra), não tinha quaisquer possessões na sua casa exceto uma cama, uma espada e um escudo. Omar disse-lhe então — «Oh Abu Ubaida, tu podias ter arranjado algumas coisas para te dar conforto em casa.», ao que Abu Ubaida respondeu — «Oh Omar, isto é suficiente para mim.»

Família

Sabe-se pouco sobre a família de Abu Ubaida. Teve duas esposas, Uarja e Hinde binte Jabar, que foram mães de, respetivamente, Umair e Iázide e Ubaida. Ambos os filhos morreram quando eram crianças. Não se sabe se teria tido alguma filha, mas a sua linha de descendência masculina terá acabado. Apesar disso, a família Aljarrá do que é hoje a Jordânia e o Líbano reclama que é descendente de Abu Ubaida.

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Fontes consultadas

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