Advento (cerimônia)
Advento, na Grécia e Roma Antiga, era uma cerimônia, análoga à partida (profectio), na qual um indivíduo proeminente era formalmente recebido no portão de uma cidade. Nela o indivíduo que seria honrado era recebido por dignitários da cidade que abrigaria-o em um lugar marcado com antecedência e então ele era conduzido em procissão para o interior dos muros, onde era louvado com cânticos e louvores e recebia presentes e sacrifícios aos deuses em seu nome.
Para Sabine MacCormack, o advento trabalhava uma lógica de via dupla: enquanto era esperado pelo monarca honrarias como indicativo do bom andamento de seu governo, para os súditos era uma forma de reafirmarem sua existência e dignidade perante o monarca. Esse processo precisava, portanto, ser bem trabalhado para que funcionasse, caso contrário seu objetivo eclipsava. Os adventos eram costumeiramente avisados com uma antecedência de até um ano para que fosse possível aos cidadãos preparar-se para receber seu governante; em troca desse compromisso, os cidadãos esperavam honrarias como doações, organização de jogos, isenções fiscais e remissão de impostos anteriores. Na lógica do advento, a falta ou excesso de honrarias e exaltação poderia ser um embaraço, tanto para o monarca como para seus súditos. Como mencionado por Sabine MacCormack, segundo referências em panegíricos, a ascensão de um governante era uma ocasião onde distribuía-se honrarias sem solicitação prévia, o que poderia levar o monarca a ser chamado de tirano como quando, segundo os Panegíricos Latinos, o imperador romano Maximiano (r. 286-308; 310) retornou de sua aposentadoria a pedido de seu filho Magêncio (r. 306–312) sob alegação de que Roma clamava por seu retorno.
Período helenístico
Uma referência precoce desta questão da recepção está presente no relato de Ésquilo (ca. 458 a.C.) do retorno de Agamenão para Micenas após a Guerra de Troia no qual há um incidência envolvendo um carpete púrpura. Segundo fontes helenísticas, quando a chegada de um monarca era anunciada à tempo, os habitantes decoraram a cidade e no dia marcado uma procissão, chefiada pelos dignitários locais, partiam para fora dos muros, onde ocorria o encontro. Os cidadãos carregaram flores, óleos ou ramos de palmeira, velas e incenso e as estátuas dos deuses; por vezes carregava-se também os sinais das guildas e corporações da cidade. Cantorias e aclamações são citadas frequentemente. Depois da troca de saudações, os cidadãos acompanhavam o governante para o interior da cidade, onde poderia ocorrer mais cerimônias de recepção.
Roma Antiga
No Império Romano, o advento ocorria em duas fases. Na primeira havia uma reunião especial chamado ocurso (occursus) na qual uma procissão senatorial carregando a divindade citadina, seguida por representantes de outras classes sociais, dirigia-se em direção ao imperador para atendê-lo fora da cidade. Os senadores convidavam-o a entrar, e ele realizava um breve discurso de agradecimento. Nessa fase da cerimônia transmitia-se o desejo da cidade em saudá-lo, e por isso considerava-se adequado que a delegação da cidade-sede se reunisse o mais longe possível como demonstração de desejo ardente. Em seguida havia o introito (introitus), ou entrada real. Precedido pela procissão de dignitários que foram recebê-lo, o monarca entrava pelas portas da cidade (até a época da dinastia severa a pé e sozinho, porém mais tarde sobre uma carro e escoltado por unidades militares) e foi esperado por representantes de todas as classes sociais: na primeira fila prostravam-se os governantes e a aristocracia vestidos de branco e coroados com louros; próximos a eles, por ordem de classificação, estavam senadores e cavaleiros, sacerdotes e membros do colegiado, representantes das facções do circo e do clero (durante a Antiguidade Tardia), homens libres e, finalmente, mulheres e crianças.


