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Batalha da Ponte Mílvia

A Batalha da Ponte Mílvia ou Batalha da Ponte Mílvio foi o último confronto travado no verão de 312, durante a Guerra Civil entre os imperadores romanos Constantino, o Grande (r. 306–337) e Magêncio (r. 306–312) próximo à ponte Mílvia, uma das várias sobre o rio Tibre, em Roma. Precisamente teria ocorrido em 28 de outubro. Constantino seria o vencedor da batalha e passaria desde então a trilhar o caminho que levou-o a extinguir a Tetrarquia vigente e tornar-se o governante único do Império Romano. Magêncio, por outro lado, morreria afogado no Tibre durante o combate.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Antecedentes

Desde 293, o Império Romano está dividido em duas metades, cada qual governada por um Augusto (imperador sênior) e um César (imperador júnior). Em 306, o Augusto do Ocidente Constâncio Cloro (r. 293–306) falece em Ebóraco (atual Iorque, Inglaterra) e seus soldados elevam seu filho Constantino, o Grande (r. 306–337) como seu sucessor. O Augusto do Oriente Galério (r. 293–311), no entanto, eleva Valério Severo (r. 305–307) à posição de Augusto, pois pelas prerrogativas do sistema tetrárquico vigente, sendo ele o César ocidental, deveria suceder o Augusto morto. Após algumas discussões diplomáticas, Galério demoveu Constantino para a posição de César, o que ele aceitou, permitindo assim que Severo assumisse sua posição. Magêncio (r. 306–312), filho de Maximiano (r. 285-305; 310), o Augusto antecessor de Constâncio Cloro, com inveja da posição de Constantino, declara-se imperador na Itália com o título de príncipe e chama seu pai da aposentadoria para co-governar consigo. Durante o ano de 307, ambos sofrem invasões de Flávio Severo, que é derrotado e morto, e Galério, que decide retirar-se. Em 308, na Conferência de Carnunto convocada por Galério, o oficial Licínio (r. 308–324) foi nomeado Augusto do Ocidente e deveria, portanto, lidar com o usurpador, porém nada fez. No mesmo ano, em algum momento antes da conferência, Maximiano tentara depor seu filho num fracassado plano, o que forçou-o a fugir para a corte de Constantino na Gália.

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Visão de Constantino

Segundo Lactâncio, Constantino foi visitado em sonho na noite anterior à batalha, no qual foi aconselhado a "marcar o sinal divino de Deus nos escudos de seus soldados". Ele seguiu as ordens recebidas e marcou os escudos com um sinal "denotando Cristo". Lactâncio descreve o sinal como um "estaurograma" ou cruz latina com sua extremidade superior arredondada em "P". Eusébio de Cesareia, por sua vez, faz dois relatos da batalha. No primeiro, extraído da História Eclesiástica, ele afirma que Deus teria ajudado Constantino, mas não menciona qualquer visão. Na posterior Vida de Constantino ele faz menção à visão e alega ter ouvido a história do próprio imperador. Segundo este relato, Constantino estava marchando com seu exército ao meio-dia (não é descrito a localização exata, mas é certo que fora antes da batalha) quando avistou nos céus um troféu da cruz aparecendo da luz do sol, portando a mensagem grega "Εν Τούτῳ Νίκα" (En toutō níka), costumeiramente traduzida para o latim como In Hoc Signo Vinces (Neste sinal vencerás). De início ele não teria entendido com clareza a aparição, mas na noite seguinte foi visitado em sonho por Cristo que explicou-lhe que ele deveria usar aquele sinal contra seus inimigos.

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Batalha

Magêncio preparou-se para o mesmo tipo de guerra que travou contra Severo e Galério: permaneceu em Roma e organizou-se para um cerco. Ele ainda controlava os guardas pretorianos na cidade e estava bem abastecido com cereais africanos e cercado por todos os lados pelas aparentemente impenetráveis Muralhas Aurelianas. Ele ordenou que todas as pontas que atravessavam o rio Tibre fossem cortadas, relatadamente sob conselho dos deuses, e deixou o resto da Itália Central indefesa; Constantino, aproveitando-se disso, assegurou o apoio da região sem problemas. Constantino prosseguiu vagarosamente através da Via Flamínia, permitindo que a fraqueza de Magêncio suscitasse mais tumulto em seu regime. O apoio a Magêncio continuou a enfraquecer: nas corridas de biga em 27 de outubro, a multidão abertamente zombou de Magêncio, gritando que Constantino era invencível. Magêncio, não mais certo que emergiria vitorioso de um cerco, organizou um acampamento em frente à ponte Mílvia, que ligava a Via Flamínia a Roma, e ordenou a montagem de uma ponte flutuante temporária através do Tibre próximo a ela em preparação para uma batalha campal; Zósimo relata que construiu-se uma ponte de madeira dividida em duas partes que uniam-se através de uma parte central que continha presilhas de ferro capazes de serem removidas caso o exército inimigo tentasse atravessá-la. Em 28 de outubro de 312, o sexto aniversário de seu reinado, ele se aproximou dos protetores dos Livros Sibilinos para conselho. Os protetores profetizaram que, naquele dia, "o inimigo dos romanos" morreria. Magêncio avançou para norte para encontrar Constantino em batalha.

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Rescaldo e consequências

Constantino entrou em Roma em 29 de outubro. Ele encenou um grande advento (cerimônia de chegada) na cidade e deparou-se com grande júbilo popular. O corpo de Magêncio foi fisgado do Tibre e decapitado e sua cabeça foi exibida através das ruas para todos verem. Após as cerimônias, a cabeça decepada de Magêncio foi enviada para Cartago, o que teria encerrado a resistência a seu domínio, já que a África Proconsular pertencia aos territórios do falecido. As descrições da entrada de Constantino em Roma omitem qualquer menção dele concluindo sua procissão no Templo de Júpiter Capitolino, onde sacrifícios eram geralmente realizados. Apesar disso, esse silêncio não é encarado como prova de que ele já fosse cristão naquele momento, sendo muito mais um mero emprego para mostrar as sensibilidades cristãs do monarca. Constantino, por sua vez, decidiu visitar a Cúria senatorial, onde prometeu restaurar seus privilégios ancestrais e deu-lhe um papel seguro em sua reforma do governo: não haveria perseguição aos apoiantes de Magêncio. Em resposta, o senado decretou-o "título do primeiro nome", que significa que seu nome seria listado primeiro em todos os documentos oficiais, e aclamou-o como "o maior Augusto". Ele emitiu decretos retornando propriedades confiscadas, reconvocando exilados políticos e libertando oponentes políticos presos.

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