Jogo eletrônico de aventura
Jogos de aventura, também conhecidos como adventures, são jogos eletrônicos cuja ênfase é focada no enredo e não na ação. São caracterizados pela exploração dos cenários, pelos enigmas e quebra-cabeças, pela interação com outros personagens e pelo foco na narrativa. Um adventure normalmente dedica-se à histórias complexas e envolventes com mecânicas focadas no raciocínio lógico, diálogo entre personagens e na exploração. De maneira mais ampla, são jogos onde o jogador conduz um protagonista por uma história. Geralmente, os adventures são para um único jogador.
Jogos de aventura do tipo apontar e clicar são aqueles em que o jogador geralmente controla seu personagem por meio de uma interface de apontar e clicar, utilizando um mouse de computador ou dispositivo apontador semelhante, embora outros esquemas de controle também possam estar disponíveis. O jogador clica para movimentar seu personagem, interagir com personagens não jogáveis — frequentemente iniciando árvores de diálogo com eles — e examinar objetos nos cenários do jogo ou no inventário de itens do personagem. Muitos jogos de *point-and-click* mais antigos incluíam uma lista de verbos na tela para descrever ações específicas, à maneira dos jogos de aventura em texto, mas jogos mais recentes passaram a utilizar elementos de interface mais sensíveis ao contexto para reduzir ou eliminar essa abordagem. Frequentemente, a dinâmica desses jogos resume-se a coletar itens para o inventário do personagem e descobrir o momento certo de utilizá-los; para isso, o jogador precisa recorrer a pistas presentes nos elementos visuais do jogo, nas descrições dos diversos itens e nos diálogos com outros personagens. Títulos posteriores desenvolvidos pela Sierra On-Line, incluindo a série King's Quest, bem como praticamente todos os jogos de aventura da LucasArts, baseiam-se na mecânica de *point-and-click*.
Colossal Cave Adventure, esse adventure baseado totalmente em texto, lançado em 1976, é dito como o primeiro jogo de adventure a ser feito. A inovação e a interatividade que o jogo permitia para com o jogador, influenciaram um grupo de estudantes do MIT que se juntaram para formar uma empresa chamada Infocom que mais tarde veio a lançar o jogo também de adventure Zork. O jogo Colossal Cave Adventure do William Crowther foi tão importante que também influenciou os jogos Mystery House, Rogue, que gerou o gênero roguelike, e Adventure do Atari 2600, que inseriu o primeiro easter egg no mundo dos videogames. Quando os computadores começaram a serem capazes de mostrar gráficos em tela, os jogos baseados em texto foram perdendo a força, e por meados da década de 1990, pouquíssimos jogos deste estilo ainda eram lançados. O primeiro jogo adventure a possuir gráficos em tela foi Mystery House, lançado em 1980 pela Sierra Online Systems. O jogo foi idealizado pela Roberta Williams e programado por seu marido Ken Williams, ambos cofundadores da Sierra Online Systems. O jogo tinha gráficos vetoriais simples e era jogado numa interface de comandos, o que foi um avanço com relação aos adventures baseados somente em texto. A inovação trazida pelo Mystery House com os gráficos vetoriais, tornou possível o uso de animações gráficas na tela do computador.
Os adventures representavam mais de 50% do mercado de jogos nos EUA na década de 1980 e no início da década de 1990, e hoje em dia representam cerca de 6% dos jogos vendidos no mercado norte-americano. Na Europa os adventures atingem cerca de 12% do mercado, enquanto que no Brasil não há dados confiáveis sobre o mercado de jogos, pois a pirataria de software compromete o setor como um todo. As adventures também conquistaram boa popularidade no Brasil durante o início da febre de jogos para computadores pessoais nos anos 90. Devido à pirataria, hoje em dia quase nenhum jogo é lançado no país com tradução para o português. Diferentemente dos jogos de ação, para a maioria dos adventures é necessária plena compreensão da história, e isso afastou muito o potencial público brasileiro. Em meados dos anos 90 o sucesso do PlayStation, console da Sony, é apontado como o responsável pela mudança de rumo dos adventures, já que ele inaugurou a era dos jogos 3D, quando todas as empresas fabricantes de jogos passaram a criá-los dando prioridade para o uso extremo de todos os recursos técnicos disponíveis. A indústria norte-americana se afastou dos adventures, enquanto a Europa passou a dominar o setor, produzindo adventures modernos, sucessos de público, crítica especializada e mercado, como os jogos Dreamfall e Indigo Prophecy, que chegaram em 2006 à lista de jogos Mais Vendidos em lojas online como a Amazon. Os adventures modernos fazem uso pleno dos recursos de animação 3D e interatividade, sempre mantendo a característica de ter um sólido roteiro.


