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Hugo Capeto

Hugo Capeto foi o Rei dos Francos desde a sua eleição em 987 até à sua morte. Foi o primeiro monarca da Casa de Capeto, sucedendo ao último rei carolíngio Luís V.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Biografia

Infância

Hugo nasceu provavelmente no castelo de Dourdan entre 939-941. É filho de Edviges da Saxónia (irmã de Otão I) e de Hugo, o Grande. A 16 de Junho de 956, Hugo, o Grande morre em Dourdan e o seu filho Hugo Capeto deveria herdar um poder de primeira ordem: em Roma, o papa reconhece-o como «glorioso príncipe dos Francos». A meio do século X, a competição pela coroa entre os Carolíngios e Robertianos inicia-se, e a vitória destes últimos é quase inevitável. A legitimidade robertiana concretiza-se ainda mais através do jogo de alianças. Corre nas veias de Hugo Capeto sangue carolíngio levado por sua avó paterna (Beatriz de Vermandois), mas também sangue germânico por ascendência direta. Esta origem provém da Renânia e não da Saxónia. Enfim, o seu pai tinha-se aliado com o novo rei da Germânia Otão I, tendo desposado a irmã Edviges de Saxónia para contrariar o desejo de Luis IV sobre a Lotaríngia. No total, à morte de seu pai, Hugo Capeto herdou teoricamente um título prestigioso e um poder principesco.

Nome

Existem várias hipóteses para explicar o cognome Capeto, que serviu para distinguir Hugo do seu pai. A etimologia popular segue a explicação de ser o rei da capa (chappet), uma vez que antes de ser rei já era abade, e os abades da época usavam uma capa característica (em português: capelo, que por motivos semelhantes foi o cognome do rei Sancho II de Portugal). Outras etimologias derivam dos termos para chefe (caput), zombador (capetus) ou cabeça grande (capillo). Pensa-se também que o cognome do seu pai foi atribuído depois da sua morte, a partir do latim Hugo Magnus, Hugo o Velho, sendo o seu filho Hugo o Novo, e podendo Capeto ser uma invenção do século XII.

O reino e a sociedade do século X

Desde o fim do século IX, a política real não se pode fazer sem os descendentes de Roberto, o Forte dos quais faz parte Hugo Capeto. A outorga da coroa tornou-se electiva, as maiores famílias do reino disputavam-na. Os Robertianos beneficiam da juventude desde a decadência de Carlos, o Simples para ascender ao trono. Odão de França ou Roberto I, respetivamente tio-avô e avô de Hugo Capeto, foram reis dos Francos (888-898 e 922-923). Hugo Capeto era sobrinho-neto e neto, respectivamente, dos carolíngios Odo I de Paris e Roberto I, os dois únicos reis dos francos eleitos. O seu sétimo avô por parte de sua avó Beatriz de Vermandois era Carlos Magno. Hugo pertencia então a uma família poderosa e com muitas ligações à nobreza reinante da Europa.

Hugo Capeto, duque dos Francos (960-987)

Quando recebe o seu cargo ducal (duque dos Francos, dux francorum) em 960, Hugo Capeto é menos poderoso que seu pai. Com efeito, ele é jovem, politicamente inexperiente e, sobretudo, ele encontra-se sob tutela de seu tio Bruno de Colónia, próximo do poder otoniano. Face a este enfraquecimento, um forte desejo de independência surge nos vassalos entre o Sena e o Loire. O conde Teobaldo de Blois, portanto um antigo fiel de Hugo, o Grande que lhe confia a cidade de Laon, assegura uma quase independência proclamando-se conde de Blois, fazendo fortificar as suas principais cidades e apreendendo Chartres e Châteaudun. Os diplomas reais dos anos de 960 mostram que os grandes aristocratas não são mais exclusivamente fieis ao duque dos Francos, como no tempo de Hugo, o Grande, mas somente ao rei Lotário. Com efeito, encontram-se alguns destes nos exércitos reais lutando contra o ducado da Normandia por conta de Lotário. Enfim, parecia a Hugo que o seu lugar de número dois no reino teria tendência a lhe escapar. Duas cartas do abade de Montierender fazem referência a Herberto III de Vermendois, então conde de Château-Thierry, de Vitry e abade laico de Saint-Médard de Soissons, portanto o título de «conde dos Francos» e mesmo de «conde do palácio» numa carta de Lotário.

Eleito e sagrado rei dos Francos (987)

A contradição de certos fatos dada por Richer não nos permite compreender toda a acção política Hugo na véspera da sua coroação. Por exemplo, não está claro por que ele não se opôs à associação ao trono de Luís, nem a sua sucessão em 986, quando ele foi para Roma para encontrar o imperador germânico numa intenção hostil a Lotário. Preocupado com a tomada de Verdun e a apelação de Adalberon, parece que o Duque de Francos tinha ele próprio reunido um exército. Talvez ele estivesse planeando marchar contra Lotário e tomar o trono? Em todo o caso, o novo rei Luís V, como fez Luís IV e Lotário, declara que iria tomar o conselho do duque dos Francos por sua política. Agora retoma o tema de seu pai na Lorena e acredita-se que queria lançar uma ofensiva contra Reims e Laon por causa de sua reconciliação com o Império. Não está claro qual o papel de Hugo naquela época, as fontes permanecem vagas. Aparentemente, o duque dos Francos teria limitado as intenções exageradas do rei carolíngio. Na verdade, Luís convoca o arcebispo de Reims, a seu palácio em Compiegne para que ele responda por seus atos. Mas, durante uma festa de caça, o rei foi morto num acidente de equitação a 21 ou 22 de maio de 987 na floresta de Senlis.

Reinado

Imediatamente após a sua própria coroação, Hugo começou a fazer pressão para coroar também o seu filho Roberto, o que aconteceria pouco tempo depois, a 30 de dezembro de 987. Para este efeito, argumentava que era importante para a estabilidade do reino haver um segundo rei, para o caso de ele mesmo morrer em uma expedição que estava a planear contra os mouros que atacavam Borrell II, conde de Barcelona, invasão que nunca chegou a realizar-se, o que aumentou o descontentamento do conde. O cronista Rudolfo Glaber atribui esta solicitação de Hugo à idade avançada em que se encontrava e à sua incapacidade de controlar a nobreza. No entanto, historiadores modernos tendem a dar mais importância à vontade de o velho rei garantir o direito de Roberto à sucessão e estabelecer uma dinastia, em oposição ao poder de a aristocracia eleger um novo rei. Na generalidade, os cronistas da época não parecem sustentar última esta teoria, e as dúvidas sobre as reais intenções de Hugo querer fazer ou não uma campanha na Península Ibérica mantêm-se até hoje. Até Filipe II de França, seria a regra da progenitura que se imporia, mas conservando-se a eleição pelos aristocratas.

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Casamento e descendência

Foi filho de Hugo, o Grande (898 – 19 de Junho de 956), duque dos francos e conde de Paris e de Hedervige do Saxe (922 - 965), filha de Henrique I da Germânia (876 – 2 de julho de 936) e de Matilde de Rheingelhein (ca. 890 – 14 de março de 968). Do seu casamento em 970 com Adelaide da Aquitânia (945–1004), filha de Guilherme III da Aquitânia (915 – 3 de abril de 963), conde de Poitiers e duque da Aquitânia e de Adélia da Normandia, nasceram: É relatada a existência de outros filhos, mas a veracidade dessa descendência é discutível. No entanto é possível referir um filho de uma relação com N da Aquitânia: Hugo Capeto foi trisavô de Henrique de Borgonha, conde de Portucale, e tetravô de Afonso I, primeiro rei de Portugal. É, portanto, o ancestral da linhagem masculina dos monarcas portugueses como Dom João VI, e brasileiros, como Dom Pedro II.

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Fontes consultadas

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