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Abde Almumine

Abde Almumine ibne Ali ibne Alui ibne Ialá Alcumi Abu Maomé, melhor conhecido apenas como Abde Almumine ou Abd-el-Mumen, foi o segundo imame do movimento almóada em sucessão do mádi Ibne Tumarte, primeiro califa do Califado Almóada e fundador da dinastia mumínida. Nasceu em data incerta na vila de Tagra, no território então sob domínio do Reino Hamádida, integrando uma família de origem humilde pertencente à tribo berbere arabizada dos cúmias, da confederação dos zenetas, estabelecida no norte da atual região de Orã. Em sua juventude, realizou deslocações de estudo religioso ao Oriente ou à Ifríquia, chegando até Bugia, onde, no subúrbio de Malala, entrou em contacto com Ibne Tumarte, líder do movimento masmuda. Tornou-se um dos seus principais discípulos, sendo integrado no núcleo dirigente almóada e recebendo papel de destaque no “Conselho dos Dez”. Após a morte de Ibne Tumarte em 1130, Abde Almumine consolidou gradualmente sua posição, apoiado por figuras influentes do movimento, até ser reconhecido como líder e reorganizar a estrutura política almóada, suprimindo conselhos tradicionais e instituindo novos mecanismos de autoridade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Vida

Origens e proclamação

Abde Almumine nasceu em data incerta na vila de Tagra, então pertencente ao Reino Hamádida. Tinha origem humilde e pertencia a tribo berbere arabizada dos cúmias, da confederação dos zenetas, assentados ao norte da atual província de Orã, não muito longe de Nedroma, na Argélia. Quando ainda era jovem, ele e seu tio Ialu deixaram Tagra para visitar o Oriente, ou talvez a Ifríquia, de modo a completar seus estudos lá, mas sua peregrinação, por motivos do ṭalab al-ʿilm, não levou-o até mais longe que Bugia. Foi no subúrbio daquele cidade, chamado Malala, quando se preparava para voltar à região do atual Marrocos, que se encontrou com Ibne Tumarte, mestre dos masmudas. Ibne Tumarte persuadiu-o a unir-se ao pequeno grupo de discípulos que acompanhavam-o, e ensinou-lhe sua doutrina "unitária" durante os poucos meses que ficou em Bugia; E. Levi-Provençal datou esse evento em 1117.

Conquista do Império Almorávida

O primeiro objetivo de Abde Almumine foi conquistar o já enfraquecido Império Almorávida. Evitando as planícies, onde a cavalaria almorávida tinha vantagem, preparou-se para submeter as montanhas berberes para tomar as riquezas minerais e controlar as vias comerciais. Obtendo apoio de várias cabilas do Atlas, submeteu Suz e o vale do rio Drá, regiões essenciais para o lucrativo comércio que os almorávidas mantinham com a África subsaariana, onde construiu sólida base de ataque e possível recuo. Dali, conquistou a linha de fortalezas que no norte cercavam o Alto Atlas, evitando o acesso às planícies e a capital Marraquexe. Deixando as planícies, Abde Almumine seguiu o caminho das montanhas para nordeste, tomando as cidades fortificadas de Demnate e Dei, numa manobra destinada a isolar o território almorávida central.

Conquista do Reino Hamádida

Após estabelecer solidamente sua posição no Magrebe Ocidental, Abde Almumine iniciou planos para conquistar o resto do Magrebe, expandindo além dos limites do Império Almorávida. Antes de prosseguir com seu projeto foi chamado a intervir no Alandalus, onde a população não suportava mais a autoridade almorávida e o perigo de ataque pelo Reino de Castela crescia. Em 1144, cidades como Xerez aceitaram os almóadas, em 1145, logo após a captura de Tremecém, a expedição naval sob ibne Maimune tomou Cádis, e em 1145-1146, ocorre a primeira menção da dinastia nas orações. Quando o califa cercava Marraquexe, recebeu deputação de andalusinos e em responda enviou corpo expedicionário no qual participaram dois de seus irmãos, Abedalazize e Issa Angar. A isso seguiram outras adesões, dentre as quais Sevilha e Córdova, mas as províncias orientais mantiveram-se avessas aos almóadas. Tal era o motivo pelo qual, quando o califa recebeu delegação andalusina em 1150 que vinha prestar juramento de fidelidade, optou por marchar contra o Magrebe Oriental.

Consolidação do poder

Com todos os seus sucessos, a oposição ficou impaciente e declarou revolta, sob impulso dos próprios parantes de Ibne Tumarte, os hargas e os habitantes de Tinmel. Abde Almumine mandou executar os revoltosos e enviou a família de Ibne Tumarte, os Aite Angar, à cidade de Fez, onde ficaram sob prisão domiciliar. Sanada a crise, partiu em peregrinação para Tinmel, onde fez doações e mandou ampliar a mesquita para desviar a atenção da opinião pública dos fatos sangrantes ocorridos há pouco e preparar, ao mesmo tempo, a fundação de sua dinastia. Em 1156-1157, no campo de Sala, conseguiu que seu filho mais velho Maomé fosse reconhecido como herdeiro presuntivo e em seguida nomeou seus demais filhos como governadores das principais metrópoles do império como saídes; por exemplo Abu Iacube Iúçufe que ficou em Sevilha e Abuçaíde Otomão que ficou em Córdova.

Conquista da Ifríquia e Alandalus e morte

Abde Almumine pode, então, empreender sua campanha contra a Ifríquia, ao término da qual unificaria, pela primeira vez, o Magrebe sob uma única autoridade. Preparou-se cuidadosamente e só em 1159 marchou, sobretudo por influência do refugiado zírida Haçane ibne Ali, que o encorajava, e os múltiplos pedidos de socorro de populações da Ifríquia contra atividades dos cristãos. Deixando Abu Háfece como tenente no Magrebe Ocidental, partiu de Salé na primavera à frente de forças consideráveis, enquanto imponente frota o acompanhou. Seis meses depois, seu exército chegou a Túnis, que foi tomada em junho após bloqueio. Depois foi Mádia, há 12 anos sob controle normando, que caiu em janeiro de 1160. Um de seus filhos, Abedalá, apossou-se de Gabes e Gafsa e nesse meio tempo Cairuão, Esfax e Trípoli caem também. Os ataques combinados da frota contra o literal e as investidas da cavalaria no sul permitiram a submissão da Ifríquia, causando o desaparecimento dos pequenos principados que tinham repartido os despojos do Reino Zírida e os normandos foram despejados do litoral.

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Legado

Abde Almumine usou, diferente dos almorávidas que usaram o título de emir aumuslimim e reconheceram a soberania espiritual do Califado Abássida do Oriente, o título de miramolim, provavelmente recebido de seu séquito após a captura de Marraquexe. Além disso, ao quebrar com a tradição almorávida, que se baseada na organização hispano-omíada, criou um sistema administrativo que levou em conta as necessidades políticas de seu grande império, bem como seu desejo de não ofender seu séquito de berberes; muitas regulações que compunham seu sistema ainda existem na organização do makhzen do atual Marrocos. Outrossim, virou-se aos especialistas andalusinos para sua chancelaria, sobretudo homens que anteriormente ocuparam o secretariado almorávida. Deu especial atenção ao corpo dos talabas, que atuaram como importantes propagandistas do movimento almóada após a tomada de Marraquexe em 1147 – como demonstram as cartas oficiais, dentre as quais a missiva enviada por ele aos talabas do Alandalus em 1148. O califa incumbiu-os de "ordenar o bem e proibir o mal" e ocuparam vários domínios como educação, administração, ensino e exército e com a expansão do Califado Almóada, tornar-se-iam comissários políticos e ideológicos dos almóadas no seio das forças armadas, sobretudo a marinha.

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