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Erasmo Carlos

Erasmo Esteves OMC, conhecido artisticamente como Erasmo Carlos, foi um cantor, compositor, ator, músico, multi-instrumentista e escritor brasileiro. Um dos pioneiros do rock no Brasil, nos anos 60 fez parceria com o cantor e compositor Roberto Carlos, compondo várias músicas juntos, que gravavam em seus discos em carreira solo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Infância e primeiros trabalhos

Filho de baianos, Erasmo nasceu no bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Sua mãe era mãe solteira, e seu pai desconhecido, ele só veio a conhecer seu pai aos 23 anos de idade. Seus primeiros trabalhos foram aos 10 anos, vendendo revistas usadas numa quitanda e rãs para botequins da vizinhança. Também vendia rolinhas ao primo Raul, para quem também trabalhou colando cartazes quando ele atuou como cabo eleitoral para um candidato a deputado. Em 1957, para ajudar a mãe, que havia se separado do padrasto de Erasmo e trabalhava muito para pagar as contas, arranjou alguns empregos nos quais pouco durava, incluindo mostrador de imóveis (do qual foi demitido após o chefe descobrir que ele promovia festas nos imóveis cujas chaves possuía), auxiliar de almoxarifado numa loja DeMillus (no qual só compareceu no primeiro dia por não suportar o cansaço), office boy na Cerâmica São Caetano (de onde saiu após flagrar uma secretária e um diretor tendo um caso) e na ACESITA (de onde saiu após o flagrarem cochilando em serviço) e secretário num escritório de advocacia, de onde saiu após começar a desempenhar suas tarefas sem a dedicação do início.

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Carreira

Em 2020 assinou contrato com a Netflix para ser o protagonista no longa-metragem Modo Avião, juntamente com Larissa Manoela. Em fevereiro de 2021 lançou o álbum O futuro pertence à... Jovem Guarda, com oito canções dos anos 60. No mesmo ano, Erasmo estabeleceu parcerias com os irmãos Supla e João Suplicy, que haviam restabelecido a banda Brothers of Brazil, com o rapper Emicida e com o cantor Tim Bernardes na canção Praga, gravada por Alaíde Costa. Em 17 de novembro de 2022, cinco dias antes de falecer, Erasmo ganhou mais um Grammy Latino na categoria "Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa" pelo álbum O Futuro Pertence à... Jovem Guarda. Em 3 de maio de 2024 foi lançado um álbum de estúdio póstumo, Erasmo Esteves, com a participação de Gaby Amarantos, Marina Sena, Rubel, Emicida, Tim Bernardes, Russo Passapusso, Xênia França, Chico Chico, Jota.pê, Teago Oliveira e Sebastião Reis. Com produção de Marcus Preto e Pupillo.

Primeiros trabalhos: anos 1950-60

Erasmo conhecia Sebastião Rodrigues Maia – que mais tarde ficaria conhecido como Tim Maia – desde a infância. Entretanto, a amizade só viria na adolescência, por meio do gosto de ambos pelo rock and roll. Em 1957, Tim Maia montou a banda The Sputniks, junto com Erasmo, Arlênio Lívio, Wellington Oliveira e Roberto Carlos. Após uma briga entre Tim e Roberto, o grupo foi desfeito. Wellington desistiu da carreira musical e o único remanescente era Arlênio, que, no ano seguinte, resolveu propor a Erasmo e a outros amigos da Tijuca – Edson Trindade (que tocou violão no grupo Tijucanos do Ritmo, em que Tim Maia tocava bateria) e José Roberto, conhecido como "China" – formarem o grupo vocal "The Boys of Rock".

Anos 70

Na década de 1970, Erasmo assina com a Polydor. A primeira metade da década mostra o Tremendão num estilo bem diferente da Jovem Guarda. Influenciado pela cultura hippie e pelo soul, lança Carlos, Erasmo em 1971. O disco, que abre com "De Noite na Cama", escrita por Caetano Veloso especialmente para ele, traz um polêmica ode à maconha. O existencialismo prossegue em seus outros LPs dos anos 70: Sonhos e Memórias, Projeto Salva Terra e Banda dos Contentes. "Sou uma Criança, Não Entendo Nada", "Cachaça Mecânica" e "Filho Único" são algumas canções de destaque no período. Pelas Esquinas de Ipanema, seu LP de 1978 inclui uma impactante canção que denuncia o descaso do homem com a ecologia: "Panorama Ecológico".

Anos 80

Erasmo Carlos começa os anos 80 com um projeto ambicioso. Erasmo Convida é um pioneiro projeto no Brasil. Foram doze canções interpretadas em dueto com artistas como Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa, Wanderléa, A Cor do Som, As Frenéticas, Gilberto Gil, Rita Lee, Tim Maia, Jorge Ben e Caetano Veloso. A faixa de abertura do álbum foi a que teve maior destaque nas rádios: a regravação de "Sentado à Beira do Caminho", com a participação do parceiro Roberto Carlos nos vocais. No ano seguinte, o LP Mulher tem uma grande repercussão com as canções "Mulher (Sexo Frágil)" (escrita com sua mulher, Narinha), "Pega na Mentira" e "Feminino Coração de Deus" (de Sérgio Sampaio). O sucesso na mídia, que continuou com Amar Pra Viver ou Morrer de Amor (1982), trouxe uma cobrança para Erasmo: assim como o parceiro Roberto Carlos (no auge do sucesso), ele deveria lançar um trabalho inédito todos os anos. "Lentinha, para tocar no rádio", como disse o cantor ao relembrar seus discos na época. Embora seja a década com mais lançamentos de trabalhos novos, Erasmo tem algumas ressalvas sobre os seus discos a partir da segunda metade da década - Buraco Negro (1984), Erasmo Carlos (1985), Abra Seus Olhos (1986) e Apesar do Tempo Claro... (1988). O disco de 1988 seria seu último na Polydor (selo da Polygram, mais tarde Universal Music).

Anos 90

Nos anos 90, o trabalho de Erasmo apareceu de forma bissexta na canção. Além de sempre assinar com Roberto Carlos as canções feitas para seus discos anuais, ele lançou dois discos. Homem de Rua, lançado pela Sony Music em 1992, chegou a ter repercussão com a faixa-título, que fez parte da trilha da telenovela De Corpo e Alma, mas a canção era tema do personagem Bira de Guilherme de Pádua, que, ao lado da esposa Paula Thomaz, assassinou a atriz Daniella Perez, filha da autora da novela Glória Perez. Por conta desse acontecimento, Erasmo em respeito a atriz, nunca mais cantou essa música. Outra gravação de destaque foi "A Carta", que teve a participação de Renato Russo.

Anos 2000

Somente em 2001, Erasmo voltaria a lançar um disco novo. Pra Falar de Amor traz interpretações dele para canções apenas suas, além de canções de Kiko Zambianchi e Marcelo Camelo. O destaque é "Mais um na Multidão", dueto com Marisa Monte e de autoria de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown. No ano seguinte, ele lançou seu primeiro DVD ao vivo, além de um CD duplo. No início de 2004, ele lançou seu trabalho mais autoral: Santa Música, com doze canções de autoria apenas de Erasmo Carlos. Além da faixa-título, destaca-se a faixa "Tim", feita em homenagem a Tim Maia. Em 5 de fevereiro de 2004, sua mãe Maria Diva Esteves faleceu aos 83 anos devido a complicações de diabetes e isquemia.

Anos 2010

Em 2010, Erasmo compôs, em parceria com Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle, um samba enredo para a GRES Beija-Flor, que anunciou um enredo sobre Roberto Carlos para 2011, porém o samba composto por Erasmo não passou nas eliminatórias. A canção escolhida foi "A Simplicidade de um Rei", que tem como um dos coautores, JR Beija-Flor, filho do intérprete da Escola, Neguinho da Beija-Flor. Erasmo lançou um novo disco intitulado Sexo em agosto de 2011. Em 2013 a faixa "Além do Horizonte" foi tema da novela homônima das 19 horas, também da Rede Globo. Em 2014, é lançado Gigante Gentil, seu terceiro disco consecutivo só com músicas inéditas. O disco venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro. Em 14 de maio de 2014, seu filho Alexandre Pessoal, também cantor e compositor, morreu aos quarenta anos de idade, vítima de morte cerebral causada por um acidente de moto em 7 de maio. Ficou em coma induzido, porém não resistiu ao tratamento e faleceu.

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