Líbano
Líbano, oficialmente República do Líbano é um país localizado na extremidade leste do mar Mediterrâneo, na Ásia Ocidental, numa região que faz ligação entre esse continente e a Europa. Faz fronteira com a Síria ao norte e a leste e com Israel ao sul e a oeste. No cruzamento da bacia do Mediterrâneo, o Líbano é uma das regiões de antigas civilizações, como fenícios, assírios, persas, gregos, romanos, bizantinos e turcos otomanos, sendo que sua rica história formou a identidade cultural única em diversidade étnica e religiosa do país.
O nome Líbano origina-se do semítico lbn (لبن), que significa "branco", provavelmente uma referência à neve que cobre o monte Líbano. Ocorrências do nome foram encontrados em diferentes textos da biblioteca de Ebla (que data do terceiro milênio a.C.), cerca de 70 vezes na Bíblia Hebraica e em três das 12 tábuas da Epopeia de Gilgamesh (escrito em 2100 a.C.). O nome é registrado no Antigo Egito como Rmnn.
Os principais desafios do Líbano após a Guerra Civil foram a reconstrução da infraestrutura e a concretização das reformas implementadas em Taif. Nas eleições parlamentares de 1992, Rafic Hariri foi eleito primeiro-ministro e estabeleceu um plano de reconstrução do país. A moeda valorizou e a terra dos cedros voltou a atrair investimentos estrangeiros. Em 1998, houve uma transição pacífica da presidência de Elias Hrawi para Émile Lahoud, paralela à transição de primeiro-ministro de Hariri para Salim El-Hoss. Em 2000, as forças israelenses se retiraram do Líbano. Após a retirada israelense, surgiram pressões para a retirada das tropas sírias do país. O ditador sírio, Bashar al-Assad, filho e sucessor de Hafez al-Assad, que entrou no poder em 2000, iniciou a retirada de alguns contingentes sírios em 2001, reduzindo o número de efetivos de 30 mil para 15 mil soldados. Com a nova administração de George W. Bush, iniciada em 2001, e seu projeto neoconservador, os estadunidenses deixaram de apoiar a presença síria no Líbano. Depois das resoluções da ONU que se imiscuíram na política interna do Líbano e o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, em 14 de fevereiro de 2005, um fervor nacional percorreu o Líbano, com milhares de pessoas nas ruas exigindo a total retirada das tropas sírias, o que ocorreria a 27 de abril de 2005. Este movimento patriótico ficou conhecido por Revolução dos Cedros e teve a colaboração mais ou menos ativa de todas as confissões religiosas.
Pré-história e Antiguidade
O território do Líbano já é habitado pelo homem desde o Paleolítico e está inserido na região conhecida como Crescente Fértil, onde a agricultura e a pecuária surgiram, por volta de 12 mil anos atrás, quando o território libanês era habitado pela cultura natufiana. Com a agricultura, surgiram as primeiras aldeias, as quais, ao longo dos milênios, foram evoluindo, dando origem às primeiras cidades na região, como Biblos/Gubla, considerada uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo, datada de sete mil anos atrás. A metalurgia na região é datada de, pelo menos, seis mil anos atrás. Por volta de 3000 a.C., os canaanitas, os povos semitas que habitavam os atuais Líbano, Israel e Palestina durante a Idade do Bronze, desenvolveram civilizações e reinos. Os canaanitas do norte, denominados pelos gregos de "fenícios", mantinham cidades-estados autônomas entre si, com Gubla, Sidon, Tiro e Beirute, e mantinham relações comerciais com os egípcios desde os séculos XVII a XVI a.C. Mais tarde, por volta de 1400 a.C., as dinastias egípcias incorporam a Fenícia aos seus domínios.
Domínio árabe
Devido à vitória das forças do Califado Ortodoxo sobre o exército bizantino na batalha de Jarmuque (636), o califado conquistou a região do Levante, a qual batizou de "Bilad Al-Sham". Durante o Califado Omíada (661-750), apesar das revoltas ocasionais dos maronitas, o Líbano forneceu forças navais aos muçulmanos na luta contra os bizantinos. Posteriormente, a dinastia abássida trouxe um florescimento intelectual e comercial para a região. Nos séculos IX a XI, a área pertenceu a dinastias sediadas no Egito, como o Califado Fatímida. Durante os primeiros séculos de domínio muçulmano, as montanhas libanesas tornaram-se refúgio para variados grupos étnicos e religiosos, como os maronitas vindos do vale do Rio Orontes, na atual Síria. De modo geral, os governantes muçulmanos foram tolerantes com cristãos e judeus.
Império Otomano
Em 1516, o Império Otomano, formado no século XIV na Anatólia, conquistou o reino mameluco e incorporou o Levante aos seus domínios. Em pouco tempo, a região do Líbano ganhou um título semiautônomo, o Emirado do Monte Líbano, liderado pelas famílias Maan (até 1597) e Chehab (1697-1842). Durante esse período, a influência europeia cresceu, sobretudo no comércio. O século XIX foi marcado no Líbano por mudanças sociais, econômicas e políticas. A população cristã, em crescimento, migrou para o sul e para as cidades e, a partir do final do século, muitos cristãos libaneses emigraram para a América, tendo como um dos principais destinos o Brasil. Esse crescimento perturbou o equilíbrio tradicional da região, se inclinando cada vez mais para ele os Chehab.
Primeira Guerra Mundial, mandato francês e independência
Em 1914, logo após o começo da Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano entrou no conflito do lado da Alemanha e da Áustria-Hungria. Os otomanos aboliram a autonomia do Líbano e a região foi ocupada militarmente. Em setembro de 1918, o general britânico Edmund Allenby e os revoltosos árabes entraram na Palestina, abrindo caminho para a conquista da Síria e do Líbano. Com o fim da guerra, em 1918, o Líbano foi militarmente ocupado pela França e, na conferência de San Remo, em abril de 1920, os Aliados deram aos franceses o mandato sobre a Grande Síria e, em 1º de setembro de 1920, o general Henri Gouraud proclamou a criação do mandato do Grande Líbano, constituído do antigo Mutasarrifado do Monte Líbano mais áreas vizinhas, formalizado pela Liga das Nações em 1923, sediado em Beirute, com as fronteiras atuais libanesas sendo estabelecidas naquela data. Em 23 de maio de 1926, foi promulgada a constituição libanesa, de inspiração francesa, criando a parlamentarista República Libanesa, ainda sob mandato da França, tendo como primeiro presidente Charles Dabbas.
Primeiras décadas de independência
Em 1945, o país dos cedros foi membro-fundador da Liga Árabe e da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1949, o presidente El-Khouri, fortemente rejeitado pela população, sofreu uma tentativa de golpe por parte do Partido Social Nacionalista Sírio e renunciou em setembro de 1952, sendo substituído por Camille Chamoun. Após o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, pode-se dizer que o mandato francês foi encerrado sem qualquer ação formal por parte da Liga das Nações ou de sua sucessora, as Nações Unidas. O mandato francês foi encerrado, seguido por um processo de reconhecimento incondicional por outros poderes, culminando com a admissão formal do novo Estado nas Nações Unidas.
Guerra civil e ocupação síria
Em 1975, após o aumento das tensões sectárias, em grande parte impulsionadas pela realocação de militantes palestinos da OLP no sul do Líbano, uma guerra civil em grande escala eclodiu e opôs uma coalizão de grupos cristãos contra as forças conjuntas da OLP, drusos de esquerda e milícias muçulmanas. Em junho de 1976, o presidente libanês Elias Sarkis pediu que o Exército da Síria interviesse ao lado dos cristãos e ajudasse a restaurar a paz. Em outubro de 1976, a Liga Árabe concordou em estabelecer uma Força Árabe de Dissuasão predominantemente síria, que foi encarregada de restaurar a calma. Os ataques da OLP a partir do Líbano e contra Israel em 1977 e 1978 aumentaram as tensões entre os dois países. Em 11 de março de 1978, onze combatentes do Fatah chegaram a uma praia no norte de Israel e sequestraram dois ônibus cheios de passageiros na estrada Haifa e Tel Aviv, atirando em veículos que passavam, no que ficou conhecido como o Massacre da Estrada Costeira. Eles mataram 37 pessoas e feriram outros 76 israelenses antes de serem mortos em um tiroteio com as forças de segurança israelenses. Quatro dias após o ataque, Israel invadiu o Líbano na Operação Litani. O Exército de Israel ocupou a maior parte da área ao sul do Rio Litani. O Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 425 pedindo a retirada israelense imediata e criando a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), para tentar estabelecer a paz.
O país possui um território de 10 452 quilômetros quadrados, dos quais 10 230 quilômetros quadrados são em terra. O Líbano tem um litoral de 225 km ao longo do mar Mediterrâneo a oeste, uma fronteira de 375 km que compartilha com a Síria ao norte e oeste, além de uma fronteira de 79 km de comprimento com Israel ao sul. A fronteira ocupada por Israel nas colinas de Golã é disputada pelo Líbano em uma pequena área chamada Fazendas de Shebaa. As montanhas do Líbano são drenadas por córregos sazonais e rios, sendo que o mais importante é o rio Litani, com 145 quilômetros, que sobe no vale do Beqaa ao oeste de Balbeque e deságua no mar Mediterrâneo ao norte de Tiro. O Líbano possui 16 rios, que não são navegáveis; 13 rios nascem na face oeste das partes altas do país e correm através de desfiladeiros íngremes e para o mar Mediterrâneo, os outros três surgem no Vale do Beca. Alguns dos fenômenos que atualmente atingem o meio-ambiente são erosão do solo, desertificação, poluição do ar devido ao tráfego de automóveis em Beirute e devido à queima de resíduos industriais, poluição de águas costeiras. Alguns dos acordos internacionais que Líbano assinou incluem o da biodiversidade, da mudança climática, desertificação, resíduos tóxicos, lei do mar, proteção da camada de ozônio e poluição marítima. O Líbano é o mais florestado dos países mediterrâneos. Cresce nas montanhas várias árvores da espécie azinheiras, além de vários tipos de coníferas e, cada vez mais raras, o cedro-do-líbano. Muitas árvores frutíferas crescem nas costas.
Relevo
De modo geral, no ponto de vista do relevo, o território libanês pode ser dividido em quatro zonas: uma estreita planície litorânea ao longo da costa, no Mar Mediterrâneo, a cordilheira do Monte Líbano, o vale do Bekaa e a cordilheira do Anti-Líbano, paralelas ao Monte Líbano. A planície litorânea é estreita e não é contínua e quase desaparece em alguns trechos, sendo formada por aluviões fluviais e sedimentos marinhos, alternando de modo abrupto com praias rochosas e baías arenosas, sendo os solos normalmente férteis. A cordilheira do Monte Líbano, elevando-se abruptamente desde a costa, forma uma crista de calcário e arenito e possui uma extensão norte-sul de 160 km e leste-oeste variando de 10 a 60 km. O ponto mais alto dessa cadeia de montanhas e do Líbano é o Qurnat as-Sawda, com 3088 m de altitude, em cuja sombra crescem os cedros do Líbano, árvore-símbolo do país. A cordilheira então abaixa gradualmente conforme se vai para o sul, formando as Montanhas Shuf e as Colinas da Galileia, esta última já em Israel.
Clima
O Líbano tem um clima mediterrâneo moderado. Nas zonas costeiras, os invernos são geralmente frios e chuvosos, enquanto os verões são quentes e secos. Nas áreas mais elevadas, as temperaturas costumam cair abaixo de zero durante o inverno com cobertura de neve pesada que permanece até o início do verão no topo das montanhas mais altas. Embora a maior parte do país receba uma quantidade relativamente grande de chuvas, quando medido em comparação ao ano ao seu entorno árido, algumas áreas no nordeste do Líbano tem baixos índices pluviométricos por conta dos altos picos da cordilheira ocidental, que impendem a chegada das chuvas.
Meio ambiente
Nos tempos antigos, o Líbano era coberto por grandes florestas de cedros, o emblema nacional do país. Milênios de desmatamento alteraram a hidrologia no Monte Líbano e mudaram o clima regional adversamente. Em 2012, as florestas cobriam 13,4% da área de terras libanesas; elas estavam sob constante ameaça de incêndios florestais causados pela longa estação seca de verão. Como resultado da exploração de longa data, poucos cedros antigos permanecem em bolsões de florestas no Líbano, mas existe um programa ativo para conservar e regenerar as florestas. A abordagem libanesa enfatizou a regeneração natural sobre o plantio, criando as condições certas para germinação e crescimento. O Estado libanês criou várias reservas naturais que contêm cedros, incluindo a Reserva da Biosfera de Xufe, a Reserva Jaj Cedar, a Reserva Tannourine, as Reservas Ammouaa e Karm Shbat no distrito de Akkar e a Floresta dos Cedros de Deus perto de Bsharri. O Líbano teve uma pontuação média do Índice de Integridade da Paisagem Florestal em 2019 de 3,76/10, classificando-o em 141º lugar globalmente entre 172 países.
No total o estado reconhece a existência de dezoito comunidades religiosas. Cerca de 59,7% dos libaneses são muçulmanos e 39% cristãos (divididos por entre os grupos enunciados). A população total do Líbano é estimada em 6,9 milhões de pessoas, em 2018; contudo, não há registros oficiais feitos desde 1932 devido a questões políticas de cunho religioso e sectário.
Religiões
O Líbano é o país com a maior diversidade religiosa no Oriente Médio. Em 2014, o CIA World Factbook estimou que a população libanesa era composta por 54% de muçulmanos (27% islamismo xiita e 27% sunita), 40,4% de cristãos (inclui 21% católicos maronitas, 8% ortodoxos gregos, 5% greco-católicos, 1% protestante e 5,5% outros cristãos), 5,6% de drusos, além de um número muito pequeno de judeus, bahá'ís, budistas e hindus. Um estudo realizado pelo governo libanês e com base em números de registo dos eleitores mostra que, até 2011, a população cristã estava estável comparada com a de anos anteriores, perfazendo 34,35% da população; muçulmanos e drusos eram 65,47% da população.
Composição étnica e linguística
Segundo a Britannica, em 2000, a composição étnica do Líbano era de 84,5% árabes (71,2% árabes libaneses, 12,1% palestinos, 1,2% outros árabes), 6,8% armênios, 6,1% curdos e 2,6% outras etnias. Os percentuais hoje são diferentes, pois o país acolheu centenas de milhares de refugiados da Síria, por causa da Guerra Civil Síria. Em 2022, haviam em território libanês 840 mil refugiados sírios e 480 mil refugiados palestinos. O artigo 11 da Constituição do Líbano afirma que o árabe é a língua oficial nacional. A lei determina casos em que a língua francesa deve ser usada. A maioria dos libaneses fala o árabe libanês, enquanto idioma árabe moderno padrão é usado principalmente em revistas, jornais e meios de transmissão formais. A Língua de Sinais Libanesa é a língua da comunidade surda do país. Quase 40% dos libaneses são considerados francófonos e outros 15% "francófonos parciais", além de 70% das escolas secundárias do Líbano usarem o francês como segunda língua de instrução. Em comparação, o inglês é usado como uma língua secundária em 30% das escolas secundárias do país. O uso do francês é um legado de laços históricos da França na região, como o Mandato da Sociedade das Nações sobre o Líbano e comandado por franceses após a Primeira Guerra Mundial; em 2004, cerca de 20% da população usava o francês diariamente. O uso do árabe por jovens educados no Líbano está em declínio, visto que eles preferem falar em francês e inglês. O inglês é cada vez mais usado nas ciências e e interações econômicas. Em 2007 a presença do inglês no Líbano aumentou. Os cidadãos libaneses de ascendência armênia, grega ou curda muitas vezes falam em armênio, grego ou curdo, com diferentes graus de fluência. Em 2009, havia cerca de 150 mil armênios no Líbano, ou cerca de 5% da população.
O Líbano é uma democracia parlamentar regida pela constituição de 23 de maio de 1926, que foi alvo de várias emendas, a mais importante das quais ocorreu em 1989. Esta constituição consagra a divisão do poder em três ramos, o executivo, legislativo e judicial. Segundo a lei, os cargos de presidente, primeiro-ministro e porta-voz do parlamento devem ser ocupados respectivamente por um cristão maronita, por um muçulmano sunita e por um muçulmano xiita. O poder executivo recai sobre o presidente da República Libanesa, que nomeia para tal função o primeiro-ministro e o resto do Gabinete, nos quais exercem dita função, reservando-se ao Presidente da República amplas competências. A Assembleia Nacional elege o presidente por períodos de seis anos. O poder legislativo é exercido pela Assembleia Nacional (em árabe: Majlis Alnuwab; em francês: Assemblee Nationale) composta por 128 membros eleitos por sufrágio universal para um poder de quatro anos.
Direitos humanos
Os trabalhadores domésticos no Líbano, principalmente mulheres na faixa dos 20-30 anos provenientes da Etiópia, Nigéria, Sri Lanka e Filipinas, são frequentemente obrigados a trabalhar longas horas, são abusados e não pagos. Uma série de alegados suicídios por empregadas domésticas algumas semanas antes de dezembro de 2009, ao enforcarem-se ou ao caírem das varandas, chamou a atenção internacional da CNN. O sistema kafala não permite que os trabalhadores estrangeiros abandonem o país sem a autorização dos seus empregadores. Algumas mulheres são vendidas como escravas, segundo relatos. O abuso enfrentado pelos trabalhadores domésticos migrantes é um problema comum em todo o Médio Oriente árabe, tanto devido a uma regulamentação laboral deficiente como devido a preconceitos culturais.
Forças armadas
As Forças Armadas Libanesas (FAL) tem 72 mil soldados ativos, incluindo 1100 na força aérea e 1000 na marinha. As principais missões das forças armadas libanesas incluem defender o Líbano e os seus cidadãos contra a agressão externa, a manutenção da estabilidade interna e de segurança, confrontando as ameaças contra os interesses vitais do país, engajando-se em atividades de desenvolvimento social, e realizar operações de socorro, em coordenação com as instituições públicas e humanitárias. O Líbano é um grande receptor de ajuda militar estrangeira. Com 400 milhões de dólares, desde 2005, é o segundo maior receptor de ajuda militar per capita dos Estados Unidos, depois de Israel.
Relações internacionais
O Líbano concluiu negociações sobre um acordo de associação com a União Europeia no final de 2001, e ambos os lados rubricaram o acordo em janeiro de 2002. O país está incluído na Política Europeia de Vizinhança (PEV), que visa aproximar a UE e seus vizinhos. A UE adoptou um Documento de Estratégia por País para o Líbano 2007-2013 e um Programa Indicativo Nacional 2007-2010. A assistência prestada foi reorientada após a Segunda Guerra do Líbano, a fim de se engajar em uma ajuda real para o governo e a sociedade na reconstrução e reforma do país. A UE é o maior parceiro comercial do Líbano, respondendo por um terço das suas importações em 3,9 bilhões de euros em 2008. As exportações libanesas para a UE totalizaram 0,36 bilhão de euros; principalmente produtos manufaturados (66%).
O Líbano divide-se em nove províncias (em árabe: muhafazat; singular muhafazah), que são subdivididos em 25 distritos (aqdyah, em árabe: أقضية; singular qadā o caza, ضاء). Os próprios distritos também são divididos em vários municípios, cada um incluindo um grupo de cidades ou vilas. Beirute é a menor de todas em extensão (19,8 km² e que tem como capital a própria cidade de Beirute), mas que é a mais populosa, industrializada e rica de todo o país, além de ser centro financeiro e turístico de todo o Oriente Médio. Duas novas províncias, chamadas Aakkâr e Baalbek-Hermel, foram criadas em 2007, e uma em 2017, Keserwan-Jbeil.
A economia do Líbano segue um modelo laissez-faire. A maior parte da economia está dolarizada e o país não tem restrições à circulação de capitais através de suas fronteiras. A intervenção do governo libanês no comércio exterior é mínima. A nação tem um nível muito elevado de dívida pública e grandes necessidades de financiamento externo. A dívida pública em 2010 ultrapassou 150,7% do PIB, ocupando o quarto lugar mais alto do mundo em termos de percentagem do PIB, embora abaixo dos 154,8% registrados em 2009. A população urbana do país é conhecida pelo seu empreendedorismo comercial. A emigração rendeu "redes comerciais" libanesas por todo o mundo. As remessas dos libaneses no exterior totalizam 8,2 bilhões dólares e são responsáveis por um quinto da economia do país. O Líbano tem a maior proporção de mão de obra qualificada do mundo árabe. O setor agrícola emprega 12% da força de trabalho total. A agricultura contribuiu para 5,9% do PIB do país em 2011. A proporção de terras cultiváveis do país é a mais alta no mundo árabe, Os principais produtos agrícolas do país incluem maçãs, pêssegos, laranjas e limões.
Turismo
A indústria do turismo é responsável por cerca de 10% do PIB do país. O Líbano conseguiu atrair cerca de 1,3 milhão de turistas em 2008, assim colocando-a como 79ª posição entre 191 países. Em 2009, o The New York Times classificou a cidade de Beirute como um importante destino de viagem em todo o mundo devido a sua vida noturna e hospitalidade. Em janeiro de 2010, o Ministério do Turismo anunciou que 1 851 081 turistas visitaram o Líbano em 2009, um aumento de 39% em relação a 2008. Em 2009, o Líbano recebeu o maior número de turistas até o momento, superando o recorde anterior, estabelecido antes da Guerra Civil Libanesa. As chegadas de turistas chegaram a 2 milhões em 2010, mas caiu de 37% para os primeiros 10 meses de 2012, uma queda causada pela guerra civil na vizinha Síria.
Transportes
O Líbano possui poucos aeroportos, são alguns poucos militares, algumas bases aéreas em algumas cidades, e o principal do país, o único internacional da nação, o Aeroporto Internacional de Beirute, rebatizado após o atentado que matou o ex-primeiro-ministro do país e passou a se chamar Aeroporto Internacional de Beirute. Moderno, o aeroporto atende a grandes empresas aéreas do mundo, e é parada de escala para grande números de voos que vão de países do Ocidente para países do Extremo Oriente e Oriente Médio.[carece de fontes?] O Líbano possui vários portos por seu litoral, porém três merecem maior destaque. Sídon, no sul do Líbano: seu porto é também chamado de porto petrolífero, já que atende os países produtores de petróleo no comércio e na exportação de produtos desses países para a União Europeia e Estados Unidos. Trípoli, no norte do Líbano: importante porto do norte do país, atende mercadorias em geral, porém não possui a mesma magnitude que o porto da capital. Beirute, a capital e maior cidade do Líbano. Além de Beirute ser a porta de entrada do Líbano por via aérea, é também por mar, já que possui o maior e o mais bem equipado porto de todo o país, é também considerado o porto mais movimentado do Mediterrâneo Oriental.[carece de fontes?]
Educação
O Líbano foi classificado globalmente no Relatório Global de Tecnologia da Informação de 2013 do Fórum Econômico Mundial como o quarto melhor país para educação em matemática e ciências e como o décimo melhor global para a qualidade da educação. Na qualidade das escolas de gestão, o país ficou em 13º lugar no mundo. As Nações Unidas atribuíram ao Líbano um índice de educação de 0,871 em 2008. O índice, que é determinado pela taxa de alfabetização de adultos e o índice combinado de matrícula primária, secundária e terciária, classificou o país 88º entre os 177 países participantes. Todas as escolas libanesas são obrigadas a seguir um currículo prescrito, elaborado pelo Ministério da Educação. Algumas das 1400 escolas privadas oferecem o Programa Internacional de Bacharelado Internacional e também podem adicionar mais cursos ao currículo com a aprovação do Ministério da Educação. Os primeiros oito anos de educação são, por lei, obrigatórios.
Saúde
Em 2010, os gastos com saúde representaram 7,03% do PIB do país. Em 2009, havia 31,29 médicos e 19,71 enfermeiros para cada grupo de 10 000 habitantes. A expectativa de vida no nascimento foi de 72,59 anos em 2011, ou 70,48 anos para homens e 74,80 anos para mulheres. No final da guerra civil, apenas um terço dos hospitais públicos do país eram operacionais, cada um com uma média de apenas 20 leitos. Em 2009, o país tinha 28 hospitais públicos, com um total de 2 550 camas. Nos hospitais públicos, os pacientes hospitalizados não segurados pagam 5% da conta, em comparação com 15% em hospitais privados, com o Ministério da Saúde Pública reembolsando o restante. O Ministério da Saúde Pública conta com 138 hospitais privados e 25 hospitais públicos.
A cultura do Líbano reflete o legado de várias civilizações de milhares de anos. Originalmente lar dos cananeus-fenícios, e posteriormente conquistada e ocupada pelos assírios, persas, gregos, romanos, árabes, fatímidas, cruzados, turcos otomanos e, mais recentemente, franceses, a cultura libanesa evoluiu tomando emprestado de todos esses grupos. A população diversificada do Líbano, composta de diferentes grupos étnicos e religiosos, tem contribuído ainda mais para os festivais, estilos musicais e literatura do país, bem como a culinária. Apesar da diversidade étnica, linguística, religiosa e denominacional dos libaneses, eles "compartilham uma cultura quase comum". O árabe libanês é universalmente falado, enquanto a comida, a música e a literatura estão profundamente enraizadas "nas normas mais amplas do Mediterrâneo e do Levante árabe".
Música, literatura e artes visuais
Enquanto a música folclórica tradicional permanece popular no Líbano, a música moderna reconcilia os estilos árabe tradicional, pop e fusão estão rapidamente avançando em popularidade. Artistas libaneses como Fairuz, Wadih El Safi, Sabah, ou Najwa Karam são amplamente conhecidos e apreciados no Líbano e no mundo árabe. As estações de rádio apresentam uma variedade de músicas, incluindo melodias tradicionais libanesas, árabes clássicas, armênias, francesas, inglesas, americanas e latinas. Na literatura, Khalil Gibran é o terceiro poeta mais vendido de todos os tempos, atrás de Shakespeare e Laozi. Ele é particularmente conhecido por seu livro O Profeta (1923), que foi traduzido para mais de vinte idiomas diferentes e é o segundo livro mais vendido no século XX, atrás apenas da Bíblia.
Cinema e mídia
O cinema do Líbano, segundo o crítico e historiador Roy Armes, era o único cinema do mundo árabe, além do dominante cinema egípcio, que poderia equivaler a um cinema nacional. O cinema libanês existe desde 1920, e o país já produziu mais de 500 filmes. A mídia do Líbano não é apenas um centro regional de produção, mas também a mais liberal e livre do mundo árabe. De acordo com Repórteres Sem Fronteiras "a mídia tem mais liberdade no Líbano do que em qualquer outro país árabe". Apesar de sua pequena população e tamanho geográfico, o Líbano desempenha um papel influente na produção de informações no mundo árabe e está "no centro de uma rede de mídia regional com implicações globais".
Culinária
A culinária libanesa inclui uma abundância de grãos, frutas, vegetais, peixes frescos e frutos do mar. Aves são consumidas com mais frequência do que carne vermelha, e quando a carne vermelha é consumida, geralmente é carne de cordeiro e cabra. Também inclui grandes quantidades de alho e azeite, geralmente temperado com suco de limão. O grão de bico e a salsa também são alimentos básicos da dieta libanesa. Pratos saborosos bem conhecidos incluem baba ghanoush, um molho feito de berinjela grelhada no carvão; faláfel, pequenas bolas fritas ou rissóis feitos de grão-de-bico muito condimentado, favas ou uma combinação dos dois; e shawarma, um sanduíche com carne marinada no espeto e cozida em grandes varas. Um componente importante de muitas refeições libanesas é o homus, um molho ou pasta feito de grão de bico misturado, tahine, suco de limão e alho, geralmente comido com pão ázimo.
Esportes
O Líbano possui seis estações de esqui. Devido à geografia única do Líbano, é possível esquiar pela manhã e nadar no Mar Mediterrâneo à tarde No nível competitivo, basquete e futebol estão entre os esportes mais populares do Líbano. Canoagem, ciclismo, rafting, escalada, natação, vela e espeleologia estão entre os outros esportes de lazer comuns. A Maratona de Beirute é realizada todo outono, atraindo os melhores corredores do Líbano e de outros países. O futebol também está entre os esportes mais populares e participam do Campeonato Libanês de Futebol os clubes mais bem-sucedidos, como o Al-Ansar Sporting Club e o Nejmeh SC, com jogadores notáveis como Roda Antar e Youssef Mohamad, o primeiro árabe a ser capitão de uma equipe europeia. A Seleção Libanesa de Basquetebol Masculino se classificou para o Campeonato Mundial da Fiba três vezes consecutivas.


