A Revolução Sexual
A Revolução Sexual, publicado originalmente em 1936 com o subtítulo 'Para a Reestruturação Socialista dos Humanos', é uma obra seminal de Wilhelm Reich. O livro explora a crise da moral social burguesa e as tentativas de reforma sexual que, segundo Reich, mantinham a estrutura capitalista e a ideologia familiar tradicional. A segunda parte da obra analisa a história da revolução sexual na União Soviética a partir de 1922, destacando a resistência que enfrentou sob Stalin no final dos anos 1920.
Pontos-chave
- O livro analisa a repressão da sexualidade natural pelo Estado autoritário.
- Reich associa o Estado autoritário ao capitalismo e à família patriarcal.
- A obra original defendia a rejeição da família como instituição.
- Edições posteriores foram alteradas para suavizar a orientação revolucionária e comunista.
- As neuroses sexuais são vistas como resultado da supressão da sexualidade natural.
A edição de 1945 alterou o título original 'Sexualidade no Esforço Cultural' para 'A Revolução Sexual', mudando a perspectiva e a metodologia do trabalho. O subtítulo também foi modificado para 'Em Direção a uma Estrutura Autorreguladora'. Edições posteriores sofreram alterações de terminologia e conteúdo, incluindo omissões e mudanças para disfarçar a orientação comunista e revolucionária, a fim de não ofender o público americano. Enquanto a edição de 1936 rejeitava a família como instituição, as versões amenizadas apenas criticavam a estrutura familiar autoritária, propondo uma forma mais natural de família. Termos relacionados à religião, classes sociais, política de esquerda, burguesia, família, moralidade, sexualidade e proletariado também foram afetados.
Na primeira parte do livro, Wilhelm Reich argumenta que as neuroses sexuais surgem da falta de satisfação da sexualidade natural, que é suprimida por um Estado autoritário. Este Estado, caracterizado como capitalista e fundamentado na unidade da família patriarcal, onde o pai detém autoridade absoluta, utiliza o conservadorismo e o moralismo anti-sexual como ferramentas de repressão. Essa supressão não só impede a expressão dos desejos naturais, mas também leva à criação de desejos sexuais neuróticos e doentios. Reich descreve um ciclo de retroalimentação onde a repressão dos desejos naturais fortalece o poder do Estado autoritário.


