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Cavalo de Troia

O Cavalo de Troia foi um grande cavalo de madeira supostamente construído pelos gregos durante a Guerra de Troia, como um estratagema decisivo para a conquista da cidade fortificada de Troia, cujas ruínas estão em terras hoje turcas. Tomado pelos troianos como um símbolo de sua vitória, foi carregado para dentro das muralhas, sem saberem que em seu interior se ocultava o inimigo. À noite, guerreiros saem do cavalo, dominam as sentinelas e possibilitam a entrada do exército grego, levando a cidade à ruína.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Sinopse

A guerra descrita por Homero foi recontada por vários outros autores, antigos e modernos, que introduziram variações e expandiram a história, mas em resumo o episódio do cavalo é como segue: Os gregos se haviam coligado para assaltarem Troia e recuperar Helena, esposa raptada de Menelau, rei de Esparta. Depois de um penoso e frustrante cerco de nove anos, a cidade permanecia inexpugnada, protegida por altas muralhas, e aparentemente assim permaneceria. Ambos os lados contavam com o auxílio de deuses. Atena, deusa da sabedoria, favorecia os gregos, especialmente Odisseu. Este teria tido a ideia de criar o cavalo, e incumbiu Epeu da tarefa, sendo ajudado por Atena. O cavalo foi construído com madeira, possuindo um interior oco, onde um grupo de guerreiros deveria se esconder. Simulando uma retirada, os gregos deixam o cavalo às portas da cidade e se ocultam na ilha de Tenedos. Um grego, Sinon, deixa-se capturar e, com ardis, induz os troianos a levarem o cavalo para dentro da cidade, o que fazem em meio a uma grande festa. À noite, quando a cidade dorme, os gregos saem do cavalo e facilitam a entrada de seu exército, que finalmente captura, saqueia e destrói o baluarte.

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Fontes literárias

O Cavalo de Troia foi mencionado pela primeira vez na Odisseia de Homero, em breves referências. Uma cena se passa no palácio de Menelau, que oferece um banquete de núpcias para seu filho e sua filha, que casavam na mesma ocasião. Em meio à festa, chega Telêmaco, que procurava seu pai Odisseu, e senta ao lado de Menelau, acompanhado de Pisístrato. Nisso entra no salão Helena. O grupo, entristecido, começava a relembrar a Guerra de Troia, quando Helena toma a palavra e lhes conta suas memórias. Depois disso Menelau, confirmando o que ela contara, falou do cavalo, dizendo: "Sim, em tudo isso, esposa, disseste a verdade. Eu que viajei muito e cheguei a conhecer muitos heróis, nunca meus olhos viram alguém como Odisseu. Que perseverança, e que coragem ele mostrou dentro do cavalo de madeira, onde estavam todos os mais bravos dos argivos esperando para levar a morte e a destruição aos troianos. Naquele momento vieste a nós; algum deus que amava os troianos te mandou, trazendo contigo Deífobo. Três vezes tu andaste em volta do nosso esconderijo; tu chamaste nossos capitães cada qual por seu nome, imitando as vozes de suas esposas - Diomedes, Odisseu e eu, de nossos assentos, ouvimos o que dizias. Diomedes e eu não conseguíamos decidir se devíamos sair, ou se responder, mas Odisseu nos impediu, de modo que permanecemos em silêncio, exceto Ânticlo, que estava prestes a falar-te, quando Odisseu tapou-lhe a boca com suas mãos. Isso nos salvou a todos, até que Atena te fez ir embora".

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Interpretações

Embora seja bastante possível que a Guerra de Troia tenha ocorrido, o famoso cavalo, na forma como ele foi descrito pelos antigos, provavelmente é uma lenda, mas pode ter sido algum aparato real transformado fantasiosamente pela tradição. Na Antiguidade o "cavalo" era uma derivação de uma máquina de guerra, o aríete, muitas vezes construído na forma de um animal. Os assírios costumavam usar máquinas deste tipo, e é possível que o exemplo tenha sido tomado pelos gregos. Também foi interpretado como uma metáfora de um terremoto, uma das causas possíveis apontadas para a destruição da Troia histórica, considerando que Poseidon era o deus dos cavalos, do oceano e dos terremotos. Outra sugestão é que o cavalo na verdade era um barco, e foi assinalado que os termos usados para colocar os homens no seu interior eram os mesmos que descreviam o embarque da tripulação de navios. Na tradição clássica os navios são às vezes chamados "cavalos do mar". Na Odisseia, Penélope, lamentando a ausência de Telêmaco, diz: "Por que meu filho me deixou? O que tinha ele de fazer para viajar em navios que jornadeiam longamente sobre o mar, como cavalos marinhos?". Na comédia Rudens, Plauto diz: "Você é carregado pelas estradas cerúleas (o mar) sobre um cavalo de madeira (navio)".

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Iconografia e cultura popular

Uma das mais antigas representações do Cavalo de Troia é encontrada no chamado Vaso de Míconos (ilustrado na abertura deste artigo), datado do século VIII a.C.. Outros achados mais ou menos da mesma época, como uma fíbula em bronze da Beócia, e cerâmicas procedentes de Atenas e Tenos, todos fragmentários, são similares no desenho, e podem se referir a protótipos bem mais antigos, como os aparatos de guerra assírios, com um desenho zoomórfico e quadrúpede, rodas e janelas. Guerreiros armados se colocavam no centro da máquina e usavam sua cabeça elevada para escalar muralhas, enquanto outros manipulavam um aríete na parte inferior. O motivo se tornou popular entre gregos, helenistas e romanos, sendo encontrado em inúmeras variações em vasos, relevos, gemas e pinturas, incluindo iluminuras, como a que consta no manuscrito Virgílio Romano. Em Atenas existiu uma gigantesca estátua em bronze do famoso cavalo, obra de Strongylion, instalada no santuário de Ártemis Braurônia da Acrópole, que mostrava vários guerreiros em seu interior, da qual ainda sobrevive o pedestal, e Polignoto o representou em um grande mural no Estoa Pintado.

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Fontes consultadas

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