Archibald MacLeish
Archibald MacLeish foi uma figura multifacetada, reconhecido como poeta modernista, bibliotecário da Biblioteca do Congresso e vencedor de três prêmios Pulitzer. Sua vida foi marcada por uma transição do direito para a literatura, um período de exílio na França e um notável serviço público, onde defendeu as artes e a cultura.
Pontos-chave
- Archibald MacLeish foi um poeta modernista e bibliotecário da Biblioteca do Congresso, laureado com três prêmios Pulitzer.
- Abandonou uma promissora carreira jurídica para se dedicar integralmente à poesia, exilando-se em Paris e convivendo com grandes nomes literários.
- Sua nomeação como Bibliotecário do Congresso por Franklin Roosevelt foi controversa, mas ele demonstrou grande capacidade de liderança e visão.
- Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou em funções de propaganda e relações públicas, além de participar da criação da UNESCO.
- MacLeish foi fundamental na promoção das artes e bibliotecas, estabelecendo o modelo para o cargo de Poeta Laureado dos EUA.
A trajetória de MacLeish abrange desde seus primeiros anos e formação acadêmica até sua decisão de abandonar o direito pela poesia, seu período de exílio na França e seu engajamento político e público.
Primeiros Anos e Formação
Nascido em Glencoe, Illinois, Archibald MacLeish cresceu à beira do Lago Michigan. Filho do mercador escocês Andrew MacLeish e da professora universitária Martha Hillard, ele frequentou a renomada Hotchkiss School (1907-1911) e a Universidade Yale, onde se formou em Letras. Seus estudos foram interrompidos pela Primeira Guerra Mundial, na qual serviu como motorista de ambulância e, posteriormente, como capitão de artilharia de campo. Após a guerra, formou-se em Direito na Harvard Law School, destacando-se como o primeiro da sua classe. Apesar do foco no Direito, começou a escrever poesia nesse período. Casou-se com Ada Hitchcock em 1916 e lecionou Direito por um semestre em Harvard em 1919. Trabalhou brevemente como editor do jornal The New Republic e, em seguida, como advogado em Boston. Contudo, a advocacia o afastava de sua paixão pela poesia, levando-o a se demitir em 1923, no mesmo dia em que foi promovido a sócio em seu escritório.
O Período de Exílio em Paris
Em 1923, MacLeish e sua família se mudaram para a França, onde ele pôde se dedicar exclusivamente à escrita. Em Paris, ele se integrou a uma vibrante comunidade de intelectuais exilados, que incluía nomes como Gertrude Stein, Kay Boyle, Ernest Hemingway e Ezra Pound. Também fez parte do círculo social de Gerald e Sarah Murphy, frequentado por figuras como Zelda e F. Scott Fitzgerald, John Dos Passos, Fernand Léger, Jean Cocteau, Pablo Picasso, John O'Hara, Cole Porter, Dorothy Parker e Robert Benchley. Durante os quatro anos seguintes, publicou quatro livros de poesia, entre eles 'The Happy Marriage and Other Poems' (1924) e 'The Pot of Earth' (1925). Retornou aos Estados Unidos em 1928. De 1930 a 1938, trabalhou como escritor e editor para a revista Fortune, período em que também intensificou seu ativismo político, especialmente contra o fascismo. Na década de 1930, ele chegou a declarar que o capitalismo estava 'simbolicamente morto', explorando o tema em sua peça teatral em versos 'Panic' (1935).
Bibliotecário do Congresso: Um Desafio Político
Archibald MacLeish é considerado uma das cem figuras mais influentes na Biblioteconomia do século XX nos Estados Unidos. Sua carreira em bibliotecas e no serviço público não foi uma escolha inicial, mas sim o resultado da insistência de seu amigo Felix Frankfurter e da decisão do Presidente Franklin Roosevelt. A nomeação de MacLeish por Roosevelt foi controversa e politicamente desafiadora. Primeiro, o então bibliotecário Herbert Putnam, que serviu por quarenta anos, precisou ser persuadido a se aposentar, sendo nomeado bibliotecário emérito. Além disso, Roosevelt buscava alguém com sensibilidade política alinhada para promover o New Deal e apoiar sua candidatura a um terceiro mandato. A profissão de poeta e o exílio em Paris geraram desconfiança entre os republicanos. Por fim, a falta de um diploma ou treinamento em Biblioteconomia irritou a comunidade bibliotecária, especialmente a Associação Americana de Bibliotecas. Apesar desses obstáculos, Roosevelt e Frankfurter acreditaram que a combinação do amor de MacLeish pela literatura com suas habilidades de organização e motivação, demonstradas em sua carreira jurídica, eram exatamente o que a Biblioteca do Congresso precisava.
Serviço na Segunda Guerra Mundial
Durante a Segunda Guerra Mundial, MacLeish desempenhou um papel crucial como diretor assistente do Escritório de Informações do Departamento de Guerra. Seu trabalho nesse período envolvia a produção de propaganda, uma função que se alinhava perfeitamente com seu talento poético e seu histórico de trabalhos politicamente motivados na década anterior. Por um ano, ele serviu como secretário assistente de Relações Públicas. Posteriormente, representou os Estados Unidos na criação da UNESCO. Após essas contribuições, ele se aposentou da vida pública para se dedicar à Academia.
Retorno à Escrita e Academia
Apesar de ter debatido os méritos do Marxismo, MacLeish foi alvo de anticomunistas como J. Edgar Hoover e Joseph McCarthy nas décadas de 1940 e 1950. Isso se deveu em grande parte ao seu envolvimento com organizações de esquerda, como a Liga dos Escritores Americanos, e suas amizades com proeminentes escritores de esquerda. Em 1949, MacLeish tornou-se professor de oratória e retórica em Harvard, cargo que ocupou até sua aposentadoria em 1962. Em 1959, sua peça 'J.B.' foi premiada com o Pulitzer de teatro. Entre 1963 e 1967, lecionou como professor convidado na Faculdade Amherst. Por volta de 1969/70, ele conheceu Bob Dylan, que descreveu o encontro no terceiro capítulo de suas crônicas.
O legado de MacLeish reside em seu incansável trabalho para promover as artes, a cultura e, especialmente, as bibliotecas. Ele foi o primeiro bibliotecário do Congresso a iniciar o processo que levou à criação do cargo de Poeta Laureado dos Estados Unidos, demonstrando uma visão que transcendia conflitos pessoais em prol da excelência artística.


