Claudia Raia
Maria Claudia Motta Raia é uma atriz, bailarina e produtora teatral brasileira. Reconhecida como "Rainha dos Musicais" pela sua contribuição com o teatro nacional, é recordista no Prêmio Bibi Ferreira. Célebre também por suas performances na televisão e no cinema desde o início da década de 1980, é ganhadora de vários prêmios, incluindo dois Prêmios APCA, um Troféu Imprensa e dois Prêmios Qualidade Brasil.
Nascida em Campinas, interior do estado de São Paulo, em 23 de dezembro de 1966, Maria Claudia Motta Raia é oriunda de uma família com ascendência italianae portuguesa, da região de Trás-os-Montes e Alto Douro. É filha de Odete Motta Raia e Mário Raia. Desde a infância, Claudia se interessou pelo mundo artístico e da moda. Aos dez anos de idade, posou pela primeira vez como manequim do costureiro Clodovil Hernandes. Sempre aparentou ter maior idade em sua infância e adolescência. Aos onze anos fez um tratamento para controlar o excesso de crescimento; aos treze anos de idade já estava com 1,70 metro de altura, e isto a fazia se considerar "desengonçada". Raia iniciou sua vida profissional como bailarina ainda muito jovem. No início de sua carreira, dançou profissionalmente nos Estados Unidos e na Argentina, onde foi admitida no Teatro Colón. Aos treze anos de idade, ganhou uma bolsa de estudos em Nova Iorque para estudar balé. A atriz permaneceu no país norte-americano por quatro anos e voltou ao Brasil para desenvolver sua carreira artística. Durante sua estada em Nova Iorque, morou na casa de um coreógrafo considerado "de confiança" por sua família. No entanto, após um mês e meio de convivência, sofreu uma tentativa de abuso sexual do coreógrafo.
1983–89: Primeiros trabalhos como atriz
Enquanto lutava para se estabelecer na carreira artística, Cláudia começou a realizar testes de elenco para grandes companhias de teatro e espetáculos. Ela então conquistou o papel de "Sheila" na versão brasileira do musical A Chorus Line, personagem que tinha 18 anos a mais que ela à época. O espetáculo, sobre dançarinos da Broadway que participam da seleção por um lugar na linha de coro de um novo musical, foi um sucesso de crítica e público e Raia despontou no papel de uma dançarina sexy já de idade mais avançada, que conta de sua infância infeliz. Durante as apresentações de A Chorus Line, ela foi assistida pelo ator Jorge Dória, que se encantou por sua performance no palco e a indicou para Cecil Thiré, que na época dirigida o programa humorístico Viva o Gordo. Claudia foi convidada para integrar o elenco da atração estrelada por Jô Soares, marcando sua estreia na televisão. A atriz aparecia no papel de "Carola" na esquete "Vamos Malhar", contracenando com Jô. Permaneceu no show até 1985, quando então foi convidada para atuar em sua primeira novela, Roque Santeiro (1985), no papel da dançarina "Ninon". Embora o papel tenha sido coadjuvante, Cláudia logo caiu nas graças do público e da crítica, sendo eleita a revelação feminina do ano no prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e no tradicional Troféu Imprensa.
1990–99: Reconhecimento nacional
Em 1990, surge como apresentadora no programa musical Globo de Ouro e é escalada para o elenco da novela das oito Rainha da Sucata, escrita por Sílvio de Abreu. Na trama, fez um cômico par romântico com Antônio Fagundes no papel de "Adriana", filha da grande vilã "Laurinha" (Glória Menezes). Sua personagem é uma bailarina encantadora, mas um pouco desajeitada, fora de forma e divertida. Ansiosa e com dificuldades em encontrar sucesso na carreira que escolheu, está disposta a aceitar qualquer oportunidade para evitar voltar a morar com os pais. Seu maior sonho é brilhar nos palcos da Broadway, onde se imagina como a estrela perfeita. A personagem foi escrita pelo autor especialmente para Cláudia Raia e o mesmo a fez um pedido de que engordasse. Ela engordou 10kg para a interpretar "Adriana".
2000–09: Sucesso da crítica
Em 2000, O Beijo da Mulher Aranha estreou sua versão nos palcos do Brasil, resultado de uma viagem que Claudia fez à Broadway em 1989 com seu amigo Miguel Falabella. Durante a visita, ambos assistiram ao musical e ficaram tão fascinados que, ao longo de 10 anos, mantiveram o desejo de finalmente trazê-lo para o Brasil. Raia interpretou o papel de principal da "Mulher-Aranha". Silvio de Abreu, junto com Bosco Brasil e Alcides Nogueira, escreveu para ela um papel inusitado: a transexual "Ramona" na novela As Filhas da Mãe (2001). Ela se surpreendeu com o sucesso do personagem, considerando o contexto de um país machista e conservador. Ela fez par com Alexandre Borges, com quem sempre foi escalada. As crianças acompanhavam a trama e diziam: "Ramona, você tem que ficar com o Leonardo! Estamos torcendo por você." A novela foi um sucesso notável e ousado para o início dos anos 2000 no Brasil.
2010–19: Ti Ti Ti, Salve Jorge e Verão 90
Em 2010, é elogiada por seu trabalho em Ti Ti Ti, encarnando a divertida personagem "Jaqueline Maldonado", pela qual foi indicada ao Troféu Imprensa e venceu o Melhores do Ano e Prêmio Contigo! de TV de Melhor Atriz. Ela é uma figura intensa, trágica e cômica, com um estilo extravagante, porém sempre apropriado. Seu humor é imprevisível e ela encara a vida com um sutil deboche. Ao conhecer "Jacques Leclair" (Alexandre Borges), apaixona-se por ele, separa-se do marido e o auxilia a transformar sua marca em uma grife. Ela insiste que André se case com ela, mas ele continua a evitar o compromisso. Em 2011, aparece como ela mesma em uma participação especial na novela Passione, de Sílvio de Abreu, e volta aos palcos atuando e produzindo o musical Cabaret. Nesta, que é segunda versão da peça no Brasil, interpreta a protagonista "Sally Bowles". Ambientado em 1931, durante a ascensão do poder nazista, Cabaret centra-se na vida noturna do Kit Kat Klub e explora a relação entre "Sally Bowles", uma cantora britânica, e "Cliff Bradshaw", um jovem escritor norte-americano. Cláudia viajou por várias cidades com o espetáculo e foi aclamada pela crítica, vencendo o Prêmio Cenym, e sendo indicada ao Prêmio Bibi Ferreira.
2020–presente: Tarsila, a Brasileira e projetos recentes
Em 2021, Claudia dublou a personagem "Signora Mastroianni " no filme de animação norte-americano Luca, produzido pela Disney, trabalhando ao lado de sua filha, Sophia. Em 2022, volta ao posto de apresentadora no programa Decora, exibido pelo GNT, que apresenta reformas de casas. Em 2023, foi convidada pelo autor Walcyr Carrasco para fazer uma participação especial na novela Terra e Paixão interpretando "Emmy". Sua personagem é uma trambiqueira de marca maior e entra na trama como mãe do igualmente golpista italiano "Luigi" (Rainer Cadete). No mesmo ano, aparece no episódio "Feito de Açúcar" da série de comédia No Corre, do Multishow, interpretando "Claudinha".
De 1984 a 1986 foi namorada do humorista e apresentador Jô Soares. Em 1986 começou a namorar o ator Alexandre Frota, com quem se casou em 15 de dezembro do mesmo ano na igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. O casal se divorciou em 1989. De 1989 a 1990 namorou o ator Raul Gazolla e entre 1991 a 1992 o apresentador Fausto Silva. Em 1992 começou a namorar o ator Edson Celulari, com quem contracenava na telenovela Deus Nos Acuda, casando-se em 1993. Em 1994 decidiram realizar a festa de casamento religioso, e reafirmaram os votos de casamento em uma cerimônia budista, no templo que frequentavam. O casal teve dois filhos: Enzo, nascido em 1997, e Sophia nascida em 2003. Após dezessete anos de casamento se divorciaram em julho de 2010. Em 2012 começou a namorar o ator Jarbas Homem de Mello. Com alguns meses de namoro foram viver juntos em seu apartamento em São Paulo. Em setembro do mesmo ano fizeram votos de união estável, também em uma cerimônia budista. Casaram-se no civil em dezembro de 2018, em São Paulo. Em setembro de 2022, revelou estar grávida de seu terceiro filho, aos 55 anos. Em 11 de fevereiro de 2023, Claudia deu à luz a seu 3º filho, Luca.
Controvérsia
Em 2024, Claudia Raia, Tatá Werneck e outras famosas divulgaram o perfil de uma empresa que oferecia facilidades para conseguir o Auxílio maternidade no caso conhecido como "o golpe do salário-maternidade". Quem contratava o serviço deveria pagar 30% do valor recebido à empresa. O INSS alertou não utilizar intermediários para concessão de salário-maternidade, nem cobrar multas ou valores adiantados para liberar o benefício.


