Prisão de Jair Bolsonaro
A prisão de Jair Bolsonaro refere-se à prisão, sob processo cautelar, do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, no contexto das investigações que apuraram uma tentativa de golpe de Estado envolvendo Bolsonaro e diversos ex-integrantes de seu governo. A medida começou a ser cumprida como prisão domiciliar em agosto de 2025 e foi posteriormente convertida em prisão preventiva em novembro do mesmo ano. Segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a conversão ocorreu após o entendimento de que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares impostas em julho de 2025, como a proibição de uso de redes sociais e o monitoramento por tornozeleira eletrônica, o que indicaria risco de obstrução da Justiça e de fuga.
Bolsonaro virou réu na Ação Penal (AP) 2 668 que apura a tentativa de golpe de Estado, incluindo o planejamento do assassinato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Tentativa de golpe
Tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022–2023 foi uma série de articulações lideradas por Jair Bolsonaro, envolvendo integrantes de seu governo e setores das Forças Armadas, durante e após as eleições presidenciais de 2022, com o objetivo de subverter o processo de transição do poder ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, para manter Jair Bolsonaro na presidência do país. Os atos planejados incluíam a detenção de membros do judiciário, o fechamento de instituições de Estado, como o Congresso Nacional, e o assassinato de Lula, do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Tornozeleira eletrônica
Em 18 de julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs a Bolsonaro medidas cautelares de uso de tornozeleira eletrônica; recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana; autoridade de acesso a embaixadas e consulados e de manter contato com embaixadores e autoridades estrangeiras; e autorização de utilização de redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros, em decisão referendada pela Primeira Turma do STF, após solicitação da Polícia Federal (PF) e com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). A defesa recorreu, mas Moraes manteve as medidas em 24 de julho porque o ex-presidente fez um discurso transmitido em plataformas digitais e postado em diversos perfis.
Prisão domiciliar
Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro em 04 de agosto de 2025 porque o ex-presidente continuou a usar as redes sociais para fazer postagens, não suas, mas de aliados, inclusive de seus três filhos. "O flagrante desrespeito às medidas cautelares foi tão óbvio que, repita-se, o próprio filho do réu, o senador Flávio Nantes Bolsonaro, decidiu remover a postagem realizada em seu perfil, na rede social Instagram, com a finalidade de omitir a transgressão legal", explicou Moraes na decisão. Além de proibir Bolsonaro de sair de casa, Moraes proibiu visitas e mandou apreender celulares pertencentes a Bolsonaro. A prisão domiciliar segue processo cautelar, devido ao inquérito referente aos tarifaços, envolvendo Eduardo Bolsonaro. Com a sentença prisional geolocal, bolsonaristas e compadres aliados se mobilizam contra a prisão em Complexo Penitenciário da Papuda.
Prisão preventiva
Em 22 de novembro, Bolsonaro foi preso preventivamente, sem prazo determinado. A prisão foi solicitada pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília pois o réu tentou romper a tornozeleira eletrônica que lhe houvera sido colocada como medida cautelar (ato confessado pelo mesmo). Aliados do ex-presidente, incluindo seu filho e os deputados federais Nikolas Ferreira e Bia Kicis divulgaram diferentes "explicações" para a violação do equipamento, dentre elas se incluí um ato de "desespero" durante um "surto" e a suspeita de que haveria uma "escuta" dentro do mesmo.
Em 25 de novembro de 2025, o STF declarou trânsito em julgado (conclusão do processo), o que abre caminho para a execução da pena de Bolsonaro e mais dois condenados: Alexandre Ramagem e Anderson Torres. Pouco tempo depois, no mesmo dia, os dois ex-ministros do Exército de Bolsonaro e generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, além do almirante e seu ex-comandante da Marinha do Brasil, Almir Garnier Santos, também foram presos em Brasília pela Polícia Federal. Dois dias depois, em 27 de novembro, o Partido Liberal anunciou a suspensão das funções partidárias de Bolsonaro em cumprimento à Lei 9 096/1995, com isso Bolsonaro deixa de ser Presidente de Honra do partido, deixando de receber um salário de cerca de R$ 46 mil reais mensais para tal. Sua aposentadoria parlamentar enquanto ex-deputado federal não é afetada pela medida. Em 03 de janeiro de 2026, o Ministério Público Militar (MPM) pediu ao Superior Tribunal Militar (STM) que declare a perda do posto e da patente do ex-presidente Jair Bolsonaro. Caso o STM acolha a representação, deixará de ser capitão reformado do Exército. O processo leva em média seis meses para ser julgado. O caso de Bolsonaro terá como redator o ministro brigadeiro-do-ar Carlos Vuyk de Aquino, militar da Aeronáutica indicado para o tribunal pelo ex-presidente Michel Temer.
Condenação
Com o resultado determinado pelo colegiado da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, mais 376 mil reais de multa.[a] A prisão em regime fechado não deve começar imediatamente, posto que ainda cabe recurso por parte de sua defesa. Como consequência da condenação, Bolsonaro fica proibido de tomar posse em qualquer cargo público por 8 anos após o término das sentanças, de acordo com a Lei da Ficha Limpa. Por fim, o Superior Tribunal Militar (STM) deve julgar a perda de patente de capitão da reserva, pois de acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão. Se julgada procedente, Bolsonaro perderá o direito à prisão em unidade militar e poderá ser preso em presídio comum; posto que é um ex-presidente, poderá ser detido na unidade da Polícia Federal, como aconteceu com Lula, Temer e Collor. Por outro lado, a lei que tipifica as organizações criminosas prevê que condenados por este crime cumpram pena em presídios de segurança máxima.
Complô com Donald Trump nos EUA
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos em 2025-2026 refere-se à crise nas relações entre Brasil e Estados Unidos, ocorrida de julho a outubro de 2025 e novamente de maio de 2026 ao dia presente, gerada pela política comercial tarifária unilateral da segunda presidência de Donald Trump, nos Estados Unidos, contra produtos brasileiros. As ações unilaterais incluíram também medidas de interferência política contra a soberania do Brasil, a aplicação da lei Magnitsky contra autoridades brasileiras em função do processo judicial contra agentes dos ataques de 8 de janeiro em Brasília, a revogação de documentos de visto de viagem aos Estados Unidos a pessoas ligadas ao programa governamental brasileiro Mais Médicos e questionamentos quanto ao sistema de pagamentos instantâneos PIX, ao comércio popular da região da rua 25 de Março na cidade de São Paulo e à participação do Brasil no agrupamento internacional BRICS. No Brasil, houve discussões sobre aplicação da legislação para retaliação das tarifas impostas (retaliações não aplicadas), elaboração e execução de medidas para ajuda econômica aos setores exportadores de portes menores, busca por mercados para os produtos afetados e acionamento do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).


