Almir Garnier Santos
Almir Garnier Santos é um militar e almirante de esquadra brasileiro que foi comandante da Marinha de 9 de abril de 2021 a 30 de dezembro de 2022.
Imagem: Palácio do Planalto · BY · Openverse
Nascido no município brasileiro do Rio de Janeiro, no dia 22 de setembro de 1960, Almir Garnier Santos ingressou cedo na carreira militar.
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Iniciou sua relação com a Marinha do Brasil aos dez anos de idade, como aluno do curso de formação de operários, na extinta Escola Industrial Comandante Zenethilde Magno de Carvalho. Graduou-se Técnico em Estruturas Navais, na Escola Técnica do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), em 1977. Estagiou nas Fragatas Independência e União, à época em construção na carreira do AMRJ. No mesmo ano iniciou o Curso de Formação de Oficiais da Reserva da Marinha. Em 1978, ingressou na Escola Naval e concluiu o curso de formação de oficial em 1981 como primeiro colocado no Corpo da Armada. No regresso da viagem de instrução, a bordo do Navio-Escola Custódio de Mello, em 1982, foi nomeado Segundo-Tenente, vindo a servir na Fragata Independência, como Ajudante da Divisão de Operações. Foi promovido ao posto de Primeiro-Tenente em 31 de agosto de 1984. Em seguida iniciou o Curso de Aperfeiçoamento em Eletrônica para Oficiais, no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, localizado no Rio de Janeiro, que concluiu em primeiro lugar no ano de 1985.
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Delação de Mauro Cid e Operação Tempus Veritatis
Segundo delação de Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, Almir Garnier teria aceito participar de um golpe de estado para destituir o presidente e vice eleitos, no pleito em que Bolsonaro foi derrotado, o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal, o que configura como crime de abolição violenta ao Estado democratico de direito. A Polícia Federal deflagrou no dia 8 de fevereiro de 2024 a Operação Tempus Veritatis para apurar organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder. Garnier Santos foi um dos 33 alvos de busca e apreensão.
Ação Penal n.º 2 668/2025
Em 21 de novembro de 2024, foi indiciado no inquérito que investiga a tentativa de golpe de estado para manter Bolsonaro no poder mesmo após a derrota para Lula nas eleições de 2022. No dia 26 de março de 2025, o antigo Comandante da Marinha do Brasil tornou-se réu. Durante todo o processo penal, denominado como Ação Penal 2668, Garnier foi representado pelo jurista, advogado, ex-senador cassado e ex-procurador do Ministério Público do Estado de Goiás, Demóstenes Torres. No dia 10 de junho de 2025, Garnier prestou pela primeira vez depoimento sobre os encontros com Jair Bolsonaro em meio às suspeitas de articulação de um golpe de estado no fim de 2022. No depoimento ao Supremo, o almirante negou ter oferecido tropas a Bolsonaro ou recebido minuta do golpe. Ele confirmou reuniões com chefes militares e citou preocupações gerais, sem ordens ilegais.
Condenação e prisão
Em 11 de setembro do mesmo ano, foi condenado a 24 anos de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado. Foi a primeira vez na história em que o Brasil condena generais e almirantes por golpe de Estado. Dois meses depois, em 25 de novembro, com o trânsito em julgado e esgotamento dos recursos, o almirante Almir Garnier Santos foi preso pela Polícia Federal e conduzido para o Estação Rádio da Marinha para cumprimento da pena. Em 8 de maio de 2026, o presidente do Senado Davi Alcolumbre sancionou a Lei da Dosimetria, que permite a redução da pena de Garnier e demais condenados. A redução não é automática, e deverá ser solicitada pela sua defesa, pelo Ministério Público ou por um ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal.


