Perícope da Adúltera
A Perícope da Adúltera é um episódio bíblico que se encontra no Evangelho segundo João.
Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia, o texto da Perícope é:
Os mestres da Lei (escribas) e os fariseus levaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério. Pela Lei de Moisés, extraída da Torá, ela deveria ser apedrejada até a morte. De fato, a Torá previa que o ato de adultério fosse punido com a morte por apedrejamento (Levítico 20:10 e Deuteronômio 22:22), mas, à época, a pena capital só poderia ser aplicada pelos governantes romanos; nenhum judeu detinha autoridade para sentenciar alguém à morte, muito menos executar a pena. Os escribas e os fariseus queriam colocar Jesus em uma armadilha: se fosse pela condenação, iria contra a soberania romana e, se fosse pela absolvição, contrariaria a Lei Judaica. De uma ou de outra forma, os mestres da Lei e os fariseus teriam "motivos" para acusá-lo. Jesus, com a resposta "Quem dentre vós não tiver pecado, que atire a primeira pedra'", fez com que os acusadores ficassem sem argumentos para uma acusação formal e sem moral perante a multidão que assistia à cena.
Histórico de Manuscritos
A autenticidade desta perícope carece de unanimidade entre os especialistas, quanto a pertencer a João. Alguns afirmam ter sido incluído posteriormente, ato conhecido por interpolação, não fazendo parte dos escritos originais de João. Durante o século XVI, estudiosos da Europa Ocidental — tanto Católicos quanto Protestantes — buscaram recuperar o texto grego mais correto do Novo Testamento, em vez de confiar na tradução latina da Vulgata. Nessa época, notou-se que vários manuscritos antigos contendo o Evangelho de João não continham João 7:53–8:11 e também que alguns manuscritos contendo os versículos os marcavam com sinais críticos, geralmente um lemnisco ou asterisco. Também foi notado que, no lecionário da igreja grega, a leitura do Evangelho para o Pentecostes vai de João 7:37 a 8:12, mas pula os doze versículos desta perícope.
Autoria
O bispo J. B. Lightfoot escreveu que a ausência da passagem nos manuscritos mais antigos, combinada com a ocorrência de características estilísticas atípicas de João, implicava que a passagem era uma interpolação. No entanto, ele considerou a história como história autêntica. Como resultado, com base na menção de Eusébio de Cesareia de que os escritos de Papias continham uma história "sobre uma mulher falsamente acusada diante do Senhor de muitos pecados" (HE 3.39), ele argumentou que esta seção originalmente fazia parte das Interpretações dos Ditos do Senhor de Papias e a incluiu em sua coleção de fragmentos de Papias. O teólogo alemão Walter Klaiber também apoia a afirmação de que a passagem registra um evento real, consistente com os ensinamentos de Jesus. Outros estudiosos que apoiam a historicidade da história incluem en: George Beasley-Murray , B. F. Westcott, Carl B. Bridge, Bruce M. Metzger e Gary Burge. Giuseppe Segalla afirma que "quanto à historicidade, é geralmente positiva porque o episódio é perfeitamente consistente com o perdão de Jesus como aparece nos Evangelhos Sinóticos: na verdade, esta história tem as características da tradição Sinótica". Bart D. Ehrman concorda em Misquoting Jesus , acrescentando que a passagem contém muitas palavras e frases estranhas à escrita de João. O estudioso bíblico evangélico Daniel B. Wallace concorda com Ehrman. No entanto, Wallace acredita que se baseia num evento real.
Atualmente, esta passagem do evangelho de João é aceita pela maioria das igrejas cristãs como inspirada e, portanto, parte do Evangelho de João.Entretanto, algumas Bíblias frisam que este texto é uma interpolação e o apresentam entre colchetes. A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicadas pelas Testemunhas de Jeová não incluem o trecho em sua tradução por não fazer parte dos manuscritos originais mais antigos; a revista A sentinela, na edição de 11/2017, diz: Alguns usam João 7:53–8:11, que aparece em algumas traduções da Bíblia, para dizer que só uma pessoa sem pecado pode julgar quem cometeu adultério. Mas muitos não sabem que essa passagem não fazia parte dos escritos originais. Além disso, essa ideia vai contra a lei mosaica: "Se um homem for encontrado deitado com uma mulher que é esposa de outro homem, ambos devem morrer juntos." — Deuteronômio 22:22
Traduções
Almeida Revista e Corrigida (ARC): Inclui o texto completo (João 7:53–8:11). Sem colchetes nem aviso crítico. Almeida Revista e Atualizada (ARA): Inclui a perícope, com nota de rodapé explicando que os melhores manuscritos não a contêm. Nova Versão Internacional (NVI): Inclui o texto, mas com nota clara de que os manuscritos mais antigos não trazem esse trecho. Tradução Brasileira (TB): Inclui a perícope integralmente. Bíblia de Jerusalém (BJ): Inclui o texto, mas entre colchetes e com uma nota extensa informando que os manuscritos mais antigos e confiáveis não o contêm. Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): Inclui a perícope, mas explica em nota que o trecho não aparece nos manuscritos antigos.


