Antilegomena
Antilegomena, são os escritos cristãos que são "disputados" ou, literalmente, as obras em que há alguém que "falou contra". Este grupo é distinto dos notha e se opõe aos "Homologoumena".
Em muitas línguas e tradições, o termo homologoumena é considerado uma alternativa viável aos termos dogmáticos protocanônico e deuterocanônico, com a única exceção sendo os livros que não estão hoje presentes em nenhum dos cânones cristãos da Bíblia. Assim, em várias tradições pelo mundo, os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento também são conhecidos como "Antilegomena do Antigo Testamento", por exemplo.
O primeiro grande historiador eclesiástico, Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica (iii 25.3-5), aplicou o termo antilegomena às obras sob disputa da igreja antiga. A Epístola aos Hebreus está também listada em um capítulo anterior (iii 3.3): O Codex Sinaiticus, um manuscrito do século IV d.C. e possivelmente uma das Cinquenta Bíblias de Constantino, inclui o Pastor de Hermas e a Epístola de Barnabé. A Peshitta original (cuja porção do Novo Testamento é do século V d.C.) exclui II e III João, II Pedro, Judas e o Apocalipse, ainda que algumas edições modernas (como a Peshitta de Lee de 1823) já os inclua.
Durante a Reforma Protestante, Martinho Lutero levantou o assunto dos antilegomena entre os Padres da Igreja. Como ele questionou Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse, este livros são por vezes conhecidos como "Antilegomenas de Lutero". F. C. Baur utilizou o termo em sua classificação das Epístolas paulinas, classificando Romanos, I e II Coríntios e Gálatas como homologoumena; Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses e Filemon como antilegomena; e as Epístolas Pastorais como "notha" (escritos espúrios). No uso corrente luterano, antilegomena descreve os livros do Novo Testamento que tem uma posição dúbia no cânon. Atualmente são as epístolas de Tiago e Judas, II Pedro, II e III João, o Apocalipse de João e a Epístola aos Hebreus.
O termo também se aplica a alguns livros da Bíblia hebraica. Há registros na Mishná de controvérsias em alguns círculos judeus durante o século II d.C. sobre o status de livros como o Cântico dos Cânticos, Eclesiastes e Ester. Algumas dúvidas foram proferidas sobre Provérbios durante este período também. A Gemara nota que o livro de Ezequiel também foi questionado em relação à sua autoridade até que as objeções foram resolvidas em 66 d.C.. Além disso, durante o século I a.C., os discípulos de Shammai contestaram a canonicidade de Eclesiastes por conta de seu pessimismo, enquanto que a escola de Hillel a defendeu, tão vigorosamente quanto. No concílio de Jamnia (ca. 90 d.C.) houve ainda mais disputas.


