Seleção Italiana de Futebol
A Seleção Italiana de Futebol representa a Itália no futebol internacional masculino desde sua primeira partida, em 1910. A seleção é administrada pela Federação Italiana de Futebol (FIGC), entidade responsável pelo futebol na Itália e cofundadora e integrante da UEFA. As partidas da Itália como mandante são disputadas em diversos estádios do país, enquanto seu principal centro de treinamento e sede técnica, o Centro Técnico Federal de Coverciano, está localizado em Florença.
Giovanni Trapattoni assumiu o comando da equipe em julho de 2000, após a renúncia de Dino Zoff. Disputando o Grupo 8 das eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, a Itália terminou invicta após enfrentar a Romênia, a Geórgia, a Hungria e a Lituânia. Na fase final, uma vitória por 2–0 sobre o Equador, com dois gols de Christian Vieri, foi seguida por uma série de partidas controversas. Durante o confronto contra a Croácia, o árbitro inglês Graham Poll anulou incorretamente dois gols legítimos, contribuindo para a derrota italiana por 2–1. Apesar de outros dois gols terem sido anulados por impedimento, uma cabeçada de Alessandro Del Piero nos minutos finais garantiu à Itália um empate por 1–1 com o México, resultado suficiente para avançar à fase eliminatória. A coanfitriã Coreia do Sul eliminou a Itália por 2–1 nas oitavas de final. A partida foi marcada por controvérsias, e integrantes da equipe italiana, especialmente o atacante Francesco Totti e o técnico Giovanni Trapattoni, sugeriram a existência de uma conspiração para eliminar a Itália da competição. Trapattoni chegou a acusar indiretamente a FIFA de ter orientado o árbitro a assegurar uma vitória sul-coreana, para que uma das duas nações anfitriãs permanecesse no torneio. As decisões mais contestadas do árbitro Byron Moreno foram um pênalti concedido à Coreia do Sul no início da partida — defendido por Buffon —, um gol de ouro de Damiano Tommasi incorretamente anulado por impedimento e a expulsão de Totti, que recebeu o segundo cartão amarelo por uma suposta simulação dentro da área. O presidente da FIFA, Sepp Blatter, afirmou que os árbitros assistentes haviam sido um "desastre" e reconheceu que a Itália foi prejudicada por marcações incorretas de impedimento durante a fase de grupos, mas rejeitou as acusações de conspiração. Embora tenha questionado a expulsão de Totti por Moreno, Blatter se recusou a atribuir a derrota italiana inteiramente à arbitragem, declarando: "A eliminação da Itália não se deve apenas aos árbitros e assistentes, que cometeram erros humanos, e não premeditados. A Itália cometeu erros tanto na defesa quanto no ataque."
Origens e os dois primeiros títulos mundiais, em 1934 e 1938
Uma das primeiras tentativas de formar uma seleção italiana ocorreu em 30 de abril de 1899, quando uma equipe representativa da Itália enfrentou um onze suíço e perdeu por 2–0, em Turim. A primeira partida oficial da equipe foi disputada em Milão, em 15 de maio de 1910. A Itália derrotou a França por 6–2, com Pietro Lana marcando o primeiro gol da seleção italiana. A equipe italiana atuou no sistema 2–3–5 e foi formada por De Simoni, Varisco, Calì, Trerè, Fossati, Capello, Debernardi, Rizzi, Cevenini I, Lana e Boiocchi, tendo Calì como seu primeiro capitão. O primeiro sucesso da Itália em uma competição oficial foi a medalha de bronze no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 1928, em Amsterdã. Após perder a semifinal para a seleção do Uruguai, uma vitória por 11–3 sobre a seleção do Egito garantiu o terceiro lugar na competição. Nas edições de 1927–30 e 1933–35 da Copa Internacional, a Itália terminou em primeiro lugar entre cinco seleções da Europa Central, liderando a classificação com 11 pontos em ambas as edições. Posteriormente, a Itália também conquistou a medalha de ouro no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, após derrotar a Áustria por 2–1 na prorrogação da partida decisiva, em 15 de agosto de 1936.
Reconstrução nas décadas de 1950 e 1960
Em 1949, dez dos onze jogadores da escalação titular da equipe morreram na queda de um avião que atingiu o Torino, vencedor das cinco edições anteriores da Serie A. A Itália não avançou além da primeira fase da Copa do Mundo de 1950, pois havia sido gravemente enfraquecida pelo desastre aéreo. A equipe viajou de navio, em vez de avião, por temer outro acidente. Nas Copas do Mundo de 1954 e 1962, a Itália não conseguiu avançar além da primeira fase, e não se classificou para a Copa do Mundo de 1958 devido a uma derrota por 2–1 para a Irlanda do Norte na última partida das eliminatórias. A Itália não participou da primeira edição do Campeonato Europeu de Futebol, realizada como a Copa das Nações Europeias de 1960 e então conhecida como Copa das Nações Europeias, e foi eliminada pela União Soviética na primeira rodada da fase de qualificação para a Copa das Nações Europeias de 1964.
Campeã europeia e vice-campeã mundial (1968–1974)
Em 1968, a Itália sediou o Campeonato Europeu e conquistou o título em sua primeira participação, derrotando a Iugoslávia, em Roma, e vencendo sua primeira grande competição desde a Copa do Mundo de 1938. A final terminou empatada por 1–1 após a prorrogação, e as regras da época exigiam que a partida fosse repetida alguns dias depois. Essa foi a única vez em que uma final do Campeonato Europeu ou da Copa do Mundo precisou ser repetida. Em 10 de junho de 1968, a Itália venceu o jogo de desempate por 2–0, com gols de Gigi Riva e Pietro Anastasi, e conquistou o troféu. Na Copa do Mundo de 1970, aproveitando o desempenho de jogadores campeões europeus, como Giacinto Facchetti, Gianni Rivera e Gigi Riva, e contando com o novo centroavante Roberto Boninsegna, a equipe conseguiu retornar a uma final de Copa do Mundo após 32 anos. A Itália alcançou esse resultado depois de uma das partidas mais famosas da história do futebol, o "Jogo do Século", semifinal da Copa do Mundo de 1970 contra a Alemanha Ocidental, vencida pelos italianos por 4–3 na prorrogação, com cinco dos sete gols sendo marcados no período adicional. Posteriormente, a Itália foi derrotada pela seleção brasileira por 4–1 na final.
Terceira geração campeã mundial (1978–1986)
Inicialmente sob a orientação de Fulvio Bernardini e, posteriormente, sob o comando do técnico Enzo Bearzot, uma nova geração de jogadores italianos surgiu no cenário internacional durante a segunda metade da década de 1970. Na Copa do Mundo de 1978, a Itália foi a única equipe do torneio a derrotar a futura campeã e anfitriã, a Argentina, e os Azzurri chegaram à disputa pelo terceiro lugar, na qual foram derrotados pelo Brasil por 2–1. Na partida da segunda fase de grupos contra os Países Baixos, que impediu a Itália de chegar à final, o goleiro italiano Dino Zoff foi superado por um chute de longa distância de Arie Haan e acabou sendo criticado pela derrota. A Itália sediou o Campeonato Europeu de 1980, a primeira edição disputada por oito equipes, em vez de quatro, classificando-se automaticamente para a fase final como anfitriã. Após dois empates contra a Espanha e a Bélgica e uma vitória apertada por 1–0 sobre a Inglaterra, a Itália foi derrotada pela Tchecoslováquia por 9–8 nos pênaltis na disputa pelo terceiro lugar, depois que Fulvio Collovati desperdiçou sua cobrança.
Anos de Vicini e vice-campeonato mundial com Sacchi (1986–1994)
Em 1986, Azeglio Vicini foi nomeado o novo técnico, substituindo Bearzot. Ele atribuiu funções centrais a jogadores como Walter Zenga e Gianluca Vialli e ofereceu oportunidades a jovens provenientes da seleção sub-21; Vialli marcou os gols que garantiram à Itália a classificação para o Campeonato Europeu de 1988 e foi apresentado como o sucessor de Altobelli, por demonstrar a mesma capacidade para marcar gols. Os dois atacantes marcaram na competição realizada na Alemanha, na qual a União Soviética derrotou os Azzurri na semifinal. A Itália sediou a Copa do Mundo pela segunda vez em 1990. O ataque italiano contava com os talentosos Salvatore Schillaci e o jovem Roberto Baggio. A Itália disputou quase todas as suas partidas em Roma e não sofreu nenhum gol nos cinco primeiros jogos; no entanto, perdeu a semifinal, em Nápoles, para a então campeã Argentina. O argentino Diego Maradona, que atuava pelo Napoli, fez declarações antes da partida relacionadas à desigualdade entre o norte e o sul da Itália e ao Risorgimento, pedindo que os napolitanos torcessem pela Argentina. A Itália perdeu por 4–3 nos pênaltis após um empate por 1–1 ao fim da prorrogação. O gol de abertura de Schillaci no primeiro tempo foi igualado na etapa final por uma cabeçada de Claudio Caniggia para a Argentina. Aldo Serena desperdiçou a última cobrança italiana, enquanto Roberto Donadoni também teve seu pênalti defendido pelo goleiro Sergio Goycochea. Posteriormente, a Itália derrotou a Inglaterra por 2–1 na disputa pelo terceiro lugar, em Bari, com Schillaci marcando de pênalti o gol da vitória e tornando-se o artilheiro do torneio, com seis gols.
Vice-campeonato do Euro 2000 (1996–2000)
A Itália, ainda comandada por Sacchi, classificou-se para o Euro 1996, na Inglaterra, mas não avançou além da fase de grupos. Depois de derrotar a Rússia por 2–1 e perder pelo mesmo placar para a República Tcheca, a Itália precisava vencer a Alemanha em sua última partida do grupo para avançar às quartas de final. No entanto, Gianfranco Zola desperdiçou um pênalti decisivo no empate por 0–0 contra os alemães, que acabaram conquistando o torneio. Após terminar em segundo lugar, atrás da Inglaterra, no Grupo 2 das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998, a Itália garantiu sua vaga na fase final ao derrotar a Rússia na repescagem, com Pierluigi Casiraghi marcando o gol da vitória no triunfo por 2–1 no placar agregado, em 15 de novembro de 1997. Depois de terminar na liderança do Grupo B e superar a Noruega nas oitavas de final, a Itália disputou uma decisão por pênaltis nas quartas de final, pela terceira Copa do Mundo consecutiva. A equipe italiana, na qual Alessandro Del Piero e Baggio retomaram a controversa staffetta (lit. "revezamento") entre Mazzola e Rivera utilizada em 1970, segurou a futura campeã mundial e anfitriã, a França, em um empate por 0–0 após a prorrogação, mas perdeu por 4–3 nos pênaltis. Com os dois gols marcados nesse torneio, Baggio permanece como o único jogador italiano a balançar as redes em três Copas do Mundo FIFA diferentes.
A Seleção Italiana possui grandes rivais na história do futebol mundial. Esses são:
A palavra Oriundi faz referência a pessoas nascidas fora do território italiano e que possuem ascendência italiana. O número de descendentes de italianos no mundo todo é estimado em setenta milhões, devido à maciça emigração italiana, ocorrida principalmente entre 1880 a 1960. Entre os descendentes de italianos são incluídos filhos, netos, bisnetos e trinetos de italianos natos, e são considerados de jure cidadãos italianos, baseada no conceito jus sanguinis, em que todos aqueles que têm sangue italiano são igualmente italianos, sem diferenças daqueles nascidos na Itália. Êxodos massivos da Itália ocorreram em duas épocas, a primeira no período de unificação em 1861 e a segunda em 1920 quando Mussolini alcançou o poder. Países como Brasil, Argentina, Estados Unidos e Uruguai foram eleitos destinos populares dos italianos. Com milhões de italianos iniciando famílias no exterior, era natural que alguns filhos se tornassem jogadores de futebol. Apesar dessa primeira geração de imigrantes não ter tido muito contato com a Itália antes de representarem a seleção, a maioria foi criada com base nos costumes da terra dos seus pais, falando o idioma, experimentando comidas típicas e praticando os costumes.
Futebolistas oriundos
A lista abaixo reúne futebolistas oriundos que já atuaram pela Seleção Italiana. Estão excluídos os atletas que participaram apenas das categorias de base ou da Seleção Italiana B.


