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O Cortiço

O Cortiço é um romance do escritor brasileiro Aluísio Azevedo, publicado em 1890, considerado a principal obra do Naturalismo no Brasil. Ambientado no Rio de Janeiro do final do século XIX, o romance retrata a vida cotidiana em uma estalagem popular — o cortiço — e analisa as relações sociais ali estabelecidas, evidenciando mecanismos de exploração econômica, determinismo social e degradação moral. Influenciado pelo Naturalismo Europeu, especialmente pela obra de Émile Zola, O Cortiço apresenta uma visão crítica da sociedade urbana brasileira e permanece como um dos romances mais estudados da literatura nacional.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Estilo

Imagem: ciscai · BY · Openverse

Alfredo Bosi destaca que Azevedo não se importa em construir um enredo, mas em criar personagens convincentes: Só em O Cortiço Aluísio atinou de fato com a fórmula que se ajustava ao seu talento: desistindo de montar um enredo em função de pessoas, ateve-se à sequência de descrições muito precisas onde cenas coletivas e tipos psicologicamente primários fazem, no conjunto, do cortiço, a personagem mais convincente do nosso romance naturalista. Existe o quadro: dele derivam as figuras. Segundo análise de Antonio Candido no ensaio De Cortiço a Cortiço, no cortiço de Aluísio Azevedo, a natureza brasileira "desempenha papel essencial como explicação dos comportamentos transgressivos, como combustível das paixões e até da simples rotina fisiológica. Aluísio aceita a visão romântico-exótica de uma natureza poderosa e transformadora, reinterpretando-a em chave naturalista." De acordo com Valentin (2013), O Cortiço é um dos primeiros romances brasileiros a apresentar representações da homossexualidade. A esse respeito, afirma o autor:

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Sinopse

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A obra descreve a ascensão social do comerciante português João Romão, dono de uma venda, uma pedreira e um cortiço, próximo ao sobrado de um patrício endinheirado, o comendador Miranda. A rivalidade entre os dois aumenta à medida que cresce o número de casinhas do cortiço, alugadas, na sua maioria, pelos empregados da pedreira, que também fazem compras na venda de João Romão, que, desse modo, passa a enriquecer rapidamente. Com a intenção obsessiva de tornar-se rico, João Romão economiza cada moeda e explora quem quer que seja sempre que tem oportunidade, como o faz com a escrava fugida chamada Bertoleza, que o auxilia no trabalho duro e para quem ele forjou um documento de alforria. O sonho de João Romão é adquirir prestígio social, como seu patrício Miranda. Este, à medida que o vendeiro vai enriquecendo, passa a considerar a possibilidade de oferecer-lhe a mão de sua filha, Zulmira; assim, um amigo em comum, Botelho, se faz de intermediário das negociações e tudo fica arranjado. João Romão fica noivo de Zulmira, alcançando assim um patamar mais alto na escala social. O único inconveniente é a escrava Bertoleza, que não aceita ser descartada, para a qual João Romão arma um plano: denuncia Bertoleza como escrava fugida a seu verdadeiro dono, que vai com a polícia prendê-la. João Romão faz de conta que não sabe de nada e a entrega. Bertoleza percebe que Romão, sem coragem de mandá-la embora ou de matá-la, preparou essa armadilha para devolvê-la ao cativeiro; desesperada, ela se mata.

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Adaptação para o cinema

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Em 1978, o livro foi adaptado para o cinema com interpretações de Armando Bogus, Betty Faria, Mário Gomes, Beatriz Segall e outros, direção de Francisco Ramalho Jr.

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Fontes consultadas

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