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Betty Faria

Elizabeth Maria Silva de Faria é uma atriz e escritora brasileira. Prolífica na atuação desde a década de 1960, tornou-se muito conhecida como um ícone da teledramaturgia nacional por protagonizar obras de grande sucesso popular, especialmente na televisão e no cinema. Faria é ganhadora de vários prêmios, incluindo dois Prêmios APCA, dois Prêmios Air France e estatuetas do Festival de Gramado e Festival de Brasília, além de ter recebido indicações para um Troféu Imprensa e um Prêmio Qualidade Brasil.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Juventude

Início da vida e primeiros passos como bailarina

Betty nasceu no início dos anos 1940 em Copacabana, bairro do Rio de Janeiro, filha única do militar Marçal Moura de Faria e da dona de casa Elsa Gonçalves Pereira da Silva. Devido ao trabalho de seu pai, ela mudou de cidade várias vezes até completar doze anos, passando por lugares como Pelotas, no Rio Grande do Sul, além de São Paulo e Lorena. A condição de ser filha única não foi uma escolha dos pais. Após o nascimento de Betty, sua mãe Elsa engravidou várias vezes, mas sem sucesso. Em entrevista, a atriz revela que sempre se sentiu bastante solitária por não ter irmãos, especialmente devido às constantes mudanças de cidade. Aos quatro anos, enquanto morava em Lorena, sua mãe a levou a um circo local, onde Betty se encantou com o espetáculo e decidiu que queria seguir a carreira de atriz. O fascínio foi tanto que, em uma ocasião, ela tentou fugir de casa para se juntar ao circo itinerante que estava na cidade.

Início da carreira artística na dança

Aos dez anos de idade, Betty precisou mudar-se novamente. Desta vez, sua família se instalou em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Lá, não havia escolas de balé, apenas de piano, o que frustrou Betty. Somente dois anos mais tarde, ao retornar ao Rio de Janeiro, ela pôde retomar seus estudos de balé. Iniciou na renomada Ballet do Rio de Janeiro, sob a direção de Dalal Aschar, onde teve aulas de balé clássico com a russa Marie Makarova, Pierre Kleimou e Eugênia Feodorova. Posteriormente, explorou o balé moderno com Nina Verchinina e começou seus estudos de jazz com Jennie Dall e Jo Jo Smith. Conforme o interesse de Betty em seguir uma carreira artística se intensificava, seu pai começou a discordar de suas aulas de dança. Para ganhar independência financeira, ela passou a dar aulas de balé em turmas da escola de Sandra Dieckens, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Aos dezesseis anos, já estava ganhando seu próprio dinheiro com as aulas de balé clássico. Durante sua adolescência, Betty se considerava uma "menina rebelde", fugindo de casa, fumando na escola, frequentando clubes de dança e indo sozinha ao cinema, conforme relatou em entrevista. Ela era particularmente apaixonada por filmes musicais estrelados por Marlon Brando.

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Carreira

1960—69: Escalada na cena artística carioca e estreia como atriz

Após sua estreia no espetáculo Skindô, Betty foi novamente convidada por Sonia Shaw para integrar o show Tio Samba, onde se destacou em alguns solos de balé moderno. Nessa época, mudou-se para São Paulo, residindo com colegas do espetáculo. Durante a temporada, enfrentou uma lesão no joelho que a levou a momentos difíceis. Posteriormente, retornou ao Rio de Janeiro, onde passou por uma cirurgia de recuperação. Durante o período de reabilitação, procurou contatos na TV Rio em busca de trabalho e conseguiu um cargo como apresentadora em um programa jornalístico de Fernando Barbosa Lima na emissora. Simultaneamente, fez um teste para um programa infantil exibido aos sábados, tornando-se a "Garota Kibon". Gradualmente, superou sua lesão e retornou à dança. Em 1963, deixou a televisão para voltar aos palcos, participando da montagem de Chica da Silva 63, atuando ao lado de Grande Otelo, o que lhe rendeu visibilidade. Foi vista por Flávio Tambellini, que a convidou para integrar o elenco do filme O Beijo, baseado na obra de Nelson Rodrigues. Ao ver uma foto do filme, seu pai chegou a considerar processar a produção do longa-metragem.

1970—79: Consolidação da carreira na televisão

Em 1970, Betty Faria ganhou destaque em Pigmalião 70 interpretando "Sandra", uma jovem astuta e cheia de malandragem. Pelo seu desempenho, foi agraciada com o Troféu Helena Silveira, um importante prêmio da época para melhor atriz coadjuvante. Os anos 1970 foram extremamente produtivos em sua carreira. Iniciou atuando em dois filmes undergrounds: As Piranhas do Asfalto, dirigido por Neville d'Almeida, e Os Monstros de Babalu, de Eliseu Visconti, este último nunca visto por Betty, ambos proibidos pela censura federal. Em 1972, retornou à televisão em um projeto inovador e controverso para o horário das dez horas, O Bofe. Este trabalho marcou um dos primeiros grandes papéis da atriz, interpretando "Guiomar", uma viúva com forte apelo popular e cômico, que saía do subúrbio do Rio para Copacabana com o intuito de "paquerar". No ano seguinte, em 1973, destacou-se em Cavalo de Aço como a vilã "Joana", filha de um grande latifundiário que é assassinado na trama, e fez uma participação especial no episódio "Irmão Mar, Irmão Terra" do seriado Caso Verdade.

1980—89: Prosseguimento da carreira e sucesso mundial como "Tieta"

Nos anos 1980, Betty continuou a brilhar na televisão. Em Água Viva, de Gilberto Braga, ela encarnou a protagonista "Lígia", uma mulher bonita e charmosa, de origem humilde que alcançou a classe média alta carioca após seu segundo casamento, enfrentando preconceitos. A novela foi um sucesso estrondoso na época de sua exibição original, e a personagem de Betty conquistou o público por ser uma mulher que optou por abrir mão de seu casamento com um homem muito rico para viver seu grande amor. Seu papel também fez sucesso em Portugal, levando a atriz a viajar para o país e gravar um especial na RTP composto por cinco histórias, onde interpretava cinco personagens distintos.

1990—99: Declínio na TV Globo e demais trabalhos

Após o estrondoso sucesso de Tieta, Betty começou a enfrentar alguns problemas contratuais e os trabalhos na televisão foram diminuindo. Aguinaldo Silva escreveu um papel para ela em Pedra Sobre Pedra, mas não pôde interpretá-lo, sendo Renata Sorrah escolhida para o papel. Faria sentiu-se prejudicada na emissora. Em 1992, foi escalada para a novela sucessora, De Corpo e Alma, onde desempenhou um papel diferente do habitual, como "Antônia", uma mulher sensível e submissa, que não aceita o fim de seu casamento com "Diogo", papel de Tarcísio Meira, e faz de tudo para mantê-lo. A atriz é reconhecida por seus papéis fortes e imponentes. Neste ano, ainda, embarcou no projeto Betty na Estrada, idealizado por Lennie Dale, no qual ela também produziu. No espetáculo, ela cantava músicas tema de seus personagens, como o Rock da Lili Carabina e o tema de Baila Comigo, da Rita Lee.

2000—16: Volta às novelas, contratação no SBT e retorno à Globo

No início dos anos 2000, a carreira da atriz passou por um hiato de quase cinco anos na televisão, reduzindo suas aparições a pequenas participações em seriados, como no episódio "Duro de Debutar" de Sai de Baixo (2000) e no episódio "O Filho da Mãe" de A Grande Família (2001). Em 2002, rompeu contrato com a TV Globo alegando estar cansada de ser colocada na "geladeira" da emissora, que recusava seus projetos, incluindo um programa de auditório para mulheres. Em 2004, produziu e estrelou o filme dramático Bens Confiscados, sob a direção de Carlos Reichenbach, no papel da enfermeira "Serena", que foi amante de um conhecido senador da República tendo que se exilar no interior quando o caso veio à tona na imprensa. Apesar da obra ter sido considerada irregular, a performance de Betty recebeu elogios da crítica e ela foi premiada no Cine Ceará como melhor atriz. Após seis anos longe das novelas, foi convidada por Jayme Monjardim e Glória Perez para integrar o elenco de América, de Perez, que tinha como enredo a travessia de imigrantes nos Estados Unidos em busca de melhores condições de vida. Na trama, intepreta "Djanira Pimenta", a chefe da quadrilha de "atravessadores" ilegais de imigrantes na fronteira que se passa como empresária do eixo Rio-Miami. No ano seguinte, em 2006, aparece em uma participação especial na novela Alma Gêmea e no seriado Sob Nova Direção. Neste ano, ainda, é escalada para a novela Pé na Jaca, de Carlos Lombardi, no papel de mais uma vilã, a interesseira "Laura", que foi capaz de forjar um falso exame de DNA da própria filha em prol de seu interesse na fortuna de "Último" (Fúlvio Stefanini).

2017—presente: "Elvirinha" em A Força do Querer e trabalhos recentes

Em 2017, destacou-se no elenco da novela A Força do Querer, sucesso de audiência de Glória Perez, no papel da divertida "Elvirinha", formando um divertido par romântico com Othon Bastos. A dupla entra em cena na metade da novela, voltando ao Brasil dos Estados Unidos por terem ficado sem dinheiro. A personagem caiu no gosto popular e tornou-se um dos maiores destaques da trama. Fez uma participação especial no seriado A Cara do Pai, protagonizado por Leandro Hassum, interpretando "Iolanda", sogra do personagem principal. Em 2018, pôde ser vista em participações especiais no programa Tá no Ar: a TV na TV e na novela teen Malhação: Vidas Brasileiras, além de atuar na minissérie Infratores, a qual era exibida semanalmente dentro do Fantástico.

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Vida pessoal

É mãe da também atriz Alexandra Marzo, fruto do seu casamento com o ator Cláudio Marzo. Foi também casada com o diretor e ator Daniel Filho, com quem tem um filho, João de Faria Daniel. Betty é ainda avó de Giulia, filha de Alexandra, de Antônio e dos gêmeos Valentina e João Paulo, filhos de João de Faria Daniel. Betty posou duas vezes para a revista Playboy Brasil: em agosto de 1978 e outubro de 1984. O sucesso de Tieta no México foi tão grande que Betty posou, em novembro de 1992, para a Playboy México. Nascida em lar católico, a atriz foi umbandista por mais de vinte anos, até que em 1996 converteu-se ao Budismo de Nitiren.

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Prêmios, indicações e homenagens

Faria destacou-se pela primeira vez na novela Pigmalião 70 (1970), que lhe rendeu o Troféu Helena Silveira de Melhor Atriz. No cinema, ganhou reconhecimento com A Estrela Sobe (1974), recebendo o Prêmio Air France de Melhor Atriz. Alcançou o estrelato com a personagem Lazinha em O Espigão (1974), conquistando o Prêmio APCA de Melhor Atriz de Televisão, repetido em Pecado Capital (1978). Mais tarde, brilhou em Romance da Empregada (1988), pelo qual venceu novamente o Air France e prêmios nos festivais de Havana e Rio, além de ser premiada como Melhor Atriz no Festival de Gramado por Anjos da Arrabalde (1987).==Referências==

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Fontes consultadas

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