Antonio Candido
Antonio Candido de Mello e Souza foi um sociólogo, crítico literário e professor universitário brasileiro. Estudioso da literatura brasileira e estrangeira, é autor de uma obra crítica extensa, respeitada nas principais universidades do Brasil. Foi professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) onde, entre outros feitos, introduziu, em 1962, a Literatura Comparada, transformando a disciplina de Teoria Literária em Teoria Literária e Literatura Comparada.
Antônio Candido nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, enquanto a cidade ainda era capital federal do país, filho do médico Aristides Candido de Mello e Souza e de Clarisse Tolentino de Mello e Souza. O autor passou a infância entre os limites geográficos e culturais de Minas Gerais e São Paulo (Cássia, Poços de Caldas e São João da Boa Vista), para fixar-se na cidade de São Paulo em 1937. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH) — ambas vinculadas a Universidade de São Paulo (USP) — em 1939, tendo abandonado a primeira no quinto período e se formado em Ciências Sociais em 1942.
Imagem: Henrique Oscar Loeffler · BY-NC-ND · Openverse
Iniciou sua carreira como crítico na revista Clima (1941-1944), juntamente com Paulo Emílio Salles Gomes, Alfredo Mesquita, Décio de Almeida Prado, Gilda Rocha de Mello e Souza (filha de um primo de Mário de Andrade), com quem veio a se casar, e outros.
Professor da USP
Em 1942 ingressou no corpo docente da Universidade de São Paulo (USP) como assistente de ensino do professor Fernando de Azevedo, na cadeira de Sociologia II, onde foi colega de Florestan Fernandes. A partir de 1943 passou a colaborar com o jornal Folha da Manhã, em que escreveu diversos artigos e resenhou os primeiros livros de João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector. Candido foi o primeiro crítico literário a tecer uma crítica sobre a obra de Clarice. No ano de 1945, obteve o título de livre-docente na universidade com a tese Introdução ao Método Crítico de Sílvio Romero. Posteriormente em 1954, o grau de doutor em Ciências Sociais com a tese Parceiros do Rio Bonito, ainda hoje um marco nos estudos brasileiros sobre sociedades tradicionais. Entre os anos de 1958 e 1960 foi professor de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, hoje integrada à Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Relação com a Unicamp
Cândido teve uma relação ímpar com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A convite do então reitor da Unicamp, Zeferino Vaz foi um dos fundadores do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (IEL), órgão de pesquisa literária e linguística da universidade. O professor permaneceu na instituição por cinco anos como professor e foi um dos gestores do instituto, criando departamentos e participando da implantação do IEL. Em sua homenagem, a biblioteca do instituto ganhou o seu nome. Sua biblioteca pessoal, que contava com mais de seis mil livros, foi doada à instituição após a sua morte por suas três filhas, no ano de 2018. O termo de doação foi assinado durante uma reunião no Gabinete do Reitor, Marcelo Knobel, com a presença da historiadora Marina de Mello e Souza, uma das filhas de Antonio Candido. Segundo ela, ao longo da vida o professor fez diversas doações de livros a outras entidades, mas o que chegaram à coleção da Unicamp "são a essência de sua formação e do que ele considerava central, desde coisas que lia quando criança ou adolescente, o que leu a vida inteira e as manias (...). Estes livros são o retrato da trajetória dele, a seleção que ele fez”. Antes do deslocamento dos livros, bibliotecários da Unicamp foram até o apartamento onde Antonio Candido morava, em São Paulo, para mapear a biblioteca particular e preservar as informações sobre como os livros estavam agrupados, visando replicar a ordenação das obras na biblioteca da Unicamp.
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Paralelo às atividades literárias, Candido militou no Partido Socialista Brasileiro (PSB) e participou do Grupo Radical de Ação Popular, integrado também por Paulo Emílio Salles Gomes, Germinal Feijó, Paulo Zingg e Antônio Costa Correia, editando um jornal clandestino, de oposição ao governo ditatorial de Getúlio Vargas, chamado Resistência. Antônio Candido ajuda a consolidar a União Democrática Socialista (UDS). Com a dissolução desta última, adere à Esquerda Democrática, que em 1947 se funde com os remanescentes da UDS, para formar o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi candidato a deputado estadual por essa sigla, na qual ocupou o cargo de dirigente da seção paulista e militou até 1954. Posteriormente, participou do processo de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), onde, entre outras funções, foi Presidente do 1º Conselho Curador da Fundação Wilson Pinheiro, fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1981, antecessora da Fundação Perseu Abramo.
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Antônio Candido foi casado com Gilda de Mello e Souza, professora de Estética no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Falecida no Natal de 2005 (25 de dezembro), Gilda era filha de um primo do escritor Mário de Andrade, com quem conviveu na mesma casa por 12 anos e cuja obra ela estudou, especialmente em O Tupi e o Alaúde. Candido deixou três filhas: Ana Luísa e as também professoras de História da USP, Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza. Mesmo discreto, aposentado e afastado da vida social e acadêmica, era frequentemente requisitado por alunos e instituições, por conta de sua erudição.
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Antônio Candido morreu em 12 de maio de 2017, em São Paulo, em decorrência de uma hérnia de hiato inoperável.


