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Relações internacionais

As relações internacionais visam ao estudo sistemático das relações políticas, econômicas e sociais entre diferentes países cujos reflexos transcendam as fronteiras de um Estado, as empresas, tenham como locus o sistema internacional. Entre os atores internacionais, destacam-se os Estados, as empresas transnacionais, as organizações internacionais e as organizações não-governamentais. Pode se focar tanto na política externa de determinado Estado, quanto no conjunto estrutural das interações entre os atores internacionais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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História das relações internacionais

Os estudos das relações internacionais começaram há milhares de anos; desde a interação das antigas cidades-estado sumérias , a partir de 3.500 a.C., como o primeiro sistema internacional completo. Análises das políticas externas de cidades-estados soberanas foram feitas em tempos antigos, como na análise de Tucídides sobre as causas da Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, bem como por Nicolau Maquiavel em O Príncipe, publicado em 1532, onde analisou a política externa da cidade-estado renascentista de Florença. O campo contemporâneo das relações internacionais, no entanto, analisa as conexões existentes entre Estados-nação soberanos. Isto faz do estabelecimento do sistema estatal moderno o ponto de partida natural da história das relações internacionais. O estabelecimento de estados soberanos modernos como unidades políticas fundamentais remonta à Paz de Vestfália de 1648 na Europa. Durante a Idade Média anterior, a organização europeia da autoridade política baseava-se numa ordem religiosa vagamente hierárquica. Ao contrário da crença popular, a Vestfália ainda incorporava sistemas de soberania em camadas, especialmente dentro do Sacro Império Romano-Germânico. Mais do que a Paz de Vestfália, pensa-se que o Tratado de Utrecht de 1713 reflecte uma norma emergente de que os soberanos não tinham iguais internos dentro de um território definido e nenhum superior externo como autoridade final dentro das fronteiras soberanas do território. Estes princípios sustentam a moderna ordem jurídica e política internacional.

Construção do campo de estudo

As relações internacionais surgem como um domínio teórico da ciência política no período imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial. Usualmente, se reporta ao Royal Institute of International Affairs, fundado em 1920, o pioneirismo no estudo exclusivo às relações internacionais. No mesmo período, a London School of Economics inauguraria um Departamento de relações internacionais, que posteriormente seria importante para a construção de teorias da escola inglesa de relações internacionais. O primeiro curso de Graduação em Relações Internacionais do Brasil foi criado em 1974, na Universidade de Brasília. O primeiro programa de doutorado em relações internacionais do Brasil foi criado em 2001 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

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Teoria

Imagem: CNA Brasil · BY-NC-SA · Openverse

Posteriormente, desenvolver-se-iam estudos focados na ação estratégica dos Estados no intuito de conservarem e ampliarem seu poder, tendo como elemento empírico de análise essencialmente a ação diplomática e bélica dos países modernos. Esses fatores ganham relevância principalmente devido ao contexto histórico: os estudos que inauguram as R.I. como disciplina autônoma se dão durante a Guerra Fria, e seus teóricos mais eminentes dissertam em universidades americanas; de modo que o pensamento internacional daquela época refletia a doutrina política seguida pelo governo americano desses tempos. Denominou-se escola realista o grupo de acadêmicos que seguiu essa linha de pesquisa, e de Realismo sua concepção teórica. Desta corrente, destacam-se Kenneth Waltz e Hans Morgenthau. Mais a frente, com o desenvolvimento do capitalismo no mundo liberal, consequência da tendência que se firmara a partir da década de 1960 no então chamado "Primeiro Mundo" para a internacionalização dos fluxos de capitais rumo aos espaços econômicos periféricos; conjuntura que se configurava com a proeminência do capital americano na economia internacional, surgem teóricos que questionam a validade das concepções realistas sobre as relações políticas entre os Estados inseridos no sistema internacional, que, segundo estes, baseava-se fundamentalmente na anarquia.

Vertentes e quadros teóricos

No estudo das relações internacionais, existem múltiplas vertentes teóricas e suas subdivisões que procuram explicar como os Estados e outros atores operam no sistema internacional. Estes geralmente podem ser divididos no realismo, no liberalismo e no construtivismo — as três correntes dominantes do pensamento da disciplina — e na teoria crítica. O quadro realista das relações internacionais assenta no pressuposto fundamental de que o sistema estatal internacional é uma anarquia, sem nenhum poder abrangente que restrinja o comportamento dos Estados soberanos. Como consequência, os Estados estão envolvidos numa luta contínua pelo poder, onde procuram aumentar as suas próprias capacidades militares, poder económico e diplomacia em relação a outros Estados; isto para garantir a proteção do seu sistema político, dos seus cidadãos e dos seus interesses vitais. O quadro realista pressupõe ainda que os Estados atuam como atores unitários e racionais, onde os decisores centrais no aparelho de Estado representam, em última análise, a maior parte das decisões de política externa do Estado. As organizações internacionais são, consequentemente, vistas apenas como ferramentas que os Estados individuais utilizam para promover os seus próprios interesses e são consideradas como tendo pouco poder na definição das políticas externas dos Estados por si próprias. A estrutura realista está tradicionalmente associada à análise da política de poder e tem sido usada para analisar os conflitos entre estados no início do sistema estatal europeu; as causas da primeira e da segunda guerras mundiais, bem como o comportamento dos Estados Unidos e da União Soviética durante a Guerra Fria. Em cenários como estes, o quadro realista traz grandes percepções interpretativas para explicar como as lutas pelo poder militar e económico dos Estados levam a conflitos armados maiores.

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Fontes consultadas

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