Madeira (região autónoma)
A Madeira é uma região e arquipélago situada no Oceano Atlântico, com a capital localizada na cidade do Funchal, tendo 250 769 habitantes em 2021, sendo a sexta região mais populosa do país, com uma densidade populacional de 313 hab./km2, sendo a segunda maior área urbana do país, e uma área total de 801 km2, sendo a sétima região mais extensa do país.
Antes do povoamento
Uma das teorias dos historiadores é de que as ilhas da Madeira e Porto Santo foram descobertas primeiro pelos antigos romanos e que ficaram conhecidas como as "Ilhas de púrpura", mas é um assunto relativamente debatido entre os historiadores e não se encontrou um consenso, dado poder referir-se a outras ilhas mais a sul. Mais tarde o arquipélago foi então redescoberto pelos portugueses que em primeiro lugar descobriram a ilha do Porto Santo em 1418 por intermédio de João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira; depois, a ilha da Madeira em 1419, por intermédio de Bartolomeu Perestrelo, João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira. As ilhas do arquipélago da Madeira já seriam conhecidas antes da chegada dos portugueses, a crer em referências presentes em obras, bem como na representação destas em cartas geográficas. Entre as obras que se referem à Madeira salientam-se passagens do Libro del Conoscimiento (após 1385), obra de um espanhol, na qual as ilhas são referidas pelo nome de "Leiname", "Diserta" e "Puerto Santo" em 1419.
Povoamento
Em 1418 a ilha do Porto Santo foi descoberta por João Gonçalves Zarco e por Tristão Vaz Teixeira. No ano seguinte estes navegadores, acompanhados por Bartolomeu Perestrelo, chegam à Ilha da Madeira, Mais precisamente no Município de Machico. Tendo sido notadas as potencialidades das ilhas, bem como a importância estratégica destas, iniciou-se por volta de 1425 a colonização, que terá sido uma iniciativa de D. João I ou do Infante D. Henrique. Os três capitães-donatários levaram, na primeira viagem, as respectivas famílias, um pequeno grupo de pessoas da pequena nobreza, gente de condições modestas e alguns antigos presos do reino. Os primeiros colonos provinham da região do Algarve e mais tarde da região norte do continente.
Da queda da produção cerealífera ao Vinho da Madeira
A primeira atividade agrícola local com grande relevo foi a cultura cerealífera do trigo. Inicialmente, os colonizadores produziam trigo para a sua própria subsistência mas, mais tarde, este passou a ser um produto de exportação para o reino. No entanto, inexplicavelmente, a produção cerealífera entrou em queda. Para superar a crise o infante D. Henrique resolveu mandar plantar na ilha da Madeira a cana-de-açúcar — rara na Europa e, por isso, considerada especiaria —, promovendo, para isso, a vinda, da Sicília, da soca da primeira planta e dos técnicos especializados nesta cultura. A produção de açúcar rapidamente conferiu à metrópole funchalense uma franca prosperidade económica. Este facto levou a que na segunda metade do século XV, a cidade do Funchal tenha se tornado num porto de escala obrigatório para as rotas comerciais europeias. A cultura da cana foi por excelência um dinamizador da economia insular.
O papel da Madeira na época dos descobrimentos
A Madeira serviu também como modelo para a colonização do Brasil, baseado nas capitanias hereditárias e nas sesmarias, conforme atesta a nomeação de Pero de Góis por D. João III, em 25 de agosto de 1536, quando o rei determina que exercesse o cargo da maneira que ele deve ser feito e como o é o provedor da minha fazenda na Ilha da Madeira. No Brasil, os madeirenses tiveram também importante participação na Insurreição Pernambucana, contra a ocupação holandesa. Durante o século XV a Madeira desempenhou um importante papel na expansão marítima portuguesa. Tornou-se também famosa pelas rotas comerciais que ligavam o porto do Funchal a toda a Europa. E foi no arquipélago da Madeira que o mercador Cristóvão Colombo aprofundou os conhecimentos da arte de navegar e planeou a sua célebre viagem para a América.
Religião
A população do arquipélago da Madeira é historicamente seguidora do catolicismo romano, embora hoje em dia essa identificação tenda a ser, em parte, nominal. A Diocese do Funchal foi criada a 12 de junho de 1514 através da bula Pro Excellenti Praeeminentia do papa Leão X, em resultado de um pedido do rei D. Manuel I. Em 1536, papa o Papa Paulo III desligou o bispado da Ordem de Cristo. Esta diocese, cujo primeiro bispo foi Diogo Pinheiro, teve a maior jurisdição do mundo, já que esta era alargada aos territórios com presença portuguesa em África, no Brasil, Índia e China. Em 1533, o papa Clemente VII elevaria a diocese a arcebispado, que seria extinguido em 1551, passando novamente a diocese dependente do arcebispado de Lisboa. Em 1991, a Madeira recebeu a visita do papa João Paulo II, primeiro Papa a visitar a ilha. D. António José Cavaco Carrilho é o bispo da diocese desde maio de 2007, sucedendo a D. Teodoro de Faria que renunciou em virtude de já ter ultrapassado a idade canónica para exercer o cargo.
O temporal de 2010
A 20 de fevereiro de 2010, um forte temporal causou inundações e deslizamento de terras, provocando pelo menos 48 mortos e cerca de 250 feridos. Os concelhos mais afetados foram o Funchal e Ribeira Brava, onde várias pontes ruíram e estradas e caminhos cederam ou foram levados pelas águas. No Funchal as três maiores ribeiras transbordaram, causando grande destruição. Várias residências ficaram soterradas por deslizamentos, e a capela de Nossa Senhora da Conceição, no Monte, foi levada pelas águas. Foi declarada pelo governo português a observância de três dias de luto nacional.
Localização
O arquipélago da Madeira situa-se na placa africana, no oceano Atlântico entre 30° e 33° de latitude norte, 978 km a sudoeste de Lisboa, cerca de 700 km a oeste da costa africana, quase à mesma latitude de Casablanca e 450 km a norte das Canárias. Das sete ilhas, apenas as duas maiores (Madeira e Porto Santo) são habitadas, tendo, como principais acessos, o Aeroporto da Madeira no Funchal e o do Porto Santo. Por via marítima, o Funchal possui um porto que recebe vários navios, principalmente cruzeiros; e três das restantes ilhas são habitadas por vigilantes da natureza, biólogos/geólogos e Polícia Marítima que protegem estas reservas naturais (Reserva Natural das Ilhas Desertas e Reserva Natural das Ilhas Selvagens).
Território e clima
O território do arquipélago contém duas ilhas principais: a Ilha da Madeira e a ilha do Porto Santo; além destas, existem dois grupos de ilhas, as Ilhas Desertas e as Selvagens. A Ilha da Madeira possui uma orografia bastante acidentada, sendo os pontos mais altos o Pico Ruivo (1 862 m), Pico das Torres (1 851 m) e o Pico do Arieiro (1 818 m). A costa norte é dominada por altas arribas e na parte ocidental da ilha surge uma região planáltica, o Paul da Serra (1 300–1 500 m). O relevo, bem como a exposição aos ventos predominantes, fazem com que na ilha existam diversos micro-climas o que, aliado ao exotismo da vegetação, constitui um importante factor de atracção para o turismo, principal actividade da região. A precipitação é mais elevada na costa norte do que na costa sul. Não existem grandes variações térmicas durante todo o ano mantendo-se o clima ameno.
Geomorfologia
O arquipélago da Madeira faz parte da Macaronésia e está situada na placa Africana. Localiza-se num extremo da cadeia montanhosa (submarina) Tore,[desambiguação necessária] sentido NE/SO. Considera-se um ponto quente, daí a sua natureza vulcânica e a direcção NE que o arquipélago desenha. De maneira sumária, o arquipélago tem a sua génese durante a criação do Atlântico Norte, começando a desenvolver-se durante o período Cretácico, há aproximadamente 130 milhões de anos. A ilha do Porto Santo foi a primeira a formar-se, há 19 milhões de anos, durante o Mioceno, emergindo 11 milhões de anos depois (há 8 milhões de anos). A mais recente é a ilha da Madeira, com a mesma data de formação, tendo emergido durante a transição do Mioceno para o Plioceno, há aproximadamente cinco milhões de anos, apresentando actualmente um relevo menos erodido que as restantes ilhas.
Apesar de possuir uma densidade populacional (cerca de 300 hab./km²) superior à média do país e mesmo da UE, 75% da população da ilha da Madeira habita em apenas 35% do território, sobretudo na costa sul, onde se encontra a cidade do Funchal, capital da Região Autónoma da Madeira, que concentra 45% da população (130 000 habitantes), com uma densidade populacional de 1 500 hab./km2. É também nesta zona que se localiza a maior parte das unidades hoteleiras. A população estrangeira que reside na Madeira estava fixada em 6 720, em 2017, o que representa uma subida de 10% face ao período homólogo. A comunidade oriunda da Venezuela apresenta maior expressão com 14,4%, seguida do Reino Unido (14,2%), Brasil (12,1%), e Alemanha (7,0%). Em 2017 a comunidade da Venezuela passou de 703 para os 970, o que representa um aumento de 38%. É de assinalar ainda as subidas das comunidades do Reino Unido, Alemanha, e Brasil. O Funchal concentra 59,2% da comunidade estrangeira residente na Madeira, enquanto 13,8% se situa em Santa Cruz e 7,3% na Calheta.
Desde 1976, a Madeira é uma região autónoma da República Portuguesa. Possui órgãos de governo como a Assembleia Legislativa da Madeira e o Governo Regional. O Estado Português é representado na região pelo Representante da República para a Região Autónoma da Madeira, cargo ocupado por Pedro Barreto Ferreira. A Assembleia Legislativa é um parlamento unicameral composto atualmente por 47 deputados. Os deputados são eleitos para um mandato de quatro anos em listas apresentadas pelos partidos num círculo eleitoral único (ao contrário do que se passava até às eleições de 2004, em que os círculos eleitorais correspondiam aos municípios e o número de deputados era 68). Os partidos presentes na Região Autónoma da Madeira encontram-se ligados aos grandes partidos do espectro político português.
Eleições autárquicas
Legenda de partidos, coligações e grupos de cidadãos eleitores:
A divisão administrativa do arquipélago consiste em 11 municípios: Calheta, Câmara de Lobos, Funchal, Machico, Ponta do Sol, Porto Moniz, Porto Santo, Ribeira Brava, Santa Cruz, Santana e São Vicente.
Agricultura
A agricultura foi historicamente o sector dominante na economia madeirense, a partir da qual vivia a maior parte de população. Apesar do solo vulcânico ser fértil, o relevo montanhoso (que conduziu à plantação em socalcos ou poios como são conhecidos regionalmente) impede a mecanização. Ao nível da organização do espaço agrícola podem ser distinguidos três andares. Nas terras de baixa altitude junto ao mar localizam-se as culturas de maior rendimento, como a banana da Madeira, a anona, a manga, cana-de-açúcar e o maracujá e outras espécies tropicais. No nível intermédio situam-se culturas alimentares como a batata, feijão, trigo e milho e árvores de fruta da região mediterrânea (figueira, nespereira), em sistema de policultura. Nas altitudes mais elevadas encontram-se os pastos, pinhais e bosques. A ilha da Madeira é famosa pela qualidade das frutas de anona, que são cultivadas até uma altitude de 550 m acima do nível do mar na costa sul da ilha e até 280 m acima do nível do mar no norte da ilha.
Indústria
A actividade industrial na R.A.M. tem vindo a tornar-se cada vez mais diversificada, destacando-se no entanto ainda pequenas indústrias como as orientadas para o consumo local (massas alimentícias, lacticínios, produção e embalagem de açúcar, cimentos, entre outras) e as de carácter artesanal: bordados Madeira, tapeçaria e artigos de vime. A indústria existente concentra-se nos concelhos do Funchal, Câmara de Lobos, Santa Cruz e Machico. Contribuindo de forma muito positiva para o desenvolvimento económico da Madeira, não pode ser esquecida a actividade desenvolvida pela Zona Franca Industrial da Madeira, no Caniçal, a qual integra as actividades financeira, industrial e comercial e é constituída por um conjunto de incentivos fiscais e financeiros de que podem beneficiar todas as empresas que ali se instalem.
Turismo
O turismo na Madeira constitui uma fonte média de receitas da economia madeirense e por isso afirma-se que a ilha vive e respira Turismo. Com uma economia dependente do turismo é necessário a criação de eventos apelativos que aumentem a procura pela ilha. Desde então a Madeira tem já vários cartazes turísticos frequentes anualmente tais como: As tradições cristãs da época do Natal, muito entranhadas nos hábitos do povo madeirense, conjugam-se com as manifestações de regozijo pela chegada do novo ano num programa rico e extenso de manifestações de carácter cultural, etnográfico e artístico que se iniciam no mês de novembro, com a abertura das iluminações nas ruas do centro do Funchal, e abrange todo o mês de dezembro, prolongando-se até ao dia de Reis.
O arquipélago da Madeira possui as seguintes geminações:


