Partido Democrático Trabalhista
O Partido Democrático Trabalhista (PDT) é um partido político brasileiro de centro-esquerda à esquerda. Foi fundado em 26 de maio de 1980, em meio ao início do processo de abertura política da ditadura militar, sendo alinhado às ideologias trabalhista, socialista democrática e nacionalista. Seu símbolo é "o punho e a rosa", um tradicional símbolo social-democrata criado por Didier Motchane inicialmente para o Partido Socialista francês e usado posteriormente por outros partidos e organizações de esquerda, como o PSOE da Espanha, o Partido Trabalhista britânico e a Internacional Socialista. O código eleitoral do partido é o 12. Com 1.081.821 filiados em dezembro de 2025, é o sexto maior do país, o segundo maior no Rio Grande do Sul e o maior no Rio de Janeiro.
O PDT é um dos partidos políticos brasileiros mais tradicionais, criado após a abertura política no final da ditadura militar. Seu legado é herdado do antigo Partido Trabalhista Brasileiro, fundado em 1945, com base eleitoral no operariado urbano e forte ligação com os sindicatos. O partido teve dois líderes que foram eleitos pelo voto direto a presidência da República: Getúlio Vargas, de 1951 a 1954 que, pressionado por setores da imprensa e do exército para a renúncia, terminou o mandato com seu suicídio, e João Goulart, eleito vice-presidente e assumindo o cargo com a renúncia de Jânio Quadros (do Partido Trabalhista Nacional). Em meio a uma crise institucional, militares conservadores tentaram impedir a posse de Goulart, dando início a Campanha da Legalidade, comandada por Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul pelo PTB. Goulart é empossado num sistema parlamentarista, amplamente rejeitado pela população em um plebiscito que, dois anos depois, culminaria no retorno do presidencialismo. Em 1964, Goulart seria deposto por um golpe militar liderado pelo alto escalão do Exército e, em outubro de 1965, através do AI-2, o PTB seria extinto, assim como todos os partidos políticos até então existentes. Depois de tentativas frustradas de resistência, Leonel Brizola exilou-se no Uruguai. Até o final da década de 1970, a inteligência norte-americana ajudou nos esforços das ditaduras latino-americanas a controlar Brizola, havendo, mais tarde, mudanças da política externa dos EUA para a América Latina, ocorrida com o governo de Jimmy Carter, orientadas contra o abusos aos direitos humanos internacionais.
Fundação
O marco da fundação do PDT ocorreu após a tentativa de refundação do PTB entre 1978-1980, culminando com a elaboração da Carta de Lisboa, de 17 de junho de 1979. Lançada no Encontro dos Trabalhistas em Lisboa, , este documento apontava a respeito sobre a formação do PTB em novas bases, a partir da linha socialista adotada pela organização. Com a iminência da assinatura da Lei da Anistia, Leonel Brizola, que, após a morte de João Goulart, se tornara o líder natural do trabalhismo democrático brasileiro, convocou personalidades progressistas, ativistas da esquerda pós-1964 e intelectuais que se encontravam no exílio, assim como outros jovens, quadros e dirigentes trabalhistas vindos do Brasil, ao "Encontro dos Trabalhistas do Brasil com Trabalhistas no Exílio" realizado na cidade de Lisboa, em Portugal, para um congresso com vistas a reorganizar o movimento trabalhista no Brasil, juntamente com socialistas ligados ao secretário-geral do Partido Socialista português e ex-primeiro-ministro de Portugal Mário Soares.
A disputa pela legenda do PTB
Com a anistia política concedida em agosto de 1979, e a volta do pluripartidarismo ao sistema eleitoral brasileiro, muitos políticos, ao voltarem do exílio, tentaram recuperar os antigos partidos políticos que existiam antes do início da Ditadura Militar (período pré-1964). Com a morte de João Goulart no exílio em 6 de dezembro de 1976, Leonel Brizola surgiu naturalmente como o principal líder do antigo PTB e, antes de sua chegada ao país, tentou reorganizar a legenda. Porém, Brizola teria que enfrentar a ação concorrente de Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio Vargas, que também reivindicou, para si, o controle da legenda do PTB. Após disputas judiciais, o TSE decidiu, finalmente, conceder a legenda ao grupo liderado por Ivete Vargas, que agrupava políticos que não coadunavam com os ideais trabalhistas históricos do partido, sem também possuírem uma história partidária no antigo PTB. Nomes como o de Jânio Quadros (político que se elegeu Presidente da República em 1960 fazendo oposição ao PTB) e Sandra Cavalcanti (secretária de Carlos Lacerda, da União Democrática Nacional - UDN) encontraram abrigo no novo PTB. Na época, acusou-se Golbery do Couto e Silva de tramar a cessão da sigla para Ivete, a fim de enfraquecer o grupo de Brizola, então um dos políticos mais populares do país, e ferrenho opositor da ditadura.
Década de 1980
Dando sequência ao processo de abertura política no país, o regime militar restabeleceu o pluripartidarismo e convocou as primeiras eleições gerais diretas (com exceção dos cargos de Presidente da República, prefeitos de capitais e prefeitos de cidades designadas como áreas de segurança nacional) em 1982. Com apenas um ano de existência, o PDT saiu das eleições como o terceiro maior partido brasileiro, ficando atrás somente dos partidos tradicionais, PDS (substituto da ARENA) e PMDB (substituto do MDB), e se apresentando como a primeira força de esquerda do país, posição que manteria até meados da década de 1990. Nas eleições majoritárias (governos estaduais e renovação de 1/3 do Senado Federal), o PDT foi o único dos novos partidos a conseguir vitórias.
Década de 1990
As eleições gerais no Brasil em 1990 marcaram o apogeu do PDT, com a eleição de 3 governadores de estado: Leonel Brizola no Rio de Janeiro, Alceu Collares no Rio Grande do Sul, e Albuíno Azeredo no Espírito Santo. Além disso, elegeu 46 deputados federais, a melhor performance eleitoral de toda a sua história. No plano nacional, o partido se posicionou como oposição ao governo Collor. Apesar de as eleições de 1990 terem sido o auge do partido no campo eleitoral, sua situação ao longo da década foi de declínio, acentuado após as eleições de 1994, passando a dividir, com o Partido dos Trabalhadores, a liderança da esquerda no plano nacional, e vindo até mesmo ser ultrapassado por este no fim da década.
Década de 2000
Com seu último grande esvaziamento, o PDT somou apenas 6,6% dos votos nacionais nas eleições municipais de 2000, ficando apenas como o sétimo maior partido nacional, caindo para a classificação de partido de porte médio. Em 2001, após serem expulsos do PSDB, os irmãos senadores Álvaro Dias e Osmar Dias, do Paraná, ingressam no PDT por convite de Leonel Brizola. Nas eleições de 2002, o PDT resolveu não lançar candidato a presidente, porém, formou a Frente Trabalhista com o PPS e o PTB, apoiando a candidatura de Ciro Gomes, que não obteve sucesso, conseguindo somente a quarta colocação. No segundo turno, o PDT resolveu apoiar o candidato do PT, Lula, que venceu a eleição contra o candidato da situação, José Serra, do PSDB.
Década de 2010
O partido se posicionou oficialmente contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff, mas, na votação da Câmara dos Deputados do Brasil, forneceu 6 votos favoráveis, 12 contrários e 1 abstenção. Foram favoráveis os deputados: Flávia Morais (GO), Giovani Cherini (RS), Hissa Abrahão (AM), Mário Heringer (MG), Sergio Vidigal (ES) e Subtenente Gonzaga (MG). Votaram contra os deputados: Vicente Arruda (CE), Weverton Rocha (MA), Wolney Queiroz (PE), Afonso Motta (RS), Ariosto Holanda (CE), Assis do Couto (PR), Dagoberto (MS), Damião Feliciano (PB), Félix Mendonça Jr. (BA), Leônidas Cristino (CE), Roberto Góes (AP) e Ronaldo Lessa (AL). Se absteve o deputado Pompeo de Mattos (RS).
O símbolo do partido reflete sua ideologia. Trata-se da "mão segurando a rosa", representando a social-democracia (a rosa é o socialismo e a mão, os valores humanistas e democráticos), símbolo da Internacional Socialista, da qual ao partido faz parte. Por outro lado, apesar do trabalhismo ser hegemônico, dentro do PDT existem também outras correntes de esquerda, em que dentre suas principais está a Ação Popular Revolucionária, de alinhamento comunista e marxista-leninista, que possui como patrono o líder socialista Luís Carlos Prestes e defende uma revolução do proletariado.
Trabalhismo
O trabalhismo é um conceito que começa a ser estabelecido a partir da Revolução Industrial, quando começa a se organizar um movimento com vista à melhoria da condição de vida dos trabalhadores. Este movimento começa a crescer e a gerar diferentes ideologias na defesa desse ideal, tendo uma variação de abordagem em relação ao tema. Nesse aspecto, se encontram desde as ideologias mais brandas como a democracia-cristã, passando pelo próprio trabalhismo, social-democracia, socialismo e chegando até às mais radicais como o comunismo e o anarquismo. A ideologia trabalhista tem início na Inglaterra, com a criação de sindicatos de trabalhadores que visam a lutar pela melhoria da qualidade de suas vidas, assim como a busca da regulação da atividade trabalhadora, bem como a busca pelo estabelecimento de direitos e garantias aos trabalhadores, tendo, como exemplo, o fim do trabalho infantil, o direito ao descanso semanal remunerado, um limite na jornada de trabalho etc.
Os números das bancadas representam o início de cada legislatura, desconsiderando, por exemplo, parlamentares que tenham mudado de partido posteriormente
Eleições estaduais
Em negrito estão os candidatos filiados ao PDT durante a eleição.Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PDT compôs.Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores.Não estão listados os futuros suplentes empossados. Em negrito estão os candidatos filiados ao PDT durante a eleição.Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PDT compôs.Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores.Não estão listados os futuros suplentes empossados.


