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Partido Republicano Português

O Partido Republicano Português foi o partido que propôs e conduziu à substituição da Monarquia Constitucional por uma República Liberal Parlamentar, em Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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Origem

Imagem: Dereck Camacho · BY-SA · Openverse

Ele é originário, matricialmente e no contexto europeu, do jacobinismo da Revolução Francesa de 1789: liberdade, igualdade e fraternidade, a bandeira das esperanças progressistas no decurso do século XIX. Embora o republicanismo pudesse já existir em Portugal, latente, na corrente mais à esquerda das Cortes Gerais de 1820, assim como na ideologia setembrista (a partir de 1836) e na Patuleia (1846–47) — embora esta rebelião fosse uma mistura muito heterogénea da esquerda setembrista, de elementos miguelistas e de um populismo serôdio baseado nos meios rurais do país — o movimento republicano português, ativado com as inaugurações do Centro Republicano Democrático em Abril 1876 e do Centro Republicano Federal em Janeiro de 1879, ambos radicados em Lisboa, havia de se constituir progressivamente no Partido Republicano Português, a partir do Congresso Republicano de Junho de 1883, reunido igualmente na capital portuguesa, nas salas do Clube Henriques Nogueira.

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Criação, diretório e primeiros deputados

Imagem: Rui Carita · BY-SA · Openverse

Em 3 de Abril de 1870 foi eleito um Diretório Republicano Democrático, que se pode considerar o embrião do Partido Republicano. Em 25 de Março de 1876 foi legalmente criado, com consentimento do rei D. Luís, o Partido Republicano e, em 3 de Abril do mesmo ano foi eleito o seu primeiro diretório, de que faziam parte Oliveira Marreca, Latino Coelho, Elias Garcia, Consiglieri Pedroso. Em Novembro de 1878 foi eleito pelo Porto o primeiro deputado apresentado em Portugal aos eleitores como republicano, José Joaquim Rodrigues de Freitas, que anteriormente (1870–1874) fora deputado pelo Partido Histórico. Em 1879 é eleito um novo diretório, de que faziam parte os dois primeiros do grupo anterior e ainda Sousa Brandão, Bernardino Pinheiro e Eduardo Maia. Até 1890, data do Ultimato, o Partido Republicano teve pouca adesão eleitoral (não teve mais de 2 deputados, que foram sucessivamente eleitos em 1884, 1887 e 1889), adesão diminuída pela concorrência do Partido Socialista que embora nunca tivesse conseguido eleger um único deputado, retirava ao Partido Republicano uma parte dos votos contrários aos partidos monárquicos. Porém, nas eleições logo a seguir ao Ultimato o Partido Republicano conseguiu eleger 3 deputados por Lisboa (Elias Garcia, Latino Coelho e Manuel de Arriaga).

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Programa

Imagem: Rui Carita · BY-SA · Openverse

O programa do PRP (Partido Republicano Português) era mais específico nas reivindicações de carácter marcadamente político: igualdade (civil e política); liberdade em todas as suas manifestações; governo do povo pelo povo; justiça democrática. Quanto ao escopo económico e social, a reivindicação mais significativa que apresenta é: «a liberdade de troca assegurada por uma legislação liberal em assuntos económicos; abolição dos direitos de consumo cobrados pelo Estado». Na verdade o republicanismo é um liberalismo que, buscando incorporar uma mística patriótica, ou remoçá-la, concebe a «ideia dum ressurgir da pátria portuguesa» mediante um «governo do povo pelo povo». Mas, considerava Basílio Teles, «com que direito perguntam ao partido republicano por um programa? […] A monarquia em Portugal tem sido isto: a incompetência, o impudor, a opressão. A estes artigos de fé de regeneradores e progressistas compreende-se que não houvesse senão um ato de caridade a contrapor por homens que não viam ideias a combater, mas atentados a punir: a demolição sumária do regime».

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Regicídio de 1908

Imagem: Rui Carita · BY-SA · Openverse

O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido na Praça do Comércio (mais conhecida por Terreiro do Paço), em Lisboa, marcou profundamente a História de Portugal, uma vez que dele resultou a morte do Rei D. Carlos e do seu filho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luís Filipe. O atentado ficou-se a dever ao progressivo desgaste do sistema político português, vigente desde a Regeneração, em parte devido à erosão política originada pela alternância e rotatividade de dois partidos no Poder: o Progressista e o Regenerador. O Rei, como árbitro do sistema político, papel que lhe era atribuído pela Constituição, havia designado João Franco para o lugar de Presidente do Conselho de Ministros (chefe do Governo). Este, dissidente do Partido Regenerador, solicitou ao Rei o encerramento do Parlamento para poder implementar uma série de medidas com vista à moralização da vida política. Com esta medida acirrou-se toda a oposição, não só a republicana (bastante ativa em Lisboa), mas também a monárquica, liderada pelos políticos rivais de Franco.

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Revolução Republicana e reformas do novo sistema

Imagem: Rui Carita · BY-SA · Openverse

Durante o breve reinado de D. Manuel II — que ascendeu ao trono logo após o atentado a D. Carlos, de onde resultou também a morte do seu filho herdeiro Luís Filipe, Duque de Bragança —, o movimento republicano acentuou-se, chegando mesmo a ridicularizar a monarquia. A 3 de Outubro de 1910 estalou a revolta republicana que já se avizinhava no contexto da instabilidade política. Embora muitos envolvidos se tenham esquivado à participação — chegando mesmo a parecer que a revolta tinha falhado — foi também graças à incapacidade de resposta do Governo em reunir tropas que dominassem os cerca de duzentos revolucionários que resistiam de armas na mão. Comandava as forças monárquicas, em Lisboa, o General Manuel Rafael Gorjão Henriques, que se viu impotente para impedir a progressão das forças comandadas por Machado Santos. Com a adesão de alguns navios de guerra, o Governo rendia-se, os republicanos proclamavam a República, e D. Manuel II era exilado.

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