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Nu artístico

Nu artístico é a designação dada à exposição do corpo de uma pessoa nua em diversos meios artísticos. É considerado uma das classificações acadêmicas das obras de arte.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/08/2026
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Fundamentos do nu na arte

O nu teve desde a Grécia Antiga um marcado componente idealizador, pelo general representou-se mais desde o idealismo que desde a imitação naturalista, procurando na forma humana um ideal de perfeição que transcendesse a matéria para evocar a alma, a pureza da união entre corpo e espírito. Assim, os artistas gregos, mais do que imitar o corpo humano, aperfeiçoavam-no. Em palavras de Aristóteles: “a arte completa o que a natureza não pode terminar. Pelo artista conhecemos os objetivos inatingidos da natureza”. Assim, no nu o espectador aprecia erros que não são tais, senão são julgamentos de gosto, reflexões estéticas que derivam de um conceito de beleza ideal inerente a qualquer pessoa. De tal maneira que é impossível estabelecer critérios gerais pelos quais qualquer um nu seja belo para todo o mundo, e alguns autores tentaram — sem sucesso — estabelecer uma “forma média”, baseada nas proporções mais habituais, que, porém não chega a satisfazer ao espectador, pois que a beleza é algo abstrato, incomensurável, utópico, e portanto de difícil realização prática.

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Censura

A representação artística do nu flutuou, na história da arte, da permissividade e tolerância de sociedades que o viam como algo natural, e até mesmo o alentavam como ideal de beleza — como na Grécia Antiga —, até a recusa e a proibição por sociedades de moral mais puritana, nas quais geralmente desde umas premissas baseadas na religião, o nu foi objeto de censura e inclusive de perseguição e destruição das suas obras. Nomeadamente, o cristianismo não tolerou a representação do corpo humano nu exceto em imagens de conteúdo religioso, no qual alguns temas isolados eram justificados pelas sagradas escrituras, como os casos de Adão e Eva, a crucifixão de Jesus ou a representação das almas no inferno. Na Idade Média, estas premissas estavam plenamente assumidas por artistas e pela sociedade em geral, e ao não existir transgressões a esta norma não se contabilizam numerosos casos de censura. Contudo, no Renascimento, a valoração da cultura clássica e o retorno ao antropocentrismo na cultura comportaram um auge do nu, justificado tão somente por motivos mitológicos ou alegóricos, o que propiciou a recusa da Igreja especialmente desde a Contrarreforma. O Concílio de Trento (1563) reservou um papel de destaque na arte, como meio de divulgação do ensinamento religiosa, mas ao tempo o constringiu à mais estrita interpretação das escritas, outorgando ao clero a tarefa de vigiar a correta observância dos preceitos católicos por parte dos artistas.

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Iconografia

O nu teve, especialmente desde o Renascimento, um marcado sentido iconográfico, pois, talvez por pudor, o artista buscou frequentemente uma desculpa temática para poder representar nus, outorgando-lhes um significado geralmente relacionado à mitologia greco-romana e, às vezes, com a religião. Até o século XIX praticamente não há nus “ao natural”, despojados de tudo simbolismo, nus que somente reflitam a esteticidade intrínseca do corpo humano. As fontes iconográficas para estas representações encontram-se nos textos dos autores clássicos greco-romanos (Homero, Tito Lívio, Ovídio), para a mitologia, e na Bíblia (Antigo e Novo Testamento) para a religião. Muitos artistas estavam em dia das diversas temáticas mitológicas ou religiosas, assim como da obra de outros autores, por meio de gravuras e xilografias que circulavam por toda Europa, sobretudo desde o século XVI —poucos eram os artistas realmente eruditos e que podiam extrair informação diretamente das fontes clássicas, como Rubens, que sabia latim e vários idiomas europeus—. Com o tempo, foi forjado um corpus iconográfico que recolhia os principais mitos, lendas, passagens sagrados e relatos históricos, com obras como A lenda dourada de Jacopo da Varazze (século XIII), sobre vidas dos santos e de Jesus Cristo e a Virgem, ou A genealogia dos deuses pagãos de Boccacio (1360–1370), sobre mitologia grega e romana.

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Nu antiestético

O nu costuma identificar-se com a beleza, mas nem todos os nus são belos ou agradáveis, também há representações de personagens nus que podem resultar feios ou repugnantes, ou carentes de qualquer atrativo físico, quer pela sua natureza pouco favorecida, quer por deformidades ou malformações, por estar representados na sua velhice ou por ser personagens malvados ou depravados, ou até mesmo monstros ou seres fantásticos da mitologia (sátiros, silenos) ou da religião (demônios, bruxas). Como no caso da beleza, a fealdade é relativa e com diferente percepção segundo a cultura, o tempo e o lugar: assim como para o homem ocidental uma máscara africana pode parecer horrenda, embora represente um deus benévolo para os seus adoradores, para um não ocidental uma imagem de Cristo crucificado pode resultar desagradável. A fealdade pode ser física ou espiritual, mas também se encontra na deformidade, a assimetria, a desfiguração, a falta de harmonia, e em conceitos de índole moral, como a maldade, a vileza ou a mesquinhez, junto a outras categorias como o grosseiro, o nauseabundo, o repelente, o grotesco, o abominável, o asqueroso, o obsceno, o sinistro, etc.

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Aspectos técnicos: a representação do corpo humano

A representação da figura humana é praticamente o único tema comum presente na arte em toda a história, geografia, técnica ou estilo artístico. Tecnicamente, o estudo do corpo humano baseou-se desde a arte clássica greco-romana num ideal de proporção e harmonia, embora este ideal se represente de jeito aproximadamente realista segundo os diversos estilos artísticos que se foram sucedendo. A proporção é a base de qualquer representação humana; em palavras de Albrecht Dürer: “sem proporção nenhuma figura pode ser perfeita, por muita diligência que se tenha posto na sua realização”. Esta proporção baseou-se ao longo do tempo em diferentes normas ou cânones para a sua realização: no Antigo Egito, a medida básica era o punho fechado e a largura da mão, donde se obtinha um módulo básico que se reproduzia por quadrículas; assim, a cabeça formava três módulos, de ombros a rodelas compreendia dez módulos, e de rodelas a pés, seis. Para os gregos, o ideal era que a altura do indivíduo fosse o equivalente a sete vezes e meia do tamanho da cabeça para adultos, e entre quatro e seis cabeças para crianças e adolescentes. Este cânone provém, segundo a tradição, de Policleto, e é o mais clássico dos usados na Grécia Antiga, embora fossem empregues outros, como o de Lisipo de oito cabeças, ou o de Leocares, de oito cabeças e meia.[nota 4] Outros estudos estabeleciam que a altura podia inscrever-se numa circunferência com centro no púbis, divisível pela sua vez em outras duas, uma superior com centro no esterno e outra inferior com centro na rótula. Em definitiva, é difícil estabelecer um cânone ideal.

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História

Pré-História

Na arte paleolítica o nu estava fortemente vinculado ao culto à fertilidade, como se pode apreciar na representação do corpo humano feminino —as chamadas “venus”—, geralmente de formas algo obesas, com peitos generosos e abultadas cadeiras. Destacam-se as venus de Willendorf, Lespugue, Menton e Laussel. A representação do falo — geralmente ereto —, em forma isolada ou em corpo completo, era igualmente signo de fertilidade, como no chamado Gigante de Cerne Abbas (Dorset, Inglaterra). Também existem casos de representação da figura humana despida na pintura rupestre, reduzida a traços esquemáticos, destacando-se os órgãos sexuais.

Arte clássica

Denomina-se arte clássica à desenvolvida nas antigas Grécia e Roma, cujos progresso tanto científico como materiais e de ordem estética contribuíram para a história da arte um estilo baseado na natureza e no ser humano, onde preponderava a harmonia e o equilíbrio, a racionalidade das formas e dos volumes, e um sentido de imitação ("mimesis") da natureza que estabeleceram as bases da arte ocidental, de tal forma que a recorrência às formas clássicas foi constante ao longo da história na civilização ocidental. Em Grécia desenvolveram-se as principais manifestações artísticas que marcaram a evolução da arte ocidental. Após destacar as culturas minoica e micénica, a arte grega desenvolveu-se em três períodos: arcaico, clássico e helenístico. Grécia foi o primeiro lugar onde se representou o corpo humano de uma forma naturalista, longe do hieratismo e da esquematização das culturas precedentes. Para os gregos, o ideal de beleza era o corpo masculino nu, que simbolizava a juventude e a virilidade, como os atletas dos Jogos Olímpicos, que competiam nus. O nu grego era ao mesmo tempo naturalista e idealizado: naturalista quanto à representação fidedigna das partes do corpo, mas idealizado quanto à procura de umas proporções harmoniosas e equilibradas, recusando um tipo de representação mais real que mostrasse as imperfeições do corpo ou as enrugas da idade.

Arte medieval

A queda do Império Romano do Ocidente marcou o começo na Europa da Idade Média, etapa de certa decadência política e social, pois a fragmentação do império em pequenos estados e a dominação social da nova aristocracia militar implicou a feudalização de todos os territórios do antigo Império. O cristianismo impregnou a maior parte da produção artística medieval, na qual se sucederam diversas fases: desde a arte paleocristã, passando pela pré-românica, até o românico e o gótico, incluindo a arte bizantina e a dos povos germânicos. Com o desaparecimento das religiões pagãs perdeu-se a maior parte do conteúdo iconográfico relacionado ao nu, que ficou circunscrito às escassas passagens das Bíblia. Nos poucos casos de representação do nu são figuras angulosas e deformadas, afastadas do harmonioso equilíbrio do nu clássico, quando não são formas deliberadamente feias e moídas, como sinal do desprezo que se sentia pelo corpo, que era considerado um simples apêndice da alma. O período gótico trouxe um tímida tentativa de refazer a figura humana, mais elaborada e partindo de umas premissas mais naturalistas, mas sob um certo convencionalismo que segurava as formas a uma rigidez e uma estrutura geometrizante que subordinava o corpo ao aspecto simbólico da imagem, sempre sob premissas da iconografia cristã. O nu aproximadamente naturalista começou a aparecer com timidez na Itália pré-renascentista, especialmente na obra de Nicola Pisano, Giovanni Pisano e Giotto.

Arte da Idade Moderna

A arte na Idade Moderna — não confundir com arte moderna, que costuma empregar-se como sinônimo de arte contemporânea— desenvolveu-se entre os séculos XV e XVIII. A Idade Moderna implicou mudanças radicais a nível político, econômico, social e cultural: a consolidação dos estados centralizados, a instauração do absolutismo; os novos descobrimentos geográficos —especialmente o América — abriram uma época de expansão territorial e comercial, supondo o começo do colonialismo; a invenção da imprensa implicou uma maior difusão da cultura, que se abriu a todo tipo de público; a religião perdeu a preponderância que tinha na época medieval, ao que coadjuvou o surgimento do protestantismo; ao mesmo tempo, o humanismo surgiu como nova tendência cultural, deixando passo a uma concepção mais científica do homem e do universo.

Arte contemporânea

Entre final do século XVIII e princípios do XIX sentaram-se as bases da sociedade contemporânea, marcada no terreno político pelo fim do absolutismo e a instauração de governos democráticos — impulso iniciado com a Revolução Francesa —; e, no econômico, pela Revolução Industrial e a consolidação do capitalismo. No terreno da arte, começa uma dinâmica evolutiva de estilos que se sucedem cronologicamente cada vez com maior celeridade, que culminará no século XX com uma atomização de estilos e correntes que convivem e se contrapõem, influem-se e enfrentam-se. No século XIX abunda mais que nunca o nu feminino — especialmente na segunda metade do século —, mais que em outros períodos da história. Contudo, o rol feminino varia para se tornar num mero objeto de desejo sexual, num processo de desumanização da figura da mulher, submetida ao ditado de uma sociedade preponderantemente hedonista.

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Médios audiovisuais

Além de na pintura e na escultura, o nu também se desenvolveu em outras artes, da dança e o teatro até novos meios e técnicas como a fotografia, o cine, a televisão e a revista em quadrinhos. Nestes meios, especialmente desde o século XX, o nu costuma estar vinculado ao erotismo, que representa um forte reclamo a nível comercial, pelo qual foi profusamente usado pela publicidade. Nestes meios costuma percorrer-se a atores e modelos fisicamente atraentes, cobrando um grande auge nos últimos tempos a demanda de imagens de celebridades despidas no novo meio de comunicação de massas, internet. Também proliferaram desde meados do século XX as revistas eróticas, como Playboy, Penthouse e Hustler, que oferecem imagens de modelos despidas e implicaram um marco na educação sexual de muitos adolescentes. Contudo, nem todo nu é erótico, e numerosos artistas trataram o tema do corpo humano despojado de roupa como metáfora da vulnerabilidade do corpo e da fragilidade da vida.

Fotografia

À procura de uma maior artisticidade que outorgasse categoria às suas obras, na segunda metade do século XIX muitos fotógrafos basearam-se em técnicas artísticas para realizar muitas das suas composições, outorgando um certo ar pictórico às suas obras, no que a composição e o jogo de luzes e sombras estão inspirados nos grandes gênios da pintura. Portanto, esta corrente foi denominada fotografia academicista, com representantes como André Adolphe Eugène Disdéri, Émile Bayard, Eugène Durieu e Gaspard-Félix Tournachon. Um dos primeiros fotógrafos em dedicar-se com assiduidade ao nu foi Félix-Jacques Moulin, quem em 1849 abriu uma loja no bairro parisiense de Montmartre e começou a produzir daguerreótipos de senhoritas jovens em diversas poses. Contudo, em 1851 o seu trabalho foi confiscado, e foi sentenciado a um mês de prisão pelo caráter “obsceno” das suas obras.

Cine

Assim, nestes últimos anos não é estranho encontrar cenas de nu em filmes comerciais como Splash (1984, Ron Howard), Nove semanas e meia (1986, Adrian Lyne), Instinto básico (1992, Paul Verhoeven), Prêt-à-Porter (1994, Robert Altman), The Full Monty (1997, Peter Cattaneo), Eyes Wide Shut (1999, Stanley Kubrick), etc. Atualmente, o nu é até mesmo uma forma de cotização para atores e atrizes, pois é um forte reclamo para o público, existindo a opinião de que um dos fatores do Óscar à melhor atriz para Halle Berry por Monster's Ball (2001) foi a sua aparição despida no filme. Um dos filmes com maior número de nus coletivos —requereu 750 extras— foi O perfume (2006), de Tom Tykwer, onde na cena final, em que o assassino vai ser justiçado, este espalha uma fragrância que hipnotiza o público assistente, que se põe numa desenfreada orgia que permite o prófugo escapar.

Artes cênicas

O nu é também um recurso habitual nas artes cênicas como o teatro e a dança, especialmente desde meados do século XX. Nestas formas artísticas o corpo tem uma especial relevância, pois é transmissor, pelos seus gestos e movimentos, de uma grande quantidade de expressões e sentimentos. No teatro, onde se encena um conto ou drama literário, o nu pode estar justificado —como no cine— pelo roteiro, em cenas no âmbito doméstico ou qualquer situação que o requeira. O nu teatral adquiriu um grande auge nestes últimos tempos graças ao teatro experimental e à influência do happening e a performance, espetáculos que pela sua representação ante um público têm um forte componente teatral. Em tais casos a nudez é empregue como forma de provocação, de impactar o público, de pôr em dúvida os convencionalismos sociais.

Outros meios

As séries de televisão rara vez mostraram nus atrevidos. Depois do escândalo motivado pelo espetáculo de Janet Jackson no descanso da Super Bowl de 2004 — onde a artista ensinuou um peito sem querer —, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos declarou que era hora de tomar medidas drásticas para a televisão diurna, e as nove cadeias norte-americanas começaram a impor uma regra não escrita para evitar qualquer classe de cenas para adultos atrevidas. Contudo, no âmbito europeu o nu é exibido cada vez com maior naturalidade, em séries como: Roma, Espártaco e Os Tudor. Em meios editoriais, o nu foi um recurso frequentemente usado como reclamo especialmente para o público masculino, quer em revistas de corte erótico ou em magazines de notícias e reportagens que incluem algumas páginas de modelos despidas, onde é típica a presença de um pôster central desdobrável. Em princípios do século XX as modelos que apareciam neste tipo de publicações recebiam a alcunha de pin-ups, e embora pelo general fossem modelos amadoras algumas adquiriram notável fama, como Bettie Page. Contudo, atualmente este tipo de trabalhos realizam-nos modelos fotográficas, atrizes de cine, cantantes ou top-models do mundo da moda e da publicidade. Algumas revistas dedicadas ao nu erótico atingiram uma grande notoriedade e difusão mundial, como Playboy, Penthouse e Hustler, chegando a desnudar a famosas modelos e atrizes, como Marilyn Monroe, que inaugurou o primeiro número de Playboy em 1953, ou Madonna, que em 1985 apareceu em Playboy e Penthouse.

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