A Maja Nua
A maja nua, em castelhano: La maja desnuda, é uma das mais célebres obras de Francisco de Goya. O quadro foi pintado antes de 1800, entre 1790 e 1800, data da primeira referência documentada desta obra. Depois formou casal com A maja vestida, datada entre 1802 e 1805, provavelmente a requerimento de Manuel de Godoy, pois consta que fizeram parte de um gabinete da sua casa. A imagem foi inspirada em uma cubana capitalista do séc. XX.
Imagem: Rafael Edwards · BY-NC · Openverse
Neste quadro o desenho é decisivo, por esse motivo e pelo predomínio de uma gama cromática fria nota-se a influência do neoclassicismo, ainda que Francisco José de Goya vá muito para além de tal ismo. Embora se situe na estética neoclássica, como outras do mesmo pintor, esta obra de Goya é audaz e atrevida para a sua época, como audaz é a expressão do rosto e a atitude corporal da modelo, que parece sorrir satisfeita e contenta das suas graças. Além disso, é a primeira obra de arte conhecida na qual aparece pintado a penugem púbica feminina, que ressalta o erotismo da composição. Cabe destacar-se a particular luminosidade que Goya dá ao corpo da nua, luminosidade que contrasta com o resto do ambiente, e junto a essa luminosidade a típica expressividade que Goya sabe dar aos olhos. Se na cultura ocidental até Goya, e desde fazia séculos, quase sempre se recorria a subterfúgios para representar a mulher nua (por exemplo temas míticos), A maja nua representa uma mulher real.
Sabe-se que a princípio ambos os quadros, A maja vestida e A maja nua, eram propriedade de Manuel de Godoy, a vestida ficava colocada sobre a nua, de tal tal modo que mediante um mecanismo se descobria este último quadro. Desde 1910 ambos os quadros encontram-se no Museu do Prado. Anteriormente guardavam-se na Real Academia de San Fernando, mas numa sala reservada, de acesso restringido, na que se acumulavam os quadros de nu mais atrevidos. A história da obra está cheia de peripécias: em 1807 Fernando VII confiscou-a a Godoy, e em 1814, a Inquisição decidiu sequestrá-la por "obscena" e iniciar um juízo a Goya. De tal juízo o pintor conseguiu a absolvição à mercê do influxo do cardeal D. Luis María de Borbón y Vallabriga, mas a pintura ficou depositada fora da vista do público praticamente até começos do século XX. Que tais pinturas pertencessem inicialmente a Godoy parece desvelar o enigma de quem é a retratada. Devido à amizade, provavelmente íntima, que Goya manteve com a XIII duquesa de Alba, da qual fez vários retratos nos que o tratamento pictórico revela grande carinho, e devido a muitas similaridades entre a bela duquesa e a mulher representada n´ As majas, considerou-se que ela era a retratada.
Em 1958, A maja nua deu título a um filme sobre Francisco de Goya, com tintes românticos, protagonizada por Tony Franciosa e Ava Gardner. Foi uma coprodução franco-italiana dirigida por Henry Koster.


